Walkie-talkie

12 Ordinary Day


Notas iniciais
Penúltimo capítulo da fic pra vcs, amores. Já estamos quase lá ;OOO Nem acredito nisso e em tudo o que essa fic me trouxe! Muito obrigada a todos por participarem disso!!! Escrevi esse cap ouvindo 502 vezes a música "Ordinary day", do último álbum da BoA. Quem quiser ler ouvindo a música, o link é: http://www.youtube.com/watch?v=K0Rq0gE_oMo Boa leitura ^.^

Capítulo Onze – Ordinary Day

Yoko aproveitou que a irmã estava no banho para saltitar até o quarto e conversar com Yuk. Ela estava tão elétrica com a mudança de postura de Mai em relação ao rapaz que precisava fazer alguma coisa – e nada melhor do que comunicar a novidade ao próprio.

A jovem se sentou na sua cama com o pequeno walkie-talkie na mão. Agora que a única coisa que a impedia estava resolvida, eles deviam se encontrar... Não era isso? Yoko olhou incerta para o aparelho preto. Tudo o que ela mais queria era ver Yuk pessoalmente, ouvir sua voz com clareza, olhar dentro dos seus olhos... Ela queria muito descobrir se ele era do jeito que ela imaginava ou era completamente diferente. Se ele era muito mais alto que ela, como se vestia e como era seu sorriso. Yoko queria segurar seu rosto nas mãos com carinho...

Então por que ela estava com aquela sensação esquisita? Yoko não sabia como iniciar a conversa com Yuk pela primeira vez nas últimas semanas. Sentia-se inquieta e nervosa... Talvez ela tivesse comido guloseimas demais enquanto assistira àquele dorama, pois seu estômago se comportava de maneira estranha, fazendo algumas voltas que a moça julgava ser humanamente impossíveis. Yoko teve que largar o walkie-talkie em seu colo para limpar as mãos suadas nas calças. O que estava acontecendo com ela afinal?

- Boa noite, Yoko-chan! – soou o aparelho no colo de Yoko e ela sentiu o coração dar um salto.

Ela não tinha mais escapatória. Não podia deixar Yuk falando sozinho, embora estivesse tímida para responder. Yoko pegou o walkie-talkie nas mãos novamente e apertou o botãozinho.

- Boa noite, Yuk-chan – sua voz saiu fraquinha e ela precisou limpar a garganta – Tudo bem com você?

- Tudo ótimo – ele parecia rir. Estaria rindo dela? Yoko pensou que ele devia ter ouvido sua voz falhar e ela sentiu seu rosto esquentar – E você, está bem?

- Sim... – Yoko não soube o que mais dizer, muito envergonhada com o que Yuk podia estar pensando dela.

- Como foi o seu dia?

- Ah... Normal...

- Normal? – Yuk riu e Yoko sabia que ele devia estar achando-a uma boba – Normal como exatamente?

Yoko franziu o cenho. O que ele queria dizer com aquilo? Ele estava zombando dela? Ela tinha dito algo errado? Por que ela estava cheia de dúvidas estúpidas quando devia estar conversando animadamente com Yuk como sempre fazia?

- Normal, oras... Eu fui trabalhar... Voltei pra casa... E foi isso.

- Yoko, o que houve com você? Aconteceu alguma coisa?

Dessa vez, Yuk parecia genuinamente preocupado. Aquilo surpreendeu Yoko, pondo por água a baixo todas as suas ideias mirabolantes a respeito do que ele estava pensando.

- Não, eu estou bem, Yuk-chan...

- Você está diferente hoje... Está tão quieta. Parece até desanimada... Te contaram alguma coisa? – sua voz soou assustada, surpreendendo Yoko novamente.

- Não, por quê? Deveriam?

- Ah, não, é que... – Yuk parecia embaraçado – Não sei, talvez você tivesse recebido alguma notícia ruim ou algo do tipo, Yoko-chan...

- Quem está estranho agora é você, Yuk – a moça riu e pôde ouvir uma gargalhada do outro lado do walkie-talkie antes da resposta.

- É, você tem razão... Estamos estranhos hoje...

- É... – Yoko respirou fundo para criar coragem – Yuk, é que eu... ahn, nós... Ah, deixa pra lá.

- O que foi?

- Não, nada... É que eu queria... Quero dizer, eu acho que, de repente... Nós devíamos... Você não concorda, Yuk? – Yoko coçou a testa. Ela própria não entendia o que falava.

- Concordo com o quê? – Yuk parecia se divertir outra vez.

- A Mai disse que tudo bem nós dois! – Yoko disse num só fôlego – Nós dois conversarmos, eu quero dizer, claro... É que... Ela não gostava muito de você – a moça terminou sussurrante.

- Oh! É mesmo? – Yoko sabia perfeitamente pelo tom da voz de Yuk que ele tinha um sorriso enorme no rosto – Isso é muito bom, não é? Isso quer dizer que nós podemos nos encontrar pessoalmente então?

Yoko abriu a boquinha em um “O”, pega de surpresa com a objetividade de Yuk. A pergunta dele fez o coração da jovem bater forte contra o peito; mais uma vez, ele a deixara sem saída. Ainda assim, ela estava muito feliz que tivesse sido ele a propor o encontro ao invés dela.

- Claro, se você quiser, Yoko-chan...

Ela sorriu com o tom inseguro que Yuk usara. Como se ela não quisesse conhecê-lo logo! Nas últimas semanas, tudo o que Yoko mais ansiava todos os dias era falar com Yuk pelo walkie-talkie. E então encontrá-lo pessoalmente tão logo quanto possível. Yoko adorava ouvir a voz de Yuk, mas aquilo já não lhe bastava mais...

- É claro que eu quero, seu bobo! Eu estou curiosa...

- Então a parte de pedir permissão à sua família eu posso pular? – perguntou Yuk em tom brincalhão e Yoko riu.

- Parece que sim – a moça então arregalou os olhos – Você não vai aparecer de terno e limusine, vai?

A resposta de Yuk demorou um pouco e quando ele finalmente falou, Yoko entendeu por que: ele estivera rindo de sua pergunta.

- Eu tinha pensado em algo mais casual... Acha que chama muita atenção chegar ao cinema de limusine?

Yoko levou a mão ao rosto, escondendo a face levemente corada. Então ele queria levá-la ao cinema, logo ao cinema... Era para soar como ela achava que soava? Yoko não pôde conter um sorriso bobo.

- Acho que as pessoas notariam. Melhor esquecer isso, né?

- Você tem toda a razão – Yuk ainda sorria e Yoko se perguntou se ele nunca deixaria de fazer aquilo – Então... Aceita ir comigo ao cinema, Yoko-chan?

- Claro que sim! – Yoko se repreendeu mentalmente por parecer tão animada. O que Yuk ia pensar dela?

- Amanhã?

- Amanhã eu trabalho, Yuk-chan...

- Oh, é verdade, eu me esqueci – o rapaz pareceu constrangido. Yoko sorriu vitoriosa ao notar que não era a única empolgada demais com a situação – Domingo à tarde?

- Hai! Podemos nos encontrar lá, na frente do cinema, né?

- Claro, claro.

Yoko pensou por um instante e então se dirigiu novamente a Yuk.

- Hum, nós devíamos marcar uma maneira de nos reconhecermos. Que tal... usarmos roupas vermelhas? – Yoko se xingou outra vez. Ela devia parecer uma criança sugerindo algo daquele feitio. Mas Yuk, gentil como sempre, pareceu apenas sorrir.

- Tudo bem, Yoko-chan. Usarei minha melhor camiseta vermelha no lugar do terno!

Yoko riu, aliviada por Yuk não julgá-la uma menina boba. Ele era sempre muito gentil e jovial... Yoko mal podia esperar para conversar com ele ao vivo. A jovem já se sentia elétrica.

- Acho que não conseguirei dormir até lá, Yuk... – ela confessou numa voz fraquinha.

- Também estou ansioso para encontrá-la, Yoko-chan. Pareço estar esperando por isso há muito tempo...

A moça sentiu-se corar violentamente. Ela apertou os lábios, sem saber o que responder àquela declaração tão sincera.

– Acho que vou começar a tentar dormir agora. Boa noite, Yuk-chan!

- Boa noite, Yoko. Tenhas bons sonhos.

A moça se jogou de costas na cama, sorrindo abertamente para o teto, o walkie-talkie ainda na mão. Ela não tinha mais nenhuma escapatória, mas não se importava com aquilo.

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Yutaka tinha um sorriso enorme no rosto ao largar seu walkie-talkie sobre a mesinha de cabeceira, suas covinhas evidentes. Ele finalmente ia encontrar Yoko. Fazia pouquíssimo tempo que eles se falavam, mas era incrível como ele ansiava por aquele encontro. Yutaka precisava ver Yoko em sua frente com toda aquela energia infantil que ela tinha, a voz doce e um sorriso radiante.

Como seria a reação dela ao reconhecê-lo?, Yutaka se perguntava. Aquela era a única coisa que ainda lhe preocupava. O músico esperava que ela não se surpreendesse muito, nem se animasse demais com a ideia de ele ser famoso.

Yutaka sacudiu a cabeça de um lado para o outro. Yoko não era o tipo de garota com a qual ele estava acostumado a lidar. Ele não fazia ideia de como ela reagiria, era verdade, mas ele sabia que não devia se preocupar com aquilo. Tudo estava se encaminhando para finalmente dar certo e o moreno não podia estar mais feliz.

Yutaka riu ao se lembrar de toda a brincadeira que ele e Yoko fizeram algum tempo atrás, e que retornara em parte naquela última conversa. O moreno podia conseguir facilmente uma limusine se quisesse impressionar Yoko... Mas ele temia que ela se assustasse com tamanha pompa e saísse correndo. Seria mesmo bastante exagerado para um primeiro encontro...

Ainda assim, ele tinha conseguido pessoalmente a permissão de Mai, ainda que Yoko não soubesse disso. E a tinha convidado para ir ao cinema, como ele tinha sugerido durante a brincadeira. No fim das contas, as coisas iam sair quase da maneira que haviam sugerido aquela vez...

Yutaka pôs os braços cruzados atrás da cabeça, um sorriso enviesado nos lábios pequenos. Até que não era má ideia... Ele só precisava conseguir uns doces e flores para o domingo...