Wasted Sacrifice
1 Desafio
Notas iniciais
Era uma bela manhã de sol. Parecia que cada ser vivo e não vivo cintilava sob sua luz dourada, refletindo o brilho aos poucos em cada partícula da água do mar. A atmosfera calma, o som das ondas e dos pássaros num constante movimento natural de ida e vinda, o vento soprando em meu rosto, disputando a temperatura com as faixas de luz do grande astro dourado ao longe. Finquei meus pés na areia e olhei minha querida mãe que se encontrava em igual silêncio e estado de contemplação ao meu lado. Com seus 54 anos, ela ainda me parecia uma jovem garotinha. De cabelos castanhos, olhos verdes, nariz e lábios finos; corpo bem delineado porém um pouco acima do peso. Ela me olhou e sorriu, confirmando o quanto aquele dia estava sendo perfeito. Tudo estava perfeito. Só que eu mais tarde perceberia o quanto estava enganada.
Algumas semanas depois, minha querida mãe ficou com um cansaço inexplicável. Respirando mal, ela precisou manter-se na cama e eu mudei a minha rotina em função da sua saúde. Tenho uma irmã mais velha, Katie, a quem recorri de imediato. Pois, que tipo de assistência uma garota de 17 anos como eu poderia dar? Tinha meu colégio para terminar e não trabalhava. Meu pai havia falecido à 5 anos, deixando apenas nós duas e minha irmã casada morando a mais de 2000 quilômetros.
Então assim, enquanto Katie não voltava, eu tentei me arranjar dentro de casa. Passei a ir ao colégio pela manhã, trabalhar num escritório de advocacia a tarde para manter os remédios da mamãe e, estudar durante a noite o que precisava. Nos fins de semana, eu organizava a casa e deixava comida pronta. Desse jeito, a vida de Kimbley Walters ficou, por 3 meses. Se tornou um caos, misturado com desespero do que estava acontecendo. Médicos davam doenças diferentes e estranhas, apenas para cobrar tratamentos caros e longos; além de instalações em hospitais cujo o plano não cobriria. Comecei a procurar os contatos da família e a pedir de joelhos a presença da minha irmã, que mal parecia se importar com toda a história. Isso apenas me incomodava mais.
Joey, um amigo de infância da mamãe, que nos procurou. Ele era médico cirurgião e tinha recebido o recado de que liguei para o hospital onde trabalhava. Foi a minha salvação chegar em casa depois do trabalho e escutar sua voz no telefone.
–Olá, é da residência dos Walters?
Atendi tensa, pois nos ligarem naquele momento era estranho. Imaginei ser algum cobrador querendo relembrar uma conta antiga e sugar ainda mais nosso escasso dinheiro.
–Sim, aqui é a Kimbley Walters. Com quem eu falo? – respondi, completamente apreensiva e com uma voz esganiçada.
–Aqui é o Joey Blacksmith. Procuro por Cherie Walters... É a sua mãe? – perguntou, sua voz um pouco rouca mas firme.
–Sim, é a minha mãe. O que deseja, senhor Blacksmith? – questionei.
Eu queria ir direto ao ponto, pois apenas pelo fato de ter me ligado, fiquei nervosa. Por meses ninguém havia sequer se importado em saber como minha mãe estava. Parecia ate que o mundo tinha nos virado as costas. Porque logo agora haveria de surgir alguém? Então engoli em seco e esperei a resposta.
–Sou um amigo de infância dela. E trabalho no Cambria Hospital, que você ligou alguns dias atrás. Olhei o seu requerimento para internação e... Bom, me proponho a mantê-la sob meus cuidados. Tudo por minha conta.
Uma lágrima escorreu lentamente pelo meu rosto. Parecia um sonho, aquele homem se dispondo a aparecer e dar a luz dos meus problemas. Demorei uns segundos até conseguir responder algo sem gaguejar. Com as costas da minha mão, limpei o meu rosto e respondi sorrindo:
–Estaremos aí amanhã, Doutor Blacksmith. Muito, muito obrigada.
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