War

3 Capítulo 2 - Uma nova profecia?


Notas iniciais
Cá estou eu de novo! Vou postar mensalmente entre os dias quinze e vinte de cada mês. Tô sabendo que todo mundo broxô no último capítulo, MAS CALMA! Agora as coisas vão começar a fazer sentido, e eu já estou escrevendo o próximo capítulo, finalmente ganhei um computador decente para escrever, a má noticia é que eu estou escrevendo no libre. Anyway, enjoy.

O corpo do velho corria desengonçado pelos corredores do labirinto. O pânico era evidente em seus olhos leitosos. “Aquele maldito herói!” pensou. Desde a queda de sua mãe, havia sido perseguido incansavelmente por aquele maldito herói sem braço. Seus olhos não conseguiam ver quem era, via apenas o brilho de seu braço esquerdo feito de uma mistura nunca antes vista de ouro imperial, bronze celestial, e ferro estígio, sempre achara a mistura impossível, mas ao testemunhar o estrago que ambos os metais podiam fazer, orava a quem quisesse ouvir que o herói nunca espalhasse essa receita para ninguém. O velho estava em mais perigo do que nunca. Gaia voltara a dormir, as chances dos gigantes guerrearem contra o Olimpo novamente eram nulas pelos próximos dez milênios, no mínimo. E quem disse que os gigantes queriam guerra? Não! Eles não queriam guerra, queriam vingança. Principalmente o velho. Ter a mão decepada por uma filha de Afrodite, e ser derrotado por três velhas com vassouras? Essa humilhação ele nunca esqueceria.

Tateou o labirinto, torcendo para que seus falhos cálculos estivessem certos. Afinal, o nome labirinto não era a toa, e sendo o labirinto projetado por Dédalo, suas esperanças eram quase nulas. Mas não desistiria, isso estava fora de cogitação. As paredes foram mudando. Sujou a mão e levou-a ao nariz. Cheiro de vinho. Será que finalmente acertara a saída?

Subiu alguns degraus e finalmente sentiu aquele cheiro que tanto procurava se manifestar no ar. O cheiro de Dionísio. Não era pelo deus em si que estava procurando, mas a única saída do labirinto que levava ao Olimpo era coincidentemente atrás do trono do deus do vinho. Não tinha olhos capazes de admirar o lugar, sendo assim não perdeu tempo antes de procurar outro lugar para se esconder. Cruzou o grande salão e se escondeu atrás de uma coluna antes de começar a ouvir vozes. Zeus e Hades. O velho torceu o rosto ao presenciar tal estranheza, afinal, Hades nunca saia do mundo inferior, ou não? Estavam discutindo. O velho apurou os ouvidos e se encolheu para ocultar sua presença.

— Por favor, irmão, escute-me! Sei que temos nossas desavenças, mas não pode negar que eu tenho razão. – Hades parecia irritado, porém, determinado a se conter.

— Não. Não! E NÃO!

O grosso punho de Zeus bateu em uma das colunas. O Olimpo tremeu e silenciou-se enquanto pedaços do teto caiam. Hades volta a falar, dessa vez, mais manso.

— Já não temos a permissão para termos filhos com os mortais. Que mal terá de ver os poucos que temos então?

Não contar com o sentido da visão não fez do velho menos sensitivo. Zeus parecia espumar de raiva.

— Que mal tem?! – Ele pergunta incrédulo – Veja o que três semideuses gregos, filhos nossos, conseguiram fazer em menos de um década! Uma guerra contra os Titãs! Bastou mais um semideus romano a mais, e conseguimos uma guerra contra Gaia!

Fez-se uma pausa, Hades devia estar procurando mais argumentos. Zeus continuou o debate hostil.

— E não pense que eu não sei que você, Poseidon, e mais um monte dos que se dizem meus aliados, ficam visitando seus filhinhos imundos e/

— DOBRE A LÍNGUA AO FALAR DOS MEUS FILHOS!

A frase de Hades ecoa pelos quatro campos do Olimpo. Os olhos leitosos do espião conseguiam ver um cajado de ferro estígio ser apontado para a garganta do Rei do deuses. O velho prendeu a respiração, várias farpas e espinhos foram trocados naquele salão, mas nada tão direto quanto isso. Zeus também se chocou com o ato do irmão, mas se recompôs assim que voltou a realidade. Ou, pelo menos, tentou. Hades continuou a falar hostilmente.

— Eu nunca quebrei seu pacto estúpido! Porque é isso o que ele é! Estupido! Uma desculpa, baseada em uma profecia passada, para que VOCÊ – Hades destacou – não precise assumir a responsabilidade por nenhum de seus filhos! Não nego que nossos filhos e os do nosso irmão sejam poderosos, porque eles realmente são. Mas negá-los e ignorá-los é um convite para envenena-los com ódio e remorso. Contra nós! – Fez-se uma pausa dramática – Não quero que aconteça com meus filhos o mesmo que aconteceu com Luke.

O nome foi seguido de outro silêncio, sendo cortado apenas por ventos que assobiaram pelo local. Fúnebre.

— Me considere fora desse pacto. Os outros deuses também estão cansados de verem seus filhos morrerem sem nem mesmo saber quem são ou por quê foram abandonados e atacados. Você disse: “que se dizem meus aliados”, não? Pois eu não me digo mais nada de você, Zeus.

O velho, pois sua cabeça um pouco mais afora da coluna, não podia perder essa D.R. épica. Esforçou-se para ver. Eram borrões, mas era melhor do que nada.

Nunca havia reparado que Hades era mais alto que Zeus, embora mais esguio. Uma toga de escuridão, que crepitava como se fosse de fogo, cobria o corpo do deus do mundo inferior. Seu único ponto de vaidade parecia ser a barba bem desenhada em um cavanhaque que terminava em espiral nas pontas perto das bochechas. Tirando isso, parecia não ligar para a vaidade das vestimentas, “E nem precisa” pensou o velho, “com essa voz eu não precisaria de roupas para mostrar quem sou”. Hades se curvava perigosamente perto de Zeus e apontando seu cajado para a garganta do mesmo.

Zeus apesar de mais baixo, era mais corpulento, peito e ombros robustos. Continuava com o terno risca de giz azul, sua gravata vermelha, e a barba semelhante a... “como era o nome mesmo? Papai Noel, era esse o nome?” o velho matutou sobre a aparência de Zeus. Parecia um advogado que nas horas livres era lutador de MMA. Zeus parecia experimentar pela primeira vez o sabor do medo. Havia encolhido perante a aproximação ameaçadora do irmão, levantando levemente os braços como se fosse pedir rendição antes de se lembrar de quem era.

Zeus levou um tempo até processar as palavras do mais velho e endireitar a postura.

Está me ameaçando? – Sibilou.

Não. – Respondeu Hades no mesmo tom – Uma coisa que meus filhos me ensinaram; independentemente do estado da relação, família é família. Não estou te ameaçando, e nem irei te atacar, porque você é meu irmão. E eu não nego isso. Mas não venha me pedir ajuda quando precisar.

Hades deu as costas a Zeus, o primeiro a fazer tal feito, e andou ignorando o sentimento de culpa. Querendo ou não, Zeus ainda era o caçula, e apesar de não querer demonstrar, ainda era muito imaturo. Era um dos motivos pela qual Hades não se queixava mais de seu exílio. Seu irmão mais novo, lhe lembrava uma criança birrenta de três anos que mal largara as fraldas e já queria mandar em todos à base da birra. Se Zeus persistia em fazer esse papel, iria ser tratado como tal. “Afinal,” pensou Hades, “algumas crianças só aprendem com os erros, não é mesmo?” indagou-se incerto.

Zeus permanecera na mesma posição, estupefato. Seu irmão mais velho sempre fora passivo-caótico, mas nunca tão ativo ou tão hostil assim. Confiava no irmão justamente por manter a certa calma e nunca mentir para ele, embora fizesse isso com uma grande cara de pau. Ao contrario de Poseidon, que podia até ter fala mansa, mas sempre que virava as costas podia senti-lo omitindo coisas de si. Zeus experimentava, agora, uma série de sentimentos novos. Traição. Impotência. Medo. Não poderia atacar Hades por que ele não o atacou, e mesmo se quisesse levantar seus exércitos para atacá-lo seria um motivo fútil, e Hades sairia ganhando na tese.

O Rei dos Deuses foi possuído por uma raiva descomunal após a saída do irmão. Se aproximou da coluna mais próxima e começou a socá-la, dando longos gritos de raiva. Não parou até ver o icor dourado sair de sua mão.

— E duro não saber em quem podemos confiar, não? – A voz grave do velho se manifestou pelo salão.

“É bom demais pra ser verdade”. O velho viu naquela discussão uma oportunidade de ouro. O terreno perfeito para semear a semente da discórdia.

Zeus virou-se para o velho. Era baixinho para um ser imortal, não mais que três metros. Não o conhecia, mas pela descrição, só podia ser...

— Toas. – A voz retumbou como um trovão – O gigante feito para se opor as Parcas. Dê-me um motivo para não mandá-lo para o Tártaro agora?

O raio mestre pareceu na mão de Zeus, e Toas, o velho, perdeu metade de toda a coragem que reuniu. Engoliu seco e voltou a falar.

— Nada tenho. – Zeus se preparou para lançar o raio- A não ser... Talvez... Uma informação que eu tenho certeza que o senhor não vai gostar.

Zeus franziu levemente o cenho. Levemente. Não ia deixar que o gigante notasse seu interesse. Abaixou levemente o raio, descansando-o no ombro. Foi até seu trono de platina e sentou-se. Analisou o gigante dos pés a cabeça, apesar de a guerra ter acabado a seis anos, ele parecia só ter saído dela agora. A toga tinha a cor indistinguível devido ao uso, os pés de dragão eram cinza e rachados de tanta poeira, os olhos apesar de leitosos não desviavam dos de Zeus. O gigante se assemelhava muito a um fantasma. Enquanto as parcas se vestiam inteiramente de preto, Toas era de um cinza quase branco, indo das escamas até a pele.

Toas ao ver o mal disfarçado interesse do rei dos deuses, decidiu continuar o discurso.

— Sem querer se intrometer em assuntos delicados, eu sei como o senhor se sente. – Zeus não se pronuncia – Eu e meus irmãos colocamos todas as nossas esperanças de poder em nossa mãe, que mal despertara e adormeceu novamente por causa daquele semideus! Qual era o nome dele mesmo? Lao? Liu?

Leo.

Era impossível Zeus não se lembrar daquele nome. Hefesto tinha ficado possesso ao saber da morte do filho que morrera na missão de derrotar Gaia. O filho aleijado tinha feito um estardalhaço. Fez todos os ciclopes pararem de trabalhar por sete dias. Um para cada um dos heróis da profecia. Fez uma estátua e muniu de magia quase tão forte quanto a de Atena Partenos, no entanto, magia mais passiva, não como a magia hostil da Partenos. A magia da estátua que ele fez do Argo ǀǀ emanava uma espécie de sinal a todos os semideuses, tanto gregos quanto romanos. Era uma espécie de farol dos semideuses. Todos os semideuses que existem se sentiriam chamados até o acampamento, era um apelo para que as mortes de semideuses cessassem. E a estátua era apenas percebida por semideuses. Hefesto depois da semana de luto havia se aquietado, mas estava evitando Zeus. O Rei dos Deuses não tinha ido procurar o filho, e nem iria, era orgulhoso demais para isso. Se Hefesto o culpava pela morte do filho, ele que ficasse rangendo os dentes!

— Sim, Leo. – O gigante afirmou, sem jeito – Então, eu sei o que é ser decepcionado por um ente querido. Estava por aí. Como sabe sou o gigante feito para confrontar as Parcas, e sendo assim, tenho um leve acesso aos fios da vida. Não que elas saibam, é claro. – Zeus fez careta – E bem... Em uma de minhas rondas, me deparei com uma roca que estava estrategicamente escondida. O fio ainda era curto, no entanto, não foi isso que me espantou/

— VÁ DIRETO AO PONTO! – A voz de Zeus ecoou pelo salão.

Toas, que estava ajoelhado perante o deus, levantou a mão em sinal de rendição e a levou a parte detrás da corda que usava como cinto e de lá tirou a maior arma que já fez. No caso, que teceu, um fio de vida. Mas não era um fio de vida qualquer, afinal, um ser qualquer não desencadearia uma guerra. Ergueu o fio, mostrando-o a Zeus, que arregala os olhos ao ver o fio.

Um fio brilhante em tons verde água. Uma vida semideusa. E Zeus sabia que um semideus qualquer não emitiria um brilho tão forte. Mesmo assim, desconfiou.

— Por que está me dando estas informações?

Toas já havia se preparado para essa pergunta desde que finalmente conseguiu produzir e tecer o fio em um pequeno sapatinho de criança humana. Quatro anos de trabalho para fabricar essa vida. Afinal, manipular o coração de um deus não é tarefa fácil, principalmente um deus leal como Poseidon. E ainda os dois que passou vagando pelo labirinto. O relógio fazendo tic-tac, enquanto a vida da criança ia ficando cada vez mais longa. Havia nascido a dois meses e meio, era a hora perfeita, não podia falhar.

— Não irei mentir, Zeus. Tenho muitos motivos para simplesmente deixar você e seus irmãos se lascarem, afinal, sou um gigante, e minha natureza regozija do caos entre os deuses. No entanto, essa criança já trará o caos de um jeito ou de outro, estou apenas apressando as coisas. Afinal, sou um noveleiro de plantão e adoro um barraco.

Zeus se espantou. Não havia pensado que o gigante ia falar a verdade tão na lata. E era bem verdade que essa criança ia dar prejuízo. Encarou o sapatinho brilhando em verde. Essa era uma oportunidade de ouro para pôr as coisas em ordem no Olimpo. Ia mostrar de vez que ele é que mandava ali, e ia mostrar o que acontecia com quem o desobedecia.

— Mas alguém além de Poseidon sabe da existência dessa criança? – Toas negou com a cabeça – Ótimo.

O raio cruzou a distância entre os seres em milissegundos. Não havia mais vestígios que Toas um dia esteve ali. Apenas pó levado pelo vento. Zeus se levanta e pega o sapatinho. Amassa entre os dedos molhados de ícor dourado e expurga sua raiva por duas traições explícitas, seguidas em menos de dez minutos.

— POSEIDON!

—____www_____

Enganou-se quem pesou que Toas não havia previsto o assassinato de Zeus. Enquanto caia no Tártaro, ria debilmente. A vingança estava a caminho. Agora era só esperar e ver os deuses e seus filhos se matando. Toas vencera, e o gatilho da guerra fora acionado.

Em meio a queda, viu em um buraco que simplesmente aparecera no ar, provavelmente era uma saída do labirinto para o Tártaro. Viu a cabeça mascarada do herói sem braço aparecer para fora do buraco e seus olhos de vidro tilintarem mirando para si. Riu ainda mais débil e cuspindo icor devido ao ferimento feito pelo raio.

— VOCÊ PERDEU HERÓI! VOCÊ PERDEU!

—____www_____

Se sentia intoxicada. Nuvens cor de ferrugem empesteavam a cena. Não havia chão, não havia ar, não havia terra, e o que mais a preocupava: não tinha mar. O sufoco e o pânico começaram a tomar conta de seu corpo. Gritou, porém a voz não saia. Uma nuvem gigante se aproximou de si. Não havia para onde correr. Não havia como correr. Raios e trovões retumbavam na nuvem, fazendo sobras de seu interior e pintando as nuvens laranjas e vermelhas de azul.

O primeiro flash veio com um apitar muito alto, seguido da sobra de um trem que guiava o farol ao seu rosto. Parecia gritar: “Socorro! Estou morrendo! Por que não me ajuda?!”. Sua parte racional dizia que trens não sentiam dor e muito menos diziam algo. Mas em seu âmago queria correr desesperadamente para o trem e lhe dizer que tudo ficaria bem.

O segundo flash foi de uma manopla de metal com um grande símbolo nas costas da mão. A manopla estava em um pedestal. Ao fundo um liquido espirrou na parede, manchando a manopla.

O terceiro flash foi o pior. A enorme nuvem brilhou em azul quando uma máscara se iluminou dentro de si. A máscara olhava para ela com raiva. Como se estivesse ressentida. Então abriu a boca e a engoliu.

Abriu os olhos em um ambiente completamente diferente. Um hotel ou pousada, provavelmente. As ondas quebravam na areia e o vento balançava as folhas das palmeiras. Onde estava? No terraço? Não importava. O ar era tão pesado quanto cimento. Algo ruim acontecera ou estava pra acontecer. Prendeu o folego ao olhar para trás. Um jovem, não mais que vinte anos. Babava debilmente se apoiando na porta que levaria ao andar abaixo. Seu braço direito estava no chão, mas o dono estava em pé com o fio azulado do nervo pendendo para fora do coto que se seguia após um pedaço do ombro. No chão havia uma furadeira encharcada de sangue. Não havia instrumentos no mundo para captar a dor que o jovem sentia naquele momento.

O homem parecia um esqueleto. Não conseguia ver seu rosto, o cabelo empapado de suor não deixava. Usava uma bermuda folgada e uma blusa branca, um pijama. Seus ossos apareciam em relevo. Em resumo, parecia alguém vitima da praga, doente e definhando. Mesmo débil e babando de dor, ele cutucou a ferida com o outro braço, encolheu-se ao sentir os dedos esbarrem no nervo mas não parou até a mão se encher do sangue próprio e começou então escrever na parede.

Um fio artificial, o pecado fatal.

Dos três, um se cegará, o outro cairá, e o caçula a praga lançará.

Pode te fazer alucinar, pode te fazer babar, pode te fazer matar.

A guerra entre a família começará.

Pais contra filhos. Filhos contra pais. Irmão contra irmão.

Quando o mar soprar a última onda, enfim a guerra dos ressentidos milenares começará.”

Annabeth despertara de mais um de seus pesadelos. Tateou a cama desesperadamente até lembrar-se que Percy não estava ali. Suspirou longamente. Iam fazer três semanas que Percy havia embarcado, nunca se acostumara com a ausência do moreno, e nem se acostumaria, mas não podia negar essa liberdade a Percy. Era um filho do Deus do Mar afinal, e era de sua natureza ir para seu “habitat natural”. No entanto, nas últimas semanas, pesadelos, que a muito tempo haviam se aquietado, retornaram.

Levantou-se para tomar um banho gelado, estava empapada de suor, assim como a cama. Trocou os lençóis a foi tomar uma ducha. Divaga sobre o significado do sonho. Como semideusa sabia que podia ser fatal não dar atenção aos sonhos. Seria uma nova profecia?

Notas finais
That's all folks!