Watching You
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Eu ouvi toda aquela movimentação quando você chegou, mas algo me impediu de ir ao seu encontro.
Aquele era somente o primeiro dia.
Você estava encarregado de testar aquele lugar: Uma atração de terror, eles disseram. Mas no fundo, eu e você sabíamos que você era apenas mais um que morreria. Você deveria sobreviver cinco dias e depois se livraria de mim e sua terrível sina. Mas eu não estava disposto a te deixar viver.
No primeiro dia, meus movimentos eram limitados. Mas eu tinha uma audição boa, podia ouvir aquela voz ensurdecedora no telefone falando com você, mas tudo não passava de uma armadilha.
Minha armadilha.
Você era um segurança tolo. Como todos os outros que vieram antes de você.
E eu irei te pegar.
O primeiro dia fora tranquilo, eu não cheguei ao menos perto de onde você estava. Você era inexperiente ainda, e não sabia como agir ou o que fazer. Seu inglês era péssimo e você não compreendia muito bem o que o telefone lhe dizia. Você deveria me distrair, mas seu nervosismo estava te atrapalhando.
Que sorte a minha.
Você demorou mais meio dia para finalmente compreender que não bastava trancar a ventilação para não me deixar passar. Você deveria me atrair para longe de onde você estava, ou então com certeza eu iria pegar você.
"Hi"
Você me atraiu para longe com alguma artimanha. Aquela voz inocente de criança era realmente convidativa. Eu podia imaginar uma menininha loira, com as bochechas coradas pronunciar um oi doce para mim. Ela estava me chamando, e eu estava louco para prová-la. Mais uma doce criança que perderia a sua vida.
Meus movimentos estavam um pouco mais rápidos agora.
Definitivamente, eu odiava crianças. Queria matar todas que eu pudesse.
Antes eu costumava ser um homem comum — mas depende do que você possa considerar um homem comum. Meu plano de dizimar os animatronics teria dado certo, se não fosse esses malditos espíritos de crianças. Aquela estúpida fantasia parecia uma boa alternativa de me esconder, mas ao me levantar, acabei me entregando a morte. Aquela fantasia me destruiu.
Springtrap, eles me chamavam. O nome do seu pior pesadelo.
"Hi"
Ouvi aquela doce voz de novo. Ela acabou me atraindo para um quarto, mas não havia nada ali.
Eu ainda irei te pegar, doce criança.
Ao andar no corredor, pude ver o fantasma de Chica. Ela não ousava se aproximar de mim, mas de algum modo sentia que ela estava me ajudando de alguma forma. Ainda não soube como, mas logo eu saberia.
E então o som de crianças não apareceu por um tempo. Então eu pude ouvir uma movimentação em um quarto.
Era você. Eu havia te encontrado, estúpido humano.
E eu irei te pegar.
Andei mais rapidamente até dar de cara com um vidro. Era uma espécie de escritório e lá estava você. Com um fone de ouvidos e olhando para a minha sombra.
— O que eu tenho que fazer com você? — você me perguntou. Você apenas tinha entendido que era para me atrair de quarto em quarto para assustar pessoas futuramente. Você não sabia que eu poderia te matar. Você não sabia que era errado me atrair para você.
Estou observando você.
Você parece muito convidativo. Posso sentir suas vibrações de nervosismo, o sangue pulsando em suas veias, mas algo está me impedindo de chegar até você.
Ando mais para a minha direita, tentando encontrar algum compartimento que me permita entrar. Eu sumi do seu campo de visão e você parece desesperado.
O cheiro amadeirado do desespero é realmente muito bom, constatei.
De repente, algo pareceu te ajudar.
"Hihihi"
Aquela irritante risadinha de criança. Para sua sorte, eu almejava matar uma criança mais do que almejava matar você. Então fui atraído para outro quarto.
Estávamos no terceiro dia. As coisas estavam mais complicadas para você. Os sons de crianças cessaram. Eu descobri que alguns compartimentos da ventilação estavam desbloqueados. E você parece ter compreendido que eu poderia te matar.
Foxy acabou de te dar um susto e eu escutei o seu berro.
Mais do que uma risada de criança, um berro de medo em plenos pulmões era ainda mais gostoso de se ouvir. Por sorte, eu descobri onde te encontrar. E eu iria te pegar em breve.
Consegui entrar no escritório. Eu estava bem na sua frente, encostado no balcão.
Eu estou observando você. Silencioso como uma cobra, apenas estudando os seus movimentos, pronto para dar o bote mortal.
E então você finalmente olhou para frente e me viu.
— Você... Você não vai me assustar como o anterior? — sua voz estava embargada de medo. Eu ainda só estava parado, te olhando. — Ouvi dizer que os outros matavam rapidamente... E você... Você é como um psicopata. Você fica observando por um tempo... Por quê?
Eu gosto de ver a feição de medo das pessoas, antes que eu as mate.
Resolvi atender o seu pedido, humano. Corri rapidamente até você, rasgando-o sem dó. E o gosto do seu sangue, eu iria lembrar.
Por que eu ajo assim? Antes que eu esqueça de responder... É porque também já fui humano.
E eu estive observando você.
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