Vínculo Mágico
23 Enquanto Seus Olhos Não Abrirem
Notas iniciais
Capítulo XXIII — Enquanto Seus Olhos Não Abrirem
A maga celestial abriu os olhos com certa dificuldade, surpreendendo-se por encontrar um ambiente lúgubre ao invés de iluminado. Confusa, encarou o teto por alguns instantes, tentando reconhecer o espaço onde estava. Não tinha a menor ideia.
Com extrema dificuldade, deitou-se de lado e apoiou as mãos contra o colchão, na tentativa de se sentar, porém, assim que firmou o tronco, foi acometida por uma súbita tonteira, de modo que teve que agarrar a cabeceira de madeira com uma das mãos para não despencar novamente.
Levando a mão livre até a testa, fechou os olhos e abaixou a cabeça, esperando alguns instantes para que o mal-estar passasse.
Foi apenas quando ergueu novamente a fronte que percebeu que não estava sozinha naquele ambiente. Sentado ao lado de seu leito, conseguiu divisar uma silhueta masculina.
Ignorando o coração descompassado pelo pequeno susto, a garota se prendeu no olhar fixo que ele lhe lançava, que apesar da pouca luz, era perfeitamente visível e continha surpresa, alívio e algo mais.
– Natsu… — Ela chamou, sentindo os próprios olhos encherem d’agua.
A resposta que obteve a surpreendeu completamente. Contrariando suas expectativas, a maga sentiu o dragon slayer prender seu corpo entre seus braços, envolvendo-a de forma intensa, porém cuidadosa. Ela enrijeceu apenas por um segundo, para derreter-se logo em seguida naquele abraço tão conhecido.
– Natsu… — Tornou a chamar, deitando a cabeça sobre os ombros dele e aproveitando, pela primeira vez conscientemente, todo calor que o corpo dele emanava. Inevitavelmente, suas lágrimas escorreram e caíram sobre o tecido negro da camisa do mago do fogo.
– Espera só um pouco. — Ouviu o mago responder, a voz rouca e baixa.
Natsu permaneceu agarrado a jovem por vários minutos, que pareceram muito breves para ambos. Então, apertou-a ainda mais forte antes de finalmente soltá-la. Percebendo o que fez, olhou-a preocupado logo em seguida.
– Eu machuquei você? — Perguntou, apalpando o tronco dela em vários pontos de forma desajeitada, sentindo-se um idiota. A maga ainda não havia se curado completamente e ele havia a abraçado sem pensar nas consequências.
– Não. — Ela respondeu, rindo fracamente.
– Ufa! — Exclamou aliviado. Em seguida, percebendo que o próprio rosto estava úmido, tratou de secá-lo com as costas das mãos, envergonhado.
Os dois se encararam por um breve instante. Havia tantos sentimentos e sensações dentro deles, que as palavras pareciam fugir da mente, prolongando o silêncio e deixando o momento constrangedor.
– Que bom que você voltou, Lucy. — Foi Natsu que quebrou o silêncio, dando aquele sorriso enorme e inocente que ela amava.
– Obrigada por me salvar, Natsu. — Agradeceu, emocionada. Ele corou.
– Não fui eu quem te trouxe de volta. — Contou, sem graça. — Foi Wendy quem executou a Phoenix Dwarf e te resgatou do Mundo Espiritual. — Completou, lembrando-se brevemente do momento em que colocou o corpo ainda inanimado de Lucy sobre o círculo mágico que a pequena dragon slayer desenhou no assoalho da Guilda e o viu ser envolvido por uma intensa aura azul.
– Eu sei. — Ela sorriu ao vê-lo corar. Mas sei também que você não desistiu de me salvar.
Novamente, o silêncio se instalou por um breve momento.
– Gomen Lucy. — O mago do fogo pediu, fazendo-a arquear as sobrancelhas. — Eu realmente cheguei a acreditar que você estava morta. — Confessou, tomando a mão direita dela e passando o polegar sobre a insignia rosa da Fairy Tail. — Por isso demorei tanto. — Emendou, abaixando a cabeça.
– Mas no fim das contas, não desistiu. — Dessa vez, ela é que tinha corado. — Se não fosse por você, eu já não estaria aqui a muito tempo. — Falou, lembrando-se da reflexão que fizera no Mundo Espiritual.
Mesmo com as palavras brandas da loira, o mago do fogo permaneceu de cabeça baixa. Sem entender o repentino surto de depressão do amigo, Lucy o chamou, confusa:
– Natsu?
– Eu sei que eu fiz coisas ruins com você, Lucy. — Ele falou de supetão, soltando a mão da maga, como se já não fosse digno de tocá-la.
Lucy piscou, incrédula. A frase poderia parecer vaga para terceiros, mas ela sabia exatamente o que significava. Com a força de uma bofetada, a realidade atingiu a garota: Natsu havia se lembrado dos momentos em que havia sido manipulado por Pali.
– Natsu, isso não importa. — Ela tentou, gaguejando. De fato, ter se lembrado do abuso que sofreu trouxe ao seu peito uma sensação nada agradável. Entretanto, ela já havia desculpado o dragon slayer.
– O que eu fiz não tem perdão. — Falou, ainda de cabeça baixa. Lucy suspirou, revoltada.
– Se não tem perdão, pode me explicar como foi que te perdoei? — Questionou ela, mas o garoto nem se mexeu. — Olhe para mim, Natsu Dragneel! — Ordenou, autoritária. Assustado, ele obedeceu de imediato. — Você estava sendo manipulado. Não tinha como evitar o que aconteceu. — Lembrou.
– Mas eu machuquei você. — Ele falou, envergonhado. “Machuquei” não era bem o termo certo e sim, talvez, o mais adequado. — Mesmo tendo acabado de dizer que nunca a machucaria.
– Eu não estou dizendo que não machucou. — Atalhou Lucy, sincera, fazendo com que o mago sentisse uma pontada no peito. — Estou dizendo que não foi sua culpa. — Emendou.
– Mas... — O dragon slayer tentou argumentar.
– Nada de “mas”! — A loira o cortou. — Nós vamos apagar aquele dia da nossa história. Simplesmente não aconteceu, ok? Eu não quero que você mencione esse episódio nunca mais, nem para mim nem para ninguém, entendeu? — Perguntou, estreitando os olhos. Natsu apenas assentiu. — Ótimo.
– Você está falando sério? — O garoto perguntou, a voz esperançosa.
– Eu pareço estar brincando? — Lucy rebateu.
– Definitivamente não. — Respondeu. Na verdade, Lucy estava muito enérgica. Enérgica até demais para alguém que tinha passado praticamente três meses congelada.
– Então pronto. — Encerrou ela, abrandando o tom e sorrindo novamente. Natsu se forçou a sorrir de volta. — Então... — A loira começou, reticente. — Porque eu estou na enfermaria da guilda? — Perguntou, realmente curiosa.
Em algum momento da conversa com o dragon slayer, a maga celestial reconheceu o cômodo que a cercava. Ela realmente não achava estranho o fato de estar sob cuidados médicos, mas sim o fato de estar na guilda ao invés de um hospital de magos.
– Porque aqui é mais seguro. — O mago do fogo respondeu, tensionando o corpo.
– Mais seguro? — A garota perguntou, arregalando os olhos. — Você quer dizer que a Nihil Occultum...
– Não. — Natsu interrompeu. — A Nihil Occultum já era. Pelo menos por enquanto. — Tentou tranquilizá-la.
– O que aconteceu depois que eu... Apaguei? — Perguntou, tentando se situar.
– A anã pervertida meio que ajudou a gente. — Natsu lembrou. — Depois disso o pessoal da Guilda chegou com reforços. — Contou. — Eu não sei exatamente como aconteceu, mas sei que o velhote derrotou os gêmeos otários e as cobaias foram libertadas. — Concluiu, fazendo com que Lucy respirasse aliviada.
– E os Aprendizes? — Questionou, arrepiando só de lembrar de Ícaro.
– O segundo e a terceira foram presos. — Começou Natsu, incomodado. — Eu lutei contra Ícaro, tentando salvar você, mas depois que perdeu ele detonou uma bomba que estava implantada no corpo da anã pervertida. — Explicou por cima, sem querer entrar em detalhes. — Os dois morreram com a explosão, e nos últimos meses nós acreditamos que você também.
– Oh! — Lucy exclamou, compadecida. — Isso explica porque Horologium deixou o mundo espiritual. — Comentou.
– Sim. — Natsu assentiu. — A Princesa Hisui disse que ele te protegeu da explosão e ficou esse tempo todo embaixo dos escombros da Nihil Occultum, te guardando.
– Princesa Hisui? — Lucy perguntou, confusa.
– Longa história. — Natsu respondeu, fazendo Lucy entender que não queria levar o assunto adiante.
– Mas se a Nihil Occultum não é o problema, então quem é? — Continuou o questionário. Natsu a encarou, com uma seriedade que raramente se via em seu semblante.
– Ainda não temos certeza. — Respondeu, revoltado. — Mas é fato que alguém forjou a sua morte, Lucy. — Contou. — Uma semana após a explosão na base da Nihil Occultum, encontraram restos mortais que atribuíram a você. — Narrou. — Uma mão direita com o símbolo rosa da Fairy Tail. Naquele dia, você foi declarada morta. Fizeram um funeral e tudo mais. — Concluiu, abaixando a cabeça. Lucy sentiu um frio na espinha e empalideceu, horrorizada.
– Céus! — Exclamou, o queixo caindo. Agora ela sabia porque tinham demorado tanto a resgatá-la.
– Alguns desconfiam que foram membros remanescentes da Nihil Occultum, outros pensam que foi o próprio Conselho Mágico, para encobrir a existência da Seita. — Explicou. — A única certeza é que alguém certamente queria que acreditássemos que você estava morta. — Falou, cerrando os dentes e os punhos.
Lucy observou atentamente o comportamento do parceiro de time. Estava mais que escancarada a forma que o assunto o abalava emocionalmente. E isso doeu no interior dela. Doeu saber que nos meses que ficara desaparecida, seus amigos sofreram por sua ausência.
Sem querer prolongar a atmosfera desagradável, decidiu não dar continuidade ao assunto. Depois ela perguntaria a outra pessoa sobre o período que estivera desacordada, e pediria os detalhes do desaparecimento da Nihil Occultum e do suposto envolvimento do Conselho Mágico com sua morte fajuta.
– Veja! — Lucy falou, indicando janela com a cabeça, novamente quebrando o silêncio instalado. — Está amanhecendo! — Falou, animada.
Nos últimos minutos, a enfermaria vinha clareando gradualmente, junto com a chegada da aurora. A paisagem exibida na janela era de um céu azul tímido mesclado ao negro da madrugada, sob os telhados envelhecidos da cidade.
– Logo a Mira deve chegar para abrir a Guilda. — Comentou, sabendo dos hábitos da Albina.
– DROGA! — Natsu exclamou, levantando-se repentinamente.
– O que foi? — A maga piscou, confusa.
– Esqueci de avisar a velhota que você acordou! — O mago do fogo respondeu, suando frio. — Ela vai me matar! — Concluiu, saindo correndo da enfermaria.
– Natsu! — Lucy o chamou.
– Eu já volto! — Ele gritou do corredor.
De fato, Natsu estava certo. Lucy, que descobriu que a velhota era Porlyusica, realmente teve a impressão de que a curandeira mataria o rosado quando chegou cambaleante e com os cabelos completamente desgrenhados e se deparou com ela bem desperta e lúcida.
– EU NÃO MANDEI ME CHAMAR ASSIM QUE ELA ACORDASSE???!!! — Berrou, sendo contida por Wendy e Chelia que, Lucy descobriu mais tarde, estavam dormindo juntamente com a conselheira médica da Fairy Tail em uma das salas do segundo andar, pois mantinham a maga celestial em constante observação. — É por isso que eu odeio humanos! — Resmungava sem parar, enquanto examinava a loira minuciosamente. — São completamente irresponsáveis!
Pouquíssimo tempo depois, a notícia de que Lucy havia acordado se espalhou feito rastilho de pólvora. Consequentemente, logo a enfermaria foi invadida, para completo desespero da velha curandeira.
– Lushy!!! — Happy chorava agarrado aos seios da maga que, levou, com certa dificuldade, as mãos a cabeça do exceed e a afagou.
– Está tudo bem agora. — Ela falou, também chorosa.
A verdade é que, poucas das pessoas reunidas em volta da cama conseguiam conter a satisfação, que, obviamente, transbordava pelos olhos, de ter a maga celestial de volta.
A loira encarou, com um misto de alegria e peso no coração, as garotas da Guilda, que rodeavam seu leito. Porlyusica havia impedido que todos os que pretendiam visitar a maga entrassem de uma vez, portanto as meninas, gentilmente — sintam a ironia — exigiram vê-la primeiro. Natsu, que se recusara veementemente retirar-se do cômodo, permanecia sentado no leito ao lado, os braços cruzados e uma careta emburrada.
– Lucy! — Erza exclamou, emocionada. — É tão bom ter você de volta! — Declarou.
– É ótimo estar de volta. — A maga celestial sorriu.
– Temos tanta coisa para te contar! — Mirajane exclamou animada. — Tanta coisa aconteceu!
– Hai! — Lucy assentiu. — Afinal, eu passei três meses congelada. — Abaixou a cabeça, levemente chateada. Esses saltos temporais eram uma droga. Ela literalmente deixava de participar da vida das pessoas que amava por um período de tempo. — Muita coisa deve ter mudado. — Comentou.
– Você nem imagina! — Cana, mais tonta do que lúcida, debochou e em seguida deu um grande gole na garrafa que vinha segurando. — O amor está no ar!!! — Gritou, animada, caindo logo depois, provocando uma onda de risadas.
– O amor está no ar? — A loira perguntou, corando.
– Bem, já que você não esteve aqui nesses três meses perdeu a novidade mais chocante de todas. — Levy comentou.
– O que eu perdi??? — Lucy indagou, quase chorando de curiosidade. Ela estava sendo claramente torturada pelas garotas.
– Bem, é que… — Juvia começou a explicar, mas logo berros que ecoaram do lado de fora cortaram sua fala.
– EU JÁ DISSE QUE NÃO PRECISO DA SUA AJUDA PARA SUBIR!!! — Reconheceu a voz de Evergreen, exalando irritação quase palpável.
– FAZ CINCO MINUTOS QUE VOCÊ ESTÁ TENTANDO SUBIR A DROGA DA ESCADA! — Elfman berrou de volta. Todos no quarto gargalharam, com exceção de Natsu que continuava emburrado e Lucy, que não estava entendendo nada.
– ME DEIXA EM PAZ! — Continuou Evergreen. — JÁ DISSE QUE NÃO ESTOU DOENTE PARA QUE VOCÊ FIQUE ME PERTURBANDO O TEMPO TODO!
– ENTÃO SUBA A ESCADA QUE NEM HOMEM! — O mago Take — Over rebateu.
– ISSO NÃO FAZ SENTIDO! — A voz de Evergreen estava realmente muito próxima agora.
– E aí vem a maior novidade. — Caçoou Cana.
Lucy encarou a filha de Gildarts confusa, mas ela apenas indicou a porta. Sem alternativas, a maga olhou a entrada, constatando poucos segundos depois do que se tratava a novidade. De fato, nada no mundo poderia prepará-la para a visão que teve.
– Evergreen! — Exclamou, sentindo o queixo cair meio metro e quase bater na colcha da cama. — Você… Você está… — Tentou falar, mas a estupefação era tanta que não conseguia.
Evergreen, por sua vez, entrou caminhando em passos lentos, a mão direita apoiando as costas ligeiramente curvadas para trás e a esquerda amparando uma barriga gigantesca que mal podia ser escondida pelo vestido esverdeado longo e fluido que usava. Detalhe: Elfman vinha logo atrás, como se temesse que ela pudesse desabar a qualquer instante.
– Sim, estou. — Mesmo corada, Ever tentou manter a normalidade no tom. Wendy liberou uma cadeira bem ao lado esquerdo de Lucy para que ela se sentasse e ela o fez, com a ajuda de Elfman.
– Eu já disse que não preciso de ajuda. — Reclamou, apoiando-se nele.
– Pois parece que precisa. — O Albino retrucou, mal humorado.
– Lucy, querida. — Ever direcionou-se a maga celestial. — Você vai ficar com o maxilar dolorido, se continuar com a boca escancarada desse jeito. — Debochou, em tom brincalhão.
– Ah, me desculpe. — A loira respondeu, constrangida. — É que, bem, eu realmente não esperava por isso. — Justificou.
– Sei exatamente como se sente. — Mirajane solidarizou-se, chorosa.
– Eu posso passar a mão? — Perguntou, fitando o ventre estufado da companheira de guilda.
– Claro. — Concordou.
Vagarosamente, Lucy levou a mão direita até a barriga de Ever e fez um carinho.
– Ele mexeu! — Falou, surpresa.
– Ele tem estado bem agitado ultimamente. — Ever explicou.
– Ele? Vocês já sabem o que é? — A maga celestial indagou curiosa, e estranhou quando uma aura extremamente depressiva atingiu o mais novo casal.
– Não. — Responderam em uníssono.
– O que aconteceu? — Lucy perguntou, olhando de um para o outro.
– Acontece que a Cana e a Charle já conseguiram prever o sexo do bebê. — Começou Wendy.
– Mas Mirajane nos proibiu de contar. — Concluiu a exceed branca.
– Mas porquê? — Lucy encarou a albina mais velha, que continuava sorrindo de forma angelical.
– Porque eles esconderam o relacionamento deles de mim. — Ela explicou, calmamente. — E essa é a punição.
– Isso não é muito cruel? — Lucy perguntou, com uma gota na cabeça.
– Você acha? — Mirajane perguntou, de forma casual.
– Ela realmente é o demônio. — Evergreen choramingou.
– Mas o que vocês acham que é? — A loira perguntou animadamente, tentando cortar o clima depressivo.
– VAI SER UM HOMEM! — Elfman berrou animado.
– Não seja estúpido! Pode ser uma menina! — Evergreen o encarou, irritada.
– Ser menina também é coisa de homem! — O albino exclamou.
– Não é não! — A gestante esbravejou.
– E você está com quanto tempo de gestação? — A loira tentou, mais uma vez, amenizar a atmosfera agitada.
– Sete meses. — A fada respondeu, orgulhosa.
– Já? — Lucy espantou-se. — Espera, isso quer dizer que você já estava grávida na época do incidente com a Nihil Occultum? — Perguntou, preocupada.
– Uhum. — Evergreen concordou, com um arrepio. Ainda sentia-se mal toda vez que lembrava que ela e o bebê quase perderam a vida naquele terrível episódio.
– Então era isso que vocês estavam conversando no beco aquele dia! — Lucy exclamou, finalmente compreendendo a conversa que presenciara furtivamente com Natsu¹.
– Que dia? — O casal, que parecia nervoso, perguntou em uma só voz.
– No dia em que foram marcados. — Lucy lembrou.
– Entendi! — Natsu finalmente se manifestou, levantando-se de súbito. — Então era isso que Ever queria contar a Elfman no dia que descobrimos que eles estavam se pegando! — Concluiu, de forma nada discreta.
– Natsu! — Lucy o repreendeu, envergonhada.
– Vocês… sabiam? — Evergreen perguntou, atônita.
– Hai… — A maga celestial, confirmou, sem jeito.
– Ouvir a conversa dos outros é muito feio, Heartfilia… — Ever parecia possuída.
– Socorro! — A loira choramingou para as amigas, que caíram na gargalhada. — Foi sem querer! — Tentou justificar.
– Ah parem com isso, estava tão óbvio! — Natsu exclamou, como se soubesse de tudo desde o começo. Lucy o encarou, perplexa, lembrando que ela teve que explicar a situação para ele.
– Oh, é mesmo? — Ever perguntou, em um tom quase diabólico. — Por falar em óbvio, talvez tenhamos mais um casal em breve aqui na guilda sabe… — Falou encarando o dragon slayer, que corou. O restante das meninas imediatamente percebeu a situação, e resolveu entrar na brincadeira.
– Hmm, verdade. — Comentou Levy. — Hei Lucy, sabia que o Natsu não saiu do seu lado nem um minuto desde que Wendy te resgatou do mundo espiritual? — Contou, em tom insinuante, fazendo o mago do fogo corar ainda mais, e Lucy desejar se enfiar embaixo da cama.
– Cala a boca Levy! — Salamander ordenou.
– Oh, é verdade. — Erza continuou. — E sabia que ele invadiu a Fairy Hills e instaurou o pandemônio lá dentro tentando nos convencer sobre a possibilidade de te trazer de volta?
– E te encontrei em uma situação muito peculiar com o Jellal, diga-se de passagem — Provocou o mago do fogo, tentando tirar o foco da conversa de si.
– VOCÊ QUER MORRER? — Erza se levantou, vermelha como um tomate, equipando-se com uma espada.
– Erza-san! — Wendy chamou a atenção da ruiva. — Não lute perto da Lucy-san. — Pediu. Ninguém, em sã consciência teria coragem de repreender a Titânia, ainda mais estando ela com uma espada na mão, mas a dragon slayer celeste, que recém tinha descoberto sua paixão pela medicina e pelo curandeirismo, levava a saúde de seus pacientes muito a sério.
– Gomen. — A ruiva pediu, envergonhada.
– Continuando… — Cana encarou Natsu, e em seguida Lucy, com um olhar extremamente malicioso. — Sabia que Natsu quase bateu no Arcadios, aquele narigudo membro do exército real, quando ele sugeriu que não fôssemos atrás de você? — Revelou.
– E ainda por cima ofendeu a princesa Hisui na frente de muitas pessoas. — Acrescentou Mirajane.
Aquela sequência de revelações fizeram Lucy e Natsu corarem com tal intensidade, que ambos tiveram a impressão que o cabelo de Erza pareceria desbotado em comparação ao rubor que os acometia.
– PAREM DE FALAR ESSAS COISAS DESNECESSÁRIAS! — Natsu esbravejou, agitando os braços.
– Ficar com vergonha não é coisa de homem! — Interviu Elfman.
– CALA A BOCA! — Natsu gritou.
– AGORA CHEGA! — Porlyusica apareceu na porta, furiosa. — Consigo ouvir os berros de vocês lá de baixo! Saiam já daqui, vocês estão cansando a paciente! — Ordenou.
Com exceção de Natsu e Happy, que sentaram-se novamente no leito vizinho, os visitantes foram se despedindo e se retirando um a um.
– Vocês dois também! — Ralhou a curandeira. — Fora!
– Já disse que não saio do lado dela. — Natsu cruzou os braços, em tom de desafio. Lucy corou ainda mais.
– Então vou te arrastar para fora! — Ameaçou a velha.
– E eu entrarei pela janela! — O garoto respondeu, simplesmente.
– Pois então isolarei o quarto. — Decidiu a curandeira.
– E eu derrubarei as paredes! — Retrucou o mago. Porlyusica bufou, irritadíssima.
– Por favor, Porlyusica-San. — Lucy pediu. — Deixe que eles fiquem!
– Tsc. — A velha estalou a língua, impacientemente. — Se eu ouvir um pio que seja vindo deste cômodo, eu juro que pedirei que Makarov os joguem para fora. — Ameaçou, retirando-se em seguida. Os três apenas riram.
Natsu se jogou de costas na cama que ocupava momentos antes, sentindo os olhos arderem. Ele não queria admitir, mas estava exausto. Não havia pregado os olhos nos últimos quatro dias que Lucy passara desacordada.
– Você devia dormir um pouco. — A loira sugeriu, percebendo a exaustão do companheiro.
– Eu estou… bem. — Ele engrolou, sonolento.
– Tudo bem Natsu. — Happy interviu. — Eu prometo que não tiro os olhos da Lucy enquanto você dorme. — Garantiu.
– Hei, isso não é necessário! — Reclamou a maga.
– E você promete que vai me acordar se ela quiser dormir? — Natsu perguntou ao gato, ignorando completamente a parceira de time.
– Aye! — Ele respondeu, levantando a patinha direita. — Eu prometo.
– Ok então… — Natsu, mais dormindo que acordado, concordou por fim, adormecendo de lado, virado de frente para o leito da maga celestial.
– Isso não é necessário! — Argumentou a loira, olhando para o mago do fogo, todavia este já não lhe escutava.
– Eu acho que o Natsu tem medo de que você não abra mais os olhos. — Comentou o exceed, voando para a cama da maga celestial e se acomodando ali. — Por isso ele têm vigiado seu sono. — Emendou, fazendo-a corar.
– Isso é um pouco extremo. — Ela comentou, envergonhada.
– Não acho. — Discordou o felino. — Depois de presenciar tudo que Natsu sofreu pela sua ausência, acho natural que ele esteja tão protetor. — Confessou, na lata, desconcertando completamente a maga.
Lucy observou o rosado, que já havia entrado em estado de sono pesado. Fazia algum tempo que não pensava nisso, mas ela sempre achara o dragon slayer fofo quando dormia assim, profundamente. A maga sentiu uma leve palpitação no peito, que no momento resolveu atribuir a gratidão, por sempre ser protegida pelo amigo.
– Você tem razão. — Concordou ela, sorrindo envergonhada.
– Você goxxxta dele! — Happy comentou segurando o riso com as patinhas.
– CALA A BOCA, GATO MALDITO! — Berrou Lucy.
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O dia transcorreu de forma agitada, pois o despertar de Lucy deixou não só a Fairy Tail, como toda a cidade em polvorosa. Todos os magos desejavam ardentemente comemorar, como faziam em todas as — não raras — ocasiões que mereciam festividades.
Entretanto, Porlyusica tinha proibido veementemente toda e qualquer tipo de baderna na sede da guilda enquanto Lucy permanecesse internada ali.
Resignados, porém não derrotados, os membros da Fairy Tail, em peso, ocuparam o salão da guilda, bebendo e conversando em voz baixa, fazendo um esforço descomunal para não serem expulsos — ou talvez, mortos — pela curandeira irritadiça.
Em razão de ter tantas pessoas, tanto no salão, quando circulando pelo segundo andar, para acessarem a enfermaria, Makarov estava parado em frente a um distante e decadente casebre. Em alguns instantes, uma conversa séria se desenrolaria, uma conversa que não poderia, em hipótese alguma, ser ouvida pelos integrantes da guilda.
O vento gelado da noite balançava a capa do pequeno homem, enquanto ele aguardava. Não esperou muito: Em poucos minutos, pôde ouvir passos vindos da floresta. Pelo nível do poder mágico do recém-chegado, sabia se tratar da pessoa que esperava.
– Peço desculpas por ter que conversarmos justo aqui. — Justificou-se, enquanto o vulto encapuzado se aproximava.
– Tudo bem. — Retirando o capuz, o mestre da Fairy Tail pode ver, apesar do ambiente lúgubre, os fios azulados e o marcante sinal púrpura que riscava o rosto de Jellal. — Eu entendo que será uma conversa sigilosa. — Comentou. — Mas estou curioso quanto ao ponto de encontro… Por que a casa do Natsu? — Externou a dúvida.
– Porque é longe o suficiente de Magnólia. Calmo o Suficiente para que possamos sentir qualquer visitante. — Explicou. — E porque o pirralho não aparecerá aqui tão cedo. — Finalizou.
– Entendo. — O líder da Crime Sorcière falou. — Então — Começou -, se me lembro bem, três meses atrás você me disse que precisava conversar comigo sobre Mystogan e Meldy. — Relembrou.
– Sim. — Concordou o pequeno homem. — Infelizmente, o fluxo de acontecimentos recentes não nos forneceu uma oportunidade adequada para essa conversa. Por isso demorei tanto a contatá-lo. — Explicou, antes chegar ao ponto que queria. — Diga-me, Jellal, na sua opinião, quem forjou a morte de Lucy? — Indagou.
O mago de cabelos azuis arqueou uma sobrancelha, curioso. Sabia que esse não podia ser o assunto que Makarov queria conversar com ele, três meses atrás. Isso porque, naquela ocasião, Lucy Heartfilia supostamente estava morta.
– Eu tentei investigar a situação, nesses últimos meses. — Confessou ao pequeno homem. — Mas a intensa interferência do Conselho Mágico em tudo que dizia respeito a Lucy ou a Nihil Occultum frustrou meus planos, o que fez com que eu levantasse algumas hipóteses por mim mesmo.
– E quais são? — Insistiu o mestre. Jellal suspirou, antes de prosseguir.
– O mais provável é que o próprio Conselho tenha forjado a morte de Lucy. — Respondeu. — Mas não se pode descartar a possibilidade da cúpula da Nihil Occultum estar por trás disso. — Ponderou. — O que nos leva a um paradoxo. A Nihil Occultum está infiltrada no conselho ou o conselho está infiltrado na Nihil Occultum? — Indagou, fazendo uma pequena pausa. — As duas coisas podem perfeitamente estar acontecendo simultaneamente, o que gera um conflito de interesses. — Respondeu a própria pergunta.
– Sim. — Concordou Makarov.
– Porém — Prosseguiu Jellal -, nada me tira da cabeça que mais alguma organização pode estar envolvida na situação.
– E é por isso que tenho uma proposta a lhe fazer. — O mestre revelou, por fim.
– Diga. — Jellal incentivou, curioso.
– Quero que você investigue as seitas e organizações que possam estar envolvidas com a falsa morte de Lucy e com o Conselho Mágico. — Propôs. — Em outras palavras, quero que investigue o Conselho.
– É uma proposta perigosa para um criminoso sentenciado pelo próprio Conselho. — Comentou o azulado.
– Mas não há ninguém melhor para investigar do que um ex-membro do Conselho. — Argumentou o pequeno homem. — Sei que graças a esse fato e a parceria com Meldy e Ultear, você dispõe de informações privilegiadas, o que o torna ideal para a missão.
– Missão? — O rapaz achou graça do termo utilizado.
– Sim. — Afirmou. — Missão. — Reforçou Makarov. — Se você aceitar o meu pedido, estou disposto a abrir as portas da Fairy Tail para que você possa trabalhar como um mago oficial, sob o manto de um de nossos Magos Classe-S.
– Mystogan. — Concluiu.
– É claro que, para a segurança da Fairy Tail, você não pode integrar abertamente a Guilda, ou mesmo receber a marca. Isso seria arriscado caso seja capturado algum dia.
– Entendo. — Disse Jellal, complacente.
– Sei que o que estou pedindo não é muito correto. Estou incentivando-o a voltar a ter uma vida dupla, investigando como um membro da Crime Sorcère, e me informando como um membro da Fairy Tail. Porém… — Deu uma pausa, analisando suas próximas palavras. — Sinto que tempos difíceis, para não dizer terríveis, estão se aproximando. E se for necessário recorrer a escuridão para que a luz continue a existir, eu o farei.
Um silêncio se instalou entre os dois. Jellal tentava processar a proposta recebida. Era perigosa, mas tentadora ao mesmo tempo. Já estava nos planos dele investigar mais a fundo as atitudes do conselho, mas até então, ele não tinha esse compromisso firmado com ninguém além de si mesmo. Por outro lado, ser um membro, mesmo que de fachada, da Fairy Tail, permitiria a ele realizar um de seus maiores desejos: Aproximar-se de Erza.
– E quanto a Meldy? — Perguntou, lembrando-se que o mestre também tinha se referido a ela três meses atrás.
– Não quero que ela participe da missão. — Makarov falou, direto. — Claro que não posso interferir no poder de decisão dela. Mas quero que diga que também tenho uma proposta para ela. — Contou. — Meldy era pouco mais que um bebê quando foi arrastada para a Grimoire Heart. Claro que criada sob os princípios de uma guilda das trevas, seu senso de certo e errado de desenvolveria modificado.
“Mas justamente por ela ter se juntado tão nova a Grimoire Heart, sei que o Conselho não sabe muito sobre ela. Por isso quero que a convença a se juntar oficialmente a Fairy Tail, talvez adotando um novo nome.
Meldy ainda é jovem. Ela não se envolveu com as trevas voluntariamente, por isso creio que ainda há tempo de salvá-la”.
– Eu peço que espere que eu converse com Meldy antes de te dar uma resposta. — Jellal pediu. — Não posso simplesmente decidir isso assim, quando fiz um compromisso com ela e com Ultear. — Explicou.
– É claro. — Makarov sorriu compreensivo. — O compromisso de nunca esquecer de seus pecados e se punir por eles enquanto viver. — Falou, virando-se e começando a caminhar. — Mas sabe… — Parou por um momento, olhando para trás. — Talvez, se você encarar a luta contra as trevas como uma atitude praticada por aqueles a quem ama, e não como uma punição aplicada a si mesmo, não apenas você, mas as pessoas a sua volta, viverão mais felizes. — Concluiu.
O velho recomeçou a caminhar, deixando o jovem fugitivo pensativo para trás.
– Estou aguardando você, Mystogan! — Completou o mestre, antes de sumir de vista.
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Mirajane observava, com uma aura extremamente sonhadora, as pessoas dispersas pela Guilda. De fato, Porlyusica tinha vedado qualquer tipo de bagunça, mas mesmo que os magos moderassem o tom — incrivelmente, surpreendentemente, milagrosamente e todos ou outros adjetivos que possam descrever essa situação surreal -, a animação deles ainda era visível e contagiante. A alegria de ter uma companheira de volta não podia ser guardada individualmente. Simples assim.
– O que você tanto olha? — Laxus, que estava sentado em uma das banquetas do balcão, perguntou, curioso com a atitude da albina.
– É só que… — Começou ela. — Três meses mudaram tanta coisa... — Comentou, ainda observando.
– O que quer dizer? — Laxus insistiu.
– Mira-nee está admirando os casais da Guilda. — Lisanna , que secava alguns copos, se intrometeu.
– Como? — Laxus perguntou, sem entender.
– O incidente com a Nihil Occultum abriu os olhos de muita gente, sabe. — A Albina mais nova explicou, lembrando-se da conversa que tivera com Natsu dias antes. — Digamos que eles perceberam que para morrer basta estar vivo e… Resolveram fazer as coisas andarem. — Emendou.
Laxus, estranhamente, olhou de esguelha para Mirajane, que parecia ter congelado no lugar. Lisanna riu internamente.
– Quem será o próximo casal a se assumir? — Disfarçou a Albina mais velha, observando os possíveis candidatos.
Em um canto, Gajeel perturbava Levy, que insistia em ignorá-lo enquanto lia um grosso livro. Perto dali, Juvia observava Gray enquanto ele jantava, como se aquela fosse a visão mais maravilhosa do mundo. Erza estava encostada em uma pilastra, despedaçando uma — na verdade, a décima nona — pobre margarida, certamente fazendo um “bem-me-quer, mal-me-quer” mental. Até mesmo Romeo e Wendy conversavam corados na sacada do segundo andar.
– Talvez Gajeel e Levy… — Ponderou, respondendo a própria pergunta.
– Serão Natsu e Lucy. — Lisanna respondeu, convicta. Mirajane encarou a irmã, com um pouco de pena.
– Duvido. — Laxus contestou. — Não consigo imaginar qualquer iniciativa romântica partindo daquele imbecil. — Falou. — O Natsu é um acerebrado.
– O Natsu não saiu do lado da Lucy até agora. — Lisanna argumentou. — Isso pode não ser uma atitude romântica, mas ele já deu provas, e não se esforça para esconder, que Lucy é uma das pessoas mais importantes na vida dele. Talvez os sentimentos deles já estejam até mais evoluídos que o dos demais. — Finalizou.
Laxus se remexeu, inquieto. Ele não tina a menor ideia de como havia caído naquela conversa de mulherzinha.
Sentimentos. Pff.
– Parece que futuramente a Fairy Tail será constituída de muitos laços de sangue. — Mira comentou, olhando para Elfman e Evergreen, que finalmente haviam dado uma trégua e conversavam sonhadores em um canto.
– Se depender da iniciativa desse povo, esse futuro vai demorar muito a acontecer. — Debochou Laxus, dando um gole em sua bebida.
– E você Laxus? — Lisanna perguntou, maliciosa. — Porque não toma a iniciativa? — Questionou, fazendo o loiro cuspir para o lado tudo que havia em sua boca.
– Lisanna! — Mirajane a repreendeu, envergonhada.
– Laxus tem razão! — Admitiu a albina caçula, irritando-se — Se depender da atitude de qualquer um nesse lugar, as coisas simplesmente não andarão. — Falou. — Eu não desperdicei a oportunidade de fazer as coisas acontecerem. Elas simplesmente não saíram como eu queria. — Desabafou. — Vocês deviam aproveitar o tempo e a sorte que têm. — Concluiu.
A albina mais nova deu as costas e seguiu em passos duros em direção a cozinha. Porém, antes de alcançá-la, ouviu um grito de incentivo, e depois outro, e logo, todos os presentes gritavam ou batiam palmas.
Ao virar-se para ver do que se tratava, se deparou com nada menos do que Laxus dando um beijo nada inocente em sua irmã mais velha.
Aparentemente, o loiro a havia puxado pela nuca, e ali estavam eles, um de cada lado do balcão, apenas as bocas coladas. A caçula sorriu. Eles haviam entendido a mensagem.
– Pelo visto eu errei.– Pensou, satisfeita. – Natsu e Lucy não serão o próximo casal. – Completou mentalmente, seguindo seu trajeto.
A gritaria teria continuado, e talvez a pegação também, se Porlyusica não tivesse descido com uma vassoura, ordenando que todos calassem a boca e se retirassem da sede imediatamente.
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– O que será que aconteceu? — Lucy perguntou curiosa para Natsu, que havia acabado de acordar. A guilda estava anormalmente silenciosa por causa da maga, mas segundos antes puderam escutar gritos animados e aplausos vindos do primeiro andar, seguidos dos berros furiosos de Porlyusica.
– Talvez a Ever e o Elfman estejam tentando fazer outro filho. — Natsu sugeriu.
– Claro que não! — Lucy rebateu, indignada. — De onde você tirou essa ideia? — Perguntou.
– Depois que todo mundo descobriu sobre a gravidez dela, eles ficam se revezando entre brigar e se pegar. — Explicou o dragon slayer. — Pelo menos é o que o Happy me contou. Não tenho certeza, não estava vindo a guilda ultimamente. — Justificou.
– NATSUUUU! — Happy, que havia descido assim que o mago do fogo despertou para comer alguma coisa, entrou voando na enfermaria. — Vocês não vão acreditar no que aconteceu!!! — Gritou, eufórico.
– O quê? O quê? — Lucy, que não estava se aguentando de curiosidade, perguntou.
– O Laxus beijou a Mira na frente de todo mundo! — Anunciou.
– Na boca? — Pasmou Lucy.
– Na boca! — Confirmou o felino.
– Como assim? — O dragon slayer pulou, impressionado — Os dois estão juntos?
– Eu acho que eles se goxxxtam. — O gatinho respondeu. Natsu bateu na própria testa, irritado. Não sabia porque tinha esperado uma resposta decente do amigo.
– Eu não acredito que eu perdi isso! — Lucy choramingou.
– VOCÊ TAMBÉM! — Porlyusica, repentinamente, entrou gritando na enfermaria, com a vassoura na mão, interrompendo e assustando os três presentes no cômodo. — Xô! Fim do horário de visitas! — Anunciou, tentando afugentar Happy com uma vassourada, que não o acertou por pouco.
– Natsu, socorro! — O exceed choramingou, desviando das violentas investidas da curandeira.
– Já basta o Natsu perturbando a paz que essa garota devia ter. Não quero mais ninguém além do necessário aqui. — Decretou. — Chispa!
– Que cruel! — O gatinho saiu pela janela, em prantos.
– E você — A senhora, que já estava um tanto descabelada e ofegante, apontou para Lucy. — Trate de descansar, já! — Ordenou, antes de caminhar para a porta.
– Hai! — A maga celestial assentiu, assustada.
– E “ai” de você se atrapalhar! — Ameaçou a curandeira, dessa vez apontando para Natsu, que apenas fez um biquinho irritado.
A conselheira médica apagou a luz e saiu batendo a porta, deixando os dois jovens sozinhos na enfermaria.
Lucy inclinou-se vagarosamente para trás, apoiando os cotovelos no colchão e a cabeça no travesseiro em seguida, irritada pela dificuldade em fazer movimentos tão simples.
Porlyusica, ao examiná-la mais cedo, tinha explicado que seus movimentos limitados, aparentemente eram um dos efeitos colaterais de ter permanecido congelada por três meses, mas que em breve voltariam ao normal. Mesmo confiando na curandeira, a maga celestial desejava intensamente que isso fosse realmente apenas um efeito colateral, já que ela mal conseguia mexer as pernas, fazendo com que ela dependesse dos outros muito mais que gostaria.
Percebendo o desafio que estava sendo para a loira apenas se acomodar na cama, Natsu ajeitou seu travesseiro e puxou o cobertor, cobrindo-a até a altura dos seios. Lucy corou, agradecendo mentalmente a meia luz do ambiente.
– Está bom assim? — O mago do fogo perguntou.
– Hai. — Ela assentiu. — Obrigada.
– Não foi nada. — Ele fez um gesto com a mão, e puxou uma cadeira em seguida, onde se acomodou.
– Natsu — A maga celestial chamou, lembrando-se da conversa que tivera com Happy mais cedo. -, eu sei que você não dormiu nos últimos dias. É melhor você descansar também. — Sugeriu.
– Eu estou bem. — Ele respondeu, meneando a cabeça. — Eu cuidarei de você enquanto dorme.
– Você não precisa fazer isso. — Tentou. — Eu vou ficar bem. — Completou.
– Mas eu quero fazer. — Natsu falou, fazendo com que as bochechas da garota queimassem. — Não vou tirar os olhos de você enquanto seus olhos não abrirem. — Declarou.
– Obrigada. — Disse ela simplesmente.
Lucy, constrangida, fitou o teto por alguns segundos, sentindo o olhar do dragon slayer sobre si.
– Natsu. — Chamou.
– Hm? — Ele respondeu.
– As coisas mudaram tanto nesses últimos três meses. — Falou, sentindo uma estranha vontade de chorar.
– Sim. — Natsu concordou. — Mudaram.
– Eu tenho medo — Deu uma pausa, olhando para o parceiro. — que as coisas também mudem entre nós. — Desabafou, externando uma ínfima pontinha do que sentia naquele instante, testando a reação do companheiro de guilda.
– Elas mudarão. — Natsu disse sério, olhando diretamente nos olhos da loira. Apesar da penumbra do ambiente, ainda havia luz suficiente para que ela percebesse a intensidade do olhar, fazendo-a arrepiar, temerosa. — Mudarão para melhor. — Falou, com um sorriso significativo.
As palavras ditas pelo dragon slayer, mesmo que parecessem normais para outras pessoas, fizeram o coração de Lucy dar um salto. Mesmo aparentando ser uma frase inocente, ela sentia que na verdade estava recheada de significado. Significado que ela ainda desconhecia.
Ainda que envergonhada, Lucy sustentou o olhar de Natsu por alguns instantes, antes de ceder ao cansaço, que pesava suas pálpebras.
– Boa noite Natsu. — Disse, fechando os olhos, contemplando a maravilhosa sensação de dormir com o dragon slayer ao seu lado.
O que antes era razão de profunda irritação, agora lhe causava intensa satisfação. Definitivamente, ela não se incomodaria se isso acontecesse mais vezes.
– Boa noite Lucy. — Natsu, respondeu, pousando levemente a mão sobre a cabeça da parceira de time.
Surpresa e envergonhada, a maga celestial tornou a abrir os olhos, apenas para deparar-se com o sorriso sem graça do mago do fogo.
O sorriso que ela desejou, profundamente, poder ver novamente.
O sorriso que ela mais amava no mundo.
– Durma Lucy. — Disse ele, acariciando os cabelos loiros.
– Hai. — Assentiu ela, tornando a fechar os olhos, apreciando novamente o calor que Natsu emanava.
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¹ Fatos ocorridos no capítulo quatro desta fanfic.
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