Wasted Sacrifice
5 Visita
Notas iniciais
Estava animada, com um enorme buquê de lírios a caminho do hospital. O tão esperado final de semana, o primeiro da minha mãe no Cambria, onde eu iria ser apresentada a sua nova rotina, diagnóstico e tratamento. Tudo proposto pelo Joey, como forma de manter-me lá junto dela no momento que os exames chegassem. Imaginei o quanto minha mãe estava nervosa, muito mais até do que eu.
Dois dias atrás, eu tinha finalmente conversado com a Lori, irmã da misteriosa garota que vi na lanchonete. Elas pareciam enigmas que eu necessitava desvendar. Pelo menos, uma parte dele eu já havia começado; e era a irmã dos olhos de safira. Comecei a nomear elas dessa forma mentalmente, por causa da minha obsessão pela cor deles. Sim, soa como uma extrema bobagem... Mas foi algo que não consegui deixar de comparar. Lori era tímida, extremamente responsável e organizada, o que lhe fazia ser um pouco desastrada também as vezes; imaginei ser a mais fofa das duas.
Nossa conversa foi até agradável, apesar do ar triste que ficou depois da minha pergunta. Dava para ver que eram muito próximas e unidas. O que só tornava pior para Lori. Ela me pareceu uma criança sem os pais por perto, completamente sem rumo por causa do estado da irmã. E isso pesou bastante em meu coração. Mas, naquele final de semana, tudo tinha que dar certo. Conheceria o diagnóstico de minha mãe e também a Lyra. Senti-me um pouco apreensiva... Como eu poderia puxar assunto com ela? Algo tipo “ei, sou Kimbley Walters, a garota que você não parou de olhar na lanchonete outro dia”. Agradeci aos céus que Lori iria intermediar a coisa toda, mas eu não havia contado da nossa intensa troca de olhares.
Entrei no elevador e logo alcancei o corredor principal, no 5° andar. Parei no balcão, cumprimentei a enfermeira e logo colei minha credencial na camisa. Corri até a porta para encarar Joey conversando com uma Cherie animada, feliz e sorridente.
-Mãe, bom dia! – disse, quando focaram em mim – Bom dia, doutor!
-Bom dia, filha! Quanta alegria hoje. – respondeu minha mãe, ainda sorridente.
-Olá, Kimbley. Estava conversando com ela sobre os exames. – falou Joey calmamente.
-Já saíram?
-Não, mas daqui há algumas horas eles estarão comigo, e virei ao encontro de vocês. – respondeu ele, calmamente levantando-se e dirigindo-se a porta – Por enquanto, deixarei as duas na expectativa, infelizmente. Até logo!
Acenei, enquanto ele fechava a porta atrás de mim. Olhei minha mãe, que parecia calma e serena deitada na grande cama móvel. Sentei-me no mesmo banco onde o Joey estava, à direita dela, e peguei sua mão entre as minhas.
-É hoje, dona Cherie. – falei, desdenhando do nosso nervosismo.
-Kim, não me deixe mais ansiosa. – disse ela, respirando fundo e ainda sorrindo.
-Mas não se preocupe, tudo vai dar certo. Então, comeu seu café da manhã todo hoje?
-Estamos invertendo os papéis de mãe e filha agora? – perguntou, irônica.
Não pude conter uma gargalhada. Era bom poder rir com ela nesse momento, pois eu temia que o seu medo do diagnóstico a deixasse sem ação, triste, deprimida. Isso iria me colocar para baixo também, e em troca dessa atmosfera positiva, teriam uma paciente e sua filha como se preparando para o velório. E eu já conseguia com facilidade afastar esses pensamentos quando precisava. O Joey também ajudou muito, tranquilizando ela antes de mim. Suas palavras de médico óbvio que lhe deram mais segurança e, me senti grata. Alguns minutos a mais de conversa e fomos interrompidas por batidas leves na porta.
-Com licença... Senhorita Walters? – perguntou uma enfermeira ruiva, a mesma que acompanhava Lyra na lanchonete, entrando devagar – Tem uma amiga sua te aguardando na recepção.
Disse e saiu, discretamente. Olhei minha mãe um pouco confusa e me lembrei de que Lori viria hoje. Corri até a porta.
-Eu já volto mãe, é uma amiga do colégio. – respondi, para aliviar sua expressão confusa.
Logo da porta pude ver o cabelo preto reluzindo à luz das janelas a frente. Minha respiração ficou confusa e meu coração acelerou de forma estranha. Caminhei de punhos fechados para conter o meu nervosismo no momento em que eu iria mirar seus olhos. Cheguei perto e toquei seu ombro de leve. Fui surpreendida por um pulinho e um abraço apertado.
-Kim! Que bom saber que veio, de verdade. – murmurou enquanto ainda me apertava.
-Ei, oi Lori! Também é bom te ver. E eu tinha que vir, hoje sai o diagnóstico da minha mãe e... – interrompi, perdendo o ar.
Ela me soltou e enrubesceu. Perdi a noção do espaço ao redor, enquanto tomava fôlego. Seu perfume ficou em minhas roupas e, era como uma lavanda francesa. Enchi meus pulmões de sua fragrância, para olhá-la. Usava um vestido florido bege, e seus cabelos tinham uma rosa presa na lateral. Estava simplesmente linda, e novamente me surpreendi com pensamentos de um garoto babão.
-Então... Ahn... – gaguejei.
-Desculpe, eu te machuquei? – sussurrou, ainda envergonhada.
-Tudo bem, eu estou legal. Você é mais forte do que pensei. – respondi, dando risada.
Ela sorriu timidamente, e pude ver que o fazia igual a irmã. Senti que meu coração havia parado por uns 2 segundos.
-Uma pessoa quer muito te ver, Kim. Está livre agora? – perguntou.
-Posso sim. É a sua irmã?
Eu já sabia a resposta, mas perguntei como forma de me preparar psicologicamente. Duas coisas me vieram a cabeça: o porque do “quer muito te ver” e como eu e ela reagiríamos quando cruzasse seu olhar com o meu novamente.
-Sim, a Lyra quer te ver. Então, vem?
Eu claramente hesitava. Resolvi sorrir para que ela não pensasse que eu não queria. Assenti com a cabeça e segui-a até o quarto do outro lado do corredor. Ela entrou primeiro, e fiquei fora esperando ser chamada. Ouvi um “trouxe aquela minha amiga para te conhecer”, que fez meu coração correr a mais de mil. Suspirei, abri a porta e dei de cara com aqueles olhos cor de esmeralda hipnotizantes e o sorriso que me fez esquecer de como respirar.
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