W.d.y.w.f.m?

1 One: Hello, stranger


Notas iniciais
Olá, pessoinhas do meu coração!
Essa é minha primeiríssima fanfic Johnlock, e admito que 'tô um pouquinho nervosa, mas espero que gostem tanto quanto eu!

Boa leitura ♥

Yougot me and I couldnotdefendit
I triedbut I had to surrender
Your star got me underthespellbound

Left me no otherchoicebut to getdown

Jennifer Lopez feat. Lil Wayne, I'm Into You

Muito diferente do que era de se imaginar, Londres tinha um clima fresco, quente e agradável naquela manhã. O Sol, apesar de tímido, tentava dar as caras por trás das nuvens acinzentadas que rodeavam os prédios e sobrados da velha cidade. A pouca claridade já iluminava as ruas, e os raios solares corajosos o suficiente para cortarem caminho entre as partículas de água acumuladas no céu tocavam o chão coberto por um tapete branco e gelado de neve que todos os londrinos já conheciam de cabo a rabo.

John, sentado em sua cama, respirou fundo. A primavera começava a florescer na Inglaterra, trazendo o calor suave muito esperado pelos britânicos. O jovem esticou os braços, cansado, mas sentia-se animado. Todo o clima sutil preparado pela mãe natureza era, para o Watson, a prova de que simplesmente poderia nada poderia dar errado naquela manhã. Nada, nadinha mesmo iria estragar seu dia.

Bem, somente o destino tinha a palavra final e definitiva para aquela afirmação.

Ele se levantou de sua cama num pulo, atravessando seu quarto de piso gelado calçando apenas um par de meias e uma bermuda surrada que lhe servia de pijama. Caminhou alegre até seu banheiro e encarou seu rosto por alguns segundos, vendo a cara amassada pela posição na qual dormira, com a bochecha direita vermelha pelas marcas do travesseiro. Com as mãos em concha, o loiro encaixou-as debaixo da torneira e a ligou, deixando o fluxo de água fria cair sobre suas palmas para poder atirar as gotas contra sua face. Mais ativo, escovou os dentes e penteou os cabelos dourados, se encarando novamente no espelho.

As tatuagens de John eram algo que realmente lhe orgulhavam. O longo desenho de um coração humano repleto de estrelas variando entre as cores laranja, verde claro, vermelho e preto lhe descia pelo ombro esquerdo, alcançando a lateral respectiva de suas costas, enquanto uma estrela solitária abrigava-se em seu pescoço. Mais abaixo, em sua cintura, o design simplório de uma pistola preta desenrolava-se em sua pele clara. Claro, nenhum de seus colegas da faculdade as havia visto, já que o rapaz sempre as mantinha escondidas debaixo de uma camisa social e um colete de lã ou cashmere. Todos tinham a impressão de que o loiro era um garoto "santinho, inocente e perfeito", incapaz de ter algo como aquilo em seu corpo. Watson gostava de manter aquela impressão, por mais que soubesse que de santo, inocente ou perfeito ele não tinha de nada.

A calidez que abraçava o dia lá fora convencera John a abandonar o colete aconchegante e a blusa social em casa, optando por usar uma camisa branca simples de mangas curtas e uma calça jeans clara. Calçou seus tênis pretos, bagunçou os cabelos diante do espelho mais uma vez e sorriu satisfeito com sua própria aparência, finalmente deixando seu quarto. A casa de número duzentos e vinte na rua Baker não era extravagante, muito menos luxuosa, mas tinha lá seu charme acanhado que conquistara o coração da família Watson, sofrendo muitas poucas mudanças ao longo dos anos. O loiro adorava cada canto daquele lugar, conhecendo-o como a palma da sua mão.

Ao alcançar a cozinha, a senhora Watson cumprimentou seu filho com um beijo carinhoso em sua bochecha. Sempre gentil, a mulher era uma pessoa naturalmente adorável e muito, muito carismática. John não se surpreendeu ao ver a mãe cozinhando biscoitos de chocolate logo de manhã cedo, mas a curiosidade mordiscava-lhe de forma irritante. Sentou-se no balcão americano da cozinha, levou uma xícara de café aos lábios rosados e logo os lambeu, espantando a queimação que corria por sua língua.

— Mãe, por que está assando biscoitos logo de manhã? Eu sei que é o primeiro dia de primavera mas...

— Oh, querido, você não viu? — o rapaz meneou a cabeça, confuso — Temos novos vizinhos! Estou preparando um presentinho de boas vindas.

Tudo ficou claro. John talvez tivesse reparado no carro desconhecido parado em frente a porta verde escura da casa ao lado, o número duzentos e vinte e um. Talvez também tivesse reparado no caminhão de mudanças que estacionara um pouco mais abaixo na rua. Pequenos detalhes que o universitário não havia visto relevância, e que seu cérebro automaticamente resolvera ignorar. Seu falecido pai uma vez dissera que ele sempre via, mas nunca observava. A frase caíra no esquecimento após tantos anos, mas era certo que aquelas palavras surgiriam na vida do loiro novamente.

Ele se levantou, visto que o café em sua xícara havia terminado, e caminhou até a sala, onde sua bolsa bege clara e a câmera fotográfica descansavam. O grande caminho de sua vida era a medicina; o rapaz queria carregar o legado que seu pai, médico do exército britânico, o deixara. Queria salvar vidas e ser um herói como seu velho bom homem, e esforçava-se ao máximo para ter as melhores notas da sua turma na University College London, a faculdade que cursava. A segunda maior paixão de John era a fotografia; apesar de não ser um observador ávido, ele certamente tinha um olho muito bom para fotos, em qualquer ângulo ou situação que fosse. E sua habilidade "inusitada" lhe rendera o lugar de fotógrafo oficial do jornal da universidade, criado especificamente pelos alunos de jornalismo e publicidade. Qualquer furo que brotasse pelos corredores da UCL seria ligeiramente registrado pelas lentes de alta definição do jovem Watson.

Dentro de sua capa especial, a câmera da marca Nikon rapidamente se acomodou sobre os livros didáticos do universitário, cuidadosamente colocada entre a parede da bolsa e o caderno que usava para fazer as anotações necessárias durante as aulas. Revisou seu material mais uma última vez e desejou um bom dia para sua mãe, ouvindo a resposta como a sua e enfim deixou sua casa. Os fios dourados que teciam entre as nuvens acariciaram sua pele, fazendo-o abrir um sorriso. John estava decidido a não deixar que nada estragasse aquela manhã incrivelmente tranquila e perfeita. Seguiu a pé até a faculdade, visto que não era tão longe de sua rua.

Conforme caminhava, o garoto cumprimentava seus vizinhos com acenos e sorrisos tímidos, mas instintivamente sentiu suas pernas travarem no lugar onde parara e levou os olhos claros até a fachada um tanto desbotada da casa de dígito final número um. O duzentos e vinte e um ficara vazio por meses a fio, recebendo algumas visitas de clientes interessados, mas que nunca davam as caras novamente. Watson precisava admitir que sua curiosidade para saber quem era seu novo vizinho de janela — visto que o quarto do segundo andar tinha a placa de vidro virada para a sua — e quando iria conhecê-lo.

Sacudiu a cabeça, forçando seus músculos voltarem a caminhar. Apesar de estar relativamente adiantado, John não queria perder nenhum minuto a mais de sua caminhada.

Analisar superficialmente as árvores e casas enquanto seguia seu caminho era uma ótima maneira de começar o dia para o estudante de medicina. Os galhos franzinos, após o longo e rigoroso inverno, lentamente se enchiam de folhas vivas, renovando sua aparência, trazendo o verde alegre de volta às ruas londrinas. Algumas poucas flores começavam a vingar em quintais aleatórios, pintando a cidade com ainda mais cores. Todo aquele ambiente que a primavera preparava de forma tão espontânea e natural levavam John ao êxtase. Ele amava estudar em dias como aquele, acomodado confortavelmente sob o grande carvalho que havia em seu jardim, em cima de uma fina toalha laranja. Amava tanto a chuva aconchegante que lhe convidava a dormir nos dias de inverno, quanto amava os dias timidamente ensolarados do verão e primavera, quentes o suficiente para tirar os adolescentes de seus sobretudos e cachecóis e se enfiarem em trajes de banho e viajar até as cidades litorâneas para aproveitar um belo dia na praia.

Faziam muitos anos que John não visitava a costa. A última vez em que sentira a areia dourada verter por entre seus dedos dos pés e a brisa gelada marítima bater contra suas bochechas fora a pelo menos quinze anos atrás, quando o senhor Watson ainda era um homem forte, ativo, e quando ainda estava vivo.

Enquanto as solas surradas de seus tênis diminuíam a distância que percorria, John iniciou uma série de lembranças sobre seu pai. Ele ainda era uma criança, tinha apenas cinco anos quando a tragédia ocorrera, mas lembrava-se bem do que acontecera naquele dia. Ele se lembrava de ver um homem fardado bater em sua porta, carregando um chapéu debaixo do braço e trazendo em uma de suas mãos um telegrama. Se lembrava de sua mãe, trêmula e lúgubre, segurá-lo em seus braços franzinos e chorar sobre sua cabeça, clamando a Deus que Henry Watson não estivesse morto, e que seu amado filho não ficasse sem um pai. Um sentimento ruim apoderava-se de John sempre que recordava-se daquelas imagens, e logo ele tratou de focar sua mente inquieta em outra coisa. Não ia deixar o passado — para ele, morto e enterrado — estragar seu dia perfeito.

Quando se tocou, o rapaz já estava diante da grande entrada de sua faculdade. O desenho grego, no estilo do Partenon, chamava atenção. Era difícil desviar os olhos da entrada bonita do lugar; que em ângulos específicos, cujos quais John sabia de cor, rendiam fotos excelentes. Ele sacudiu o rosto, despertando de seu devaneio pessoal, e abriu um sorriso discreto ao ver um pequeno grupo de estudantes organizados numa rodinha, próximo as portas principais. Ele reconheceu suas duas únicas amigas em meio aos colegas; Anthea Hopper, uma moça de cabelos castanhos que sempre tinha os olhos vidrados em seu celular, e sua irmã mais nova Molly, que segurava um par de cadernos coloridos contra seu peito, enquanto equilibrava a mochila em seus ombros. A primeira era estudante de administração, na ala norte da faculdade, a segunda também cursava medicina, mas voltada para a necrologia. Eram garotas legais, inteligentes e extremamente capacitadas. John as adorava, assim como boa parte da UCL.

— Bom dia. — o rapaz as cumprimentou com um sorriso leve. Anthea resmungou algo incompreensível e levou o aparelho em suas mãos até a orelha, caminhando para longe a fim de ganhar a privacidade necessária para conversar ao telefone. Molly sorriu.

— Bom dia, John. Uau, abandonou as roupas sociais e aquele colete! — a amiga gracejou, fazendo o outro rolar os olhos — Como está sua mãe?

— Bem. Bastante animada, aliás.

— Animada?

O sinal ecoou pelos corredores da faculdade, avisando aos alunos que os turnos de aulas iriam começar. Hopper e Watson seguiram seu caminho lado a lado, já que teriam a primeira aula do dia juntos.

— Temos novos vizinhos. Ela estava assando biscoitos de chocolate para levar a eles hoje de manhã.

— A senhora Watson é um doce. — o loiro assentiu positivamente com a cabeça — E você os conheceu?

— Não. Mas não significa que não quero conhecê-los, na verdade fiquei bem curioso.

Faziam bons anos que a casa ao lado da sua estava desocupada, o que era muito estranho já que tinha uma estrutura muito boa e bem preservada, localizada numa rua tranquila e próxima a tudo como a Baker. John nem sequer recordava-se de quem morara naquele lugar antes de se tornar quase que abandonado. De qualquer forma, o jovem esperava que não fosse nenhuma família repleta de crianças pequenas, barulhentas e escandalosas. Não que não gostasse mas, sendo um universitário, John precisava o máximo possível de silêncio para poder se focar e estudar.

Os dois entraram na sala de aula. Os outros companheiros de classe rapidamente preenchiam o cubículo com grandes janelas de vidro na parte esquerda do cômodo, onde era possível ver a entrada. Watson acomodou-se na cadeira do canto, próxima a janela — onde poderia apoiar sua cabeça e pestanejar por alguns segundos caso a aula estivesse muito entediante — e assistiu Molly se sentar a sua direita, arrumando seus materiais sobre a mesa de madeira. Os alunos conversavam sobre seu final de semana, o que havia feito e em que festa havia se metido quando o professor cujo o qual o loiro nunca gravara o nome entrou no ambiente. Atrás dele, uma silhueta esguia e alta chamou a atenção de Watson, que levou os olhos até o mesmo.

Era um rapaz, talvez um ano mais velho que ele. Seus cabelos negros como carvão eram compostos por cachos adoráveis que caíam sobre seu rosto fino. A pele branca parecia porcelanato, tão alabastrina quanto a própria neve que ainda encontrava-se escondida entre as calhas das casas e telhas de velhos telhados. Os lábios rosados estavam compridos, de maneira que formassem apenas uma linha tênue que deixara John incomodado. Os dedos longos batucavam a calça jeans preta, enquanto o peito subia e descia devagar dentro de sua camisa totalmente branca, coberta por uma jaqueta de couro negra. O veterano observou pequenas pintas espalhadas pelo pescoço exposto do novato, além do início de um desenho que parecia ser complexo descendo pelo seu peitoral. Havia uma cor alaranjada, em formas pequenas, parecidas com flores. Era certo que havia uma tatuagem grande escondida ali. O calouro girou os olhos claros pela sala, desinteressado, até cravar seus diamantes brilhantes nos lumes de John, que, quase como imediatamente, sentiu-se exposto. Nu.

Os olhos azuis eram tão claros, profundos e penetrantes que facilmente seriam capazes de ler os seus segredos mais sórdidos que se escondiam no âmago da sua alma. Eram tão encantadores quanto intimidantes, e John sentiu o fôlego escorregar vagarosamente para fora de seu peito, correndo por suas narinas a ponto de deixá-lo sem ar por alguns segundos. Sua sorte era que todos os alunos ao seu redor pareciam tão estúpidos quanto ele, analisando o novo garoto com o olhar crítico e afiado que os veteranos costumam ter.

— Bom dia, pessoal. Como podem ver, temos um novo aluno na classe. — o homem de cabelos grisalhos indicou que o moreno desse um passo a frente — Deem boas vindas à Sherlock Holmes.

Notas finais
E aí, o que acharam? Vejo vocês nos comentários!
Até o próximo ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.