Sim, poesia. Isso que movia minha vida. Porém era meio complicado escrever sobre o mundo quando se está exilado ou quando não sabe de nada. Desde o passeio as docas com Carlota, aprendi que o meio de me inspirar é simplesmente buscando inspirações. Mas como isso?

Comecei aos poucos a sair da loja nas horas de almoço para passear nos arredores da cidade. Passava pelas ruas movimentadas pelo comércio, charretes pesadas de especiarias puxadas por cavalos quase que doentes, e por condutores parecendo tão doentes quanto e clientes tentando barganhar com comerciantes.

Isso se arrastava até chegar na parte nobre da cidade, onde todo o ambiente parecia mudar, as ruas movimentadas, agora era calmas com apenas mulheres vestidas no mais fino tecido ao lado de suas criadas que carregavam guarda-chuvas protegendo suas senhoras do sol. As charretes, agora eram carruagens belos com meio dúzia de alazões conduzidos por um condutor parecia tão nobre quanto os que carregava em sua traseira. Passava por mansões cuja a arquitetura era de dar inveja, no mais nobre estilo vitoriano. E contemplava a mais bela delas, a honorável Mansão De Gaulle onde os magnânimos senhor e senhora De Gaulle e sua filhas moravam. Mas para mim era a apenas a casa de Catarina e Carlota De Gaulle.

Agradecia muito a Carlota por me dado essa oportunidade de viver e procurar pelos fragmentos de poesia em cada átomo existente nesse mundo. Cada fragmento que continha em cada fio de cabelo. Cada fragmento em cada sentimento. Somos feitos desses fragmentos. E para aprender mais sobre ele eu precisa de inspiração. E eu estava a procurava por inspirações como se estudasse uma ciência.