Warriors

6 Primeiros Passos


Notas iniciais
Olá pessoal. Esse capítulo também foi agendado, pois ficou pronto uma semana antes do previsto, ou seja, pretendo postar todas as sextas. Eu já tenho o 7 pronto e estou na metade do 8, o que é ótimo, já que meus estudos recomeçaram e estou ficando sem tempo. Enfim, obrigado por acompanhar e não deixe de comentar. —Beju, Mandy =D.

—Você vai ficar ai parado me encarando?- questionou Grace, irritada. O garoto a encarou, então deu de ombros.

—Sim, ainda to esperando pra ver se você vai conseguir ressuscitar esse cara ai ou se vai finalmente abandoná-lo.- retrucou.

Grace queria matá-lo, em parte porque ele era muito insensível, mas por não poder ignorar o fato de que ele talvez tivesse razão. Ela estava fraca e o sol já estava forte novamente. Tristan piorava a cada minuto. Não havia nada que ela pudesse fazer para reverter aquela situação, logo ela precisaria deixá-lo e procurar algo para sua própria sobrevivência, mas não suportava a ideia de deixar aquele estranho que tinha mexido com ela de algum jeito.

—Por que você não para de ser arrogante e tenta ajudar, assim, só pra variar?- desafiou Grace. O garoto sorriu e se levantou.

—Tudo bem, vamos ver o que eu consigo fazer por você.- respondeu, dando uma piscadela.

Olhou em volta e avistou um cacho de bananas, se aproximou confiante, mas assim que se aproximou a árvore se afastou. Franzindo o cenho, ele tentou novamente, o mesmo aconteceu. Tentou uma árvore diferente, nada. Tentou outra e mais outra, mas continuou de mãos vazias.

—Bem, gênio, parece que não sou apenas eu que não gosta de você.- zombou Grace.

—Por que você não tenta, se é tão amável? -provocou. Grace sorriu e tentou se levantar, mas seu corpo já estava debilitado demais. Sentiu uma tontura e caiu no chão, ficando de quatro. O garoto correu até ela.- Há quanto tempo você está aqui?

—Sinceramente, não sei. Um dia, pelo menos.- respondeu. Então o encarou.- Se lembra do seu nome?

—Kenny.- respondeu de imediato, pensou por um instante e encarou Grace.- Meu nome é Kennedy, mas quando você me perguntou me lembrei de uma voz me chamando de Kenny.

—Que tipo de voz?

—Uma voz feminina, um tanto velha.

—Talvez você tenha se lembrado de algo da sua vida. -comentou Grace, Kennedy suspirou.

—Pode ser, mas, enfim. Você não comeu nada esse tempo todo?

Grace se recostou na árvore com a ajuda de Kennedy e olhou para Tristan, pálido apesar de queimado pelo sol.

—Acordamos num breu. Achei que estava sozinha, até ouvir Tristan. Não sei quanto tempo fazia que estávamos ali, mal lembrávamos dos nossos nomes e também não sei quanto tempo se passou até surgir este lugar ensolarado.-contou.- Só sei que devíamos ter continuado naquela escuridão, porque conforme o sol foi surgindo, esse calor infernal aumentava, como agora. Mas acontece que estávamos presos por uma barreira transparente da qual não conseguíamos escapar. Acabamos tendo insolação e perdendo a consciência. Quando eu acordei, estávamos num temporal, a barreira tinha sumido. Não consegui fazer Tristan acordar e eu estava tão fraca que acabei apagando também, até que você apareceu.

Kennedy analisou Tristan e olhou ao redor.

—Ele ainda está vivo, mas não sei por quanto tempo e nem se vai ser capaz de acordar.- comentou.- Mas você está acordada e precisa comer urgente, precisamos dar um jeito de, pelo menos, fazer você sobreviver.

—Não vou abandoná-lo. -avisou Grace.

—Olha, eu sei que não nos conhecemos, aliás, você nem mesmo me disse seu nome. Mas você está acordada e ele não, se for pra salvar alguém, tem que ser você.- retrucou Kennedy.

—Meu nome é Grace. -respondeu ela, irritada.

—Certo, Grace. Vamos tentar te ajudar e se possível, ao Tristan também, pode ser?- propos. Grace, mesmo contra vontade assentiu, afinal, ela também mal conhecia Tristan e precisava estar bem para poder tentar ajudá-lo.

[…]

—Esse lugar é foda. De dia você morre por insolação e a noite por hipotermia.- reclamou Kol.

Eles estavam andando por horas e não haviam achado nenhum resquício de água. Suas peles vermelhas e ardendo, mesmo que estivessem em baixo das árvores.

—Eu vou enlouquecer se tiver que passarmos por aquilo novamente.- choramingou Noah, preocupada.

—Vamos dar um jeito.- prometeu Edriel, confiante. Noah sorriu para ele, ainda tristonha.

—Precisamos continuar procurando.- chamou Kol, voltando a caminhar.

—Estou cansada de vagar sem rumo, Kol, não adianta, só estamos nos afastando cada vez mais daquela caverna fria, para a qual talvez precisemos retornar se aquela tempestade voltar.- falou Noah, esgotada. Seu pijama estava grudado em seu corpo, enlameado, seu cabelo longo todo embaraçado, mas ela havia conseguido prendê-lo num coque, descalça, seus pés estavam machucados, sem falar que ela havia sido picada por alguns mosquitos. Ela queria gritar com toda sua força ao mesmo tempo que queria chorar. Estava no limite.

—Kol, talvez devêssemos descansar.- argumentou Edriel, percebendo o estado da garota.

Kol encarou os dois, irritado. Ele também estava cansado, seu corpo doía e apesar de sua bermuda não estar tão ruim quanto as roupas de Noah, sentia muita coceira, que tentava não coçar, pois a pele estava muito sensível devido à insolação. E mesmo não demonstrando, ele sentia o mesmo pânico de Noah.

—Precisamos achar água o quanto antes ou teremos insolação novamente!- retrucou.- Fiquem e descansem se quiserem, eu vou continuar.

—É melhor ficarmos juntos. Só nos dê um minuto…

—Você não sabe pelo que passamos, cara. Você só surgiu bem depois e estava do lado de fora daquela maldita barreira, então, descanse o quanto quiser, mas eu não vou passar por aquilo de novo.- retrucou Kol, ríspido.

Ambos encararam Noah, mas esta estava de olhos fechados. Kol percebeu que Edriel ficaria com Noah, então lhes deu as costas e adentrou mais a floresta.

—Deveríamos ir atrás dele. -comentou Edriel. Noah abriu os olhos e o encarou.

—Sei que sim, mas não aguento mais.- respondeu. Olhou para onde Kol havia ido e depois pro outro lado.- Vá com ele, vou voltar para a caverna, lá é frio.

—Vou voltar com você.

Noah agarrou o braço de Edriel, olhando o nos olhos.

—Procure Kol e achem água. Dois é melhor que um, eu ficarei bem.- pediu. Edriel concordou.

Noah se virou para o lado oposto de Edriel e desapareceu.

[…]

Em algum lugar do subsolo:

(capítulo 4)

Peter começou a se sentir claustrofóbico.

Mal cabia naquele buraco na parede e não aguentava mais olhar pra água. O lugar era bem iluminado por causa das estalactites no teto. Tateou ao redor, mas apenas rocha lisa, mergulhou e não encontrou nada no fundo.

Provou um pouco da água, era doce. Sua barriga começou a roncar por falta de alimento. Olhou para suas roupas, uma camisa branca, uma calça preta e tênis, uma roupa um tanto estranha para se usar num lugar como aquele. Vasculhou os bolsos e só encontrou papéis molhados demais. Viu seu reflexo na água e percebeu uma cicatriz na lateral do pescoço, ela estava esbranquiçada, devia ser um machucado antigo. Seu cabelo cacheado cor de cobre tinha um contraste interessante naquela luz. Tinha poucas sardas, a maioria ao redor do nariz.

Não conseguiu evitar se perguntar porque estava ali. Aparentemente, ele tinha uma boa vida em algum lugar, suas roupas apesar de simples, pareciam ser de boa qualidade, sua aparência era de uma pessoa bem cuidada, apesar da cicatriz um tanto suspeita.

Se apoiou da melhor maneira que pode com os pés na beirada do buraco e com as mãos apoiadas nas paredes, se ergueu, tentado chegar ao teto. Ficou na ponta dos pés e tocou a ponta de uma estalactite, escorregou. Caiu na água, batendo as costas na parede. Uma queimação subiu por seu corpo, mas ele não desistiu, repetiu o procedimento e escorregou, dessa vez conseguiu evitar uma colisão. De novo se posicionou na beirada do buraco e se ergueu até o teto, ele só precisava achar uma saída.

Escorregou mais e mais. Na última vez conseguiu arrancar uma estalactite, mas acabou se machucando mais. Urrou de dor e frustração, então, com uma raiva que não sabia existir, gritou com toda a força. Seu grito foi ampliado pelo eco do lugar. As estalactites começaram a tilintar e então uma por uma, cair do teto.

Piter conseguiu desviar delas, mas sua cabeça latejava. Quando o barulho ficou ensurdecedor à medida que as estalactites tilintavam e se soltavam, tudo ao mesmo tempo, Piter apertou as mãos contra os ouvidos, ele queria gritar novamente, pela dor que estava sentindo. Então, tudo ficou quieto.

Lentamente olhou para o teto, haviam rachaduras que logo foram se alastrando pelo lugar. A caverna ia desabar em cima dele. Voltou a se enfiar no buraco enquanto as rachaduras estalavam e aumentavam. O teto começou a desabar.

[…]

Edriel logo encontrou Kol.

—O que você está fazendo aqui? -perguntou Kol, ainda irritado.

—Cara, qual o seu problema? -retrucou Edriel, cruzando os braços.

—Eu não tenho um problema.- resmungou Kol.

—Sim, cara, você tem.- insistiu Edriel. Então soltou uma risada seca.- É por minha causa? Ou melhor, por causa da Noah?

—Esse nem é o nome dela.

—Não, não é, mas é o único que jeito que temos para chamá-la no momento.

—Tanto faz, eu nem conheço ela mesmo.

Ambos se encararam, desafiando um ao outro em silêncio.

—Bem, você conhece ela a mais horas do que eu. Só quero ajudar, a todos nós.- falou Edriel, jogando as mãos pro alto.- Porra, cara, nós estamos completamente fodidos aqui, se não nos ajudarmos, ninguém mais vai. Estamos todos no limite, mas gritar uns com os outros não vai ajudar.

—Eu sei disso. Merda. Você não estava aqui antes, você não sabe como foi acordar com uma desconhecida e não conseguir enxergar nada, achei que eu estava cego, achei que ela podia estar me enganando e eu sei que ela também pensou o mesmo de mim, aliás, ela ainda pensa que podemos lhe fazer mal.- desabafou Kol, passando a mão no cabelo desgrenhado.

—Ser garota deve ser foda. -comentou Edriel.

—Com certeza. -concordou Kol, com um sorriso.

—Vamos procurar água logo.-chamou Edriel, Kol franziu o cenho.

—E Noah?

—Ela disse que voltaria pra caverna, precisava de um pouco de frio.

—É melhor a gente voltar e ver se está tudo bem.

—Ela parecia bem, só cansada.

—Vamos olhar mais um pouco e se não acharmos nada voltamos, como ela disse, não adianta procurar em vão.

[…]

—Grace, consegue subir nas minhas costas?- perguntou Kennedy.

—Não sei, estou muito fraca.- respondeu a loira.

—Precisamos tentar, não consigo alcançar a árvore sozinho.

Kennedy se agachou para que Grace pudesse subir em suas costas. Ela sentiu tontura novamente, mas se agarrou ao garoto, o que foi fácil, já que ele usava blusa. Lentamente Kennedy se aproximou de uma árvore, que logo se afastou. Ele estava sem ideias e Grace logo desfaleceria também, precisavam ser rápidos.

—Grace, sinto muito, mas preciso que você mire naquele cacho de bananas.- pediu Kennedy.

—O que você está pensando em fazer?- perguntou confusa, enquanto o garoto a colocava no chão e se agachava.

—O único jeito de conseguirmos comida. Se apoie na árvore e suba nos meus ombros.- respondeu.

Grace fez o que ele pediu lentamente. Kennedy flexionou os joelhos e se concentrou, apesar do esforço, eles só tinham uma chance.

—Grace, levante os braços e tente pegar as bananas, use toda a força que tiver e vamos ficar bem.- instruiu.

—Vou tentar.- respondeu ela, entendendo um pouco do que Kennedy estava planejando.

Kennedy respirou fundo, se abaixou mais um pouco e então, com toda sua força jogou o corpo fraco de Grace para cima, que tentou apanhar o cacho, mas só conseguiu se agarrar a um galho. A árvore começou a se expandir, para afastar os cachos de Grace, Kennedy estava esparramado no chão.

—Sinto muito, Grace, não tive impulso o suficiente.- lamentou. Mas a garota estava concentrada, seu corpo havia encontrado um pouco de adrenalina, era o momento de energia final dela.

Sem pensar duas vezes, Grace se ergueu no galho e fechou os olhos, tentando conter a fraquesa que ameaçava derrubá-la. Kennedy se levantou preocupado, gritou seu nome, mas ela o ignorou. Quando abriu os olhos, se jogou para um dos galhos ao lado que se partiu com o peso extra.

O cacho de bananas caiu no chão assim como o corpo inerte de Grace. Kennedy correu ao seu encontro, o desespero o consumindo. Grace podia ter quebrado o pescoço na queda, podia ter rachado o crânio ou qualquer coisa horrível do tipo. Mas não, ela ainda respirava, quase imperceptivelmente, mas respirava.

Saia sangue da lateral de sua cabeça, o que não era nada bom. Kennedy tirou a blusa e pressionou contra o ferimento, correu pra pegar uma banana e forçou um pedaço para dentro da boca de Grace, gritando seu nome.

Ao sentir o gosto do alimento, seu corpo gritou por mais. Grace abriu os olhos, anestesiada pela queda, comeu a primeira banana com a ajuda de Kennedy, depois comeu sozinha. Assim que teve forças o suficiente se arrastou até Tristan e também forçou um pedacinho da fruta em sua boca, mas não teve resposta.

—Merda.- praguejou. Kennedy veio até ela tentar ajudar. Seus olhos se encontraram.- Por que ele não acorda?- choramingou.

—Ei, Tristan, acorda cara, tem uma garota linda esperando você aqui.- tentou Kennedy, Grace engasgou um soluço.

—Acorda, seu idiota, você não pode fugir do inferno e nos abandonar.- chamou ela.

—Tristan.

—Acorda. Acorda, Tristan. Seu babaca, eu mandei acordar.

Grace começou a bater no peito de Tristan, seu desespero se transformando em raiva. Kennedy foi para seu lado.

—Grace, você precisa se acalmar.- chamou ele, carinhosamente.

—Ele tem que acordar. Tristan!-gritou, seu corpo tremendo com os soluços de choro.- ACORDA!

—Grace!- gritou Kennedy, segurando suas mãos.

—Não.- choramingou ela, sendo aparada por Kennedy. -Não. — repetiu, e começou a repetir cada vez mais alto.

Kennedy a segurou firme enquanto seu corpo convulsionava.

—Deixa. Ela. Em. Paz.

Aquela voz. Grace congelou. Uma terceira mão tocou de leve seu braço e agarrou o mais firme que podia a mão que Kennedy a segurava.

—Tristan!- gritou Grace, caindo em cima de Tristan, que arfou com o peso extra. Ela se afastou rapidamente, enxugando o rosto.- Desculpe.

Tristan fixou os olhos em Kennedy, que apanhara uma banana e oferecia a Tristan, voltou a encarar Grace, notando o machucado em sua cabeça.

—É uma longa história, conseguimos bananas pra você.- falou ela, percebendo o olhar inquisidor de Tristan.

—Ele te machucou?- perguntou ríspido, Grace soltou uma risada seca.

—Não, pelo contrário, devemos nossas vidas a ele.

—Tecnicamente foi você que quase morreu pelas bananas. Pode agradecer a ela, amigão. -falou Kennedy para Tristan, Grace sorriu.

Grace ajudou Tristan a se sentar a comer as bananas. A blusa de Kennedy ajudou a estancar o sangramento da cabeça de Grace, mas ela começou a ficar sonolenta enquanto contava o que havia acontecido para Tristan. Ambos se empenharam em mantê-la acordada com a esperança de que logo viria à chuva, que ela contou ter acontecido na noite anterior.

[…]

Kol e Edriel não conseguiram achar água, então voltaram para a caverna. Mas de longe perceberam que Noah não estava lá. Também não haviam pegadas recentes. Nenhum sinal de que ela tinha retornado.

—Droga, não devia ter deixado ela voltar sozinha. -resmungou Edriel.

—Será que ela se perdeu? -sugeriu Kol, os olhos arregalados.- Ou ela pode ter se sentido mal, esse sol afeta mais a ela do que nós.

—Vamos refazer nossos passos, ela tem que estar por aqui.- chamou Edriel.

—Eu não acredito que deixamos ela sozinha. -lamentou Kol.

—Nós vamos achá-la, temos que achá lá.

[…]

Noah tinha se perdido no caminho de volta à caverna. Seus pés estavam doendo cada vez mais, ela parou para descansar várias vezes, o sol afetando seu estado. Começou a ver miragens e segui-las, indo cada vez mais para longe do caminho certo.

Seu corpo parecia estar em chamas, não aguentava se tocar. Logo não aguentou mais andar e foi engatinhando. Mas já estava desorientada o bastante. Começou a chorar e chamar por Kol e Edriel, mas barulhos a fizeram parar. Ficou com medo de que animais selvagens à escutassem, ela não precisava estar mais em perigo do que já estava.

Acabou se cansando e deitou na terra, abraçando as pernas, estava tão desesperada que acabou pegando no sono.

[…]