Waves
1 u n d e r
Notas iniciais
Estou olhando para o a fina linha que divide mar do céu. Tão fina que parece não existir, então se você não prestar atenção, não perceberá que há uma diferença entre o azul-escuro e o azul-claro. Também há um sol caindo no horizonte fundindo o amarelo-ouro com o azul de ambos os lados.
Seguro meu vestido e meu chapéu enquanto meus pés afundam na areia branca, tão branca que parece lavada e higienizada. Essa é a primeira vez que eu realmente estou relaxada. E eu sou grata por isso.
Dou um passo à frente para sentir o mar banhar meus pés. Dou um sorriso tímido, acho graça por ela está fugindo de mim, pois eu faria o mesmo. Espero ela voltar, mas a água continua a contrair. Ao meu lado uma garotinha dá gritinhos quando ver uma estrela do mar. O vento sopra e uma sensação fria me faz tremer mesmo com o calor. A maré continua se afastar mais alguns metros. Sei que estou preste a presenciar algum fenômeno. Fecho os olhos em busca de alguma informação. Procuro em alguma lembrança das horas assistindo o canal de ciência ou algo do tipo.
"Alexia" Ouço uma voz grave pronunciar meu nome. Abro os olhos e um arrepio percorre minha coluna e continua a se alastrando pelas minhas veias, o frio parece congelar o sangue e meus olhos perdem o foco por um segundo.
Um navio está em alto-mar e atrás há uma parede branca, parece espumosa ou densa. Ela vai subindo e ganhando forma até se tornar a crista da onda, uma enorme onda do tipo que vemos apenas em filmes. Tento gritar, mas a minha garganta se fecha, tento respirar pelo nariz, mas o ar parece grande demais para passar pelas narinas. A onda gigante está preste a engolir o navio.
— Saiam da aí. Tem um tsunami atrás de vocês. — Tento alertar o navio como se fosse possível eles escutarem a essa distância.
Foi simples como o navio desapareceu. Não quebrou ao meio ou tombou. Apenas desapareceu para dentro da onda.
— Corram. Saiam daqui. Corram. — Minha voz não passava de um sussurro. — Vamos. Corram!
Tento correr o mais rápido que minhas pernas permitem. Ao subir nas pedras meus pés reclamaram da dor que o baque provocou. O ar parece cada vez mais escasso e não consigo respirar com eficiência. Dou uma olhada sob os ombros e vejo a curva se aproximar e depois virar uma faixa branca quando cair, a curva dobra de tamanho e novamente o branco surge com o cair.
Atravesso a calçada sem olhar para os lados e, as buzinas irritadas começam a soar como alertar da minha imprudência.
Os pedestres parecem me acompanhar na corrida. Gritos isolados vão se aglomerando. Esbarro em uma senhora que cai no chão. O baque faz com que eu também perca o equilíbrio e caia a poucos metros. A pele do meu joelho, cotovelo e rosto está ralada, formando pontinhos vermelhos em várias linhas retas. Tento reequilibrar, mas latejar na mão reclama, o joelho me permite apenas ficar em pé. A onda vem arrastando os carros e quebrando os coqueiros da calçada. Estou de olhos abertos quando a onda me atinge.
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