Wanted
2 Capítulo 1 - PARTE 1
Notas iniciais
Dois anos mais tarde...
Pov Angie
Dois dias antes da formatura e eu aqui contra meu armário em estado de choque. As pessoas estavam andando, indo para a aula, sem saber o que diabos eu estava passando, ou pelo menos não se importavam.
Lembranças do que minha mãe me disse quando eu tinha sete anos voltavam a minha mente naquele momento. Todo o meu corpo começou a tremer. Por quê? Eu só queria gritar o mais alto que pudesse, POR QUÊ?
Talvez a minha mãe estivesse certa, ninguém jamais iria realmente me querer ou me amar. Podia apenas desistir deles para sempre. Eu só queria que Jefferson chegasse, quando ele iria chegar aqui? Eu tinha que dizer a ele o que aconteceu ou ele iria saber que algo estava errado no momento em que visse minhas lágrimas nos olhos vermelhos. Jefferson iria saber o que fazer para tirar essa dor, antes que tenha que ir para casa e enfrentar minha mãe. Eu nunca poderia deixá-la saber o que aconteceu. Ela nunca me deixaria esquecer disso, como ela sempre trazia Pablo à tona. Deus, eu estava tendo problemas em levar ar aos meus pulmões. Eu só precisava de Jefferson.
Jefferson é o meu irmão mais velho, três anos. Ele era a única pessoa na minha vida a estar lá para mim. Ele estava indo para a Universidade do Texas, estudar Engenharia Arquitetônica. Ele moldou sua bunda na escola para obter notas perfeitas e é claro que arrebentou no campo de futebol também. Recebeu uma bolsa de estudos para jogar futebol na Universidade do Texas.
Ele poderia ter ido a qualquer lugar, mas ele ficou em Austin para ajudar a cuidar de minha mãe e de mim. Ele não me deixou sozinha para lidar com ela. Ele é tudo o que tenho neste mundo.
Meu pai foi embora quando eu tinha três anos. E voltou a ver-nos apenas uma vez depois que saiu. Foi logo depois que Jefferson ganhou sua bolsa de estudos para UT. Apareceu em nossa porta agindo como um pai orgulhoso. Eu pensei que Jefferson iria jogar a merda toda nele. Ele só ficou tempo suficiente para dar a Jefferson e a mim parte da herança de uma avó que nenhum de nós se lembrava. Ele também induziu nossa mãe a ir para outra festa bêbada e perder outro emprego.
Jefferson me fez aplicar o dinheiro, para a faculdade e comprou sua caminhonete, e pagou as dívidas da casa de nossa mãe. Minha mãe não servia pra nada, era uma bêbada metade do tempo que não sabia que tinha dois filhos.
Eu não era nada, apenas um lembrete do homem que a deixou sozinha, indesejada. Ela me dizia o quanto eu parecia com ele quando eu era mais jovem.
Seu ódio por ele a levava a beber para ficar longe de seus problemas, ou pelo menos ela tentava beber para esquecê-los.
Jefferson era outro lembrete de nosso pai, mas minha mãe praticamente só o ignorava, mais do que a mim. Enquanto ele colocava dinheiro em sua conta, todo mês para o álcool, ela estava feliz. Jefferson trabalhou desde que tinha 14 anos para ajudar à por comida na nossa mesa. Eu parei de contar quantos empregos minha mãe tinha tido nos últimos dez anos. Às vezes, ela tinha momentos em que estava bem conosco. Como Jefferson conseguiu trabalhar, estudar e começar a treinar futebol, enquanto o tempo todo cuidava de sua irmã querida, eu nunca irei saber.
Eu amo muito meu irmão, por tudo o que ele fez, até mesmo por nossa mãe. Jefferson é a única pessoa na minha vida que esteve lá por mim.
Eu só precisava de duas pessoas na minha vida: Jefferson e Leonardo. Bem, merda! Pelo menos até 30 minutos atrás eu achava que as duas únicas pessoas que eu precisava em minha vida eram Jefferson e Leonardo. Leonardo tem sido meu namorado durante os últimos oito meses, praticamente todo o meu último ano foi gasto com ele. Que desperdício de merda.
Acho que eu deveria dizer que ele era meu namorado. Esse filho da puta! Meu corpo começou a tremer de novo quando a imagem voltou a minha mente. Senti as lágrimas ameaçando voltarem. Não! Eu não iria mais chorar por ele.
Eu tinha recebido uma mensagem de texto de Leonardo me pedindo para encontrá-lo no auditório durante o sexto período. Eu tinha a função de monitorar e não era incomum para mim, encontrá-lo durante o sexto período antes de terminar o dia no campus. Eu poderia jurar que ele me disse que estava saindo, logo depois do quinto.
Hoje algo estava diferente e eu soube, no momento em que entrei pela porta do auditório. Ouvi gemidos vindos de trás do palco. Lentamente me aproximei e encontrei Leonardo atrás do palco fazendo sexo com Jessica Harris. Pensei que eu ia vomitar. Fiquei lá como uma idiota observando-os por, provavelmente, um bom minuto antes que meu cérebro começasse a trabalhar novamente.
Eu finalmente fui capaz de afastar-me para longe de um dos piores momentos da minha vida só para bater em uma peça do cenário do estúpido Mágico de Oz. que seria representada na aula de teatro que aconteceria aquela noite. Fez um estrondo quando bateu no chão e eu virei a tempo de ver Leonardo olhar para mim com um olhar atordoado em seu rosto e ver Jessica me dar o pior sorriso que eu já tinha visto. Quero dizer realmente, que a cadela poderia jogar
punhais na mãe ao cantar uma música da Disney. Naquele momento, eu soube que isso era tudo obra dela, me fazendo encontrá-lo aqui e ver isso.
Eu me virei, pulei e me pus a correr para porta a fora. Tudo o que eu sabia era que eu mal podia respirar. Realmente precisava sair de lá e rápido. Eu ouvi o bastardo chamando por mim.
— Deixe-me explicar! Angie! POR FAVOR, deixe-me explicar! — Ele continuou gritando. Realmente. Como ele achava possível explicar por que ele estava fazendo sexo com a menina que mais odiava a minha popularidade?
Desde que Leonardo me pediu uma dança no baile de outono, Jessica tornou a sua missão de vida me odiar e tomar Leonardo de mim. Com seu perfeito cabelo loiro, olhos azuis e dinheiro do papai, ela conseguia tudo o que queria e eu tinha algo que ela queria. Acho que ela cumpriu sua missão. Depois que eu passei os últimos 20 minutos chorando feio no banheiro feminino, com o minha melhor amiga Francesca em pé fora do box, me implorando para lhe dizer o que estava errado, estava pronta para ir jogar toda a merda fora, da puta da Jessica Harris.
Eu finalmente fui capaz de falar com Fran, uma vez que os soluços pararam um pouco.
— Ohhh, meu Deuss, Fran, que filho da puta que não serve para nada. — E lá estava ele... Outra rodada de soluços sem fim.
— Por favor, Angie, você está realmente me assustando. Por favor, me diga quem e que diabos você está falando antes que eu escale esta maldita porta e arranque-a fora. — Fran gritou sobre os meus gritos.
— É.... é Leonardo. Eu o vi fazendo sexo com.... com.... Je... Jess... Jessi....
Eu não posso respirar...... OH MEU DEUS! Por quê?
— Acabei de ver Leonardo e a puta da Jessica Harris atrás do palco! Eu gritei com tanta força que até eu estava à espera que alguém entrasse e visse o que diabos estava acontecendo no banheiro feminino do corredor C.
Por alguns minutos eu pensei que Fran tinha me deixado sozinha na minha miséria. Estava sozinha, sentada no banheiro feminino chorando por um idiota, chorando sozinha. Eu sempre acabava sozinha.
Quão estúpida eu era pensando que Leonardo iria esperar para estar comigo até que eu estivesse pronta? Eu nunca senti como se Leonardo fosse 'O Cara', que eu estava me guardando. Tínhamos dado uns amassos, beijado e ele nunca tentou ir mais longe. Minha mãe me disse, na primeira e última vez que ela o viu, que eu era apenas um troféu para ele.
Eu sempre estive sozinha. Balancei minha cabeça. Não era verdade, eu tinha Jefferson. Eu sempre teria Jefferson.
— Santos sinos infernais..... Jesus, Maria e José,... Que sujo! filho da puta podre! Fodeu tudo! Eu vou cortar suas bolas fora e...
Deus! eu amava essa garota. Fran tinha sido minha melhor amiga desde que tínhamos 10 anos. Ela era bonita, engraçada e inteligente como o inferno.
Estava se formando como oradora oficial de nossa turma. Tinha a mesma altura que eu, 1,65m e pesávamos cerca de 54kg. Era muito bom, pois eu pegava emprestadas suas roupas. Ela tinha um bonito cabelo preto médio que caia logo abaixo dos ombros.
Tinha olhos castanhos assustadoramente belos. Seu único defeito... Ela não sabia quando parar de falar. A menina poderia tagarelar o dia todo, se você deixasse.
— Fran, por favor, se alguém vai cortar suas bolas fora, merda! Com certeza serei eu e não você. Mas obrigado pelo amor. — Eu disse quando saí do box mais composta do que eu realmente deveria estar.
De alguma forma, nos últimos sessenta segundos me bateu: Não era para eu ser feliz ou encontrar o amor. Assim como minha mãe me disse quando eu era mais jovem. Eu nunca serei amada por alguém.
Por ninguém, muito menos por um dos garotos mais populares da classe sênior. Que idiota eu tinha sido. Argh, eu só precisava que meu irmão chegasse aqui. Ele iria me levar para longe deste desastre, como ele sempre fazia. Uma vez que Fran viu que eu estava bem, ela fugiu do banheiro, antes da campainha tocar para avisar a Sra. Johnson que eu não estava me sentindo bem.
Ela estava pensando em contar a nossa professora de ciências que eu estava tendo dores terríveis no banheiro feminino.
Ela estava certa de alguma maneira... Eu estava com uma dor terrível, mas não tinha nada a ver com cãibras. Era o meu coração partido e nada mais. A Sra. Johnson não se importaria. Era o último dia para os formandos, de qualquer maneira, e tudo o que estavam fazendo era jogar um jogo estúpido.
Eu tinha enviado uma mensagem de texto para Jefferson, quando entrei no banheiro e me tranquei atrás da cabine, perguntando se ele poderia vir e me levar mais cedo. Fran tinha me visto correndo do auditório e veio atrás de mim. Eu tinha conseguido evitar Leonardo, escondendo-me do outro lado da escola, nos últimos minutos. Eu estava em silêncio esperando que ele tivesse apenas deixado à escola
uma vez que ele não pudesse me encontrar. Era final da aula e eu estava rezando para meu telefone tocar com 'eu estou aqui querida’ e eu poderia simplesmente dar o fora, me esquivar para a segurança do caminhão de Jefferson. Se eu pudesse lidar com isso e não ver Leonardo, eu deveria ficar bem.
— Angie .... por favor, deixe-me falar com você.
Putz.... Sim... Era verdade. Minha vida nunca vai ser como eu desejo. Santo inferno!
— Vá embora L...Leonardo. — Oh sinos infernais! Força Angie, força. Não chore na frente dele!
— Por favor, Angie, eu cometi um erro terrível. Jessica estava dizendo toda essa merda sobre como ela ouviu você dizendo a Fran que você não tinha planos de ficar mais próxima a mim e como você ia terminar comigo antes do Verão... e... bem, merda! Angie eu não estava pensando direito querida. Eu tenho tentado ser paciente com você Angie, mas, porra, tudo o que faço é beijar e bem... Eu simplesmente cansei. Um cara tem necessidades e bem um.... Ela é só um corpo Angie, com ela não foi nada, eu tive um momento de fraqueza. Prometo que isso nunca mais vai acontecer novamente. Eu prometo. Eu NUNCA te trairei novamente Angie. Eu prometo a você querida. Vamos esquecer, está bem? Seguir em frente, deixemos passar Angie, certo?
Oh meu deus, eu quase vomitei. Um cara tem necessidades? Ele é louco! Ele teve um momento de fraqueza? Você tem que estar brincando comigo! Será que ele realmente disse isso? Eu tirei coragem de algum lugar profundo e me virei para ele.
— Você tem que estar brincando, né? Essa é a sua razão para foder a Jessica? Porque eu estava esperando que você, no mínimo, achasse que eu valia a pena Leonardo. — Eu consegui cuspir isso tudo, mesmo com as lágrimas que eu estava segurando e a raiva que estava crescendo.
— Fazer valer a pena? Angie, farei qualquer coisa! — Leonardo pediu.
Naquele momento eu convoquei todos os ditados feministas bobos que Fran está sempre pregando para nós. "Meninas, vocês são mais fortes do que vocês pensam. Se vocês não gostam de serem tratadas como capachos então, saiam da porra do chão. Ah, e meu favorito eterno. "Se você obedecer todas as regras, você perderá toda a diversão". Essa foi uma citação de Katharine Hepburn. A mãe de Fran adorava Katharine Hepburn e eu juro que ela nos fez assistir a cada um de seus filmes.
Sim! Uma vez eu tive toda essa merda de apoio moral, ferveu todo meu pequeno corpo de 1,65m e 54kg, Eu fechei o punho e soquei aquele filho da puta, no rosto, tão forte quanto eu poderia. Ok, eu não vou mentir e dizer que não doeu. Doeu pra cacete e eu tenho certeza que eu soltei um grito de dor, no momento em que fiz contato com a mandíbula, mas, para ver de novo a cabeça de Leonardo estalando e todos pararem para olhar. Jesus valeu a pena! Mesmo que ache que quebrei minha mão. MERDA! Ohhh merda...
— Angie o que diabos está acontecendo? — Era Jefferson. Eu estava saindo do torpor, caindo em mim e olhei para minha mão cada vez mais inchada.
— Recebi sua mensagem de texto, querida. O que está acontecendo?
Jefferson baixou os olhos para a minha mão e depois para Leonardo que estava cuidando de sua mandíbula e deve ter entendido tudo o que havia acontecido naquele momento. Jefferson pregou Leonardo contra os armários em dois segundos.
— Que merda que você fez com a minha irmã seu idiota? Eu vou te matar se você machucá-la! — Jefferson sussurrou entre os dentes.
Fui até lá e tentei tirar Jefferson de cima de Leonardo antes que ele o machucasse ou pior, tivesse problemas se batesse na porcaria de um estudante do ensino médio. Esqueci-me da mão e pulei para trás de dor, soltando um pequeno suspiro quando eu agarrei a camisa dele. Só então senti mãos quentes e fortes nos meus ombros e meu corpo inteiro começou a formigar ficando quente por dentro.
Mas que diabos?!? O que estava acontecendo?
— Afaste-se daqui, Angie, para não se machucar querida. — Eu olhei para cima e fiquei olhando para os olhos castanhos mais lindos que eu já tinha visto. Eu nunca tinha visto um cara tão bonito como o que estava em pé, na minha frente.
Deveria ter pelo menos 1,82m e 104Kg. Eu sei disso porque Jefferson tinha 1,81 e 99 Kg.
Meus olhos viajaram rapidamente de cima a baixo, por seu corpo. Puta merda, esse cara foi esculpido! Eu sempre achei que meu irmão Jefferson era o homem mais bonito que já virá. Tinha cabelo castanho claro e olhos verde-esmeralda. Malhava todos os dias, até onde podia lembrar. Disse que era sua maneira de libertar-se do stress. Nós nunca poderíamos ir a qualquer lugar sem que alguma garota tropeçasse em si mesma para chamar sua atenção. A coisa que eu mais amo no meu irmão, é que ele é ignorante a tudo isso. Basta levá-lo para o lago. Ele tira a camisa e BAM!... Meninas em todos os lugares. Ele tinha um corpo bonito e tinha parte de seu peito e braços cobertos de tatuagem. Ele tinha uma tatuagem da bandeira do Texas em seu braço esquerdo e uma tatuagem tribal no peito e ombro direitos que chegava até as costas. Ele e alguns amigos fizeram no verão passado.
Mas esse cara em pé, na minha frente, era de tirar o fôlego. Eu não conseguia tirar os olhos dele. Eu o ouvi deixar escapar um pequeno sorriso de sua boca bonita e percebi que ele ainda estava segurando meus ombros. Ajeitei-me, afastando-me dele, ainda atordoada.
Ele sorriu para mim e naquele momento tudo parecia abafado. Eu mal ouvi Jefferson gritando com Leonardo, ou o Sr. Watson gritando, inquirindo Jefferson sobre porque estava no campus e mandando deixar Leonardo ir. Eu só vi o sorriso mais magnífico olhando para mim. Meu corpo inteiro se sentia fraco e eu tive que me concentrar para respirar e conseguir olhar ao redor, para ver o que estava acontecendo.
Ele deu um aperto pequeno nos ombros e um momento depois, se virou e tirou Jefferson de cima de Leonardo.
— Jeff relaxa. Acalme-se, não leve tão a sério, cara! Não vale a pena ir para a cadeia por ele. — Disse com uma voz suave e calma.
Sim, eu nunca tinha ouvido uma voz tão doce na minha vida. Pode um corpo fisicamente derreter por causa de uma voz? O que diabos estava acontecendo comigo?
— Eu vou matar esse filho da puta, se ele a machucou de qualquer maneira German, Eu-vou-matar-ele! — Jefferson gritou quando olhou para Leonardo.
Então, esse era o German hein? O melhor amigo da faculdade. Jefferson falava sobre German o tempo todo, mas eu ainda não o tinha conhecido. Embora o tivesse visto muitas vezes no campo de futebol. Eles jogavam juntos pela UT e ambos se formariam em engenharia arquitetônica.
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