We Are The Champions
14 Capítulo 13
Mariana POV
O olhar de Dayene paira sobre mim, seus olhos estãosemicerrados e seu rosto está formando uma expressão de ódio.
— O que houve, Dayene? — Pergunto me aproximando dela, de perto os machucados parecem ainda piores.
— Cínica. — Ela resmunga e eu fico confusa. — O que está esperando pra começar a rir? —
— Do que é que você está falando? — Questiono já irritada com as palavras dela. O que aconteceu aqui? Por que ela está descontando sua raiva em mim?
— Você é mesmo muito falsa né? Pare de fingir, suas amiguinhas já me disseram que foi você quem pediu pra elas me baterem. — Ela cospe as palavras na minha cara com a voz carregada de raiva e indignação. — Por que fez isso? Eu te ajudei, Mariana, e você me retribui mandando me surrarem? Que tipo de pessoa é você? —
Escuto tudo que Dayene diz e aos poucos minha cabeça começa a ligar os acontecimentos, numa série de flashbacks.
— Merda — Resmungo jogando as meu boné no chão do vestiário e atraindo todos os olhares pra mim.
— O que houve, Mary? — Juliana pergunta, ela é uma das melhores jogadoras do time ao qual eu costumava pertencer.
— Dayene. — Resmungo. — Nerd idiota. —
— A menina nova no time? Ela é boa. — Chiara comenta e eu a fuzilo com os olhos, vendo-a se encolher um pouco, talvez de medo.
— Qual é o problema com ela? —
— Estou no banco, sou substituta daquela idiota. — Respondo, cheia de ódio apenas por lembrar de tudo que aquela imbecil está me fazendo passar desde que pisou na escola. — Como se não bastasse invadir meu grupo de amigos, agora também quer meu lugar no time. Vou arrebentar a cara daquela vadia. — Chuto a porta de uma das cabines e ligo o chuveiro, deixando a água remover o suor e tentando fazer com que ela lave também o ódio que eu sinto daquela menina.
– Também não fui com a cara dela. — Juliana grita, já vestida e saindo pronta pra voltar pra quadra. — Pode deixar Mary, qualquer dia a gente arrebenta a cara dela. —
Dayene limpa seu rosto com um lenço, esperando uma reação minha enquanto borbulha de raiva. Sacudo a cabeça e me praguejo por ter reclamado tantas vezes dela pras garotas do time, eu realmente não pensei que elas estivessem falando sério quando ameaçavam bater na Dayene. Sinto-me tão culpada em saber que haviam machucado ela por minha causa que minha única reação foi andar até ela e esmaga-la entre meus braços.
— Me larga, Mariana. — Ela se debate, tentando se desvencilhar. — Que merda você tá fazendo? —
— Dayene, me escuta. — Peço soltando-a e ela me encara séria. — Não fui eu que pedi pra eles te baterem. Na verdade, foi, mas isso aconteceu semanas antes do acampamento. Eu estava brava com tudo que estava acontecendo e acabei falando coisas que não devia. Mas não foi minha culpa, não sabia que elas estavam levando a sério. — Digo olhando-a nos olhos e reparando em seu rosto cheio de machucados. Sinto uma pena imensa dela e a vontade de abraça-la é maior ainda, eu sou culpada por terem machucado ela. Logo Dayene, que cuidou de mim. Terminantemente, eu sou a pior pessoa do mundo.
— Por que eu acreditaria em você? — Ela pergunta e noto que seu lábio está voltando a sangrar.
— Porque eu nunca machucaria você depois do que fez por mim ontem. — Sorrio singelamente e ela desvia o olhar, sorrindo minimamente. Levo minha mão até seu rosto, fazendo com que ela olhe pra mim e mantenho a esquerda em seu queixo, passando levemente o polegar onde sagrava. — Vou cuidar de você. —
Dayene apenas abaixa a cabeça e seguimos pro quarto. Eu, em estado normal, jamais cuidaria de alguém, mas me sinto na obrigação já que tinham batido nela por um comentário que eu fiz.
— Tem um kit de emergência na minha mochila. — Ela fala baixo e fica sentada, como uma criança quando rala o joelho e espera a mãe dar um "beijinho pra sarar". Rio da minha comparação, nunca que eu ia beijar a boca da Dayene.
Acho a bolsa vermelha dentro da mochila e sento ao lado dela, molhando um algodão no antisséptico e limpando o sangue seco da parte superior de seu lábio inchado. Ela geme de dor, mas se mantém quietinha enquanto eu pressiono a bolinha felpuda tentando coagular o líquido vermelho.
— Acho que melhorou. — Reparo analisando sua boca. Está avermelhada, mas não tem nenhum rastro de sangue ali. Ela passa a língua tirando os fiapos do algodão e noto que ela ainda está inchada. Muito inchada.
Limpo seu olho roxo e coloco curativos nos arranhões em seu braço. Suas costelas também estão machucadas, mas ela garantiu que podia cuidar daquilo sozinha e procuraria um médico. O olho dela continua horrível, não temos gelo e nem nada gelado pra amenizar o inchaço, então improviso molhando uma toalha e colocando sobre o mesmo. Dayene é muito frouxa, só sabe ficar gemendo ou reclamando da dor. Todo momento que estou prestes a xinga-la, lembro a mim mesmo que a culpa é inteiramente minha e me mantinho em silêncio, focando em apenas cuidar de seus machucados.
— Obrigada. — Ela sorri, dessa vez abertamente e mostrando seus dentes brancos. Sorrio de volta e abraço-a de lado, leva apenas alguns segundos pra ela corresponder.
— Me desculpe por isso. — Sussurro, apoiando o queixo em seu ombro.
Dayene diz alguma coisa, mas não consigo ouvir porque o barulho da porta me desvia a atenção. Os meninos entram e param no mesmo momento, olhando fixamente a cena entre nós duas.
— Sinto muito interromper o momento fofo entre vocês, mas temos que ir embora. — Theo comenta e Douglas sorri malicioso.
— O que estavam fazendo ai? — Douglas pergunta e Dayene se vira, transformando as expressões deles de safadas para chocadas. — Meu Deus, o que houve com você? —
— Eu conto pra vocês no ônibus, vamos. — Ela já está de pé, pegando suas coisas e caminhando pra fora junto com todos eles, enquanto eu me mantenho sentada na cama e pensativa. — Não vem, Mariana? —
— Pode ir, Dayene, vou resolver uma coisa. — Respondo e ela sorri, assentindo e em seguida desaparece pela porta junto dos outros.
Douglas perguntar o que tinha acontecido me lembrou do que eu tinha que fazer antes de ir embora: quebrar a cara das vadias que machucaram Dayene. E é exatamente isso que eu vou fazer.
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