War Z - interativa
9 Hesitações e Atitudes - Parte 3
Notas iniciais
Dia: 17 de Fevereiro de 2015
Horário: 09h52min.
Emma se sentia pior a cada passo que dava. Parecia que estava caminhando direto para a sua morte, ou pior, para a morte de seu filho e de sua irmã. Não se passara nem duas horas desde a partida do trio e a loira percebia que talvez fosse melhor não ter decidido saquear armas durante a madrugada. Respirou fundo e negou com a cabeça. O que estava pensando? Com certeza era melhor ficar longe daquele grupo que logo seria atacado por mordedores. Nada era 100% seguro em tempos como aquele e ela sabia disso.
– Mamãe...- escutou Bobby murmurar e piscou, desconcertada por estar perdida em devaneios. Seu filho puxava sua blusa com urgência e apontava para uma silhueta que se movia lentamente, e vez ou outra, grunhia.
Lauryn engoliu a seco e estreitou os olhos na direção da irmã, esperando que a mesma fizesse algo.
– Eles são lentos. – comentou Emma, engolindo a seco ao observar com atenção os dentes enegrecidos do morto vivo. – Podemos desviar um pouco.
– Mata ele logo. – Pediu Lauryn, franzindo a testa.
Emma se negava a fazer isso. Seus orbes azuis piscavam em um tique nervoso, recorrente a situação em que se encontravam. Podia ter trabalhado em uma profissão que exigia coragem, mas depois do surto, Emma não se considerava tão corajosa assim. Devido ao seu extinto de auxiliadora dos pobres e oprimidos ela perdera seu marido e sua filha, e não faria bobagens novamente.
Então ela segurou a mão de Bobby e também a de Lauryn, e em seguida começou a rodear, tomando cuidado em manter uma distância segura, o mordedor. Percebendo que as suas supostas vítimas fugiam, o morto vivo virou na direção em que o trio se apressava em seguir e começou a segui-los.
Passou-se mais alguns minutos de caminhada, até que, por um instante, Emma parou e lançou um olhar por sobre os ombros, a procura de algo. Uma silhueta se moveu e em seguida a loira se colocou na frente de Bobby e Lauryn.
– Eu vi você...-ela exclamou, amedrontada. Talvez fosse um dos homens do Henderson, apenas checando se ela realmente estava indo embora, ou talvez, para mata-los. Apertou o ombro do filho, ainda na frente dele e respirou fundo. -...se sair devagar daí, juro que não te machuco.
Que piada, ela pensou amargamente. Não tinha armas para “machucar alguém”. Primeiro viu um rosto surgir, por detrás de uma arvore, e depois outros dois. Emma suspirou ao reconhecer os jovens Caroline Miller, Zack Winter e outro rapaz ao qual não se recordava.
– Emma! – Murmurou Caroline, saindo do esconderijo e apressando os seus passos. – Resolvemos vir atrás de vocês.
– Que loucura. – Emma respondeu, e então respirou fundo. – Voltem para o acampamento antes que deem vocês como desaparecidos...
– Não podemos voltar. – Caroline respondeu, enquanto os dois rapazes se aproximavam lentamente. – Fomos contra a lei do Henderson e então ele nos pôs para fora.
– Oh céus! – Choramingou a loira, percebendo que sua responsabilidade triplicara.
Percebendo que a Willians não gostara disso, Zack puxou a bolsa que estava em suas costas e a abriu, mostrando o conteúdo.
– Mas conseguimos saquear antes de sairmos. – sorriu de leve, e Emma arqueou a sobrancelha, observando com atenção a pistola solitária e os mantimentos espalhados ali.
– Eu deveria prendê-lo por isso garoto. – Brincou e depois ficou séria, e mesmo com a promessa de um novo grupo, Emma parecia desolada. — Porque vieram atrás de mim?
– Porque você era uma mulher da lei. – confidenciou o outro rapaz que Emma não conhecia,e antes que a loira falasse,continuou.– E também porque apareceram sete mordedores desde a hora em que vocês saíram do acampamento. Aquele lugar é muito barulhento e um alvo fácil para os zumbis.
A loira franziu a testa ao analisar a palavra zumbi. Nunca os chamara desse modo.
– Estamos com você Emma. – Caroline parecia firme em suas palavras.
Emma respirou fundo, avaliou a seu filho, que parecia mais animado com um número maior de pessoas a sua volta, e depois para Lauryn, que também parecia contente, e enfim analisou os três.
– Façam algo que possa nos colocar em perigo e eu mesma os degolo. — ameaçou, mas a ameaça veio acompanhada de um sorriso fraco.
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Brian observava os recém chegados, que seguiam andando pela conveniência com curiosidade, talvez atrás de algo que o Eldeman tenha deixado para trás. Mari permanecia sentada, a cabeça encostada a parede da loja e as pernas esparramadas no chão. Depois de meses tendo andando sozinho pela estrada, Brian havia se “desacostumado” com companhias. E então, do nada, surgia a garotinha e depois, aquele trio.
Não gostara nem um pouco do soldado, e dessa maneira, não fazia questão de saber o seu nome. Porem percebera que o outro cara, o policial, Jeoffrey, parecia estar, de certa maneira, assustado. E a ruiva, a garota que agora jogava as latas de sardinha extremamente vencidas a ponto de não serem comestíveis nem em tempos como aqueles, que franzia a testa e lançava olhares preocupados para o lado de fora, onde o soldado estava.
– Como eu disse, o lugar foi limpo. – Comentou o negro, dando de ombros.
– Jeoffrey. – a ruiva fixou seus olhos sobre o policial. – Então temos que voltar para o acampamento?
Sua voz soara um pouco amedrontada, mas o policial fingiu não notar.
– Henderson não vai ficar nada feliz em saber que perdemos Arthur e Red. – o policial suspirou, mas então logo se recompôs, voltando-se para Brian. – Quero que saiba que o acampamento aceita novos membros...vocês serão bem vindos, se quiserem ficar por lá.
O Eldeman pensou um pouco e, então, voltou-se para Mari, que também fixara sua atenção sobre ele. Ela parecia não querer ir e, definitivamente, Brian perguntava-se se seria o melhor se arriscar por um comboio, novamente. Uma vez havia sido deixado para trás, e provavelmente, o grupo de Jeoffrey também seria capaz disso, para sobreviver.
– Levarei os três até o acampamento e partiremos. — Respondeu secamente, percebendo que Mari estaria mais segura com ele. – Isso é tudo.
Escutou o suspirou de alivio vindo da garotinha, porém não virou para observar o sorriso de gratidão dela. Não tinha conhecimento do que acontecera com Mari Pacheco, e ela não parecia estar disposta a contar.
– Tudo bem. – Jeoffrey concordou. Observou com atenção a mudança expressiva de Charlottie, que respirou fundo e parou de mexer nas prateleiras.
–Jeoffrey...- começou, hesitando em pôr em palavras os seus temores e medos. A sobrancelha esquerda claríssima se arqueou e ela caminhou até ele. -...eu estava pensando...E se seguíssemos com eles?
A expressão atenciosa do homem mudou e ele negou rapidamente.
– Temos que voltar...- Jeoffrey comentou rapidamente, não dando tempo para que Charlottie pusesse para fora suas ideias.
A porta da conveniência se abriu e o soldado entrou, parecia ter escutado a conversa, e a julgar pelo sorriso malicioso, algo de horrível viria em seguida.
– Está preocupado com a loira? – questionou divertido. – Sabe que ela nunca treparia com você certo? Ela ainda ama o marido...
– Guilherme. – Exclamou Charlottie constrangida. Os orbes verdes se fixaram sobre Mari, que apenas deu de ombros, como se quisesse mostrar que estava acostumada a conviver com aquele tipo de linguajar chulo.
Jeoffrey parecia furioso. As mãos fechadas em punhos. Era visível que ele não havia gostado da escolha de palavras que o soldado, Guilherme, escolhera para referir-se a tal loira. Brian arqueou a sobrancelha e revezou sua atenção entre os dois, parecendo divertido com o que poderia vir a seguir.
– Não fale do que sabe, imbecil. — Grunhiu o policial, perdendo toda a compostura de bom samaritano.
– Ela é muito gostosa para que possa ao menos se interessar por um velho babão. — Continuou Guilherme, mas seus olhos pousaram em Charlottie e rapidamente a avaliaram de cima a baixo, com uma profundidade constrangedora.
A ruiva engoliu a seco, constrangida e então, como último recurso para fugir daquele assedio, voltou para trás das prateleiras e fingiu que procurava alguma coisa por ali. Jeoffrey respirou fundo, massageou as têmporas, tentando adquirir a sua tão costumeira calmaria, e para espanto de todos, arrancou a pistola e a apontou. Apontou em uma direção que fez Brian se encolher, como se estivesse sentindo uma dor antecipada da que Guilherme sentiria se Jeoffrey atirasse.
– Maldito soldado dos infernos. – Grunhiu. – Você sabe como deixar qualquer um puto da vida.
Assim, do nada, Mari se levantou e se pôs ao lado de Brian, assustada com a confusão. Ao perceber aquilo, o Eldeman franziu a testa e percebe que se não os parasse, o lugar que escolhera para descansar se tornaria um lugar de execução. Malditos recém chegados.
– É melhor pararem com a porra dessa briga. – Grunhiu, pegando a arma que mantivera em cima do balcão e apontando para Jeoffrey. – Vou leva-los para a porcaria do acampamento e se quiserem, se resolvam por lá mesmo.
Charlottie, ainda constrangida, arriscou olhar para o grupo que se encontrava ali, e percebeu que Brian conseguira controlar os dois homens. Suspirou aliviada e então caminhou até Jeoffrey, retirando com calma a pistola de suas mãos, para em seguida sorrir de leve para o mais velho.
– Você é muito bom nisso. – Ela comentou divertida, ao ver que Guilherme se calara. – Se soubesse que era só apontar com uma arma bem "lá" para que ele ficasse quieto, eu teria feito isso antes.
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Horário: 21h16min
O dia passara rápido, e a noite chegara. Hector jogou uma pedrinha na fogueira que haviam feito próxima ao casebre que haviam encontrado Helena horas mais cedo. Aquela mulher parecia estar em choque, amedrontada por tudo aquilo estar acontecido.
Ela não contara muito, além de que seus companheiros haviam sido mortos e que ela tentara sempre se manter longe dos mordedores. Ela disse também que se escondera naquele casebre ao perceber que muitos deles se aproximavam, vindos do Oeste.
Então, com alguns mantimentos, passara semanas e semanas naquele lugar. Era raro sair, e se saia, era quando estava com muita certeza de que não havia nada do lado de fora. Hector sentia pena dela, e até se admirava. Se mantivera viva por muito tempo, e estando sozinha, sem muitos métodos para se defender.
– Você acha que ela vai ficar bem? – Questionou Eliot, os olhos fixos sobre a fogueira.
Se não fosse pelos barulhos baixos que Pelota soltava em seu sono, Hector podia jurar que não havia cachorro algum ali. Então voltou sua atenção para Eliot, que agora o observava, esperando sua resposta.
– Creio que sim. – Concordou, meneando a cabeça. – Apesar disso tudo, meu tio sabe o que fazer. Ele está ajudando ela.
Eliot concordou rapidamente. Suas mãos agarraram a barra de chocolate que tinha e então em duas mordidas, ele comeu ela toda. Lançou um olhar triste para Pelota, já que a última lata de salmão não tirara a fome da cadela, com toda certeza.
– Então...por onde esteve durante esses meses? – Hector questionou. – Permaneceu em Atlanta mesmo?
– Não conseguia sair da cidade...sempre que colocava os pés para fora da casa que escolhia para dormir, milhares e milhares de mordedores apareciam e ai eu e Pelota fugíamos. – Eliot suspirou pesadamente.
– Ainda bem que sobreviveu. – Hector sorriu de leve para o Vander. – Às vezes ter só o meu tio como companhia é entediante...ele prefere o silencio, diz que é mais seguro.
Eliot concordou e correspondeu com outro sorriso para Hector. Continuaram se encarando por alguns segundos, até que Hector voltou sua atenção para Pelota e a observou por alguns instantes.
– Se você estava dizendo que a minha companhia é boa, também posso dizer que a sua é muito boa. – Eliot comentou sem graça, suas bochechas queimaram um pouco ao perceber que Hector agora sorria diante de sua resposta.
– Que bom que acha que a minha companhia é boa.
Voltaram ao silencio constrangedor de antes, que apenas era quebrado pelos barulhos da labradora. As vozes que vinham de dentro do casebre eram baixas, mas Hector podia escuta-las muito bem. Seu tio sempre tivera o dom para acalmar as pessoas, e como sua mãe dissera a muito tempo atrás, faltara apenas oportunidade e gosto para que ele escolhesse se graduar em psicologia.
Levantou sua atenção para logo perceber que Eliot o observava atentamente. Sorriu, curioso com a expressão do Vander, mas resolveu não falar nada.
Nem Hector e nem Eliot, que continuavam presos na troca de olhares, perceberam ou ouviram a aproximação de um mordedor. Um macacão azul sujo e manchado de sangue, parecia um mecânico. Foi só quando o mordedor estava a poucos metros de Pelota e a cadela rosnou ao farejar o cheiro repugnante do morto vivo que os dois perceberam o que acontecia.
O mordedor tentou agarrar Pelota, que rapidamente se levantou e correu até Eliot, que agora também se levantava e agarrava sua arma. A porta do casebre foi aberta e Adam saiu, os olhos escuros se fixando sobre o andarilho morto que se movia em busca de carne fresca.Agarrou uma faca que se encontrava em seu bolso e, percebendo a hesitação e a surpresa estampada no rosto dos dois garotos, se aproximou e empurrou o mordedor.
Sua mão procurou segurar o morto vivo pela nuca e segundos depois sua faca atravessava o lóbulo frontal. Largou-o e instantaneamente o corpo tombou no chão. Observou por mais alguns segundos o corpo e então chutou-o, irritado.
– Porque hesitaram? – Questionou, virando-se e olhando para Hector, que fixou seus olhos sobre o fogo, aparentemente sem graça.– Mais alguns segundos e um de vocês estaria morto. — Limpou a faca com um pano que carregava no bolso e guardou-a. – Que isso não se repita.
– Não irá se repetir. – Garantiu Eliot, agradecendo mentalmente Pelota pelo rosnado.
– Ao invés de ficarem flertando, porque não prestam atenção? –Adam voltou seu olhar para o casebre e observou Helena, que parecia menos pálida do que estivera na parte da manhã. – Se junte a nós Helena.
– Eu...posso? –Ela perguntou, avaliando aos dois rapazes, e percebendo que haviam ficado sem graças com a bronca de Adam.
– É claro. — Adam concordou e então sentou-se de frente aos dois rapazes. Assim que Helena Lewis sentou-se, o Cooper mais velho franziu a testa. – Criaremos um revezamento, ok? Primeiro a Helena dorme, depois Hector e logo depois, Eliot. – Enquanto falava, percebeu que eles concordavam. — Tudo bem?
– E você, tio? – Hector questionou.
– Prefiro ficar em guarda no caso de algo acontecer. — Lançou um olhar significativo para o sobrinho, que novamente ficou sem graça.
Helena respirou fundo e olhou para o céu, pedindo a Deus para que protegesse aqueles três, porque precisava deles.
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