Notas iniciais
AAAH. Primeiramente eu sinto muito pelo capítulo Daydreaming and weird conclusions, que é o capítulo da minha outra fanfic, que é de Haikyuu. KLSDÇFKÇ~F. Eu sinto muito se vocês ficaram WHAAAT sem saber quem eram Hinata, Yachi e Kageyama. qq Eu sou muito avoada. Me distraí e postei errado. O último capítulo da fanfic foi apagado pelo Nyah porque violava as regras (?), então eu repostei. E aqui vai o epílogo. Ele ficou pequeno, mas é porque não havia muito mais a ser dito. Só queria esclarecer algumas coisinhas mesmo~ Boa leitura :3

– Eu sempre disse que ela iria acabar morrendo se continuasse com essas ideias loucas. – Bebericou seu café, fazendo uma careta devido ao gosto de pano sujo que invadira sua boca. Não que pudesse esperar muito. Estava num pub de beira de esquina e seu aspecto não era dos melhores. A comida que era servida apenas refletia a cara do local. – Foi o que aconteceu, e foi a única coisa que poderia ter acontecido. – Apoiou os cotovelos na mesa, encarando o loiro. Seu rosto se mantinha inexpressivo e impassível, mas seus cabelos ruivos, agora curtos, lhe davam certa vivacidade, assim como seus inebriantes olhos azuis. Suspirou, antes de prosseguir. – Não existem culpados além da própria. Se martirizar pra quê?

– Eu pensei que vocês fossem amigas... – Shizuo disse, ajeitando os óculos escuros. Havia comprado um novo par recentemente, e ainda estava se acostumando com a armação dele.

– Éramos sim. – Ela concordou, com certo azedume. Ou talvez a cara feia fosse só por causa do café. – Mas eu já não a conhecia mais, no fim das contas. Acredite se quiser, mas você a libertou de um mal que não se desprenderia dela naturalmente. Fique grato por isso.

A mulher tinha um visual abatido. Dava para ver que tudo o que ele lhe contara a deixou bem consternada. Não podia culpá-la de ficar daquele jeito, ainda que estivesse tentando lhe consolar. Eram amigas, afinal. Mas foi ela quem o procurou, para início de conversa. Disse apenas que queria saber o que aconteceu com Cora, e, então ali, estavam os dois, sentados num lugar imundo no meio do nada, conversando despretensiosamente. Ou fingindo estar conversando dessa maneira. Era uma cena inusitada, e que provavelmente nunca mais se repetiria. Mas, por hora, estavam fingindo aproveitar o momento.

– O que fez com o corpo dela? – Shizuo ponderou, num tom mais baixo do que o usual. Ora, não queria levantar suspeitas, mesmo que duvidasse que alguém fosse de fato se importar com a morte de Cora naquela espelunca má frequentada.

– Cora já tinha noção do que poderia acontecer. Não se engane, ela pensou em todas as possibilidades. – Disse, com um sorrisinho de deboche. Heiwajima não sabia dizer do que ela debochava. Se era dele, da situação, ou da própria CN. – Me disse exatamente onde estaria. E que era para eu encontrá-la lá. Viva ou morta.

O loiro engoliu seco, arqueando uma das sobrancelhas. Não era de seu feitio chorar, mas sentia um nó imenso na garganta toda vez que aquele assunto vinha à tona e tinha de se segurar para não derrubar algumas lágrimas. Não sabia se era a culpa que sentia por ter matado Cora, ou se era a dor de ter deixado Izaya. Estaria mentindo para si mesmo se dissesse que não pensava na pulga todos os dias. Mas algo dentro de si lhe dizia que a melhor alternativa havia sido deixá-lo. Vê-lo entre a vida e a morte fora algo muito doloroso que não sabia se conseguiria suportar de novo. Ah, mas ele ainda o amava... O amava da maneira mais pura que uma pessoa conseguia amar alguém. Queria vê-lo bem. Mas não conseguiria simplesmente seguir ao seu lado como se nada tivesse acontecido. Ignorar o que CN havia lhe feito e o fim que a mulher levara parecia algo muito insensível de sua parte, independente do que sentia pelo informante (e do quão forte esse sentimento era).

– Então, eu fui buscá-la, como prometi que faria. – A ruiva encarou o horizonte. O sol já se punha lá fora, indicando o final de mais um dia. Havia sido um tedioso e longo dia para ambos, mas pareciam já estar acostumados a sentar observando o tempo passar, como se todos os anteriores houvessem sido da mesma forma. – Ela queria ser enterrada ao lado de Vicenzo, mas não deu. Ela está no quintal da minha casa agora.

– Que esquisito. – Heiwajima acompanhou o olhar da moça. Não se sentia confortável o bastante para continuar encarando sua silhueta com ela distraída daquele jeito. – Enterrar pessoas no quintal é um símbolo de mau agouro, não?

– Pode até ser... Mas eu não me importo. Ela escapou de mim tantas vezes, não queria dar brecha pra isso acontecer de novo.

– Você realmente gostava dela, não?

– Eu a amava. – Ela assentiu. Era esquisito que alguém conseguisse afirmar com tanta certeza amar alguém. Ela não hesitava. O modo como palavra transparecia completamente seus sentimentos por Cora. – Mas no dia em que ela pisou fora de casa, soube que a havia perdido. Felizmente, isso não foi de todo ruim. Me deixou mais forte... Ou melhor, me obrigou a ficar.

– Ela me falou com muito afeto sobre você.

– Ela era ótima em fingir. Uma bela duma mentirosa. Nos últimos tempos, toda vez que nos falávamos, terminava em briga. Ela disse que me odiava, certa vez. Mas quem sabe se era verdade? Só ela. E ela não está mais aqui pra esclarecer qualquer dúvida que tenhamos. Ela era um bonito mistério, e acho que queria morrer assim. Deve estar bem feliz agora.

– Eu sinto muito. – Era difícil arranjar palavras de consolo num momento como aqueles, ainda que Shizuo duvidasse que a ruiva precisasse de compaixão vinda de qualquer outra pessoa. Ela era forte como dizia ser.

– Já te disse para não sentir. – A mulher fez um gesto com as mãos que Heiwajima não soube dizer o que significava, e depois tirou um cigarro mentolado da bolsa, acendendo-o com um isqueiro igual ao que Cora havia lhe dado no dia do incidente. – Merda. O gás já está acabando. – Ela murmurou para si, unindo as sobrancelhas com descontentamento. – Tem fogo?

Shizuo entregou seu isqueiro – não o especial, que CN havia lhe entregado, mas um isqueiro barato qualquer – para a ruiva, que acendeu o cigarro e tragou-o vagarosamente.

– Se importa se eu ficar com esse? – Perguntou. – A única grana que me sobrou dessa viagem vai ser usada no táxi.

– À vontade. – Heiwajima retrucou.

– Mas e você, Shizuo? O que anda fazendo?

Parecia o tipo de pergunta feita apenas por educação. O loiro sabia que a mulher não deveria dar a mínima, mas resolveu falar mesmo assim. Já estava se cansando de ficar quieto por tantos meses.

– Por aí. Ainda não tive coragem de voltar para Ikebukuro. – Desabafou, encarando o esmalte descascado nas mãos da ruiva de maneira despretensiosa. Era vermelho. Céus, como ele odiava aquela cor. – Nunca mais falei com ninguém de lá. Ou de Shinjuku. Peguei um trem para Sapporo. Sempre gostei de Sapporo, não sei por quê. E cá estou.

– Não pensa em voltar?

– Por enquanto não.

– Ora, você é bem parecido com a Cora, sabia? – Ela riu despretensiosamente, ajeitando uma mecha dos cabelos curtos atrás da orelha e despejando as cinzas do cigarro no cinzeiro. Aquele corte lhe dava uma aparência jovial, apesar de tudo. Shizuo gostava de como ela era, não sabia por quê. Talvez porque ela lhe remetesse às lembranças felizes de que Cora havia lhe falado. Ou talvez porque ela parecia o tipo segura de si o bastante para não se importar com o modo que se apresentava ao mundo. – Ela também achava que era fácil assim. Que podia simplesmente ir embora e deixar tudo pra trás.

– É melhor assim. – Heiwajima retrucou.

– Talvez. Eu não entendo o modo egoísta como vocês pensam. E garanto que ninguém mais entende, também.

"Talvez." O loiro pensou. Mas não disse nada.

Jogaram conversa fora por algum tempo, voltando àquele assunto poucas vezes. Já fazia seis meses desde o ocorrido, não era mais notícia fresca e não interessava a nenhum dos dois. Era um assunto velho, desgastado e, sobretudo, era passado. Ainda bem.

Infelizmente, fora isso, não havia muito que se dizer, aquilo era quase como um encontro casual entre desconhecidos. Sabiam muito pouco um do outro, e apenas pelo que Cora havia dito. Nenhum dos dois parecia querer conversar sobre o que haviam vivenciado com a moça. Izaya não fora mencionado nenhuma vez. Preferiam falar do tempo, do clima e de qualquer outra coisa que não tivesse tanto peso. Sempre era mais fácil ignorar questões que de fato importavam. Shizuo sempre fora assim. Não havia pra quê mudar velhos hábitos àquela altura.

Além do mais, não sabia o que poderia falar de Izaya para a ruiva. Não sabia se ela gostava muito do informante, mas era provável que não, devido a todas as casualidades que ocorreram por culpa dele. Era melhor se resguardar. Evitara pensar no moreno todos aqueles meses para não sofrer ainda mais do que já estava sofrendo. E sempre que ocorria, preferia pensar apenas nas coisas boas que havia vivenciado ao seu lado. Queria se lembrar dele assim, caso nunca mais fosse vê-lo. Não havia pra quê ser de outra forma.

Algum tempo se passou. Cansaram de fingir que se conheciam e decidiram ir embora. O sol já havia se escondido, dando espaço para a lua minguante brilhar. Havia belas estrelas no céu de Sapporo, ficaram observando o céu por alguns instantes na hora da despedida. A noite estava fria. A ruiva vestia um cachecol vermelho e tinha a ponta de seu nariz e as orelhas no mesmo tom do adereço. Shizuo também estava bem agasalhado, mas continuava vestindo a roupa de barman. Mesmo que tivesse resolvido deixar boa parte de suas coisas para trás, jamais poderia se desfazer da peça que fora presente de seu irmãozinho.

– Acho que não vamos nos ver de novo. – A ruiva sorriu amigavelmente, inclinando-se para abraçar Heiwajima. – Eu volto pra Escócia amanhã.

Ele retribuiu o abraço de maneira desajeitada. Havia se desacostumado com toques. Ninguém o abraçava há um bom tempo. Foi uma sensação quase confortável, mas teria mais significado se fosse um abraço de uma pessoa conhecida.

– Uh... Boa viagem. – Disse, quando se afastaram. – Foi... Agradável hoje.

– Eu honestamente não sei por que te fiz o convite. Só queria te ver, pra saber se era... Real, sabe. – Ela coçou a cabeça, um tanto sem jeito. – Pensei que talvez fosse só a Cora alucinando mais uma vez. Mas você é mesmo um bom sujeito, como ela havia descrito. Não sei se dissemos tudo o que havia para ser dito. Mas não importa mais.

– Obrigado.

– Você sabe que se precisar de qualquer coisa pode sempre ligar para Cecily Fairchild. Minha família é influente como o diabo. Foi o último pedido dela, ainda que tenha dito que você não iria ligar. E eu duvido que você ligue, mesmo. Mas está dado o recado. Assim não me sinto culpada.

– Bem... Eu acho que já te incomodei demais. Não quero ser um estorvo, mas agradeço mesmo assim.

– Tudo bem. Então, até mais, Heiwajima. – Ela fez um breve aceno, enquanto com a outra mão chamava por um táxi que estava estacionado no local. Ela mesma deveria ter pedido que o homem ficasse esperando, porque o loiro duvidava que táxis frequentassem aquele local. – Fique bem.

– Até, Cecily. Vou ficar.

Ela se virou e foi caminhando em direção ao automóvel. Despedidas eram sempre desconfortáveis, a seu ver. Nem ela própria sabia dizer as respostas que havia tentado encontrar com aquele encontro. Talvez não houvesse nenhuma, apenas a pura curiosidade em conhecer o homem que se parecia tanto com Vicenzo, o grande amor de sua amiga. Cecily nunca havia conhecido o italiano, mas tinha a impressão de que Shizuo era mesmo uma cópia fiel do sujeito. Era estranho, porque o rapaz também remetia muito à Cora. Isso lhe trazia uma sensação nostálgica. Era quase como ver um velho amigo.

Tanto que, por impulso, ela parou e se virou para ele.

Sempre estivera acostumada a dar conselhos aos seus amigos, e independente do fato de Heiwajima ser quase um desconhecido, aquela sensação a fez agir de súbito. Não podia deixar que o loiro cometesse o mesmo erro que CN, anos atrás. Podia sentir seus olhos marejarem ao pensar no que dizer. As palavras que seriam ditas ali nunca atingiram Cora enquanto ela esteve viva, mas esperava que pelo menos funcionasse com o loiro. A mensagem que transmitia ali era a que queria passar para ela, mas não teve a oportunidade.

– Sempre vai haver alguém esperando que você volte. Sempre. Não hesite em voltar para a casa quando sentir que chegou a hora. – Podia sentir as lágrimas quentes descendo suavemente por suas bochechas. Ela sorria, apesar de toda a melancolia que a rodeava. – Não é um pedido de Cora. E eu sei que também não estou em posição de lhe pedir nada. Mas, por favor, não o faça sofrer do modo como ela fez comigo.

Ela correu e entrou no carro, sem esperar qualquer resposta resposta. Shizuo observou o veículo sair rapidamente.

Não a veria de novo.

Mas suas palavras ecoaram por um bom tempo em sua mente.

Notas finais
- Não sei se vocês lembram da Cecily. Ela era a amiguinha da Cora e é assim que ela fica de cabelo curto: http://s1.zerochan.net/Mobile.Suit.Gundam.-.Universal.Century.600.435682.jpg Pra quem não lembra, a primeira aparição dela foi no capítulo 14: http://fanfiction.com.br/historia/228003/Walking_After_You/capitulo/15/ Also, tem uma one-shot dela com a Cora escrita pela Reira-chan que é muito boa, mas que eu nunca cheguei a recomendar, se quiserem ler tá aqui: http://fanfiction.com.br/historia/337107/Instintos/ - Eu fiz o epílogo meio ignorável. Mas eu só queria que vocês soubessem que o Shizuo tá bem. O fim ficou meio em aberto, sem dar pra saber se ele realmente vai voltar ou não. Enfim, tirem suas próprias conclusões, KLSEÇLFD. Foi dolorido o caminho até aqui, mas achei conveniente finalizá-lo com uma conversa com a Cecily, que amava tanto a Cora e que foi abandonada por ela. Eu sinto muito se eu desapontei alguma de vocês... Mas né, no amor nem sempre o que a gente quer que aconteça vai acontecer. :c ANYWAY, OS AGRADECIMENTOS: Vou ser mais breve aqui porque eu tinha escrito aqueles agradecimentos na hora. Gabby, que é minha melhor amiga e que sempre me encoraja quando eu tô arregando pra postar uma história. Shizu-chan, com quem eu não falo mais, mas que sempre vai ser o primeiro e único, e que passou a ser minha inspiração pro Shizuo do momento em que a gente se conheceu até os últimos instantes dessa fanfic. ♥ Gabrela, Íris, Carol, Giulia, Reira-chan e Luna, que são pessoas que ficaram realmente próximas de mim, graças a WAY, e que eu amo muito muito muito. Às minhas leitoras, as que continuaram comigo até aqui e as que me deixaram no meio do caminho, cada review contou e valeu a pena, assim como as leitoras fantasmas. Todas foram igualmente importantes. Eu fui motivada por vocês e só não desisti por vocês. Obrigada pelas ótimas conversas, pelos surtos, e por darem uma chance de eu fazer parte da vida de vocês, assim como essa história. ♥ Essa história carrega um pedacinho de mim e é a coisa mais relevante que eu já escrevi na vida. Obrigada por ter chegado até aqui comigo! Um beijo enorme, Anna/Lain/Nana/Pandora... Ou qualquer nome pelo qual você me conheça!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!