Walpurgis Nacht
1 Prólogo - Chegada.
Notas iniciais
Um jovem de encapuzado andava no meio de todos. As pessoas andavam de um lado para o outro, carregando coisas, saindo da cidade e indo para um lugar que julgavam seguro o mais rápido possível – santuários, claro.
O encapuzado, vestido com a capa preta com símbolos desconhecidos, com um colar de pentagrama pendendo no pescoço, usando roupas negras com pouca armadura por cima, sabia bem o motivo disso. Era 29 de Maio. No dia seguinte, começaria a Noite das Bruxas.
A Noite das Bruxas passou a ser temida quando pessoas começaram a aparecer mortas, com um pentagrama desenhado em seu pescoço. As pessoas pegaram o costume de irem “se salvar” em santuários, igrejas, templos e afins, onde eles achavam que o mal não chegaria.
Um dos motivos do jovem estar encapuzado era esse fato. Sua aparência peculiar fariam as pessoas correrem, e provavelmente tentariam mata-lo – não que ele fosse fraco, mas não queria perder tempo.
A “aparência peculiar” do jovem – chamado Kriemhild, nome de significado engraçado: Máscara – constituía em uma pele avermelhada, bem avermelhada, olhos totalmente vermelhos, cabelo negro, arrepiado e curto. Chifres de carneiro e uma cauda grande, grossa e pontuda terminavam com sua estranheza.
Ele era de uma raça que vinha de um Reino distante – O Reino de Spettalum, local de isolados e rejeitados pelo resto do mundo.
No momento, ele se encontrava na vila Abrigo Sem Sol – onde incrivelmente vivia nublada, origem do nome da vila – procurando por uma estalagem. Precisava comer e beber algo, e descansar.
Kriemhild acabara de entregar uma mensagem do rei Yin – Rei de Arcadia, mesmo sendo de Spettalum, o chifrudo era mensageiro do Rei oposto — para um dos mensageiros do rei Yang – o Rei de Spettalum, tanto Yin como Yang nunca foram vistos fora dos castelos, apenas por seus mensageiros e guerreiros.
De qualquer forma, o reino de Spettalum era o oposto do reino de Arcadia. Spettalum possuía um ar tão... Depressivo, que fazia qualquer pessoa ficar triste e pensar em seu possível passado horrível.
Já Arcadia era tão pacifico e tão bom de morar, que era um dos motivos de Kriemhild ter decidido servir aquele Rei. Precisava de uma vida pacifica de vez em quando, afinal.
O chifrudo finalmente encontrou a tal estalagem, adentrando nela e deixando duas peças de ouro no balcão. O tavernista o olhou arqueando uma sobrancelha, certamente, o preço de suas mercadorias não equivaleriam nem mesmo a metade de uma moeda de ouro.
-Um quarto, frutas e Hidromel. – Falou com sua voz grossa assustadora, era impossível não manter o tom demoníaco de sua voz.
-Com ou sem álcool? – Perguntou o taverneiro. Barrigudo, careca e com um bigode.
-Sem. – Se sentou em uma das cadeiras do balcão enquanto esperava.
Kriemhild fuçou sua bolsa de viajante e pegou um mapa, o olhando de modo discreto. Nenhum mapa possuía a parte dos Sete Pecados, mas o do chifrudo era especial e possuía cada detalhe de cada lugar, incluindo o Reino dos Sete Pecados.
Este reino é constituído por sete vilas, – Gula, Preguiça, Ira, Luxúria, Vaidade, Ganancia e Inveja — sendo assim, cada vila possui uma “Princesa”, todas as sete são mulheres desconhecidas, mas o local é muito temido – por isso não tem parte no mapa, porque ninguém quer ir até lá.
Sabe-se lá o que acontece naquele lugar, mas todas as pessoas que foram não voltaram.
-Eu preciso passar pela Gula para ir onde eu quero... Isso não vai ser muito bom. – Suspirou, ouvia boatos sobre a Vila Gula. Mas nunca acreditava em boatos, as pessoas os aumentavam demais.
Ao mesmo tempo que o seu Hidromel foi posto na mesa, a porta da taverna se abriu. Todos os bêbados e viajantes sensatos que estavam lá dentro se calaram.
Kriemhild se virou para encarar quem entrara – esse silêncio repentino não era nada normal – e se deparou com algo realmente chamativo.
Aliás, não era todos os dias que se via seres como aquele.
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