Walkie-talkie

10 Bônus Especial - Reunião entre amigos


Notas iniciais
É, vcs realmente não viram dobrado. Não falei que além do cap9 tinha mais um hoje? Aqui está o cap bonus. Ele realmente não estava nos meus planos, mas a ideia surgiu no momento mais propício... Esse cap vai ESPECIALMENTE para duas amigas muito queridas minhas: a Carol-chan, que fez aniversário na última quarta e disse que estava sentindo falta dos outros gazettos por aqui, e tmb pra Ny-chan que faz aniversário hoje e é uma pessoa que eu amo muito muito muito!!!! Meus amores, espero que gostem do presentinho, eu com certeza me diverti muito escrevendo-o! Espero que tmb gostem! ^.^ É de coração pra vcs! A propósito: esse eu escrevi ouvindo Best Friends. Nada mais apropriado para esses 5 né? Boa leitura!!! ^.^

Yutaka e Akira chegaram à casa de Yuu em menos de uma hora. Yutaka não era o tipo de pessoa que demorava a se aprontar nem que gostava de deixar os outros esperando, de forma que terminou o banho e se vestiu em questão de minutos. Os dois deixaram o apartamento do moreno e seguiram para a casa do guitarrista no carro de Akira. O trânsito foi o que menos ajudou, atrasando-os enquanto conversavam animadamente. Akira tentava arrancar maiores informações do amigo sobre a namorada misteriosa, sem obter muito sucesso.

- Como assim você sequer sabe como ela é? – o loiro perguntou enquanto guiava – Tudo bem, já ouvi falar de namoros à distância, vários até e alguns deram certo... Mas em todos esses casos as pessoas já sabiam o que esperar quando se viram pessoalmente. Está querendo me dizer que não faz ideia?

O mais novo riu, divertindo-se com o espanto do outro.

- Eu sei o que parece... Mas não, eu nunca a vi mesmo, Akira.

- Nem fotografia? Site de relacionamentos?

- Nosso único contato foi por walkie-talkie. Eu não sei como ela reagiria se eu pedisse o número do telefone dela ou algo do tipo – Yutaka riu ao se lembrar da atitude da garota antes de dizer seu próprio nome a ele – Você não entende, Akira, ela é muito desconfiada.

- Não deveria ser você o desconfiado? Você que é o artista famoso... Ela pode ser uma fangirl interesseira.

- A Yoko-chan? – o moreno se espantou – Não, não, ela jamais faria algo assim.

- E como você sabe? Não conhece a menina pessoalmente e fala com ela tem... o quê? Uma semana? Não me entenda mal, Yuk, eu só falo essas coisas porque existe muita gente assim.

- Yoko-chan não é assim. Ela não sabe... – Yutaka desviou o rosto para suas mãos.

- Ela não sabe que você é do The Gazette? – foi a vez do baixista de espantar – Em que mundo essa menina vive?

Os dois chegavam ao apartamento de Yuu naquele instante. Akira estacionou em uma vaga para visitantes e os músicos desceram do carro, rumando até o elevador enquanto ainda conversavam.

- Não é isso – Yutaka explicou ao mais velho – Yoko também não sabe meu nome verdadeiro, nem meu pseudônimo.

- E ela te chama de que então? – Akira começou em tom de deboche, mas então várias ideias passaram por sua mente maliciosa, fazendo-o rir e o baterista corar.

- No que você...?

- Huuumm, Yutaka! Quem diria... De que essa ninfeta te chama, hein?

- Akira! Tenha respeito com a Yoko! – esbravejou o moreno furioso – Eu já falei que ela não é esse tipo de garota!

- Ok, ok, peço desculpas – Akira ainda ria, incapaz de abandonar a malícia – Mas na intimidade, só vocês dois conversando, ela poderia...

- Ela me chama de Yuk, Akira! Eu pedi pra ela me chamar de Yuk, entendeu? Só isso!

O elevador parou no andar desejado e a porta metálica se abriu, dando passagem a um Yutaka vermelho e indignado. Akira riu com a atitude do baterista, que não costumava esquentar a cabeça daquele jeito com nada. O loiro se aproximou com calma de Yutaka, que se concentrava em tocar a campainha, tentando evitar outra reação violenta.

Akira mordeu o lábio inferior para abafar o riso e não conseguiu segurar uma última piada.

- Ela te chama de Yuk-chan?

Yutaka bufou e estava a ponto de bater em Akira no instante em que Yuu abriu a porta para os dois, sorrindo.

- Konbanwa! Entrem!

O baterista atendeu ao pedido prontamente, quase esbarrando em Yuu ao passar. Akira entrou logo em seguida e cumprimentou o mais velho que parecia atônito com o que acabara de presenciar.

- Eu demorei muito para abrir a porta? – Yuu perguntou ainda sem entender.

- Não, não foi isso – o loiro riu.

- Então o que houve? Eu nunca vi Yutaka desse jeito!

Os dois músicos se encaminharam para a sala do apartamento, seguindo o trajeto de Yutaka. Junto do baterista estavam Takanori e Kouyou, todos acomodados nos sofás, conversando alegremente. Yuu não conseguia decidir se o mais estranho era ver o líder furioso ou seu humor mudar de forma tão rápida.

- Ah, Yuu-san – Yutaka se levantou e fez uma pequena reverência, exibindo o sorriso habitual – Eu não o cumprimentei direito quando cheguei, peço desculpas! Obrigado por me receber em sua casa!

- É, você parecia estranho, Yutaka – disse o mais velho e então se voltou para os outros – Não sei se vocês chegaram a ver a cara dele. Parecia que ia assassinar alguém!

- Já matou um, dizem por aí – riu Takanori.

- O quê? – o baterista também riu com estranheza – Que história é essa?

- Em todo caso – Akira se manifestou enquanto ele e Yuu também se acomodavam na sala aconchegante –, Yutaka estava querendo me matar.

- Ele realmente quer acabar com a banda inteira – Takanori comentou em tom casual para Kouyou.

- Eu não diria matar, mas não seria má ideia lhe dar uns murros – o líder disse com seriedade.

- Eu hein, Kai-san está ficando violento! – disse Yuu com espanto – Acho que está na hora de começarmos a temer nosso líder!

- Qual o motivo do nosso baterista kawaii ter ficado tão furioso? – perguntou Kouyou com um sorriso no rosto.

Akira se manifestou antes que o baterista pudesse dizer qualquer coisa.

- Yuk-chan está apaixonado, pessoal!

- O quê???

- Apaixonado? É mesmo?

- E quem é sortuda?

Yutaka riu e coçou a cabeça sem jeito, sentindo vontade de bater no baixista novamente. Akira realmente sabia ser discreto!

- Ahn... Parem com isso, ok? – pediu o moreno – Eu...

- Não vai adiantar negar nada, Yuk-chan – provocou Akira – Está estampado na sua cara. Vocês não acham?

- Agora que você falou... – Yuu colocou a mão no queixo e inclinou um pouco a cabeça – Tem razão! Ele está com aquele jeito abobado mesmo...

- Hey!

- Está querendo dizer que eu pareço um abobado? – perguntou Takanori em tom sério.

- Não, mas é diferente – explicou o mais velho dos cinco – Não é que toda pessoa apaixonada pareça boba, mas no início é sempre assim. Você e a Camila estão namorando faz um tempo, já passaram da fase abobada...

- Isso não melhora em nada o que você tinha dito, Yuu – Takanori não conteve um riso ante a justificativa furada do outro – Você só disse que agora não tenho mais cara de bobo.

Yuu pareceu compreender o que tinha dito e não soube o que responder.

- Vocês dois só falam isso porque continuam solteiros – disse Kouyou – Estão com inveja da nossa sorte, e agora ficam enchendo a paciência do Yuk também. Deixem o cara ser feliz, ele não tem culpa se nenhuma garota atura vocês...

- Eu não tenho inveja de ninguém – Akira se defendeu – E estou solteiro por opção, só para deixar bem claro.

- Eu também não tenho inveja do Yutaka! – disse Yuu – Nem de vocês dois. Eu consigo ficar feliz por vocês terem conhecido a Sereny e a Camila, ok? E eu realmente não me importo em estar solteiro. Se não for com a pessoa certa, não vale a pena...

- Vocês notaram que desviamos completamente o tópico? – Takanori interveio – A questão aqui era sobre a namorada do Yutaka, e não sobre as nossas ou a falta delas!

- Tem razão – disse o guitarrista loiro – Vamos, Yutaka, nos conte quem é essa menina e como você a conheceu.

- É, nos fale sobre a sua namorada, Yuk-chan – Akira ergueu as sobrancelhas algumas vezes rapidamente de forma maliciosa.

- Quer parar de me chamar assim? Sim, a Yoko me chama de Yuk-chan, qual é o problema disso?

Os quatro músicos pararam por um momento, os olhos muito abertos com a reação do baterista. E no instante seguinte todos estavam rindo e fazendo piadinhas com o líder, o que só o fez sentir ainda mais vergonha.

- Certo, eu vou esclarecer algumas coisas então, ok? – disse o moreninho – A Yoko não é minha namorada; eu nem a conheço, na verdade.

- Então como pode estar abobado dessa maneira? – perguntou Yuu. O guitarrista rapidamente se corrigiu diante do olhar que recebeu – Eu disse “abobado”? Eu quis dizer “apaixonado”, foi isso.

- Lembram dos walkie-talkies? E que o Hayato-san perdeu um? Pois é, a Yoko achou esse walkie-talkie... E nós temos conversado desde então.

Os outros assentiram, esperando a continuação da história. Yutaka passou as mãos nos joelhos um pouco envergonhado.

- É isso – ele não soube o que mais dizer.

- Como assim é isso? – perguntou Kouyou – Onde a menina entra?

- Vocês estão namorando e nem se conhecem pessoalmente? – foi Yuu quem se manifestou.

- Nós não estamos namorando! – Yutaka repetiu pela milésima vez.

- E mesmo sem se conhecerem vocês estão apaixonados? Isso é incrível! – disse o vocalista com espanto.

- Esperem, eu não estou entendendo mais nada! – Kouyou se exasperou – Cadê a menina da história???

- Ela achou o walkie-talkie, Kou – explicou Takanori – E é assim que eles se comunicam e se acabaram se apaixonando.

- Como alguém se apaixona por quem nem conhece? Isso é loucura! – o guitarrista loiro continuava com cara de quem não compreendia.

- Eu sei que parece loucura – disse Yutaka – Mas nesse pouco tempo que tenho conversado com a Yoko-chan... Eu sinto como se a conhecesse tão bem quanto conheço vocês. Eu... Aconteceu – o moreno deu de ombros, sem saber como explicar o que nem mesmo ele entendia.

- Isso é incrível – repetiu Takanori.

- É, é lindo, mas vocês precisam se encontrar logo se quiserem levar isso adiante – Akira revirou os olhos.

- Claro! Como é que vocês vão namorar desse jeito? – Kouyou continuava com a mesma expressão – Não faz sentido algum... Quero dizer, você nem sabe como ela é?

- Não...

- Mas isso não seria meio arriscado? – perguntou Yuu – Ela pode ser uma fã doida...

- Ela não sabe que o Yuk é quem é – explicou o baixista.

- Bom, então acho que não tem problema, não é? – disse Takanori – Se eles já conversam bastante e se gostam, e temos a certeza e que ela não está se envolvendo por interesse... Vocês têm que se encontrar logo!

- Talvez ela se assuste com quem eu sou...

- Se assustar talvez, mas vai ser meio difícil ela não gostar... Ela provavelmente vai dar pulinhos... – Yuu ergueu a sobrancelha.

- A Yoko não é esse tipo de pessoa!

Yuu abriu muito os olhos com a reação do outro.

- Ok, não está mais aqui quem falou.

- Certo, Yutaka – disse Kouyou – Conheça essa menina de uma vez antes que essa história fique ainda mais estranha.

- E traga ela para nós a avaliarmos – completou Yuu.

- De novo essa história de avaliação? – o mais novo franziu o cenho – Isso não deveria ficar por minha conta, já que a namorada é minha?

- Você não tinha dito que não estavam namorando ainda? – Akira ergueu uma sobrancelha, o sorriso malicioso de volta ao seu rosto. Yutaka corou violentamente.

- Ah, que seja... – ele respondeu sem graça.

- Nós precisamos ver se essa garota é boa o suficiente para você, Yuk – disse Yuu com ares de seriedade – Nós somos mais velhos, sabemos das coisas. Com exceção do Taka – o vocalista lançou um olhar perigoso na direção do moreno, que riu – O que foi? Eu quis dizer você não era mais velho que o Yuk, só isso. Que desconfiança, hein...

- É verdade, Yutaka – o guitarrista loiro continuou – É uma situação necessária. Esses idiotas fizeram a mesma coisa com a Sereny e a Camila, e você também participou das discussões, se bem me lembro.

- Tudo bem, tudo bem – o moreninho ergueu os braços em sinal de derrota – Assim que possível vocês irão conhecê-la. Mas quem ousar dizer uma palavra sobre a Yoko será um homem morto. Eu estou falando sério!

As piadas com o baterista recomeçaram, a oportunidade de tirar o tempo de Yutaka sendo aproveitada ao máximo pelos quatro amigos. O líder que usualmente era tão compenetrado e doce agora reagia apaixonadamente às provocações. Os cinco pareciam ter voltado à adolescência, e o clima descontraído seguiu pelo resto da noite.