We Are The Champions
11 Capítulo 10
Mariana POV
De todas as situações ruins que eu presenciei, ver Isis morrer está no topo delas. Eu poderia descrever como chocante, terrível, horrível e até mesmo engraçado. Não que eu seja uma pessoa ruim, do tipo que ri da desgraça alheia, mas ver ela se achando a poderosa pra depois se estatelar no chão foi engraçado. Ou eu sou muito insensível. Em todo caso, foi esquisito presenciar a morte dela e saber que ela era a culpada da mesma. Fiquei com pena mesmo do Theo, que parecia um filhote abandonado. Mas depois dele humilhar Douglas, que passou o dia inteiro o consolando, tive vontade de mandar ele se foder, mas me contive, afinal ele tinha perdido a namorada e estava abalado com isso.
Outra coisa que me irritou foi Dayene ter me ignorado o dia inteiro. Ela saiu da cabana antes mesmo que eu acordasse, passou o dia inteiro com aquele mané que só sabia rir da minha cara quando me via e pra completar, não teve a decência de dizer "meus pêsames" pro Theo. E tudo isso por quê? Porque tinha que ficar fazendo manha. Eu ia pedir desculpas pra ela, ia me redimir, dizer que tinha agido feito um idiota, mas ela não deixava, só sabia ficar me ignorando e andando pra cima e pra baixo com o Sr. Passo O Rodo Em Todas. Carinha ridículo.
Depois de dar uma rápida — por que ele me expulsou — passada na cabana do Douglas, que chorava desconsoladamente por causa da briga com T, vou pra minha cabana, reclamando mentalmente por ser tão desastrada e ter caído na trilha, meu joelho dói a cada passo que eu dou. Por que eu tenho que ser tão estabanada? Dayene está tomando banho e é uma ótima oportunidade para conversarmos quando ela sair, então vou separar minhas roupas pra também tomar um banho depois de me desculpar com ela. Abaixo pra pegar minha mochila e sinto uma pontada no estômago. Droga, eu me esqueci de trazer o antiácido. Outra dor, seguida de uma contração abdominal e a costumeira ânsia de vômito. Sem me importar com o que ia encontrar lá dentro, invado o banheiro e enfio a cara na pia, colocando tudo pra fora. Ouço Dayene gritar de susto e me olhar assustada. É, não deve ser muito agradável alguém entrar no banheiro quando você está tomando banho.
Dayene POV
Tentei não esbarrar com Mariana o dia inteiro e consegui, até ele arrombar a porta do banheiro enquanto eu tomava banho. Berro de susto e fico ainda mais nervosa quando a vejo vomitando. Sem ligar em estar nua, caminho até ela, ajeitando sua cabeça numa posição em que ele parasse de engasgar. Quando ela parou de tossir e expulsar tudo que havia ingerido, ela me olha por um momento como se tentasse entender porque eu a ajudei. Mas volta a se curvar em frente ao lavabo, vomitando novamente, dessa vez algo numa tom escuro como café.
— Você está melhor? — Pergunto, acariciando suas costas levemente enquanto ela lava a boca.
— Obrigada, Dayene. — Ela sorri sinceramente, seu rosto está pálido e ela parece assustada.
— O que houve? —
— Nada. — Ela responde e percebo que ela está tremendo de nervosa. — Tenho gastrite, isso acontece frequentemente. —
— Já procurou um médico? — Questiono. Estou preocupada, aquela mancha escura me parecia sangue e por mais que ela me deteste, eu costumo tentar ajudar as pessoas. Prova disso é eu ter saído do meu banho pra socorrê-la.
— Dayene, acho melhor a gente conversar quando você estiver vestida. – Ela diz, soltando um riso ao me ver corar. Eu tinha esquecido que estava nua.
Volto ao chuveiro, que tinha deixado ligado e enfio minha cabeça embaixo da água. Sinto-me desconfortável ao perceber seu olhar em mim, ela não havia saído do banheiro.
— Mariana, se não se importa, eu prefiro tomar meu banho sozinha. — Digo, sem encara-la.
— Ah, claro, sem problemas. — Ela diz e ouço o som de seu chinelo contra o piso molhado. — A propósito, belo corpo Dayene. — Ouço sua risada antes da batida da porta.
Coro violentamente com o comentário nada discreto dela. Qual era o problema dela? Não gosta de mim, mas elogia o meu corpo? Também, só uma louca como eu pra ficar como veio ao mundo na frente da inimiga, que momento constrangedor. Volto a tomar meu banho, tentando ignorar o fato de que Mary tinha me visto nua.
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