Walking After You
3 Capítulo 2: Human
Notas iniciais
Outro capítulo enorme pra vocês~
Mas antes, algumas observações:
Acho que eu devo desculpas de novo, né? Eu sei que eu demoro muito pra postar. Dessa vez eu nem tenho desculpa ;_; só posso dizer que eu sou muito perfeccionista. Demora muuuito pra eu ficar satisfeita com algo que eu escrevo. Eu termino adicionando mil detalhes e tal, HEUHUEH, quero deixar impecável mesmo.
Enfim, vou parar com a baboseira por aqui haha -q Obrigada à todos que estão acompanhando ♥ Quando eu li os reviews eu fiquei tipo O.O, mas muito agradecida, de verdade. O que eu escrevo aqui é pra vocês, e eu fico feliz que estejam gostando c:
Aproveitem!
– Claro que n-não... I-idiota... – Izaya odiava demonstrar seu lado sensível para qualquer um que fosse. Era intolerável. Mas para Shizuo, com certeza deveria ser a pior coisa. Dentre todas as pessoas... Justo Shizuo.
Limpou as lágrimas enquanto o loiro o encarava atônito. O ambiente de repente ficara carregado de algo que nenhum dos dois sabia dizer o que era. Izaya sentiu suas pernas fraquejarem e sentou-se no chão, apoiado em seus joelhos. Shizuo logo repetiu o movimento, mas para saber o que estava acontecendo com o moreno. Sentiu seu coração amolecer-se por inteiro ao vê-lo naquele estado. Questionava-se o que havia acontecido com Izaya. Sua personalidade ficara completamente diferente.
– Izaya... – Heiwajima apoiou suas mãos nos ombros caídos de seu inimigo que já não era mais tão inimigo assim. Izaya não o encarou diretamente, continuou olhando para o chão, enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto corado. – O que está acontecendo?
– E-Eu não sei. – Izaya depositou sua cabeça na blusa de Shizuo, agarrando-a firmemente com suas mãos. O loiro arregalou os olhos com o gesto do rapaz, mas envolveu-o em um abraço terno. Orihara soluçava e balbuciava palavras que nem o mesmo entendia. Que dirá Shizuo.
– Foi alguma coisa que eu fiz? – Titubeou Shizuo, inclinando o rosto do rapaz com uma de suas mãos, fazendo-o com que se encarassem pela primeira vez.
– Eu te... – Parou de falar por alguns segundos. – Eu te b-be... Beijei... Naquele dia... E... – Izaya encheu os pulmões de ar. Suas mãos estavam trêmulas, mas ele não podia mais guardar nada daquilo para si mesmo. Havia começado a falar, então lhe cabia terminar. – E e-eu te amo. Desde o dia em que eu te vi na Raira, eu te amei desde então. Mas nunca tive coragem de te dizer, porque você me odiava. E eu nunca me importei com isso. Tudo bem você me... Odiar. Só quero que você sinta algo por mim, Shizu-chan. Mas desde aquele dia eu não consigo mais guardar tudo isso, como eu costumava fazer. M-Me desculpe...
O loiro arregalou os olhos surpreso, não conseguindo digerir todas aquelas informações. Izaya gostava dele? Um sentimento de culpa invadiu seu íntimo ao notar que havia demorado tanto tempo para perceber algo que parecia óbvio. Aquela declaração havia sido repentina demais. Seu coração palpitava e suas bochechas estavam quentes. As palavras ecoavam em sua cabeça enquanto ele encarava o moreno desolado. Orihara ainda chorava incontrolavelmente. Mas não sentia mais tanta dor. Estava aliviado por ter se livrado de um peso que já não aguentava mais carregar. Subitamente, Shizuo se lembrou da cena e suas bochechas ruborizaram-se, mas ele sorriu. Então era aquele o sentimento de conforto que ele sentia. O sentimento bom que ele estava guardando dentro de si desde aquele dia viera do beijo doce de Izaya, e depois das palavras pronunciadas pelo mesmo. Aquilo o fizera sentir-se tão bem, mas era um tanto confuso. Os sentimentos de Shizuo por Izaya estavam misturados desde que vira o moreno em um estado tão digno de piedade, e agora, Orihara havia acabado de se declarar para ele. Não tinha certeza se seus sentimentos pelo moreno eram recíprocos, mas era verdade que Heiwajima não odiava mais o inimigo. Embora fosse muito cedo para o mesmo dizer que o amava. Sequer sabia o que era amar, ou se apaixonar. Nunca tivera tempo para essas coisas. E achava que nunca seria preciso. Quem se apaixonaria por um monstro como ele? Era um pouco irônico.
Questionava-se há quanto tempo os sentimentos do informante estariam lá? Shizuo não entendia nada desse tipo de coisa, logo, não importava o quanto refletisse sobre o assunto, jamais conseguia chegar a alguma conclusão. E apesar de se sentir uma pessoa horrível por pensar dessa forma, e querer acreditar nas palavras do moreno, sabia muito bem que Izaya nunca fora confiável, e era conhecido por atuar como ninguém, o que o fazia questionar se tudo aquilo não passava de uma grande estratégia para fazê-lo parecer ridículo e ser exposto. Teria de ter cuidado, mas também teria de ser honesto com ele. Se fosse mesmo verdade, a última coisa que gostaria era fazer Orihara sofrer mais do que o coitado já aparentava estar sofrendo. Não queria magoar ainda mais alguém tão fragilizado. Ele teria de se esforçar para acreditar, teria que dar a sua cara a tapa. E não sabia se estava pronto para tomar uma decisão dessas por alguém que havia odiado por tanto tempo. Valeria à pena? Shizuo tinha medo de apostar tudo nisso e se decepcionar depois – como acontecera tantas vezes antes.
– Olha... – O loiro escolhia suas palavras cuidadosamente. Izaya ainda estava sendo afagado pelos braços de Heiwajima, sem que este percebesse o que estava fazendo. – Eu não posso dizer que sinto o mesmo, pelo menos não ainda. Como posso saber se você está sendo sincero comigo?
– Eu vou te provar, Shizu-chan. – As lágrimas de Orihara ainda escorriam, mas ouvir a resposta de seu amado o fez sentir-se mais calmo. Shizuo tinha toda a razão em duvidar das palavras do moreno. Até então, eles se odiavam até a morte, e as pessoas não costumam confiar em seus inimigos de uma hora para a outra. – Eu não estava esperando uma resposta instantânea. Esperei tanto tempo que não me faz diferença mais um pouco.
– Isso é bom, porque eu vou mesmo precisar de um tempo para pensar sobre isso, foi tudo muito rápido, e eu não sou muito bom em captar as coisas rapidamente. – Admitiu. – Mas, por favor, pare de chorar. Eu me sinto muito mal por ser o motivo de você estar chorando.
– Tome o tempo que quiser, Shizu-chan. – Shizuo limpou as lágrimas de Izaya com o dedo indicador, tomando cuidado para não machucá-lo, e depositou um beijo em sua testa. Orihara deu um meio sorriso por entre os soluços. – Vou ligar para a Namie vir me buscar, foi muita gentileza sua cuidar de mim, não precisava ter feito isso.
– Você pode ficar aqui até sentir-se melhor, Izaya.
– Não. – Izaya colocou as mãos no rosto de Shizuo, fazendo com que o loiro se arrepiasse. – Eu não quero incomodar. E vai ser constrangedor nós ficarmos no mesmo lugar depois de eu ter falado... Você sabe...
– Você não me incomoda. – Izaya riu e deu um beijo na bochecha de Heiwajima.
– Então encare isso como eu te dando espaço para ficar à vontade para pensar, ok? Vou ficar longe de Ikebukuro alguns dias também.
Ambos levantaram-se e o loiro abriu a porta para Orihara ir embora. Não houveram palavras de despedida, nem a certeza de que se encontrariam de novo. Preferiam deixar essas coisas nas mãos do destino – tanto Shizuo quanto Izaya. Se eles tivessem de se encontrar de novo, então, certamente seus caminhos se cruzariam. Poderia ser ali, poderia ser num futuro distante. Mas seria quando os dois estivessem prontos para encararem o que viria dali para frente. Isso era certo.
Shizuo aprontou-se e seguiu para o trabalho. Tom o esperava tomando um café e ao vê-lo se aproximar olhou para o relógio, provavelmente estava atrasado. O loiro inventou uma desculpa qualquer e Tanaka aceitou como o bom amigo que era. Shizuo fumou seu cigarro e foi fazer o que tinha de ser feito. Sentia-se fatigado, provavelmente por não ter conseguido pregar os olhos durante a noite por causa de Izaya. E também por causa de tudo o que havia acontecido antes mesmo do almoço. Era demais para ele. Heiwajima não estava acostumado a se importar com sentimentos; sempre os encarou como coisas esquisitas. Até porque, o único sentimento que já havia deixado transparecer era o ódio por Orihara, e tinha forma um tanto exagerada e extravagante de demonstrá-lo. E também o afeto que tinha por Kasuka. Mas isso era diferente. Amor era algo que jamais havia sido cogitado pelo loiro. E logo Izaya? Era praticamente impossível não duvidar das verdadeiras intenções do rapaz.
Mal ele sabia que Izaya, de todas as pessoas, era o que – de longe – conhecia Shizuo melhor. Izaya não se sentia intimidado pelo loiro, sabia todos os seus movimentos, e já o havia visto em sua pior forma. Orihara o aceitava pelo que ele era. Ele era o único que conseguia enxergar Heiwajima além daquele monstro que aparentava ser. Era o único que conseguia ver sua forma humana, sua forma que ia além da besta que era o homem mais forte de Ikebukuro. Caso o contrário, não teria se apaixonado tão perdidamente. Izaya podia rotular Shizuo o quanto quisesse, mas isso era só uma desculpa para não ser honesto consigo mesmo. O moreno sabia mais do que ninguém o quão humano Shizuo era. Porque ele também era assim. Talvez não fossem monstros disfarçados de humanos, mas humanos disfarçados de monstros. E entendiam um ao outro; precisavam um do outro. Eram as únicas coisas que tinham.
E Izaya o esperaria, o esperaria como se estivesse esperando por uma tempestade parar. Desde o momento que viu Shizuo pela primeira vez, esperou. Esperou para que um dia o loiro finalmente percebesse seus verdadeiros sentimentos. E agora que havia percebido, restava continuar esperando. A única coisa que não esperou era que ele acreditasse de primeira, pois foram muitos anos de ódio mútuo para que Shizuo – que tinha uma mente bem fechada – mudasse de opinião tão repentinamente. Mas tinha de confessar que ficou surpreso ao ver a atitude do rapaz. Não era novidade, já que ele sempre o surpreendia. Pela primeira vez, não ficou irritado com uma afirmação feita por Orihara. Talvez tivesse se lembrado do que havia acontecido naquele dia tão fatídico. Talvez não. Vai saber... Tudo o que envolvia Heiwajima era extremamente curioso para Izaya, já que este nunca conseguia prever as ações de Shizuo.
Amor era um sentimento tão humano. Izaya perguntava-se como aquilo seria dali para frente. Lembrou-se do dia em que conheceu Heiwajima. Tão forte e tão distante. Seus cabelos loiros caindo sobre o rosto de forma genuinamente bagunçada, e bagunçadamente adorável, com certeza foi amor a primeira vista. Mas Orihara nunca quis demonstrar isso. Preferia testá-lo. Em toda a sua vida, nunca pensou que um dia chegaria a falar para Shizuo o que de fato sentia. Mas no fundo, sempre soube que haveria um dia em que não conseguiria mais esconder esse turbilhão de coisas que passavam pela sua cabeça ao vê-lo. Sabia que haveria um dia que não conseguiria evitar o fato de que seu coração acelerava ao ver o loiro correndo atrás dele não era só adrenalina.
Izaya tinha certeza de seus sentimentos, Shizuo, por outro lado, não sabia o que deveria sentir. Não conseguia concentrar-se em nada que não envolvesse pensar na declaração de Orihara. A declaração havia soado real, mas será mesmo que ele poderia acreditar? Izaya sempre o provocava, insultava-o chamando-o de monstro e tentava acertá-lo com objetos pontudos. Por trás daquilo tudo realmente havia amor? E por que só agora aqueles sentimentos haviam sido expostos? Não teria sido mais fácil se declarar mais cedo? O loiro suspirou. Era muito complicado para ele. Toda aquela situação era algo que nunca havia vivenciado antes. Perguntava-se como deveria agir na frente de Izaya da próxima vez que o encontrasse, e também se Izaya agiria do mesmo jeito fragilizado quando o visse novamente. Vai saber... A única coisa que tinha certeza era de que todo aquele alvoroço estava mexendo com seus pensamentos. Será que um dia ele poderia gostar de Izaya também? Os traços do rapaz eram femininos, e seu corpo era esguio. Ele era frágil como uma garota. Será que conseguiria cuidar de alguém tão fraco caso tivesse de assumir a responsabilidade? Eram tantas perguntas feitas em vão que Shizuo pensava em desistir de encontrar respostas – se é que havia respostas. Mal ele sabia que aquilo não era nada mais, nada menos do que se apaixonar por alguém. Uma busca eterna pelas respostas de enigmas complicados... Era isso que o amor era.
Constantemente lembrava-se de seu beijo. Tinha um sabor doce, talvez o melhor sabor que já tivesse experimentado na vida (até porque era o único). Culpou-se também por não ter se lembrado disso mais cedo, mas ao mesmo tempo questionava sua consciência se teria feito diferente sabendo do que havia acontecido. Provavelmente não. Humanos tinham medo do desconhecido. E o amor era algo desconhecido por Shizuo. “Incrível como os sentimentos te faziam ficar mais humano”, o rapaz se admirava. Só um beijo e tudo virava de cabeça para baixo. Era nisso que consistia a paixão. Nessa confusão constante, em coisas sem explicação racional. Shizuo negava – e negaria até a morte, em vista como era inflexível e teimoso –, mas ele sabia que queria beijar Izaya de novo. Queria tê-lo em seus braços mais do que tudo. Embora não quisesse admitir que sentia qualquer desejo pelo moreno. Ele podia enganar a todos com aquela conversa, mas não enganava a si mesmo. E nunca enganaria. As mentiras só serviam para acobertar um sentimento que desde então permanecia intocado no íntimo de Shizuo.
Fumava seu cigarro lentamente, apoiado em uma parede qualquer. A noite caía depois de um longo dia de trabalho, estava enrolando um pouco para ver se encontrava Celty fazendo sua ronda noturna. Precisava de alguém para conversar e ver se colocava suas ideias no lugar. Sabia que poderia contar com a motoqueira para qualquer coisa que precisasse, afinal, ela deveria ser uma de suas únicas e mais próximas amigas.
Logo, lá estava ela. Os dois foram para uma praça próxima do lugar onde estavam e sentaram-se por lá. Era o lugar mais iluminado da cidade até então, apesar de estar pouco movimentado naquele dia, em especial. Conversaram sobre a vida até cansarem, Shizuo tentava evitar ao máximo tocar no assunto, mas a Dullahan já havia percebido que o amigo estava diferente do normal, não estava sendo ele mesmo. Parecia tenso e distraído, além de estar fumando seu cigarro mais ansiosamente que o normal. O loiro já havia fumado um maço e meio de cigarros em um dia inteiro – o que era bem raro para ele. E isso era a prova concreta de que ele estava preocupado com algo, já que tendia a fumar ainda mais quando se sentia dessa forma. Aquela conversa teria de acontecer cedo ou tarde, e ambos já estavam convictos disso. Restava saber quem tomaria a iniciativa de puxar a prosa.
– “O que foi, Shizuo?” – Digitou em seu celular.
– É o Izaya. – Confessou.
Ela ficou perplexa por alguns segundos, talvez já imaginando o que tivesse acontecido. Não sabia o que dizer, afinal de contas, se tudo tivesse dado certo, tinha certeza de que Shizuo estaria radiante, assim como Izaya. Mas não havia visto o informante, e agora via o amigo agindo de tal maneira. Ainda sim, preferiu esconder tal fato e insistir na pergunta, não se sentiu confortável para se meter no assunto.
– Ele... Estava caído na chuva ontem. – Shizuo suspirou e soltou a fumaça do cigarro no ar. – E eu o salvei.
– “Muito bem, Shizuo! É muito nobre deixar os eu ódio de lado para salvá-lo. E como ele está agora?”
– Aí que está o problema. – O loiro parecia tentar achar as palavras certas. – Hoje cedo ele se declarou para mim. E eu me lembrei que no dia que nós brigamos, ele me beijou pouco antes de eu desmaiar.
– “Você provavelmente não se lembra disso, mas ele também foi quem pediu para que o Shinra cuidasse dos seus ferimentos.” – Heiwajima encarou a tela do celular da Dullahan com espanto. Izaya... Havia pedido para que tomassem conta dele? Levou a mão à boca, ainda incrédulo. – “Eu e Shinra juramos para ele que não tocaríamos no assunto com você caso não se lembrasse, desculpe.”
– Então você acha que ele estava falando sério? – Perguntou por fim.
– “Shizuo, se tem alguém que ama você, esse alguém é o Izaya.” – A verdade vinha à tona como mil facas sendo arremessadas contra o loiro. – “Ele vem sofrendo por sua causa faz um tempo e foi muito corajoso ao ser honesto com você (e com ele mesmo). É muito insensível da sua parte não acreditar nas palavras dele.”
– Eu sei que é, Celty. E eu me sinto muito mal por isso.
– “Por quê?”
– Porque eu não sei se sinto o mesmo por ele e não quero magoá-lo. – Suspirou, dando outra tragada amarga. – Eu não o odeio mais, é claro. Que tipo de monstro eu seria se o fizesse? – Shizuo riu da ironia refletida em suas próprias palavras. – Mas não é como se eu conseguisse passar a confiar nele assim, do nada. E eu nunca me apaixonei. Eu não faço ideia de como seja isso.
– “Shizuo...” – Celty digitava apressada. – “Você tem medo de encarar a verdade.”
– O quê?! – Engasgou.
– “Você sempre gostou dele. Só não percebeu isso ainda porque achava que o odiava.” – A brisa da noite fazia o cabelo de Shizuo esvoaçar um pouco e ficar sobre seus olhos. Ele desejava que não estivesse lendo aquilo. Mas estava claro. – “Dê uma chance para os seus sentimentos, você vai se surpreender ao ver como é fácil amar alguém.”
– Como você sabe?
– “Porque eu era que nem você.” – Respondeu. – “Eu tinha medo de amar o Shinra, porque achava que nunca conseguiria. Mas veja como nós estamos agora... E tudo porque eu dei uma chance para mim mesma.”
– Talvez você tenha razão. – Heiwajima apagou o cigarro com os dedos e jogou na lata de lixo mais próxima. Odiava que poluíssem a cidade com aquilo.
– “Tentar não machuca ninguém.” – Shizuo deu um meio sorriso. – “Tenho que ir agora. Espero que as coisas dêem certo para vocês. Por favor, considere tudo o que o Izaya falou. Ele merece ser feliz, não importa o quanto tenha lhe feito mal.”
– É, acho que devo encarar isso como um homem faria. – Shizuo foi andando. – Obrigado, Celty.
Shizuo olhou para o relógio, já eram nove da noite. Talvez devesse ir para casa e ter uma boa noite de sono, ver se tirava um pouco o peso das coisas que estavam em sua cabeça. Talvez um bom banho quente também resolvesse algumas coisas. Ajeitou seus óculos escuros e foi andando. As ruas da vizinhança tinham as luzes apagadas, provavelmente por algum problema de energia que logo seria resolvido. Ou pelo menos era assim que Shizuo esperava. Estava frio; o loiro tirou outro cigarro do maço e acendeu-o. A cada tragada, seu corpo ficava mais aquecido. Distraía-se com o caminho, notando que não deveria estar muito longe de casa – ou pelo menos esperava não estar. Seus pés já doíam um pouco, seu corpo parecia estar mais fraco também. Talvez fosse porque aquele era o primeiro momento do dia em que tentava relaxar.
De súbito, um homem com uma máscara branca saltou em sua frente e apontou uma faca para ele. Shizuo arregalou os olhos. Era só o que lhe faltava... Um maluco correndo atrás dele. O homem deveria ter metade do seu tamanho, e não era nem de longe amedrontador. Usava uma faca que mais parecia uma espécie de canivete. Bem parecido com a de Izaya. Aliás, Shizuo poderia jurar que era o próprio, mas o homenzinho era muito rechonchudo para ser o informante. Shizuo ficou imóvel o encarando, a pouca claridade fazia com que Shizuo só pudesse vê-lo. Não sabia se estava com outros. Mas também não ficou nervoso ou agitado, apenas ficou ali. Esperando que o mascarado fizesse o primeiro movimento.
Esperou tanto que se irritou. Pegou o filho da puta pelo pescoço e o levantou, enquanto esse ia fazendo pequenos cortes com a faca pelo braço de Shizuo. Não doía. Sequer sentia o que o homem estava fazendo. Embora isso, as mangas de sua blusa estavam rasgadas e formavam manchas vermelho-escuras. O homenzinho estava começando a ficar roxo por causa da falta de ar, mas ele havia conseguido irritar Shizuo. Tudo o que Heiwajima queria era chegar a sua casa em paz. Mas não, tinha que vir um meliante tentar matá-lo com uma faca de cozinha. O pessoal havia perdido o respeito mesmo, não era possível. Ainda se Shizuo estivesse fazendo algo, mas só estava andando!
– Você sabe que com essa faquinha de merda não vai ir muito longe, certo? – Arqueou as sobrancelhas, sentindo pena do moço por sua persistência que não o levaria a lugar nenhum. – Quem te mandou aqui?
O homem da máscara branca nada disse – até porque estava sendo enforcado –, apenas juntou o resto de suas forças para tirar um envelope do bolso e entregá-lo para Shizuo. Que, ao pegar, afrouxou as mãos, fazendo com que o homem caísse no chão e tentasse se levantar às pressas, fugindo em seguida. Parecia não ser alguém que valesse correr atrás. Heiwajima deu uma olhada no envelope, ia abrir, mas sentia o cheiro ruim do sangue começar a exalar; odiava aquele aroma, lhe causava náuseas. Acelerou os passos até finalmente chegar ao seu lar. Tirou a blusa e a jogou no lixo. Era só mais uma, das muitas que já haviam sido estragadas. Deu uma olhada nos cortes que haviam sido feitos. Não era grande coisa, pareciam mais com arranhões. Daria para viver com aquilo. O único problema é que eram muitos, o que acumulava mais sangue.
Passou um pano com álcool para desinfetar – sabe-se lá onde o maluco enfiava a faca, então era melhor não bobear. Ardia um pouco, mas Shizuo estava mais do que acostumado com machucados. Muitas pessoas em Ikebukuro o odiavam e tentavam matá-lo todos os dias, e muitas vezes só por ser quem era. Queriam ganhar o mérito por matar o homem mais forte de Ikebukuro. “Estúpidos”, Shizuo murmurava com raiva para si mesmo ao pensar que existia mesmo esse tipo de gente no mundo. Só tinha um homem “normal” em todo o mundo que ele tinha certeza que conseguiria matá-lo. E esse homem estava apaixonado por ele no momento, então não tinha muito com o que se preocupar.
Deu uma olhada no envelope, tinha alguns respingos de sangue nele, provavelmente causados pelo próprio Shizuo, embora, no mais, fosse só um envelopinho simples. Mas o mascarado com certeza não era um carteiro. Rasgou-o para ver o conteúdo que tinha dentro. Uma folha de papel A4 com uma escrita à mão daquelas bem mal-feitas. Shizuo fez uma careta, mas ainda sim passou os olhos pelo que estava escrito na carta.
Simplesmente não conseguia acreditar no que estava lendo.
Se aquela carta fosse séria, ele não saberia o que pensar. Mas se fosse brincadeira, alguém estava muito ferrado com ele.
Notas finais
Mereço review? :3
xx
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