Walk In The Sun

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Eu falei que não ia demorar, certo?
O 23 pode demorar um pouqinho a sair, por razões já explicadas nas notas do capítulo passado. Espero que não se importem tanto.
Enfim, espero que gostem! Boa leitura!

Lilyan's POV

- Ok, eu já falei muito da minha semana, da minha vida. — eu dei uma risada involuntária que insistia em sair na nossa conversa. — Fale sobre a viagem desse mês, Parker!

- Só fizemos alguns shows, o que é de se esperar. As sensações são sempre diferentes. É sempre bom ir para lugares novos.

- Eu sei que não foi só isso, ou você não teria ficado por mais um dia! — ele abaixou a cabeça, sorriu e beliscou um donut recheado em seu prato.

- As vezes acontece de você conhecer alguém, também.

- Você ta namorando com ela? — apoiei minha cabeça em minhas duas mão, em uma tentativa de fazer a cara mais meiga e doce do mundo.

- Namorando? — ele gargalhou. Olhei para ele com uma das sobrancelhas levantadas, mostrando que não tinha entendido o motivo da piada.

- Não, olha, foi só uma noite. Sério. — olhou para mim e pegou em minha mão. Não entendi porque ele havia feito isso. Era uma atitude extremamente dispensável.

- Você não me deve nenhuma satisfação, lembra?

- Você agora é minha amiga e se depender de mim, a melhor amiga. Então eu acho que sim, te devo alguma satisfação.

- Se você insiste então, não é? Mas quando eu começar a dar palpite na sua vida e nas coisas que você faz, não ache ruim.

- Quer dar algum palpite agora?

- Poderia... — bebi um pouco do cappuccino de chocolate a minha frente. Quente.

- Então pode começar.

- Eu odiava a sua ex. — comecei a enumerar nos dedos. — Não gosto quando você bebe demais. E voltando há alguns meses atrás, eu odiava quando você e ignorava. Faça o favor de não voltar a fumar se não quer que eu destrua todo e qualquer cigarro que você compre. E por enquanto é só isso.

- Que você odiava a Kelsey eu pude perceber muito bem. Acho que nunca lhe agradeci por você ter me defendido naquele dia.

- Não precisa agradecer, amigos são pra isso.

- Podíamos ser mais que isso. — sussurrou.

- O que você disse? — perguntei, imaginando ter ouvido errado.

- Não disse nada. Você disse alguma coisa? — dei de ombros. Enquanto ficamos em silêncio, provavelmente procurando algo para dizer, eu fiquei observando a chuva que caia lá fora, e como as pessoas ainda iam para a rua, sem medo de se molhar. Engraçado como eu não gostava de chuva. Não quando eu estava sozinhas. Chuvas podiam ser amedrontadoras dependendo da intensidade.

- Então... Quando você voltar para o Brasil? — Thomas perguntou.

- Está previsto pra eu voltar quando completar os três meses de estágio, mas eu posso voltar antes dependendo do meu resultado nas provas de quarta-feira... Se eu passar, eu volto para pegar minhas coisas e retorno para alugar algum apartamento. Se não, eu não retorno...

- Torço pra você ficar aqui, Lils. Sem você aqui vai ser meio chato. — ele sorriu.

- Ora Thomas, você viveu todos esses anos sem saber se quer que eu existia. Vai conseguir ficar sem mim.

- O problema é que eu não me imagino mais sem você.

Senti minhas bochechas corarem. Abaixei minha cabeça e pedi mais um cappuccino de chocolate com bastante chantili. A tarde seria tão fácil de digerir como o açúcar.

Siva's POV

- Você devia ir embora. — eu disse sendo tomado pela raiva ainda dentro do elevador.

- Não, Seev.

- Não me chama assim.

- E de que eu deveria te chamar? De Siva, então? — ela olhou pra baixo e sorriu. Por que estava sorrindo?

- Não deveria me chamar de nada.

- Olha, por favor, deixa eu tentar resolver as coisas.

- Resolver as coisas? Resolver as coisas? — bufei. — As coisas estariam resolvidas se não tivesse feito o que fez.

- Posso tentar pelo menos... Conversar? — sai do elevador em direção ao bar do hotel sem ao menos dar uma resposta, mas ela entendeu que era para seguir atrás e logo o fez.

Peguei uma mesa logo na entrada. Puxei uma das cadeiras pra mim elogo esperei-a chegar.

- Então... O que você tem pra falar.

- Eu queria me desculpar... Nunca deveria ter duvidado de você e muito menos ter ido embora.

- Você podia ter feito tudo, Nareesha, tudo comigo, mas duvidar que eu te amava foi... A pior coisa... — bati uma das mãos na mesa, lembrando de como aquilo havia acontecido. Foi logo depois de uma turnê que fizemos. Estava chovendo como hoje... A garota me chamou para conversar, dizer que não estava bem e que sabia que eu não a amava de verdade e por isso não estava tão presente. Ela não podia ter dito isso, porque mais do que ninguém sabia como era difícil estar em casa, mas se fosse por mim, eu a levaria aonde eu fosse, como tinha feito tantas vezes antes. Então ela terminou comigo. Me deixou plantado no meu apartamento, o mesmo que moro, a vendo ir embora na chuva. Sem adeus. Sem palavras bonitas.

- Eu sei que errei. Errei feio. Por isso eu estou aqui.

- Por que você pensou que podia entrar assim na minha vida de novo? Depois de tanto tempo?

- Pensei no nosso amor. Vi que ele era tão lindo... E verdadeiro. Lembrei das coisas simples, das risadas... Éramos felizes. Você não sente falta disso? Não sente minha falta?

- Não temos mais amor nenhum. Eu não vou voltar pra você. Não sinto mais sua falta. Aprendi a conviver sem você mais fácil do que pensa. — menti.

- Eu sei que não... Ouvi dizer que você está bem agora e que a garota brasileira está te fazendo muito feliz. As vezes me pego pensando se você a ama tanto quanto me amava. Ela é uma garota de sorte...

- Ela me faz bem, se quer saber. Ela cobriu o espaço que você deixou.

- Então agora estamos bem?

- As coisas nunca vão ficar bem. — me levantei da cadeira sem condições de ouvir mais nada. Fui em direção ao elevador e finalmente ir para casa. Apagar novamente lembranças ruins. Oh, Lilyan, como eu queria que você não estive com o Thomas. Que estivesse comigo e que mais uma vez me fizesse ficar bem.

Enquanto entrava no que me levaria para o meu quarto, pude avistar mais uma vez a garota correndo em minha direção.

- Ninguém pode tomar o seu lugar, Siva. Eu... Ainda te amo. — ouvi ela gritar.

- Isso é um adeus. — murmurei para mim mesmo quando as portas se fecharam. — Adeus.

Bianca's POV

-Acho que já está na hora de sairmos da cama. Sério. — eu sorri para Nathan que me abraçava.

- Não está na hora não. — retribuiu.

- Eu vou me encontrar com a Lily agora... — na verdade, eu não ia. Mas desde que eu acordei fui tomada por uma grande vontade de fugir. Levantei de cama e fui tomada por um frio que vinha de uma das janelas abertas do quarto.

- Você viu minhas chaves? — comecei a procurar entre os sofás da sala quando desci. — Tenho que passar em casa, trocar de roupa...

- As suas chaves são aquelas que a Lils ficou com elas?

- Merda! Tinha me esquecido da porra desse detalhe! — me joguei no sofá.

- Mas se quer uma opinião – disse sentando-se do meu lado. — eu prefiro você com uma das minhas blusas e calcinha, como está agora.

- Tipo, não tem graça, Nathan. — joguei uma das almofadas nele e me levantei de novo. — Eu vou ter que sair assim?

- Por que você quer TANTO sair, Bianca?

- Eu marquei com a Lilyan.

- Tenho certeza que ela vai entender seus motivos.

- Não, não vai não.

- Não vou mais discutir com você Bianca. Se você faz tanta questão, tem um short seu aqui, e eu te empresto outra blusa.

- Como tem um short meu aqui? Desculpa eu perguntar.

- No dia da piscina, você deixou lá em baixo. Eu trouxe pra te devolver, mas nunca devolvi.

- Hmm, obrigada então. Posso pega-lo então?

- É seu. — subi as escadas e peguei meu short onde ele disse que estaria. Procurei uma blusa para vestir e coloquei uma xadrez. Dei um jeito de ficar apresentável, colocando parte da blusa dentro do short. Uma arrumada pequena no cabelo. Um pouco de perfume. E desci.

- Está melhor do que pensei que ficaria com outra blusa minha.

- Espero que isso tenha sido um elogio.

- Foi. — ele me respondia seco. Odiava isso. Mas estava com um estranho desconforto por estar em sua frente. Não deveria, depois da noite anterior. Procurei meus sapatos e fui novamente em sua direção.

- Olha eu vou indo. — dei um beijo na sua bochecha e sai, esperei alguma objeção, mas não escutei nenhuma. Corri pelo corredor para pegar o elevador. Achei estranho o que vi e ouvi.

“Ninguém pode tomar o seu lugar, Siva. Eu... Ainda te amo.”

Será que aquela era a ex-namorada do Siva? Nossa... O que ela está fazendo por aqui?

Alguém precisava saber disso.

Notas finais
Espero que vocês tenham gostado!
Postarei o próximo o mais rápido que eu conseguir!
Não esqueçam de deixar reviews contando o que acharam!
xx