Wait, no...

1 O problema das exceções


Notas iniciais
Oi! Eu nunca postei nada pelo celular, mas qualquer erro de formatação eu corrijo depois.
Obrigada por ter dado a história uma chance!

Durante toda sua vida, Mônica teve problema com raiva. Uma frase mal formulada, um olhar torto eram suficientes para que a garota rangesse os dentes e girasse seu coelhinho. Em sua defesa, no entanto, os garotos de sua rua definitivamente mereciam coelhadas por zombarem de seu atributos físicos que fugiam do convencional.

Após vários anos, e muitas sessões de terapia, Mônica conseguiu achar uma forma saudável e simples para expressar sua raiva: palavrões. Porém, esse hábito só foi se tornar praticável quando conseguiu um emprego e um apartamento. Sua mãe deixou bem claro que debaixo do teto dela não haveria esse tipo de vulgaridade, mocinha!

Claro que havia lugares em que Mônica evitava falar esse tipo de coisa, como em seu trabalho, mas se sua mesinha de centro – a sádica, destruidora de dedos do pé – falasse, diria que Mônica a abusava verbalmente.

Quando conseguiu alugar um apartamento – sendo obrigada a deixar Monicão para trás – ficou tão contente e emocionada que decidiu destribuir cópias de sua chave para todos que considerava família e, claro, sua própria família. Todos iam para sua casa o mais frequentemente possível e por isso nunca se sentia sozinha.

No entanto, quando tinha um relatório mensal para entregar até o dia seguinte e não estava nem na metade, começava a se arrepender de sua decisão. Todos seus amigos mais próximos resolveram que este seria o dia para uma visita coletiva. Além de estarem fazendo um barulho infernal, estavam ignorando-a completamente! Ela pediu por um copo de água para Cascão e ele começou a reclamar sobre como não poderia usar suas pernas demais por causa de um importante jogo semana que vem e blá, blá, blá. Quando pediu para Cebola, ele fingiu não escuta-la para continuar digitando em seu celular e Magali estava na cozinha comendo.

Ótimos amigos, senhoras e senhores.

Sua salvação foi Do Contra, que decidiu que pegar um copo de água para ela não seria um sacrifício tão grande como seus outros “amigos”. Enquanto Do Contra não tinha uma chave para seu apartamento, sempre que podia vinha quando Magali o convidava, muito para o desgosto de Cebola.

— Obrigada, DC. – diz após tomar um gole de água.

— Nada, Mônica. – responde dando de ombros. Uns segundos se passam e ele volta a falar. – Sabe, se você quiser, como você está ocupada, eu posso fazer todo mundo ir embora. Não que eu me importe que você não está nos dando atenção, eu acho esse um ótimo jeito de ser anfitriã.

— Não tem problema, eu lido com essa bagunça por anos. Foi minha culpa ter dado a chave pra eles. – Mônica sorri, corando. – Além disso, eu não quero que você... Vocês! Vocês vão embora.

Ele simplesmente ergue um sobrancelha e sorri convencido. Merda de boca que não consegue acompanhar o cérebro! É claro que até sorrindo assim ele seria lindo. Sentindo seu rosto corar e sua dignidade clamar por ajuda, resolve dizer algo.

— Vai... Vai se misturar com eles lá, vai!

Puta que pariu, Mônica, não sabe nem dar uma desculpa!

O sorriso de Do Contra se alargou, mas ele deve ter tido pena dela pois obedeceu, sentando-se no sofá para implicar com Cebola. É incrível como a tão poucos tempo se sentia sem chão quando tinha uma briga com o Cebola e agora não podia deixar de pensar que seu coração sairia do peito quando Do Contra sorria.

Demorou muito tempo até se ver apaixonada pelo 'senhor anti-modinhas'. Anos e anos se passaram, o suficiente para se apaixonar pelo Cebola, acabar a escola, perceber o que queria da vida e se desapaixonar. Foi um momento muito difícil, dizer adeus para a vida garantida ao lado do Cebola, mas quando as decepções ultrapassaram as alegrias, Mônica enxergou que o amor não só era insuficiente como havia acabado em algum ponto.

Ela ainda o ama. Sempre o amou e não acha que isso pode acabar, mas é o mesmo amor que sente por Cascão ou Magali. Cebola ficou extremamente triste, queria lutar por ela, mas os vinte estavam chegando e se ele queria mudar o mundo logo tinha que se apressar com seus projetos. Mônica ficou contente por vê-lo seguir seu sonho, mesmo que uma parte de si dizia que nunca seria a primeira opção dele caso tivesse se conformado com seu destino.

E Do Contra sabe. Claro que Do Contra sabe como ela se sente. Ele sempre prestou bastante atenção, afinal ele a ama por muito mais tempo. O que incomoda Mônica é o porque ele nunca fez nada sobre isso. Sua teoria é que ele está esperando ela dar o primeiro passo, para ter certeza absoluta de que é isso que ela quer.

Acontece que Mônica tem certeza absoluta do que sente pois agora ela está aqui, gaguejando e corando por causa do garoto que nunca tinha sequer considerado como uma opção, ela só não sabe o que fazer ainda. É o Do Contra, depois de tudo. Ele é maravilhosamente complicado, mas ela o ama assim mesmo.

Ela tenta se concentrar em seu relatório e consegue escrever algumas centenas de palavras. Obviamente sua concentração é quebrada mais uma vez quando Magali começa a berrar da cozinha, perguntando alguma coisa.

— Cacete. – murmurou. – O que foi, Magali?! – gritou de volta.

O apartamento não chegava nem perto de ser considerado grande, mas já que Magali resolveu arrebentar todas suas cordas vocais gritando, Mônica – a boa amiga que é -, se junta a ela. Felizmente, seu curto tempo tendo aulas de canto a ensinaram como não gastar sua voz tão rápido.

— Cadê o ketchup?!

— E eu sei lá, porra! Não tá na geladeira?!

— Não! Nem na pia!

— Então se vira pra encontrar essa merda aí, eu tô ocupada!

Dificilmente alguém do convívio de Mônica nunca a ouviu xingar e seus amigos sem dúvidas já foram xingados em algum ponto, ou escutaram uma dessas palavras vulgares nas frases que Mônica dirigia a eles. Mas toda regra tem sua exceção e Do Contra se encaixa nesse lugar.

Só parecia errado usar um palavrão com DC. É como bate-lo com o Sansão, todo corpo de Mônica se contrai em desgosto com esse pensamento. Na opinião de Mônica, deveriam criar uma lei proibindo agredir física ou verbalmente Do Contra.

Ela suspira tentando se acalmar. Nem que ela seja obrigada a criar um buraco no espaço-tempo para terminar esse relatório, ela vai terminar isso hoje e entregar a tempo. Com um estalar de dedos, Mônica volta a digitação, mais determinada do que nunca.

Como mágica todos ficam relativamente quietos e ela quase quer comentar sobre isso, mas Mônica sabe que isso só levaria a uma discussão então continua quieta. Em seu penúltimo parágrafo, Mônica escuta o suspiro irritado de Cebola e se prepara para a reclamação.

— Mônica, dá pra você mandar esse idiota parar de me pertubar?

— Mas, Cebola, eu só estava ajudando a escolher a cor pra esse bonequinho nesse jogo super divertido.

— Em primeiro lugar, seu sem cultura, isso é chamado ‘skin’. Em segundo lugar, eu não me lembro de ter te pedido nada.

— É que eu sou caridoso assim mesmo.

Mônica adora Do Contra, mas mesmo ela não pode evitar de concordar entusiasticamente com aqueles que dizem que ele provavelmente é uma das pessoas mais irritantes de todas. Por isso, querendo terminar seu trabalho, Mônica pede a todas as divindades que ele a escute.

— Do Contra, deixa o Cebola e vai pertubar outro, sim?

— Ok. – ele resmunga chateado.

Isso! Finalmente silêncio. Mesmo aproveitando que Do Contra finalmente deixou de irritar Cebola, Mônica sabe que é só porque ele está entediado. Nesse estado, Do Contra costuma a levar a pessoa mais próxima a loucura atrás de algum entretenimento. Ela não consegue deixar de sentir que várias pessoas, incluindo ela, já fizeram algo semelhante a ele quando entediados.
Dois puxões curtos na manga de sua camisa.

— Mônica.

De repente, sua compreensão acaba.

— Môoooonica.

(Ela disse que já estava acostumada.)

...

— ...Mônica.

A frustração está muito alta, tudo se mistura em sua mente, a regra e a exceção se confundem. ‘Não fode’, diz a regra. ‘Me deixa', contrapõe a exceção. Ela não consegue se corrigir antes de dizer em meio a silêncio fora de hora:

— Me fode!

Do Contra a encara boquiaberto.

Puta que pariu!

Mônica tem certeza que pode fritar ovos em suas bochechas. Como ela pode dizer uma coisa dessas! Não que fosse uma ideia ruim... Mas na frente de todos! Na frente dele! Alguém cava uma cova, pelo amor de nossa senhora da bicicletinha!

Do Contra sorri.

O puto sorri!

— Ora, Mônica. Eu sou um menino de família, a gente pode resolver isso depois de um cinema. O que acha?

Mônica sente sua cabeça mexer para cima e para baixo. O sorriso de DC fica ainda mais lindo – como isso é possível? – roubando todo ar dela e sai. Tem um segundo de silêncio antes da gritaria. Magali dá saltos de felicidade enquanto sua boca está vermelha de ketchup, Cascão reproduz sons de confusão e Cebola expressa sua indignação de forma bem barulhenta até seu rosto ficar vermelho.

Mônica simplesmente tenta fazer seu coração se acalmar em seu peito. Ela olha para seu notebook e suspira, ela definitivamente não vai terminar esse relatório.

(Do outro lado da porta Do Contra sente seu rosto doer de tanto sorrir bobamente. Não era assim que ele esperava que o pedido para o primeiro encontro deles fosse, mas foi melhor do que qualquer expectativa pois aconteceu de verdade e ela disse sim.

Mas ele realmente chamou ela para ir ao cinema? Que clichê! Isso é culpa do Nimbus que insiste para eles irem juntos para o cinema ruim perto de casa toda semana para ver um filme cheio de cgi e clichês, mas com a mesada que ele recebe é o único que ele consegue pagar. Do Contra sempre acaba dormindo no cinema.

...

Ah, bem. Ela provavelmente o ama assim mesmo.)

Notas finais
Espero que tenham gostado!
Novamente, me desculpem por qualquer erro.
Comentários são muito bem-vindos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!