Walking After You
24 Capítulo 23: Breakdown
Notas iniciais
Tempo. Tem-po.
sm (lat tempu) – Medida de duração dos seres sujeitos à mudança da sua substância ou a mudanças acidentais e sucessivas da sua natureza, apreciáveis pelos sentidos orgânicos.
Um dia. Uma semana. Um mês. Dois meses. Três meses. Seis meses.
Izaya só conseguia pensar que tudo o que acontecera pareceu um longo e cansativo sonho ruim que finalmente havia acabado. Se aquele sonho criara qualquer laço entre ele e Shizuo, o laço não tinha mais motivos para perdurar agora que já haviam acordado.
Sempre considerara o tempo um paradoxo. Se há um ditador que perdura por séculos na vida das pessoas, esse é o tempo. Ele nos escraviza e faz com que nos submetamos às mais diversas coisas. Ele implica mudanças, quer queiramos aceitar ou não. Ele pode vir como uma tempestade ou uma calmaria. Mas o que importa é que o passar do tempo é a única certeza que se tem de que algo irá acontecer. Se será algo bom ou ruim, não dá pra saber.
O tempo é um grande filho da puta. Ah, isso é.
Nossa vida toda é uma espera. Estamos sempre a esperar por algo que irá acontecer. Pode ser o próximo minuto ou a próxima década. Não importa. Somos dependentes do tempo porque ele nos dá expectativas do que virá a seguir. Podem ser expectativas de que as coisas irão melhorar ou piorar. Novamente, não dá para saber. Mas o tempo irá dizer. Uma pena que ele, mesmo com todos esses anos de existência, não saiba fazer isso de um modo sutil. Muitas vezes o tempo simplesmente cospe os fatos na nossa cara e depois some. Daí em diante, ficamos a esperar que ele apareça para cuspir de novo.
O tempo nos faz miseráveis e ansiosos. O tempo é como uma onda do mar, que vem com força total apenas para recuar depois. O tempo nos engole, nos afoga e, por fim, nos mata. O tempo é algo horrível que não podemos nos desprender, porque ele simplesmente vai continuar ali, quer você queira ou não. O tempo é um inimigo que não pode ser derrotado. Resta-nos a resignação. O tempo coloca e tira várias pessoas de nossas vidas. Ele já nos venceu antes mesmo de tentarmos enfrentá-lo.
Orihara não podia dizer que esperava que ele voltasse.
A palavra esperar já lhe dava calafrios. Ainda tinha diversas cicatrizes da noite em que tudo acontecera. Estranhamente, sabia de tudo o que acontecera de maneira bastante clara, como se houvesse assistido a tudo aquilo como um espectador. Sabia que Shizuo havia matado Cora. Sabia dos sentimentos conflitantes que deveriam estar se passando na cabeça do loiro naquele momento, onde quer que estivesse. E sabia por que ele havia ido embora. Era certo que tentou procurá-lo em alguns lugares. Mas foi em vão. Terminou por desistir. Não iria aguardar o retorno de Heiwajima para o lar, porque seria patético. Mas iria dar o espaço necessário para ele se ajeitar e o receberia com um abraço caloroso quando ele retornasse.
Se ocorresse, seria maravilhoso, mas sabia que havia uma imensa possibilidade de que isso não fosse acontecer e que nunca mais fosse ver Shizuo de novo. A ideia lhe assustava. Perdera a conta de quantas vezes sonhara com isso se tornando realidade e acordara com lágrimas grossas percorrendo seu rosto. As primeiras noites sem ele foram as mais difíceis. Mas uma coisa boa sobre o tempo, por mais que o informante odiasse admitir, era que ele sabia exatamente como confortar as pessoas.
Não entenda errado: a dor não sumiu. Ela continuaria ali para sempre, mas ia se tornando um pouco mais amena a cada dia que passava. Infelizmente, duvidava que o mesmo fosse ocorrer com o sentimento que tinha pelo loiro. Esse era uma brasa impossível de se apagar.
Shizuo foi e sempre seria a pessoa que mais amaria na vida. O afeto e o cuidado que tinha para com o loiro era algo imensurável. Era o tipo de amor que já ia bem mais além do sentimento – não sabia como isso era possível, só conseguia assegurar que era exatamente o que ocorria. Poderia até ser que os dois nunca mais fossem estar juntos de corpo e alma, mas sempre iria carregá-lo junto a si de alguma forma. Guardava um de seus maços de cigarro no bolso, caso algum dia ele voltasse ansioso por um trago. Sabia o quanto soava bobo, mas era um dos caprichos que jamais conseguiria abrir mão.
Às vezes, Izaya encarava a parede branca de seu escritório imaginando diversas possibilidades. Quando retornou àquele cômodo, se deu conta do tanto de tempo que passara longe dali. Namie o mantinha arrumado como sempre, mas a papelada ia se acumulando cada vez mais, e o informante não dava a mínima importância. Sempre se importou com tudo o que ocorria em Ikebukuro e Shinjuku, mas, ultimamente, seu mundo andara girando em torno de Shizuo de tal forma que não tinha mais tempo para seus outros humanos. “Hah... É engraçado que agora eu te veja como um humano, Shizu-chan.”
Não acreditava que o tempo que haviam passado juntos havia sido uma perda significativa. Só era triste que, agora que as coisas tinham voltado ao normal, nada mais lhe entretivesse. Tudo era ainda mais tedioso do que antes. Tudo era manipulável e superficial. Não havia muito significado em passar o tempo estragando a vida alheia.
– Ei, Izaya! – Namie parecia estar tentando chamar sua atenção há algum tempo. O informante largou a caneta que segurava, focando o olhar na mulher vestida de verde, que deu um longo suspiro de irritação. – Quer parar de parecer tão deprimido assim?
– De onde você tirou a ideia de que estou deprimido, Namie? – O moreno provocou, com uma risadinha cínica.
– Ficar nesse estado catatônico não é algo normal, mas você está assim desde que acordou, mesmo que a cidade esteja um caos total. – Ela se aproximou, apontando para algumas imagens. – Você costumava amar isso, chefinho.
Orihara não sabia o que responder. Há algum tempo, ele certamente ficaria muito empolgado ao ver aquilo.
– A partida do Shizuo te deixou pior do que eu pensei que ficaria. – Ela sentou-se numa das cadeiras, apoiando os cotovelos na mesa de Izaya. Para Namie ficar preocupada, é porque a coisa estava feia para o seu lado.
– Não sei, Namie. – O informante encarou através da janela. – Eu quero acreditar que não estou esperando que ele volte... Eu não gosto de esperar. Eu não... – Seus olhos ficaram marejados imediatamente. Era pior do que pensava tentar falar sobre aquilo. As palavras pareciam sair rasgando de sua garganta. Por mais que constantemente pensasse sobre o assunto e se mantivesse forte, nunca havia tentado falar a respeito em todos aqueles seis meses. – Ele não precisava ir embora. Eu o perdoaria. O que ele fez não foi nada de mais...
A morena pegou um cigarro dos bolsos e acendeu-o, puxando o cinzeiro que ficava em cima da mesa para si. Não que fumasse sempre, só ocasionalmente. Mas nunca entendeu porque Izaya mantinha um cinzeiro em sua mesa. Ele não fumava nem de brincadeira. Nunca havia visto seu chefe chorar, mas tinha a impressão de que ele estava reprimindo aquelas lágrimas por muito tempo. Deixou que chorasse em silêncio, limpando as lágrimas que escorriam com as mangas da camisa preta. Dizem que rir é o melhor remédio para a alma, mas Yagiri nunca concordou com tal afirmação. Se quiser renovar uma alma, faça-a chorar. Era assim que pensava. Se o riso realmente ajudasse, ele não seria visto como uma simples máscara para o sofrimento.
– Para você não foi. – Namie depositou as cinzas do cigarro no cinzeiro, encarando o dia horroroso que fazia lá fora. A poluição só deteriorava a cidade a cada dia. – Mas Shizuo era como uma criança. Ele podia ter aquela força brutal e ser impulsivo, mas também era ingênuo.
– Ingênuo?
– Eu raramente ia para aquelas bandas que ele frequentava. Você sabe que odeio ralé... – A mulher deu uma risadinha. – Mas quando fui, há muito tempo, eu o vi brincando com um gatinho. Me lembrou bastante o Seiji quando era menor. Ele estava maravilhado, cuidava do bichinho como se fosse seu. Aquele homem não era capaz de fazer mal a ninguém. – Ela tragou e soltou a fumaça no ar. Ficou observando-a se dissipar vagamente, como se estivesse procurando fazer uma reflexão profunda sobre o assunto. – Ele era um tipo raro. Deve ter sido movido por um motivo muito extremo para ter matado alguém.
– Foi por minha causa. – Izaya balbuciou.
– Foi. – Namie não tinha receio em fazê-lo sentir-se culpado, porque sabia que o informante não tinha essa capacidade. Sociopata do jeito que era... Não ligaria para aquilo. – Eu garanto que isso vai contra os princípios dele, e deve ter sido o que o fez sumir. Eu honestamente acho que ele nunca mais vai aparecer de novo por aqui.
– Por que você acha isso?
– Porque as pessoas são assim. – Yagiri encarou os olhos levemente confusos do informante. Sentimentos realmente não eram seu forte, ainda que ele se julgasse um bom entendedor de humanos, não fazia a mínima ideia de como relações intraespecíficas funcionavam. – Nem todo mundo consegue conviver com o fardo de matar alguém e seguir como se tudo estivesse bem, como você.
– E o que eu faço, Namie? – Ele parecia verdadeiramente perdido. Quase como uma criança, também. – Eu me tornei dependente dele... Muito mais do que eu gostaria.
– Queria eu ter essas respostas. – A morena divagou por alguns instantes. –Eu tenho certeza que ele te ama e sente sua falta também. Mas isso não significa que ele vai voltar por você. – A mulher apagou o cigarro no cinzeiro com certa agressividade. Também funcionava com a situação dela e do irmão mais novo, se fosse parar para pensar. – Eu não sou de iludir as pessoas, Izaya. E não vai ser diferente aqui. O meu conselho é: se desprenda. Se quiser continuar desse jeito, vá em frente. Mas saiba que nada de bom vai vir daí. Aprenda a viver como se o Shizuo nunca tivesse entrado em sua vida.
– Eu não me lembro bem como era minha vida antes dele. – Retrucou, com certa dificuldade.
– É só parar de olhar para trás e começar a olhar para frente. – Era simples. Fácil. Brusco como essa resposta. – Bom. Não importa. Se você continuar colocando esses empecilhos, não vai conseguir seguir em frente mesmo. – A mulher grunhiu. – Mas faça como quiser. Só estou tentando melhorar as coisas para você, porque me importo.
– Comigo? – O moreno perguntou, um tanto perplexo.
– Não. – A mulher uniu as sobrancelhas, em protesto. – Mas me importo com a desordem que só você, como um bom informante, consegue causar.
– Hah. Obrigado, Namie.
Dito isso, a moça se retirou do recinto para retornar aos serviços, deixando o moreno sozinho mais uma vez.
Olhar para frente. Parecia bem mais complicado falar do que fazer, mas bem sabia que Namie tinha mais experiência no amor do que fazia parecer. Era estranho ver quantas pessoas sofriam por amor no mundo. Talvez amor fosse a pior doença já existente. Os efeitos colaterais eram, definitivamente, os mais horrorosos. As cicatrizes que Cora lhe deixou não eram nada perto das feridas abertas causadas por Shizuo. Feridas estas que não conseguiam ser curadas com simples remédios. Era preciso muito mais que isso para que sarassem.
Nunca imaginou que em algum momento da vida teria de abrir mão de sua obsessão. Shizuo fora, por longos anos, seu principal meio de fuga. Era a única pessoa com quem ainda era capaz de se importar. No fundo, entendia como CN se sentia, porque provavelmente aconteceu da mesma forma com Vicenzo. Mas Orihara não queria se tornar uma pessoa vazia. Ou uma pessoa sem esperanças. Não queria esperar e se martirizar pelo que havia acontecido. Se tornar como aquela mulher era algo abominável e sem explicação. Não sabia se seria efetivo em suas decisões, pois, como já constatara, a prática era muito mais difícil do que a teoria.
Mas precisava tentar.
–x-
“Shizu-chan,
Eu sempre fui horrível com cartas. Nunca gostei de escrevê-las, porque acho que elas nunca conseguem expressar o que eu quero dizer de verdade. Eu também nunca gostei de bilhetes. É estranho porque me considero relativamente bom com palavras... Mas, ao tentar colocá-las no papel, eu me embaralho todo e termino não conseguindo dizer o que eu queria dizer de fato. Eu nem sei se isso faz sentido, mas tudo bem. Vou continuar escrevendo porque já comecei.
Também não sei dizer se algum dia você vai ler isso. Eu coloquei na sua caixa de correio caso algum dia você volte para a casa. Se você não voltar, bem, paciência. Pelo menos não vou me sentir como se não tivesse tentado fazer nada.
Estive conversando com Namie – você sabe o quanto eu não gosto dela, mas tem sido difícil ficar sem falar com ninguém, e Shinra saiu numa espécie de lua-de-mel com Celty –, e ela me disse que eu preciso olhar para frente.
Eu passei vários dias tentando descobrir como é possível olhar para frente quando o que se tinha lá atrás é muito melhor do que qualquer coisa que possa vir a seguir. Os dias que passamos juntos não foram poucos, eu sempre soube muito mais a respeito de você do que sobre mim mesmo, e nunca me importei com isso. Nossos laços estiveram selados desde o dia em que você pisou na Raira, e acho que vivemos tudo o que tínhamos para viver. Pode ser que eu esteja errado, mas eu não quero pensar nisso, já que estou tentando olhar para frente agora.
Eu o amei de um modo que provavelmente nunca conseguirei amar outra pessoa. Não sei o que você tem que me faz sentir tão vivo. Não sei o que você tem que te faz mais humano para mim do que os outros. É incrível te conheço tão bem, e mesmo assim não sei nada sobre você. Não tenho explicação pra forma que você me faz sentir.
Eu poderia ter tentado encontrar mais respostas. E talvez perguntado qual era a sua cor preferida. Não sei por que nunca fiz isso. Talvez todo esse tempo tenha passado rápido demais e eu tenha me esquecido de fazer esse tipo de pergunta por considerá-la irrelevante.
Pode ser que algum dia eu te esqueça de como você é.
Eu duvido muito. Mas pode ser que algum dia eu não me lembre mais qual eram a cor dos seus olhos ou qual tom de amarelo que eram as mechas dos seus cabelos. Pode ser que eu me esqueça do modo como os fios pareciam macios quando estavam entrelaçados entre meus dedos. Pode ser que eu me esqueça do gosto de cigarro barato que invadia minha boca sempre que nos beijávamos e de como você sempre usava seu terno de barman todo amarrotado só porque havia sido o idiota do seu irmão que havia lhe dado.
Mas eu nunca vou me esquecer de quando você me prometeu que nada ia acontecer. E que você não ia a lugar nenhum.
Sabe, Shizu-chan, eu acreditei.
E é feio fazer promessas que não se pode cumprir. É esse tipo de coisa, aparentemente insignificante no momento, que nos fazem criar expectativas depois que o momento acabou. Nada ia acontecer, huh? Como você pode me prometer que nada vai acontecer? Se tem uma coisa impossível de acontecer, é nada. Você é um idiota por fazer promessas como essa, Shizu-chan.
Quanto a não ir a lugar nenhum... Se fosse verdade, você estaria aqui agora.
Eu estou tentando não te culpar porque sei que você tem seus motivos, mas sinto muito. Talvez eu seja egoísta demais para aceitar que você me deixou. Mas você não acha que talvez tenha sido um pouquinho egoísta da sua parte ter ido embora sem nem se despedir?
Mas está tudo bem, porque eu vou olhar para frente agora.
Eu vou colocar minha vida nos eixos de agora em diante. Você não sabe o tamanho da papelada que está em cima da minha mesa agora. Tenho notícias de tudo o que está acontecendo por essas bandas, e é até engraçado, porque nenhuma dessas notícias fala da Cora. O corpo dela não foi encontrado, e, quando eu voltei para a Igreja, ele não estava mais lá. Eu me pergunto o que aconteceu. Mas, independente do que tenha ocorrido, ninguém deu a mínima importância. Foi como mais um dia normal em Ikebukuro. É estranho como alguns dias são tão significativos pra alguns, e tão fúteis para outros.
Bom, talvez esse seja mais um motivo para eu também seguir em frente como se nada tivesse ocorrido.
Eu realmente lutei para que esse dia não chegasse. Nos primeiros meses, eu ia até a sua casa todos os dias ver se você estava por lá. Eu também sonhava que você estava chorando bastante. Talvez você estivesse mesmo, em algum lugar. E eu sinto muito por isso. Mas eu queria dizer que espero que você não se culpe por ter matado a Cora. Shizu-chan... Não existe nada tão ruim que não possa ser justificado. Mesmo a morte. Talvez você não veja isso da forma como eu vejo, mas espero que algum dia você entenda.
E, quando conseguir contornar isso e olhar para frente, eu espero que você volte. Porque eu não sou o único que te perdoaria, e disso eu tenho certeza. Namie disse que você é um tipo raro. Eu estarei te esperando, por mais que eu siga em frente, por mais que os dias passem, por mais que eu te esqueça. Se algum dia você estiver disposto a retornar para a sua casa, ou para mim. Eu sempre vou te receber.
É como uma das músicas estrangeiras que eu tanto gosto, e que você tanto ria de mim por gostar.
“And when you say that you need me tonight
I can't keep my feelings in disguise,
The white parts of my eyeballs illuminate.
And I'll wait for you,
As if I'm waiting for the storm to stop.”
Pode ser que meus sentimentos por você, assim como os móveis do seu apartamento, estejam velhos e desgastados. Talvez até estragados. Mas te garanto que eles nunca vão sumir. Nunca.
Então, Shizu-chan, acho que nós ficamos por aqui, ao menos por enquanto.
Você me deu a oportunidade de amar e de ser correspondido. Você me ensinou a ser além de só um monstro. Você foi formidável. E foi tudo o que eu tive e precisei por um bom tempo. Eu gostaria que nossos caminhos se cruzassem para sempre, mas, se tem uma coisa que aprendi com toda essa história de amor, é que ele raramente funciona do jeito que a gente quer.
A partir de agora, eu vou seguir em frente, mas vou guardar comigo todas as sensações boas que vivenciamos lá atrás. Nós escrevemos uma bela história juntos. Talvez o fim não tenha sido dos melhores, mas boas histórias não significam necessariamente bons finais felizes.
Eu te desejo tudo de bom, onde quer que você esteja.
Até algum dia,
Izaya Orihara.”
FIM
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