Notas iniciais
Eu SEMPRE me confundo com os reis Yin e Yang, então, ignorem se notarem essa confusão, não é importante de qualquer forma.
Desculpem-me a demora, época de eventos e otakontros não me deixaram escrever, sem contar as provas e afins.
E a história está fraca porque é começo, começos sempre são chatos.

Kriemhild galopava com Desespero e Luthia à sua frente. Haviam saído da vila cedo – precisavam falar com “os outros”.

Um dos motivos que o chifrudo seguiu caminho com os viajantes fazia parte dessa Caçada. Mas, ele nunca havia enfrentado bruxas de verdade e sim apenas seus familiares.

Familiares de bruxas não são grande coisa para um Bruxo, muito menos para pessoas como Desespero e Luthia, que eram especialistas em caçadas. Porém, uma bruxa de verdade poderia por muito risco à vida de Kriemhild e isso era algo que ele não queria.

No final, decidiu que se ficasse muito perigoso ele daria o fora, não tinha motivos para se arriscar – apesar do que pretendia fazer seria uma carta na manga e uma vantagem.

Passou o passo para um trote e depois para um andar comum, assim como os outros dois fizeram à sua frente. Olhou para frente e assoviou – nunca havia visto uma construção tão... Enorme.

O castelo se situava em cima de uma colina – bem afastado de todas as vilas – e era morto. Em volta havia vários troncos de árvore desfolhados que subiam em fileiras irregulares. Os galhos nus se estendiam para o céu. O vento soprava entre a floresta morta fora do castelo – fazendo um ruído como se as árvores gritassem de dor e agonia.

O castelo era feito de pedras negras, e os muros e paredes pareciam ter sido erguidos há séculos. Havia alguns musgos entre as frestas e algumas trepadeiras subiam em volta, mas o local – apesar da aparência – era muito bem cuidado. Os muros eram enormes, deviam ter ao menos vinte metros.

Eles foram obrigados a atravessar uma ponte que parecia ter pouca firmeza para chegar ao portão principal, que era quatro metros menor que os muros. Kriemhild contou cinco guardas do lado de fora, um deles mais armado que os outros e usando uma capa vermelha.

-Lorde Capa Vermelha! – Desespero cumprimentou com ironia presente na voz, o chifrudo imaginou ser uma piada interna.

-Auto lá! Quem é o maldito trovador que está vindo agora?! – O sentinela gritou ao longe, e quando o grupo se aproximou o bastante para ser bem visto, ele arregalou os olhos – Luthia! Desespero! Vocês voltaram!

-Encontramos um amiguinho. – Luthia apontou para Kriemhild com o olhar – E voltamos para fazer as honras de apresenta-lo aos outros dois. – Sorriu, sempre com sarcasmo.

O chifrudo parou para pensar se era alguma mania dos dois agirem com tanto sarcasmo e ironia, mas achou melhor deixar esse assunto inútil para lá.

-Bem-vindo, então, Sr...

-Kriemhild. – Fez uma reverência apenas com a cabeça.

-Prazer em conhecê-lo. Eu sou Aquarion.

-Ou Lorde da Capa Vermelha. – Desespero e Luthia riram.

-Não siga os conselhos dele. – Sorriu calmamente, e então deu espaço para que o grupo passasse – Vão.

No tempo que Kriemhild teve de observar o guarda, viu que seus cabelos eram louros e curtos, sua orelha levemente pontuda – mas era maior do que a de um meio-Elfo e menor do que a de um Elfo – e seus olhos eram de uma única cor, sem pupila. Um lilás.

Agora eles já entravam pelos portões, e o chifrudo se permitiu mais uma vez olhar em volta.

Tudo era feito de pedra negra, um jardim, que devia ter sido lindo em algum século, agora só restava plantas mortas. Haviam diversos guardas, mais cinco depois do portão, vários arqueiros nas muralhas e sentinelas observando de todos os lados.

Todos, fora o “Lorde Capa Vermelha”, tinham expressão hostil e cara de poucos amigos. Certamente, se Kriemhild fizesse besteira seria morto, mesmo com sua magia.

Tanto pelo lado de dentro quanto pelo lado de fora, Kriemhild sabia por que o Reino era chamado de Spettalum. Na língua Dialeto Subterrâneo Spettalum significava ‘escuridão’.

‘Dialeto Subterrâneo’ é uma língua falada pelas bruxas, poucas pessoas a aprendem – considerando que a maioria repugna a existência das bruxas – mas era uma língua que, pelo visto, o Rei e seus descendentes falavam. E claro, Kriemhild havia a decorado.

Apesar de estarem prontos para o ataque e serem hostis, os guardas se afastaram dois passos ao que o trio passou por eles. Luthia os olhava de cima com olhar de superioridade, sorrindo de modo sarcástico como sempre fazia. Ela fez questão de olhar profundamente no olho de cada um.

Já Desespero ignorava qualquer presença ali. Sabia que, mesmo sendo do mesmo reinado, aquelas sentinelas pensavam a mesma coisa. Sabia que eles estavam loucos para sussurrarem entre si sobre os ‘amaldiçoados’. Todo mundo sabia disso. Luthia sabia. Kriemhild provavelmente sabia disso também.

Os cavalos foram abandonados na entrada do castelo, sendo levados ao estábulo por um guarda. O louro limpou a garganta, respirou fundo e abriu a enorme porta.

-Se prepare Kriemhild. – A morena alertou – Nós temos um chefinho muito amigável. – Ironizou.

“Era o que eu imaginava”, o chifrudo deu de ombros, pensando.

Eles adentraram no local, com a mesma aparência morta do lado de fora, só que com móveis e sem folhagem. Seguiam caminho reto por um tapete longo e vermelho sangue.

Kriemhild andava despreocupadamente, mas estava quase dando meia-volta e saindo deste local. Mesmo que estivesse morrendo de medo, tinha que manter alguma pose. Só que de tão distraído pensando, quase passou de Luthia e Desespero – que haviam parado de andar.

Olhou a sua frente e quase teve vontade de virar um rato e sair correndo ao ver o olhar que estava sobre o trio.

Apenas um olho cinzento e sem expressão, enquanto o outro era tampado por um tapa-olho negro.

Cabelos roxos que pareciam mudar para cinza escura batiam em seu quadril, lisos. A roupa se tratava de botas roxas até o joelho com detalhes negros tribais e duas asas médias no calcanhar. Uma calça negra colada lhe dava agilidade e movimentação. Usava uma regata roxa com gola que seguia como uma meia-saia até o joelho, assim como a bota havia desenhos tribais negros. Na mão esquerda, havia uma luva que se prendia ao dedo do meio, e ia até um pouco abaixo do ombro. Na mão direita era uma luva que ia até a metade dos dedos negra com detalhes tribais em roxo, chegando à mesma altura que a luva da mão esquerda.

Kriemhild não viu nenhum sinal de armas, franzindo o cenho. Será que ele usava os punhos para lutar?

-Lúcio. – Desespero e Luthia se reverenciaram – Nós voltamos.

-Isto eu vi. – O outro respondeu, descendo os três degraus no qual estava em cima. O chifrudo então notou que ele era realmente baixinho e teve uma vontade imensa de rir. – E vejo que trouxeram tralha com vocês. – Olhou para Kriemhild, cessando sua vontade de rir.

-Não sou uma tralha. – Respondeu com a voz firme. Não devia tê-lo feito.

-Para mim, é. – Voltou o olhar aos outros dois – Loveless, já entregou a mensagem ao Rei Yin?

-Já. Aliás, que me passou a mensagem para entregar ao Rei Yin é este moço aí. – Apontou Kriemhild com o polegar.

-Como é o seu nome, rapaz?

-Kriemhild. Kriemhild Sehen.

-Você fará parte de nossas caçadas agora?

-Sim. – O chifrudo pensou em responder, na realidade quase respondeu, ‘sim senhor’, mas sabia que ‘senhor’ era o pior modo de puxar saco de alguém como ele.

-Entendo... Interessante. Irei chamar Sharon, esperem-me lá fora. Sem os cavalos, nós vamos a pé.

Os outros dois apenas assentiram, fazendo sinal para que Kriemhild os seguisse. O chifrudo deu uma ultima olhada para trás durante a caminhada de volta, mas Lúcio já havia desaparecido. Suspirou. “Esse pessoal é cheio das manhas”, pensou.

Já lá fora, respirou e soltou o ar algumas vezes.

-Nervoso?- Desespero perguntou com um sorriso irônico.

-Um pouco. – Admitiu, franzindo o cenho – Afinal, o que raios nós temos como líder?

-Um cara baixinho, revoltado, mas muito forte.

-Eu não o vi com nenhuma arma, como ele luta?

-Ah, ele... – Desespero começou a falar, mas fora interrompido pelos passos de alguém que utilizara salto. A bota élfica de Lúcio não permitia que seus passos fizessem barulhos, e o loiro agradeceu que ele estivesse acompanhado.

-Desespero, Luthia! Saudações!

A moça que falara sorriu. Era uma jovem de cabelos verde escuro e longos, seus olhos eram roxos. Orelhas enormes de Elfo diziam à qual raça pertencia – ao menos que fosse mais uma como Desespero, pensou Kriemhild – e um arco praticamente maior que Lúcio estava em suas costas, indicando seu tipo de ataque. Ela era alta, seios e coxas fartas, usando um corselete vermelho apertado, uma meia-saia que ia até seu joelho preta, um short preto e uma blusa de alças presas no pescoço preta sendo metade dela tampada pelo corselete. Botas pretas até metade da coxa terminavam o seu estilo, com mais vários anéis espalhados pelos seus dedos.

-Sharon! – Luthia a abraçou assim que ambas se encontraram e sorriu, se afastando logo depois – Quanto tempo.

-Bem, finalmente nos juntamos para uma nova caçada!

-Aleluia. – Desespero sorriu também, cumprimentando-a – Juntos em mais uma Walpurgis.

-Vamos sair dessa de novo e beber muito. – A Elfa alargou o sorriso – Ah, olá, novo membro. – Cumprimentou Kriemhild – Eu sou Sharon, apenas Sharon.

-Ah, eu me chamo Kriemhild Sehen. – O chifrudo retribuiu o cumprimento.

-Seja bem-vindo, espero que não se assuste. – Riu.

-Com as bruxas? – Arqueou uma sobrancelha.

A elfa riu e fez que não com a cabeça.

-Com a gente.

-É bom saber que estão felizes em se rever, mas – Lúcio ficou a frente de todos, virado para o horizonte de costas para eles – nós temos que ir, já está anoitecendo e não podemos perder tempo. Temos algumas ocorrências na Catedral da fronteira entre os dois reinos.

-Ah, adoro catedrais. – Luthia revirou os olhos e Kriemhild concordou com ela mentalmente, bruxos tinham sérios problemas com esses lugares e... Ele parou para pensar, por que Luthia não gostava de catedrais se ela não era uma bruxa?

E agora que havia se tocado. Lúcio perguntou para Luthia se ela já havia entregado a mensagem ao Rei... Isto é... Luthia era a outra mensageira?!

Preparou-se para perguntar, mas Lúcio já andava seguido do grupo. Ele voltou a falar e o chifrudo achou melhor não interromper.

-Quero que vocês me lembrem do meu lema.

-Uma vez – Luthia começou.

-Para trás – Sharon continuou.

-Fica para trás. – Desespero terminou.

Kriemhild engoliu a seco, os seguindo rapidamente.

Ele sabia muito bem que não tinha mais saída agora, uma vez que estivesse, novamente, sob ordens de Lúcio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.