Notas iniciais
Essa é a primeira fanfic que eu posto aqui. Já faz algum tempo que eu a postei no Spirit e no Wattpad (pelo mesmo nome de usuário) e - pelo consideravelmente boa repercussão - esperam que recebam a história bem. Eu tenho um carinho muito grande por ela então a aproveitem. Lembrando que erros ortográficos podem ser encontrados mesmo eu já tendo revisado o capítulo duas vezes então, desde já, desculpem qualquer erro. Boa leitura ♥

"Você estava em coma profundo, mas eu estava aqui. Quando você pensava que não havia ninguém eu ainda estava aqui" — Wake Up, The Vamps

Brad odiava hospitais e tinha motivos pra isso mas, como sempre, ele fazia de tudo por ela.

Ele parou em frente ao corredor mais silencioso, e assustador, de todo o prédio. A ala dos pacientes em coma. Brad respirou fundo e andou o mais rápido que conseguia, sem começar a correr, até o meio do corredor onde o quarto de número 15 ficava. Onde o quarto de sua amada ficava. Antes de entrar ele arrumou o cabelo e ajeitou o casaco mesmo sabendo que ela não estaria acordada para vê-lo.

— Hey, Tessinha! — Brad abriu um enorme sorriso ao entrar no quarto. — Eu trouxe flores novas pra você. Eu sei como você não gosta muito de flores, já que elas acabam morrendo, mas esse quarto é tão triste. Não há quadros ou qualquer coisa com cor nesse nele. — Ele jogou as flores, já muchas, que ocupavam o vaso fora e colocou os lírios, que havia trazido, dentro. — Os meninos queriam pendurar alguns dos seus desenhos na parede mas sabíamos que você iria surtar quando os visse expostos para outros olhos que não fossem os nossos.

Pela primeira vez, desde que tinha entrado no quarto, Brad se calou e se sentou na cadeira ao lado da cama para observar Tessa.

Ela continuava no mesmo lugar, na mesma posição e, o pior de tudo, com os olhos fechados. Ele pegou sua mão e sentiu o frio que havia se instalado em seu corpo desde o acidente.

— Quando eu recebi alta do hospital sugeri ao médicos que você fosse pra casa comigo mas eles não acharam uma boa ideia mesmo que eu pagasse uma enfermeira particular pra você. — Ele deu uma leve risada. — Agora eu percebo que foi uma ideia horrível. Você já imaginou seus pais entrando e saindo do nosso apartamento toda semana? Não consigo imaginar uma palavra para descrever como isso seria.

Ele riu mais um pouco então o som de sua risada sumiu e o quarto ficou mais uma vez em silêncio e Brad odiava todo aquele silêncio. Quando ele e Tess estavam juntos nunca havia silêncio. Eles não conseguiam ficar no mesmo cômodo sem rir ou discutir ou sem amassarem seus lábios uns contra os outros e fazerem alguns ruídos estranhos.

Uma lágrima escorreu dos olhos castanhos escuros de Brad e ele fungou o nariz tentando fazer com que outras não acompanhassem a primeira e então não conseguisse mais parar de chorar como sempre acontecia quando começava a lembrar da sua vida com Tessa e de como eles eram felizes até o acidente.

— O... — Sua voz vacilou por conta do nó gigantesco que se formava em sua garganta. — O homem que acertou o caminhão no nosso carro, na noite do acidente, morreu, Tess. — Brad apertou os olhos antes que as lágrimas tentassem sair novamente. — Ele ficou alguns meses em coma, como você, até que um dia teve uma parada cardíaca e seu corpo não conseguiu aguentar. Ele era um bom homem e percebi isso quando sua família veio conversar comigo mas essa é uma história que eu quero te contar quando estiver acordada e em casa comigo.

Brad voltou sua atenção para as mãos de Tessa e notou que suas unhas, que ao em vez do esmalte preto de sempre, tinham adesivos de unicórnios e glitter.

— Acho que seus pais trouxeram Sophia dessa vez. — Ele disse rindo enquanto alisava sua mão decorada e com mais cores do que se podia contar. — Eu sinto falta de ver vocês duas juntas. — Brad sentiu o nó aumentar em sua garganta e sabia que não conseguiria aguentar por mais tempo. — Eu sinto falta de te ver brincando com os meninos. Eu sinto falta de quando você e o Connor sentavam juntos pra assistir filmes de terror e ele fazia caras e bocas quando se assustava, o que fazia você gargalhar sem parar. Eu sinto falta das suas intermináveis batalhas no Guitar Hero com o Tristan e sinto falta da confusão que você e o James causava quando faziam guerrinhas com as armas d'água dele. Eu sinto falta de como você era feliz perto deles e de como os fazia feliz. — Ele engoliu a saliva que se acumulava em sua boca com certa dificuldade e deu uma fraca risada. — Sabe, eles tentaram não chorar quando tudo aconteceu. Eles sempre estavam firmes e fortes ao meu lado quando eu desmoronava e isso aconteceu mais vezes do que eu posso contar, mas teve um dia onde eles não aguentaram. Eu estava no meu quarto, vendo aqueles vídeos de você que eu quase morri por ter feito, e os três entraram no quarto e se acomodaram na cama. Eles, assim como eu, riram durante um tempo mas em um passe de mágica estávamos todos chorando e foi assim que adormecemos. Com os rostos cheios de lágrimas e lembranças frescas de você em mente.

Brad não tinha percebido mas algumas lágrimas já começavam a escorrer pelas suas bochechas.

— Eu sinto tanto a sua falta porra! — Ele soltou a mão fria de Tessa e levou as suas para cima dos olhos encharcados. — Eu sinto falta de como você se debatia e morria de rir quando eu te fazia cócegas. Como eu sinto falta do som da sua risada. Sinto falta de quando começávamos a discutir e acabávamos no sofá. Sinto falta de escutar sobre seus sonhos estranhos toda manhã. Sinto falta das suas visitas inusitadas na gravadora. Sinto falta dormir com você e de te beijar. Sinto falta de te abraçar e poder afundar meu nariz no seu pescoço. Sinto falta de como você sempre me encoraja a ser a melhor versão de mim mesmo. Eu sinto falta de tanta coisa relacionada a você que é impossível listar todas.

Ele segurou a mão dela com ambas as suas e apoiou sua testa nelas, permitindo que as lágrimas fluíssem pra fora de seus olhos. Ele chorou até que as lágrimas parassem de sair e então ele se levantou e se serviu da água da na jarra ao lado das flores. Como se estivesse esperando que ele parasse de chorar e que seu coração se acalma-se, alguém bateu na porta e depois de alguns segundos a cabeça de Connor surgiu no quarto.

— Posso entrar? — Ele perguntou com um sorriso sem graça no rosto.

— Claro, cara. — Brad disse sorrindo e colocando o copo ao lado da jarra. — Tá tudo bem?

Connor caminhou até Tessa e pegou sua mão a beijando e depois se virando para seu amigo.

— Só vim dar um oi pra Tessinha e te avisar que a Jenna ligou e disse que precisa da gente daqui a meia hora na gravadora.

— Ela disse o que queria?

— Não mas eu e os meninos achamos que tem alguma coisa haver com um clipe novo já que vimos uma produtora nova outro dia andando pela gravadora.

— Ótimo mas diz pra ela que talvez eu me atrase um pouco. Você sabe.... — Ele disse apontando Tess com a cabeça.

— Claro. Sem problemas. — Connor voltou o olhar para Tessa e sorriu meio triste. — Você tem que voltar logo pra gente. Ok? A gente precisa de você. O Brad precisa de você.

Brad sorriu observando o carinho que o amigo tinha com sua amada e desejou que ela acordasse logo para acabar com o seu sofrimento e o de seus amigos.

— Eu vou indo agora. — Connor deu um breve abraço em Brad. — Aguente firme.

— Você também.

Assim que a porta se fechou e os dois ficaram sozinhos novamente, Brad se jogou na cadeira e tirou o cabelo que havia caído nos olhos.

— Meu cabelo cresceu tanto desde que você veio parar aqui. — Ele puxou uma mecha até a boca, para demonstrar, e depois a jogou de volta para trás. — Eu lembro que você vivia falando que iria me adorar ver com o cabelo grande então esse é mais um incentivo pra você abrir os olhos. — Ele levou uma mão a boca e sorriu travesso. — Eu iria amar sentir suas mãos nos meus cabelos agora, Tess.

Brad e Tess não haviam tido um relacionamento fácil no incio. Ambos haviam sofrido muito antes de suas vidas se cruzarem e houveram diversas complicações até que finalmente pudessem ficar juntos mas os dois sabiam que tudo o que passaram, juntos, havia valido a pena e que não mudariam nada no trajeto deles.

— Eu gosto de lembrar da noite em que nos conhecemos. — Brad disse pousando sua mão em cima da de Tessa. — Na verdade, Claire e eu saímos pra tomar café algumas vezes e sempre ficamos recordando essa noite. Você ajudou a nós de um jeito que nunca poderemos retribuir mas, em uma forma de compensação, estivemos aqui durante todos esses anos. Esperando por você. Eu esperei por você e sempre vou, mas eu estou ficando cansado, Tess. Estou ficando cansado de não a ter sempre que eu preciso. — O nó em sua garganta crescia com certa violência. — Você não sabe como é torturante acordar e não poder ver o seu sorriso, não te ver usando as minhas camisas como pijama ou como é dormir naquela coma enorme cama sem você e não te ver sentada na frente da janela toda manhã com a sua caneca de café enquanto você observa como as pessoas parecem formiguinhas vistas de cima. Preparar o café da manhã também se tornou torturante sem você me observando feita uma criança e é torturante chegar do estúdio depois de um dia cansativo e não te ver.

As lágrimas saíram descontroladamente dos olhos de Brad e ele estava prestes a começar a soluçar quando sentiu a mão de Tess se mexer em baixo da sua. Ele a olhou assutado e viu o que sonhou durantes noites e dias: Tessa acordada.

Ela tirou sua mão debaixo da de Brad e removeu a máscara de oxigênio que, junto aos inúmeros tubos ligados ao seu corpo, a mantinha viva até o momento. Com certa dificuldade, Tessa se sentou e riu, com a voz rouca, do rosto de Brad.

— Você vai ficar com essas cara de quem viu um fantasma ou vai me abraçar? Era torturante ouvir sua voz sem poder estar em seus braços.

Ele, ainda atordoado, se sentou na beira da cama e puxou Tess para perto de si.

— Eu te amo. Eu te amo tanto, Tessa. — Brad enterrou o seu nariz no pescoço de Tessa mal acreditando que agora a tinha de volta. — Eu não posso te perder de novo.

— Eu te amo também, Brad. — Ela disse apoiando sua bochecha na cabeça de Brad e sorrindo. — Você nunca me perdeu. Eu sempre estive aqui.

Notas finais
Eu espero que tenham gostam e que tenha interesse em acompanhar Awake que será lançada em breve, mas não tão breve assim. Awake vai contar a história antes dessa One Shot e depois - caso tenha um bom feedbak -. Lembrando que essa história é uma "dramatização" criada por mim para a música, de mesmo nome da fanfic, do The Vamps.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!