Vínculo Mágico

17 Pedido de Desculpas


Notas iniciais
Olá leitores! Em primeiro lugar, gostaria de dizer que eu quase chorei com o capítulo 416 do mangá... Sério, não vou discorrer sobre o assunto, até para evitar possíveis spoilers, mas quero deixar registrado que eu o achei simplesmente fantástico! É muito legal ver que a especulação dos fâs muitas vezes está correta. Mas, voltemos a fanfic. Em segundo lugar, gostaria de dizer que as notas iniciais não foram escritas quando eu estava postando a fic… e sim quando eu estava escrevendo o capítulo, provavelmente alguns dias antes dele ser postado. Por que isso? Bem… Escrever esse capítulo mexeu comigo de alguma forma… Eu não sei se ele ficou satisfatório, não sei o que vocês vão pensar… Mas eu achei triste. É o primeiro trecho triste que eu escrevo, então é uma experiência nova. Fiquei ansiosa para falar algo sobre ele, quase postei alguma coisa no meu perfil do Nyah, mas no fim das contas decidi já ir escrevendo as notas. Enquanto eu revisava o capítulo, estava ouvindo a música Predestination, um dos OST's de Fairy Tail. Eu sempre imaginei essa parte da fanfic com essa música, então vou deixar o link dela em determinada parte da história. Sei que nunca fiz isso, mas achei que seria legal, então, fiquem atentos! Então… Espero que vocês gostem. E espero que vocês não abandonem a história por causa deste capítulo. Eu prometo me esforçar para um final satisfatório! Até as notas de rodapé!

Capítulo XVII — Pedido de Desculpas

– Lu… cy… — Happy balbuciou incrédulo. Petrificado, limitou-se a encarar o lacrima central, onde o sangue da maga celestial fluia para fora de seu corpo, mesclando-se lentamente ao Seranium.

Meldy, que até então também fitava aterrorizada a esfera que continha a maga da Fairy Tail, desviou sua atenção para o exceed azul, extremamente compadecida.

– Chegamos tarde! — Charle choramingou, lembrando-se da visão que tivera ante a imagem da maga ferida. Lily, tão chocado quanto os companheiros, deixou o corpo inerte de Ref, que ele vinha carregando nos últimos minutos, cair duro no chão.

Horas antes, quando foi abordada pelos falsos enfermeiros, a caçula da Crime Sorcière os enfrentou, derrotando alguns, com suas lâminas sensoriais, sem muita dificuldade. Vendo a oportunidade de se infiltrar no grupo de enfermeiros e socorrer a maga da chuva, Meldy se disfarçou como um dos capangas da Nihil Occultum.

O plano de ajudar Juvia acabou não dando certo: A carruagem médica para a qual a maga tinha sido conduzida já não se encontrava em frente ao hotel em que foram atacadas. Porém, ainda sob o disfarce, Meldy seguiu com a outra carruagem, infiltrando-se na base e dando a liberdade aos três exceeds, que estavam aprisionados na sala treze do setor laranja.

Desde então, os quatro ficaram se esgueirando pelo labirinto que era construção subterrânea da sede, na tentativa de encontrar o local onde seria realizado o Projeto Heaven, sem despertar maiores suspeitas.

Quando finalmente descobriram a ala de execução, perceberam que precisariam de um membro com acesso ao setor vermelho para entrar. Contudo, parecia que todos as pessoas que possuíam a marca escarlate estavam concentrados dentro daquela sala. Resignados, voltaram para procurar alguém com o nível de acesso correspondente.

Num golpe de sorte, o pequeno grupo achou a ala hospitalar, localizada no setor verde, onde um Aprendiz ferido se recuperava. Sem opções, Lily assumiu sua forma de combate e o carregou junto com eles, para que finalmente pudessem adentrar o salão do projeto.

Não que eles esperassem encontrar os amigos em perfeitas condições de combate. Mas a visão que tiveram, tão logo adentraram a zona de planejamento e olharam as lacrimas de cima, os fez perceber que não seria fácil sairem dali sozinhos, quanto mais carregando os companheiros com eles.

O salão estava apinhado de magos da Nihil Occultum. Todavia, naquele momento todos se concentravam na mesma situação: A tentativa desesperada de Lucy Heartfilia parar o Projeto Heaven dando fim a própria vida.

– Invasores! — Um dos inúmeros magos de branco gritou, percebendo a presença de Meldy e dos exceeds.

Kotaro estava tão atordoado com o atentado da maga celestial contra a própria vida, que acabou ficando sem ação ante os novos acontecimentos.

– Onii-san, o que devemos fazer??? — Jiro, desesperado, perguntou a Kotaro, que ainda estava estupefato com a situação.

– Peguem-nos! — Ícaro, tomando as rédeas da situação, ordenou, fazendo com que os Aprendizes se movessem para capturar os invasores, instalando uma tremenda confusão na plataforma que circulava o salão.

– Libertem-nos!!! — Meldy gritou olhando para os exceeds e apontando as lacrimas, preparando-se para lutar. Os três gatos, imediatamente alçaram voo em direção ao andar inferior, sendo seguidos por vários magos, estendendo a desordem por onde passavam.

– Lucy!!! — Happy, chorando, voou em direção a lacrima da maga, sendo interceptado por um dos capangas da seita.

Debatendo-se na tentativa desesperada de se livrar das mãos enluvadas do lacaio que o segurava, o pequeno gato, assim como todos os inimigos próximos, foi surpreendido quando uma chuva de cacos o atingiu, não lhe dando tempo nem mesmo de proteger os olhos, que milagrosamente saíram ilesos.

– Natsu! — O exceed, finalmente liberto, exclamou, vendo o amigo saltar do lacrima danificado onde estava confinado até segundos antes e correr em direção a maga celestial.

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– LUCY!!! — Natsu berrou, disparando para o lacrima central entre um escorregão e outro, devido ao líquido viscoso que impregnava todo seu corpo, sem todavia interromper sua correria.

Ele simplesmente não acreditava que tinha travado. Nos últimos instantes, enquanto Heartfilia golpeava o próprio corpo com a adaga, o dragon slayer tinha simplesmente ficado sem ação. Da mesma forma que ficara enquanto Simon morria na Torre do Paraíso. Da mesma forma que agira quando a Lucy do futuro proferia suas últimas palavras.

O momento de torpor foi breve, porém infinito em desespero. Tanto que ele nem sequer foi capaz de se sentir aliviado no momento em que a dor excruciante de ter sua magia sugada foi interrompida. E no instante em que caiu em si, percebeu que estava perdendo um tempo precioso demais. Sem hesitar, abriu a tampa do isqueiro que estava em sua mão, produzindo uma fagulha. O contato do fogo com o Seranium transformou a lacrima em uma esfera flamejante por alguns segundos, que foi o tempo que o dragon slayer levou para devorar as chamas e arrebentar o vidro com um soco, pulando para fora.

– LUCY! — Tornou a gritar, destruindo a esfera que a continha com um único golpe.

O líquido — agora avermelhado — da lacrima central jorrou para todos os lados. O corpo da maga celestial foi projetado para fora, e Natsu de pronto o amparou, impedindo que acertasse o chão.

– Lucy... – Repetiu.

– Natsu… — Ela chamou fracamente. Quando conseguiu focalizar o rosto do mago do fogo, a sombra de um sorriso percorreu seu rosto. Seu corpo úmido começou a tremer, sentindo os efeitos da maldição.

– O que você pensa que está fazendo, Lucy? — Natsu a envolveu. Ele também tremia, porém não saberia dizer se os leves espasmos que percorriam seu corpo derivavam da ingestão do Seranium ou se eram uma reação ante a situação irreal que se encontrava: Estar segurando o corpo debilitado da companheira de time.

– Eu só queria… — A maga celestial tentou responder, sentindo a voz, juntamente com todo o corpo, enfraquecer. — Que todos ficassem bem. — Completou, com dificuldade.

– Natsu… — Happy voou até parar ao lado do amigo, e fitou a maga celestial sentindo a garganta embargar. — Lucy...

– VADIA!!! — Kotaro, finalmente acordando de seu transe, berrou, fazendo o exceed azul arregalar os olhos assustado. Invadindo o círculo mágico, o líder avançou em direção a moça ferida, arrastando uma Wendy completamente atônita consigo. — PALI, VENHA JÁ AQUI E QUEBRE A DROGA DA MALDIÇÃO!

– NÃO SE APROXIME DELA!!! — Natsu praticamente urrou, entranhando os dedos nos cabelos molhados da maga celestial e escondendo o rosto dela contra o próprio peito. Kotaro ergueu as sobrancelhas em deboche ante ao olhar praticamente ferino do rapaz.

– Ou o quê? — Perguntou, tentando transmitir superioridade quando na verdade estava transtornado por estar diante da possibilidade de ver anos de seu trabalho duro irem pelo ralo. — Eu sou o único que pode salvar a vida dela agora! — Pressionou.

– WENDY! — Natsu gritou pela pequena dragon slayer, suplicante.

– Lucy-san! — Wendy, caindo em prantos, se soltou de Kotaro e correu até a maga celestial.

– Se Wendy curar o ferimento, eu não poderei quebrar a maldição. — Pali avisou, também se aproximando.

Natsu encarou a pequena Aprendiz Furioso. Pali não demonstrava nenhuma emoção. Aparentava até mesmo certa indiferença. Não que o dragon slayer esperasse mais dela. Afinal, ainda era uma inimiga.

– Como assim? — O mago do fogo perguntou, aos berros.

– Você presenciou a quebra da maldição antes, lembra? — A Aprendiz se abaixou ao lado do corpo ferido de Lucy, ficando de frente para ele. — Ela só pode ser expelida pelo ferimento pelo qual entrou. Se Wendy curá-la, Lucy, inevitavelmente, morrerá amaldiçoada. Agora, se eu quebrar a maldição… — Fez uma pequena pausa, como se medisse as palavras que viriam a seguir. — É provável que ela não suporte o ritual e morra durante a realização. O ferimento foi muito grave.

– O que você está dizendo??? — Kotaro esgoelou, exasperado. — Faça logo a porcaria do ritual!!! — Ordenou, derrubando a pequena Aprendiz com um chute. Pali sentiu a intensa dor de ter algumas costelas partidas, bem como a bochecha ser rasgada por alguns dos inúmeros cacos espalhados pelo chão.

– Sua amiga… — Falou, encarando Natsu com uma expressão de dor, enquanto tentava se levantar com dificuldade. — Fez um grande esforço para morrer.

– Natsu… — Lucy tornou a chamar, baixinho. O dragon slayer a afastou do próprio peito, e ainda amparando-a nos braços, encarou os olhos castanhos opacos. — Me desculpa. — Ela pediu, sorrindo fraco.

– Não… Não fala… — Ele pediu, sentindo duas lágrimas rolando por cada uma de suas bochechas. — Vai ficar tudo bem! A anã pervertida vai quebrar a maldição e a Wendy vai te curar! Depois eu juro que te tiro daqui, então por favor, aguenta Lucy!

– Natsu… — Ela chamou chamou novamente. — Eu quero que você tire os nossos amigos daqui. — Pediu, a voz ondulando devido aos tremores que se intensificavam. — E as cobaias também!

– Faremos isso juntos! — O mago do fogo respondeu, sentindo o próprio corpo rejeitar mais intensamente o Seranium que ingeriu. — Aguente só mais um pouco, tá?

tudo bem Natsu. — Ela tentou tranquilizá-lo, a voz esvaecendo gradualmente. O dragon slayer sentiu os tremores no corpo dela aumentarem significativamente, sinalizando que a maldição se alastrava.

– Anda logo com isso, sua imprestável! — Exigiu Kotaro, gritando para Pali, enquanto tirava as pulseiras de Wendy.

– CALA A SUA BOCA!!! — Explodiu a pequena Aprendiz, apontando para o líder. — DEIXE QUE ELES SE DESPEÇAM EM PAZ!!! — Gritou, fazendo com que suas mãos ficassem envolvidas em seu característico brilho azulado.

Repentinamente, Kotaro arregalou os olhos e se retraiu, como se tivesse se assustado. A verdade era que nos últimos minutos, ele via o seu pior pesadelo se concretizando e a pequena Aprendiz aproveitou a oportunidade para usar seus poderes contra o líder, que se encolheu amedrontado.

Observando rapidamente em volta, Natsu percebeu que os magos da Nihil Occultum, um a um, foram se descontrolando, passando a correr apavorados de um lado para o outro, ou tremer amedrontados em algum canto.

Graças a ação de Pali, Meldy, Charle e Lily finalmente se livraram dos membros que os perseguiam, avançando imediatamente até as lacrimas onde seus amigos estavam presos.

– O que você pensa que está fazendo? — Randha, que até então lutava com Lily, gritou para a quarta Aprendiz, também sentindo um medo enorme crescer dentro de si. Naquele instante, por influência da aliada, a terceira Aprendiz teve certeza que jamais veria o noivo falecido novamente. Ainda que aterrorizada, voltou-se para a pequena colega e tentou se aproximar.

– Olhe bem para eles Randha! — A pequena Aprendiz pediu, diminuindo os efeitos da magia sobre a companheira. — Você mais do que ninguém deveria saber como ele está se sentindo agora! — Falou, referindo-se ao mago do fogo, que encarava desolado a maga celestial.

A terceira Aprendiz não pode deixar de associar aquela cena a lembrança do falecimento de seu noivo. Perturbada, caiu de joelhos enquanto os observava, sentindo os olhos umedecerem e transbordarem.

Sob os olhares atentos de Natsu, Happy e Wendy, Pali se aproximou novamente da maga ferida. Agachando-se ao lado dela, retirou a adaga, que ainda estava cravada em seu corpo, fazendo com que ela gemesse de dor. Cuidadosamente, Natsu tentou colocá-la no chão, de modo que a pequena Aprendiz pudesse realizar os procedimentos para quebrar a maldição.

– Não! — Exclamou Lucy, estendendo a mão direita em direção a ele. — Por favor, não me solta! — Pediu, assustada. — Eu estou com medo… — Engrolou. — Mas me sinto segura quando estou com você… — Completou, num fiapo de voz, tocando o rosto do amigo e sentindo o braço vacilar pela fraqueza em seguida.

– Ok. — O dragon slayer concordou, segurando-a mão da maga antes que despencasse. Sem soltá-la, amparou o corpo fragilizado novamente.

Em um movimento rápido, Pali rasgou o jaleco da maga celestial na região do ferimento, afundou a ponta da adaga no corte e começou a escrever palavras estranhas com o sangue que emanava sem parar. Em volta, o barulhos das demais lacrimas se estilhaçando preenchiam o ambiente, contudo, não tiravam a concentração do pequeno grupo que rodeava Lucy. Sem esperar mais, a quarta Aprendiz recitou as mesmas palavras desconhecidas que desenhou.

Imediatamente, uma aura negra começou a ser expelida pelo corte, fazendo com que o corpo de Lucy tremesse violentamente. Gritando de dor, ela apertou a mão do dragon slayer com suas forças derradeiras. Preocupado, Natsu a trouxe mais para perto, sem no entanto largar sua mão.

– Só mais um pouco Lucy! — Praticamente implorou. — Aguente só mais um pouco!

Longos segundos se passaram.

Lucy se aquietou antes mesmo que a nuvem sombria que levava a maldição se dissipasse.

Sentindo a respiração falhar por um momento, as pupilas do salamander se contraíram quando a compreensão o atingiu de forma cruel.

A aura negra finalmente desapareceu e a mão que Natsu sentia apertar a sua fortemente até segundos antes, agora pendia, sem forças. Os olhos castanhos vivos que antes encaravam seu rosto, jaziam fechados. Sem vida.

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A voz de Natsu ecoava pelo salão, sobrepondo-se aos gemidos amedrontados dos inimigos e moendo os sentimentos dos infelizes expectadores daquela tragédia.

– Lucy? — Chamou, encarando o corpo da maga. — LUCY! — Gritou, sacudindo-a, sem ter reação alguma como resposta.

– A Lushy… Ela... — Happy tentou, inutilmente, se expressar, se embolando nas próprias palavras. — A Lushy...

– Natsu-san, a Lucy-san… — Wendy tentou, também sentindo o resto de sua frase morrer na garganta.

– NÃO! — Ele gritou, sacudindo o corpo de Lucy ainda mais. — A LUCY NÃO ESTÁ MORTA! ELA NÃO PODE ESTAR!!! — Berrou. Tentando, sem sucesso, usar seus sentidos aguçados para captar qualquer mínimo sinal vital vindo da parceira.

Em volta, todos os magos que anteriormente estavam presos nas lacrimas, finalmente estavam libertos. Os que estavam conscientes, tinham a sensação de ter saído de um pesadelo apenas para entrarem em outro pior. Simplesmente não podiam acreditar no que viam.

– Isso não pode estar acontecendo. — Evergreen, praticamente congelada com as mãos no ventre, exclamou fraquejando, sendo prontamente amparada por Elfman.

– Mas está. — Gajeel, respondeu, completamente chocado, colocando a mão sobre a cabeça de Levy, que chorava copiosamente ao seu lado.

– Ela tentou… — Mirajane engrolou, sentindo a voz falhar.

– Salvar a gente. — Lisanna completou, abraçando a irmã e caindo no choro em seguida. Ver a maga morta já era suficiente triste, mas ouvir o mago do fogo chamando o nome dela insistentemente, na esperança de que ela reagisse, reduzia seus sentimentos a migalhas.

Gray e Meldy, que estavam abaixados ao lado dos corpos inconscientes de Juvia, Erza e Jellal, apenas acompanhavam tudo em silêncio. Perceberam a dragon slayer do céu tentar uma nova aproximação do mago do fogo. Sabiam qual seria o resultado.

– Natsu-san! — Wendy, receosa, tocou o ombro do companheiro de time.

– CURA ELA WENDY! — Ele ordenou, virando-se em um movimento repentino.

– Eu não posso restaurar pessoas sem vida! — Ela justificou, cobrindo o rosto com as mãos.

– CURA LOGO WENDY!!! — Natsu continuou berrando, abraçando o corpo da maga celestial.

– Natsu… — Meldy, que era umas das poucas em condições físicas razoáveis de se aproximar do dragon Slayer, chamou, se levantando. — Ela se foi. — Falou temerosa. Ela já tinha presenciado o mago do fogo chorando sobre o corpo de Lucy uma vez, quando Rogue do futuro assassinou a outra versão da loira. Não imaginou que teria que ver algo semelhante tão cedo. — Precisamos sair daqui enquanto temos a oportunidade. — Lembrou. Natsu apenas tremia.

– Não pense que vocês sairão daqui com tanta facilidade. — Ícaro, descendo a escada que ligava a plataforma ao andar inferior, alertou.

– Você! — Natsu encarou o inimigo, com extrema fúria no olhar.

– Acho que vocês se lembram que a versão fajuta da Pali disse que os poderes dela não podem me afetar. — O albino lembrou, se aproximando. — Pois é, realmente não podem. Mas eu estava tão encantado, contemplando o desespero de vocês dali de cima, que simplesmente não consegui interferir até agora.

– DESGRAÇADO! — Natsu gritou. Em seguida, soltou o corpo de Lucy com cuidado e se levantou. — Vocês são os culpados pela morte dela!!!

– Hai, hai. — O Primeiro Aprendiz debochou. — Sabe, eu fico admirado de como vocês, pessoas comuns, perdem a compostura facilmente. Ela morreu. — Falou, dando de ombros. — Nem todas as lágrimas do mundo podem mudar isso. — Completou, fazendo com que o dragon slayer cerrasse os punhos e os dentes. — Mas devo confessar que estou com muito ódio dela ser tão egoísta ao ponto de impedir a Construção do Portal dos Mundos. Tenho tanto ódio dentro de mim que simplesmente vê-la morrer não foi capaz de aplacá-lo.

– CALA A BOCA!!! — Natsu gritou, investindo contra o inimigo.

– Quem sabe se eu esquartejá-la… — O Aprendiz, que se esquivou facilmente, ponderou, ostentando uma expressão doentia e iluminando uma de suas mãos em um brilho dourado. — Talvez assim minha raiva passe. — Ameaçou, direcionando-se ao corpo da maga.

– NÃO OUSE SE APROXIMAR DELA!!! — O dragon slayer urrou, intensificando seus ataques, finalmente conseguindo acertar um soco no maxilar do inimigo.

– Isso, desespere-se mais! — Ícaro provocou, reagindo, passando a mão iluminada pela barriga do dragon slayer e o ferindo internamente. — Eu adoro ver vocês em pânico! Sem esperança! — Continuou, chutando-o para longe.

– Você não vai enconstar na Lucy! — Natsu, recuperando-se do golpe que levara, correu novamente em direção ao inimigo.

– Eu não me importo de eliminar você — Ícaro iluminou a outra mão e por centímetros não acertou o pescoço de Natsu. -, ou qualquer outra pessoa para que eu possa alcançá-la. Mas confesso que preferia desmembrá-la com plateia. — Admitiu. — Um bando de pessoas gritando e fazendo expressões deliciosamente mortificadas deixa tudo muito, muito mais emocionante.

Os demais magos presentes também sentiram o peso da provocação os atingindo diretamente. Porém, o poder mágico da maioria tinha se dispersado juntamente com o Seranium derramado das lacrimas, ao contrário de Natsu que tinha o tinha ingerido, juntamente com toda sua magia drenada. Mesmo que a Maledicite Vincla tivesse sido cancelada em prol da construção do portal, apenas Wendy, Meldy e Lily tinham boas condições de lutar.

Disposta a acabar com a luta, e com todos os membros da seita presente, Meldy se aproximou, pronta para atingir quantos fossem necessários com suas lâminas sensoriais.

– FIQUE FORA DISSO! — Natsu berrou, quando percebeu a aproximação da garota, que recuou, assustada. — É DA LUCY E DOS MEUS NAKAMAS QUE ESSE DESGRAÇADO ESTÁ FALANDO! — Disse ofegante. — E EU VOU FAZÊ-LO ENGOLIR CADA PALAVRA, JUNTAMENTE COM OS DENTES!

– Natsu, a Lucy pediu pra você tirar seus amigos daqui. — Pali, outra expectadora dos recentes acontecimentos lembrou de um dos últimos pedidos da maga celestial. O dragon slayer cerrou os punhos.

– Não vou levar muito tempo. — Respondeu, decidido.

– Quanta confiança! — Ícaro exclamou, forçando um tom admirado. — Pois venha. Resolvi que não quero matá-lo. Vou garantir que você assista enquanto eu viro a sua amiguinha, lentamente, do avesso.

O dragon slayer, cerrou os dentes com tanta força que, se fossem de uma pessoa comum, certamente já teriam esfarelado. Sentindo uma quantidade de ódio que jamais supôs ter a capacidade de sentir, avançou novamente para o oponente, sendo surpreendentemente interrompido.

Um intenso brilho dourado tomou conta do centro do salão, fazendo com que a maioria dos presentes tivesse que proteger os olhos da claridade. Natsu piscou algumas vezes, tentando recuperar a visão que lhe fora brevemente tomada.

– Tire Lucy daqui agora! — Pediu Loki, materializando-se a frente do dragon slayer, mostrando-se a origem da luz.

– Primeiro eu vou acabar com esse Aprendiz de merda! — Natsu avisou, desviando.

– Natsu! — O espirito de leão advertiu, segurando o mago do fogo pelo braço, que em resposta se contentou em lhe lançar um olhar nada amigável.

– Me larga Loki. — Avisou. Mesmo irritado, percebeu que o espírito estava ferido, pois desmanchava-se lentamente em partículas douradas.

– Como amigo da Lucy e membro da Fairy Tail, eu sei exatamente como você se sente. — Leo frisou. — Mas, no momento, existem coisas mais importantes que a vingança. Nós conseguimos vinte e quatro horas para ela. — Falou, encarando Natsu significativamente, fazendo com que os orbes dele se arregalassem esperançosos. — Se em vinte quatro horas Wendy executar a Phoenix Dwarf e curá-la imediatamente em seguida, Lucy terá uma chance mínima de sobreviver. Mas se as vinte e quatro horas se esgotarem antes que consigam, então estará tudo perdido e os espíritos zodiacais não poderão fazer mais nada!

Mesmo não tendo a mínima ideia do que vinha a ser a Phoenix Dwarf, Natsu não pensou duas vezes antes de dar meia volta e correr em direção ao corpo da maga celestial, sem se importar se estava dando as costas a um inimigo. Loki, vendo o rumo que o amigo tomou, retornou ao mundo celestial.

– Se ela pode voltar… — Randha, que até então estava chorando ajoelhada, murmurou. — Então o Portal dos Mundos ainda pode ser construído! — Exclamou, se levantando.

Em um movimento absurdamente rápido, a terceira aprendiz apanhou três de suas agulhas, lambeu-as e atacou Pali inopinadamente.

A quarta Aprendiz, completamente surpresa com o ataque, não conseguiu desviar, caindo paralisada pelo efeito do veneno da God Slayer, cancelando consequentemente a magia que tinha lançado em seus aliados.

– Mas que vínculo maravilhoso que Heartfilia-san construiu com seus espíritos! — Observou Kotaro, debochadamente. — Tão forte que eles estão lutando para que ela permaneça neste mundo. Isso é tão sublime! — Ironizou. — Graças ao amor dela pelos espíritos seremos capazes de dar seguimento ao Projeto Heaven. E é por isso que você não vai levá-la a lugar algum!

Determinado, o líder colocou-se a frente de Natsu, que já estava com a maga celestial no colo. Juntamente com ele, Randha, Ícaro e os demais membros da Nihil Occultum fecharam um cerco em seu entorno, enraivecidos por terem seus planos interrompidos, porém decididos a retomá-los.

– Ele vai sim! — Gajeel chutou um dos magos de branco, entrando na roda, tendo em suas mãos um grande pedaço de metal parcialmente comido, que em algum momento do passado tinha feito parte da base da lacrima em que esteve aprisionado.

– Nós vamos tirá-la daqui de qualquer maneira! — Exclamou Gray, se levantando.

– Nem que tenhamos que lutar com as mãos nuas para isso! — Mirajane se aproximou, decidida.

– Lutaremos como homens! — Elfman também se aproximou, sendo seguido pelos demais magos que podiam se locomover.

– Vá, Natsu! — Lily gritou, socando dois capangas de branco e abrindo uma brecha no cerco. — Happy! Vá com ele e leve a garota para abrir passagem! — Falou, apontando para Pali.

– Aye! — O exceed azul atendeu, prontamente pegando a pequena Aprendiz.

Sobre uma saraivada de rajadas escarlates, emitidas pelos cajados dos capangas da Nihil Occultum, Natsu, com Lucy no colo, subiu correndo a escada que dava acesso a plataforma que rodeava o salão, unico caminho que levava a saída.

Usando a marca da Pequena Aprendiz, Happy liberou o acesso para o corredor, e os dois amigos dispararam pelo setor vermelho.

Natsu não tinha ideia de como poderia trazer a maga de volta. Mas Loki havia dito que era possível, e o dragon slayer sabia que ele jamais brincaria com a vida da contratante. Decidido, se apegou ao tênue fio de esperança que lhe foi oferecido.

Pressionando o corpo ainda quente da parceira contra seu peito, o mago do fogo correu, forçando as pernas muito mais do que elas podiam aguentar, desejando, sem entender, poder segurar a maga em um momento em que pudesse sentir seu coração pulsando

Notas finais
Eu espero que vocês tenham gostado do capítulo. Até o próximo.