We Are Demigods
2 Os Bichinhos de Estimação da Angel
Notas iniciais
ANGEL
– Parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos Doritos na vida! — grita Cat abrindo a porta do chalé e pulando em cima de mim. Não preciso nem dizer que houve várias reclamações dos filhos de Hermes, né?
Vocês devem estar pensando: "Filhos de Hermes? Mas você não é filha de Hermes!". Vocês estão certos, mas eu sou uma indefinida. Sim, ninguém me ama, ninguém me quer, por isso me jogaram nesse chalé.
– Ah, fala sério Destiny! — Digo só para irrita-la.
– Nossa, eu venho aqui toda feliz, cantando pra você, e hoje nem é seu aniversário! — Reclamou Cat em um falso tom magoado.
– Cat, hoje é o meu aniversário — Respondi levantando — E são seis e meia da manhã!
– Eu estou hiperativa — Ela deu de ombros. Eu me levantei do meu saco de dormir e coloquei meu casaco por cima do pijama. O chalé 11 está bem mais vazio, já que a maioria dos indefinidos foi reclamado, sobrando só os mil e um filhos de Hermes e uns seis ou sete indefinidos com menos de treze.
Saímos do chalé indo em direção ao refeitório, e percebi que Cat está mesmo hiperativa, pois ela dava pulinhos esquisitos e contorcidas, o que a fazia parecer uma doninha albina lunática, o que ela é.
– Você está fazendo quantos anos? — Perguntou Cat quando avistamos o refeitório.
– Treze, o número do azar.
– Treze...Não é o limite para a reclamação? Hoje até a meia noite você vai descobrir quem é seu pai!
– Finalmente! Não aguento mais ficar no chalé onze — Resmunguei.
Chegamos ao refeitório e eu fui para a mesa de Hermes, que estava vazia porque o povo é preguiçoso e só acorda quando a tromba do acampamento toca. Comi calmamente minhas panquecas com mel — mentira — e tomei meu suco de maçã.
– São quinze pras sete, sabe o que isso quer dizer? — Cat perguntou dando seus saltos de doninha albina lunática.
– Não. — Respondi calmamente.
– WHAT TIME IS IT? IS MACARENA TIME! — Ela responde a si mesma e sobe em cima da minha mesa, começando a dançar Macarena. Não preciso nem dizer que eu chutei a mesa a fazendo cair, né?
– Angeline! Catherine! — Exclamou Quíron ao ver a cena. Obviamente ele nos expulsou do refeitório.
– Hey! Vamos fazer alguma coisa hoje? — Perguntei para Cat.
– Sim...Eu tenho um plano — Ela sorriu maleficamente — Me encontre na ala dos chalés dez para meia noite.
11:50
– Hey, Cat — Sussurrei chegando perto de onde ela estava encolhida, atrás de um braseiro jogando pacman.
– Pronta? — Perguntou ela guardando o joguinho.
– Sim.
– Quer fazer as honras? — Cat perguntou me entregando a coca e o pacote de mentos.
Andamos até o chalé de Ares, colocamos a garrafa na janela e tiramos a tampa. O chalé explodiu em confusão com filhos de Ares muito, MUITO irritados e molhados. Muitos campistas saíram apressados de seus chalés para vez o que aconteceu (afinal, filhos do deus da guerra zangados fazem muito barulho), alguns rindo e outros com medo demais para olhar.
Quíron veio trotando da Casa Grande parecendo meio bravo, com seus bobs no rabo balançando furiosamente.
– Quem fez isso? — Ele exigiu.
Todos olhavam para nós, que continuávamos escondidas atrás do braseiro, só que em pé. De repente, alguns ofegaram e outros tinham os olhos arregalados. Quíron arregalou os olhos e ajoelhou em seu jeito de cavalo.
–Salve Angeline Vellar! Filha de Hades, deus dos mortos; abençoada de Hermes, Dionísio, Apolo, Afrodite, Hefesto, Ares e Nyx.
***
– Angel, você é filha do suquinho? — Perguntou Cat.
– É o que diz minha pulseirinha — Respondi ironicamente.
Todos ainda olhavam atônitos para mim. De repente um garoto do chalé ao lado do chalé de Hermes.
– Ei! Estou tentando dormir aqui. — Ele reclamou carrancudo.
– Nico, venha cá, nós precisamos conversar. — Quíron disse e arrastou nós dois para a Casa Grande.
– Então... — Falou Nico assim que chegamos.
– Nico, essa é sua nova irmã, Angeline Vellar — O centauro me apresentou.
– E ai, mané. — Falei.
– Irmã? Eu tenho uma irmã? — Nico disse em um misto de espanto e felicidade.
– Sim, e amanhã ela se mudará para seu chalé. — Quíron nos acompanhou até o lado de fora — Está tarde, vão dormir.
No outro dia...
Caminhei com as minhas coisas para o chalé de Hades, o que por acaso foi horrível, porque eu tinha duas mochilas, uma com coisas minhas e outra com coisas roubadas, e o pior: eu tive que dar uns vinte, eu repito, UNS VINTE passos. Foi horrível.
– Angel — Cat me chamou enquanto eu entrava no chalé — Já sabe qual cama vai querer? — Varri o chalé com o olhar e apontei para uma cama no canto, o mais afastado possível da janela. Coloco minhas coisas lá.
– Tenho que achar o Nico... — murmurei.
– Acho que ele não está aqui — Cat deu de ombros.
– Avá.
– Não, aqui eu quero dizer no acampamento. Ele vive indo pro mundo inferior.
– Oi — Nico estava parado na soleira da porta olhando para Cat com as sobrancelhas franzidas — O que você está fazendo aqui?
– Vendendo aspirador de pó. Quer um? — Cat falou sarcasticamente.
– Nico, eu quero ir ao mundo inferior — Digo.
– Melhor não — Ele responde firmemente.
– Sim — Respondi.
– Não.
– Sim.
– Não.
– Sim.
– Não.
– Sim.
– Não.
– Não!
– Sim! Merda!
– Já que você concordou...
Nico resmungou alguma coisa, mas mesmo assim me ofereceu as mãos e me puxou para uma sombra. Ah, que coisa agradável! Chegamos a um jardim sinistro, que apesar de tudo, eu não gostei. Estremeci.
– Este é o jardim de Perséfone. Nossa "querida" madrasta. — Nico fez aspas com o dedo.
– O que está fazendo aqui, Nico? — Uma mulher estranha aparece. Ela parecia colorida, só que desbotada. Era Perséfone.
– Nós viemos ver Hades — Falei. A mulher me olhou com desprezo.
– Ah, você é a nova filha de Hades?
– Sim.
– Você não pode vir aqui e pensar que... — Perséfone foi interrompida por um "BASTA!" vindo do castelo que estava atrás do jardim. Um homem muito doido apareceu, ele tinha cabelos, olhos e roupas pretas e a pele mortalmente pálida. Hades.
– Pai. — Nico se ajoelhou em reverencia, mas eu fiquei em pé. Eu? Ajoelhar? Esse povo é doido.
– Hades. — Digo assumindo meu ar "advogadial" — Requisito uma conversa particular. — Hades pareceu considerar por um momento e deu de ombros.
– Por aqui — Ele disse indo em direção ao castelo.
HADES
Angeline me seguiu até a sala de conversas. O que será que ela quer? Já não basta o Nico grudado em mim, agora ela também? Se fosse assim eu não teria reclamado-a.
Sentamos no sofá de conversar.
– Então...O que você quer? — Perguntei.
– Você passou treze anos longe de mim. Você precisa compensar de alguma forma.
– Como? Você não espera que eu te leve ao parque, não é?
– Não. Apenas me de alguma coisa — Angeline me encarou.
– Não. Nunca. De jeito nenhum — Disse negando com a cabeça. Quem esses filhos pensam que são? Eu não sou rico! Mentira, eu sou sim, só não quero gastar com meus filhos.
– Então eu vou te irritar até você me dar o que eu quero. — Ela da de ombros e começa a me cutucar e a cantar.
– Eu sou um bolinho de arroz! De arroz!
Meus bracinhos vieram bem depois! Bem depois!
Minhas perninhas ainda estão por vir! Estão por vir!
E eu não tenho boquinha pra sorrir.
Por quê? Por quê? Por quê?
Porque eu sou um bolinho de arroz!
Que garota irritante. Será que ela é amiga daquela loira?
– Ok, ok. Você venceu. Vou ver o que posso fazer.
ANGEL
Hades saiu pra lá sei onde e voltou cinco minutos depois com um cartão e uma sacola.
– Aqui, cem dracmas e um vale cão infernal.
– Legal. Valeu pai — Exclamei e o abracei. Sai saltitando para fora do castelo. Na varanda, Nico e Perséfone estavam jogando UNO. Assim que eu cheguei eles levantaram rapidamente e casa um foi para um lado.
– Hey, Nico, onde ficam os Campos de Punição, lado norte, ponta oeste? — perguntei falando o endereço no meu vale cão infernal.
– Sei onde fica isso, te levo lá. — Nico pegou minha mão e me arrastou para as sombras, de novo. Cara, eu preciso aprender a fazer isso!
Chegamos em um portão de ferro negro com um esqueleto de guarda na frente. Mostrei meu cartão e ele abriu. Nós entramos e vimos ("Nós". Nico estava praticamente dormindo) um campo com vários cães infernais de todos os tamanhos, todos negros com olhos vermelhos. Apontei para um pequenininho.
– Eu quero ele. — O guarda pegou meu cartão e em seguida colocou o cão no meu colo.
– Vamos? — Nico perguntou, já com uma cara melhor (ele deve ter tomado néctar ou comido ambrosia), e me puxou de novo. Deuses, eu estou amando isso!
Chegamos no acampamento e encontramos Cat pulando em cima da minha cama com fones de ouvido.
– Joker face!
Cause I am a psychopathic killer!¹... Hey! Vocês voltaram! O que é isso? — Cat apontou para o cão infernal no meu colo.
– Esse é o meu novo cão infernal.
– E o nome?
– Tony.
– Por que? — Nico e Cat perguntaram juntos.
– Duh, por causa do Tony Stark.
Três dias depois...
– Angel! Tem um cara te chamando aqui! — Grita Nico lá da porta. Corri super rápido até lá e empurrei meu irmão da frente (sou um doce). José da Cunha estava segurando em uma mão uma prancheta e na outra uma caixa com furinhos. Sorrio, assino a prancheta e pego a caixa. Em seguida, volto para o chalé.
– O que é isso? — Nico perguntou.
– É um ovo de escorpião gigante voador. Pedi pelo Hermex. — Disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– Isso existe?
– Sim. Hey, Nico, fecha a porta por favor? — Nico foi fechar a porta e eu escutei um grito. Corri para lá, e Nico estava mais pálido que o normal com os olhos arregalados.
– Angel...O que é isso? — Ele apontou para uma cobra — tipo assim, enorme — perto da porta.
– Nanny.
– Isso vai dar merda.
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