Vossa majestade

19 Quem não arrisca, não petisca


Aquilo já me incomodava bastante, me sentia presa àquela imagem de bonequinha de comensal e queria ser uma pessoa diferente daquilo que fui posta a ser. Andava sozinha pelas ruas de Hogsmeade.

— Oi, Astória.

— Oi, Susan. O que faz, por aqui?

— Procurando um presentinho pra Daphne, já vamos fazer seis meses.

— Que legal, o que comprou?

— Fiquei em dúvida, então comprei várias blusas, saias, botas. Ela ama isso. Só não gosta muito de vestido, não é?

— Não, eu que... Que...

— Que foi?

— Já sei o que vou fazer hoje, valeu.

— O...K.

Com a Guerra, entrei em uma nova fase onde tinha que me prender. Já tinha conseguido minha liberdade, mas se queriam ver uma Astória má de verdade, teriam. Comprei um monte de roupas e joguei minhas antigas fora. Porém, não contarei dessa parte na minha vida porque vai te fazer ir embora.

No fim da tarde, Draco ia no Três vassouras para ir me buscar. Só que naquele dia, eu iria busca-lo. O vi tomando um copo de cerveja amanteigada, de costas para mim. O abracei por cima dos ombros e dei um beijo na bochecha dele.

— Como vai o meu gatão?

Ele com certeza diria algo se não ficasse surpreso comigo.

— A-Astória?!

— Surpresa!

Não era só ele, todos me olhavam. Usava a camisa do time dele, um shortinho e os óculos escuros dele. E até passei até um batonzinho para deixar um charme.

— Está... Linda.

— Quis dizer sexy?

— Com certeza.

Segurou minha mão e me girou lentamente, queria olhar cada cantinho meu.

— Perfeita. – Me puxou pela cintura – Só minha.

Tivemos mais uma noite feliz, a casa dos gritos ficou agitada pela última vez. Fui acordada por beijos no pescoço.

— Ai, Draco...

— Adoro quando me chama pelo nome.

Me virei para ele e lhe dei um beijo demorado.

— É o que acontece quando cuida de mim, doutor. Melhor nós irmos.

— Ah, não, Ast. – Me abraçou – Fica aqui comigo, só mais um pouquinho.

— Draco-

— Por favor, Ast. Olha – Pegou a varinha do chão e fez nossas iniciais com um coração em volta, no chão – Temos que ficar juntos.

— Quer ficar junto comigo estudando?

— Só se parar de ver aquele chato.

Draco sempre nos vigiava estudando só para ter certeza que Francis não iria me roubar um beijo.

— Se eu tirar boas notas, nunca mais vejo ele.

Não foi bem assim.

— Então é pra já!

Quem diria que Draco seria um professor mais eficiente e mais dedicado. Toda hora, a gente estudava. Até mesmo na hora de namorar.

— Quem matou Rei Arthur? – Perguntou, beijando meu pescoço

— O filho dele – Respondi – Queria assumir o trono.

— Você é tão inteligente que dá vontade de transar.

É, não somos um casal muito comum.

— Com certeza não – Confirmou Daphne, no meu quarto – Que tipo de pessoa transa estudando?

— Ajuda a não esquecer. É só pensar de quando ele mordeu meu pescoço, lembro de que o feitiço do corte é deffindo.

— Credo, vocês são estranhos.

— Menina! – Pansy me abraçou com força – Está linda com essas roupas mais calientes, como dizem os latinos.

— Obrigada! Amei suas unhas!

Depois de virar uma grande amiga de Pansy, ganhei grande gosto para moda. Ela é muito boa. Alguns minutos depois, teve que sair para resolver alguns negócios que não me importo de lembrar.

— Ela já foi – Susan suspirou aliviada – Oi, gata – Susan deu um beijo na bochecha de Daphne – Oi, Astória.

— Qual o problema com Pansy? – Quis saber, já não gostando muito de seu comentário

— Ah, nada. Só que tem que ser surpresa, né. E já falei com Flitwick, ele topa.

— Topa o quê? – Perguntei

— Não contou a ela? – Indagou Susan

— Claro que contei, ela que não se lembra.

— Lembrar de quê?

— Do nosso showzinho – Fiz uma cara confusa – Nós vamos cantar na sua cerimônia!

Não planejei aquilo e não me arrependo nem um pouco de ter participado. Tinha aula de manhã, estudava com Draco à tarde e ensaiava com as meninas de noite.

— Tenho que ir. – Avisei, no salão comunal às cinco horas

— Já? – Lamentou-se Draco – Não pode ficar mais um pouco?

— Não, tenho que ver as meninas.

— Ast – Segurou minhas mãos – ‘tá acontecendo alguma coisa? Precisam de ajuda?

— Quê? Não, Draco – Dei um risinho – É que... É uma surpresa.

— Surpresa boa ou surpresa muito boa?

— Uma surpresa inesquecível – Beijei ele – Seu queixo vai cair quando ver.

— Não pode nem me contar?

— Se eu contar, não é surpresa. – Dei outro beijo – Tchau.

— Tchau.

Quando eu ia, me puxou de volta pela mão e me deu um beijo mais demorado.

— Odeio quando vai embora.

— Mas ama quando volto.

Cheguei no salão de ensaio, dormi e segui a mesma rotina.

Ok! Eu disse que não ia falar sobre minha fase Astória Greengrass fodona, mas essa é uma daquelas histórias impossíveis de contar. Fazia compras sozinha, quando ouvi um

— Psiu! — Me virei - Psiu! Aqui, lerda!

— Flora? — A retardada se escondia atrás das roupas — O que está fazendo aí?

— Isso não importa. Quer ver uma coisa legal?

Na hora, achei que era drogas, mas na verdade

— Por que estamos espionando sua irmã?

Hestia havia aceitado o convite de Aaron de sair com ele e eu e Flora os seguiam, na rua.

— Quero ver a desgraça.

— Já parou pra pensar que ele pode mesmo gostar dela?

— Já parou pra pensar que ele pode iludir ela? E mesmo que goste, quem garante que seja bom pra minha irmã? Só porque é puro-sangue, não significa que seja qualificado. Temos que ficar bem atentas!

Passamos na Dedosdemel, onde ele comprou os doces que ela queria.

— Ótimo, vai engordar ela até que ninguém mais a queira. — Resmungou a gêmea

Na Casa dos gritos.

— O que ele quer? Matar ela? Não sabe que ela é medrosa?!

E na Casa de chá da Madame Puddifoot.

— Esse lugar é enjoado demais.

— Flora, a sua irmã está gostando.

— É claro que sim, a paixão a cega. Só nos primeiro vinte minutos, achei treze razão pra ela nunca querer ver ele.

— Flora, ele é educado, fala bem, é inteligente.

— Viu? Perfeitinho demais!

— Flora.

— Deve ter algo nesse cara que... — Suspirou — Não tem nada de errado nesse cara, ele é perfeito pra ela. Isso é tão estranho.

— Encontrar o seu amor?

— Mamãe sempre nos disse que o homem tem mais defeitos que um trouxa, sem querer ofender. E eu e Hestia fomos criadas assim, pra nos acostumarmos com seus erros e compreende-los. Quando saíamos com Crebbe e Goyle, era mais simples. E nojento, eles não beijavam nada bem.

— Imagino.

— É. E agora isso? Como ela conseguiu se adaptar tão rápido? Digo, não só sobre os homens, sobre tudo. Ela... Deixou tudo o que acreditávamos assim — estalou os dedos — tão simples. Acha que melhorei algo, Ast?

— 'tá brincando? Flora, você é outra pessoa! Não é mais grossa, é divertida. E sei que é difícil se adaptar a outra ideia de pensamento, mas duvido que não consiga.

Me abraçou. Vimos o primeiro beijo de Hes e Aaron e tivemos que sair para dar gritinhos. Sentamos em cadeiras de praia perto da entrada de Hogwarts, com plaquinhas nas mãos.

— Pronta?

— Pronta?

Sabe quando os caras se juntam e ficam fazendo expressões ao ver mulheres, fizemos o mesmo. Usamos plaquinhas de um à dez e algumas com frases, assobiamos e lançamos cantadas.

— Que delícia, em. — Soltei

— Oh, meu Merlin! Vem cá, príncipe! Vem que a mamãe te mostra o que é mulher de verdade!

Quando o cara era gato demais, batíamos palmas.

— O que estão fazendo? — Quis saber Susan, sentando com a gente

— Paquerando. — Respondeu Flora — Olha que gato! — O cara ficou constrangido — Oh, meu rei, volta aqui!

— Deixa eu tentar — Susan pegou uma plaquinha e deu cinco para o cara, que saiu envergonhado — Que foi, bebê?

— Você não é lésbica? — Questionei

— Nem todo mundo precisa saber disso. Sabe que gosto de ver os homens envergonhados.

Mcloggen parou na nossa frente e todas deram a baixo de quatro. Mostrou aquela barriga gorda dele e usamos as plaquinhas de Nessa armadilha, não caio não. Ficou irritado e foi embora. Weasley passou e assobiei. Se avermelhou na hora.

— Que bumbum, em!

— Você não tem namorado? — Recordou Flora

— Eu posso ver, não poAi meu Merlin!

— Que foi?

Bem na minha frente, um negão sensual, e sem camisa pra variar, ajeitava o motor do carro.

— Puta que pariu! — Soltou Flora

— Eu virava hétera por ele. — Revelou Susan — Virava mesmo.

Ele olhou pra gente e sorriu com aqueles lindos dentes brancos.

— Ele 'tá olhando pra cá! — Murmurou Susan — Ele 'tá olhando pra cá!

— Gente, ele 'tá vindo pra cá. — Avisou Flora hipnotizada — Façam qualquer coisa! Qualquer coisa, menos peidar!

Ele veio até gente.

— E aí, garotas! Vocês são daqui mesmo? Eu sou de Las Vegas, fica lá nos Estados Unidos.

O único motivo para rirmos como loucas foi que a voz dele era INCRIVELMENTE fina.

— Não vai embora, meu amor — Suplicou Flora rindo — Eu te amo!

Fomos rindo para o castelo e contamos às meninas, que riram mais ainda.

Graças a Merlin, os exames haviam chegado. Estava tão nervosa que nem sabia o que fazer.

— Decidi o que quero fazer. – Contou Pansy, no café da manhã

— O quê?

— Vou... Fazer uma faculdade de moda.

— Faculdade? Espera, isso é coisa de trouxa – O sorriso dela aumentou – Puta que pariu! Vai estudar com trouxas?!

— Vou!

— Já falou com Blásio?

— Ainda não, será que ele vai pirar?

— Ah, não sei. E se não gostar?

— Meus pais podem me desertar com isso, mas não ligo pro que Blasio vá achar! Já me matriculei!

— Quê?!

— É, fiz isso na última ida à Hogsmeade. Estou tão ansiosa!

— Cacete! Bem, meus parabéns.

— Obrigada! Não vejo a hora de começar! Sabe, até que os trouxas não são tão inúteis assim, eles até que têm um bom gosto pra coisa.

Graças as lindas roupas que Pansy fazia, nunca tive que comprar roupas para meus filhos. Ver seus olhos brilharem ao falar do que mais queria fazer me deixou muito alegre. Por pouco tempo.

Era difícil controlar um monte de coisas. Os N.I.E.Ms acabaram e terminaram uma semana antes de termos férias permanentes. Estava tão nervosa, para entrar em um novo ministério requer muitas notas boas, ainda mais, quando se acaba a escola logo.

Na última semana, fiquei revisando entre ensaios e namorar. Precisava de um pouco de descanso. Só que descansei tanto que acordei uma hora depois do início da cerimônia. Mal tomei banho, vesti o uniforme preto de festas em Hogwarts e meu capelo preto. Fui literalmente correndo para o salão principal. Chego lá.

— Cadê todo mundo?

As mesas estavam vazias, sem sinal de vida.

— Esses monstrinhos – Murmurou Filch – Era gente demais, a cerimônia está sendo no gramado.

— No gramado?!

Mais uma vez, meti carreira. Filch falou a verdade, tinha um monte de gente. Me perguntei se alguém era um repórter disfarçado. A pior coisa foi ter entrado com uma bota preta tão bonita e brilhante que quase todo mundo notou.

Não sei se se lembra, tinha várias cadeiras para os convidados e um palquinho com os formandos. McGonagall e os diretores das casas sentavam em cadeiras especiais, outros professores sentavam nas primeiras cadeiras dos convidados.

Graças ao seu discurso chatissímo – sem querer ofender – consegui chegar a tempo, sentei ao lado de Francis, a única cadeira vaga.

— Onde você estava? – Me perguntou

— Dormindo.

— Sortuda, isso aqui ‘tá um tédio.

— Pensei que gostasse da Granger.

— É, ela é legal.

Mal tinha chegado e acabei cochilando no ombro de Francis, Draco deve ter ficado uma fera. Só acordei quando meu amigo me chamou.

— Obrigada, senhorita Granger. – Agradeceu McGonagall – E agora gostaria de chamar a aluna mais pontual e atenciosa, Astória Greengrass.

As pessoas batiam palmas, eu ainda dormia.

— Astória! – Sussurrou Francis

— Deixa eu dormir, Draco.

— Astória, é pra você fazer um discurso!

— Eu?

Abri os olhos e todos olhavam para mim, não fazia ideia do que estava para acontecer. Caminhei até aquela mesinha de falar que nunca lembro o nome e olhei para todos e todos olhavam para mim. Não tinha como ficar mais constrangedor.

— UHHHH! ESSA É MINHA IRMÃ!

Mentira, tinha sim.

— Bom... Quero agradecer primeiro a todos que estão aqui, não por mim – Até porque ninguém de Daphne, madame Rosmeta e Susan foram para me ver – por todos os meus colegas. Mas vamos pular essa parte fofinha, Granger já fez isso. Até porque, o que seriamos sem suas colas? – Todos riram, tirando você, McGonagall e alguns adultos chatos – Brincadeira, nós colamos de Bulstrode mesmo. O que podia fazer? Ele deixava a prova pra todo mundo ver, cara! — O público e os alunos caíram na gargalhada – Só que... Não devemos agradecer só eles, não. Devemos agradecer aos nossos professores muito gente boa que tiveram paciência com Dean Winchester — Riram de novo – Zoeira, cara.

— Tomara que pensem assim quando verem o que deixei no banheiro. – Brincou ele

— Opa – Eu mesma não conseguia controlar meu riso – Agora é sério. Sem querer desvalorizar algum professor, todos são daora, mas devemos falar especial de uma professora. Minee! — Nossa turma foi à loucura – Eu sei que a senhora me ama! – Os gritos aumentaram, eu sei que ela gostou – Quietos, por favor. Me digam, é possível não gostar de uma professora como essa?

— Não! – Respondeu a galera

— É disso que estou falando! Mesmo com nossas diferenças, nossas brigas, sempre ficamos de boas. Até porque é impossível não amar uma professora como ela — Tinha certeza que ela me ama, quem não amaria? – Uma professora bonita, bem feita. Por quem eu estou com um desejo enorme de dá um beijo.

— UUUUUUUUUUUUUHHHHHHHHHHH! — Zoo o povo

De repente, o som foi ligado, joguei o capelo para o povo. Girei a cabeça para que meu cabelo ficasse selvagem. Agarrei o microfone e cantei o primeiro verso (Autora: é só procurar When I Kissed the Teacher no yotube, pelo filme Mamma mia 2, indico muito). As pessoas gritaram.

Arrodeei McGonaggal, que me olhava perplexa. Susan e Daphne gritaram. Tirei uma parte da roupa preta, mostrando meu ombro, todo mundo se animou mais quando tirei a outra e a larguei no chão. Puxei a roupa bonitinha que tinha por dentro como se fosse guardanapo e a joguei no ar.

Susan e Daphne vieram cantando em seus microfones e subiram no palco e começamos a dançar. A parte mais legal foi jogar o cabelo para cima e para baixo. Desci do palco, ainda cantando e dei uma de cantora, tocando nas pessoas e as chamando para dançar. Quem não gostou nem um pouco foram os pais de Draco, que não haviam me reconhecido. Voltei para o palco com ajuda das meninas. Tinha a cadeira de McGonagall no centro e uma cadeira a cada lado. Eu, Susan e Daphne giramos em torno de cada uma, colocamos cachecóis em seus pescoços, sentamos em seus colos e demos um beijo na bochecha deles.

Me joguei na multidão, que me segurou e me girou. Acabei caindo no colo de Weasley, que dei um beijo no nariz dele só para provocar. Ficou tão vermelho que é motivo de risada até hoje. Como em uma cena, o último canto foi quando eu estava na entre as últimas fileiras. Todos me aplaudiram. Como uma estrela, me abaixei.

— Senhorita Greengrass – Chamou McGonagall – Seu diploma.

Fui quase que correndo pega-lo e ainda a abracei. Ergui ele e fui levantada por Daphne e Susan. O trio de ouro podia estar lá, mas eu fui a estrela naquele dia. Nunca fui tão aplaudida e parabenizada. Quer dizer, tirando quando descobri que estava grávida de gêmeos.

— Foi um máximo, Astória! – Elogiou Susan – Vamos fazer de novo!

— Eu topo! – Concordou Daphne

— Façam vocês, eu não volto mais aqui. – Brinquei

— Chata! – Acusaram-me

— Você foi muito bem, Astória. – Afirmou Francis como se olhasse ouro

De repente, Draco me abraça por trás.

— É, minha namorada arrasou mesmo. – Beijou minha cabeça – Minha namorada é incrível.

— Um cara de sorte, Malfoy.

— Muito.

Francis foi embora e as meninas já estavam se agarrando. Enrolei meus braços em volta do pescoço dele.

— Ciúmes, dr. Malfoy?

— Muito, não gosto que ninguém mexa no que é meu. Você estava muito linda lá em cima. N-Não que você não seja.

— Nervoso?

— Astória!

Gina veio quase que correndo até mim, o grupo dela tentava nos alcançar, as pessoas não deixavam.

— Você foi muito bem!

— Obrigada!

— Devia cantar mais vezes, tem muito talento!

— Aquilo só foi... Uma brincadeira boba que eu e as meninas fizemos. E o teste pro time, já fez?

— Ontem, acredita que o resultado é no mesmo dia do resultado dos N.I.E.Ms?

— Deve ‘tá uma pilha.

— Não faz ideia. Finalmente vai falar o que vai fazer?

— Também quero saber. – Informou Draco

Abri um sorriso maroto.

— Não, é surpresa. Só vou falar quando tiver respostas.

— Você é chata mesmo.

— Finalmente escapei – Potter chegou perto de Gina, cansado dos pedidos de autógrafos – Malfoy, Greengrass. Cantou muito bem.

— Obrigada.

— Gina, sua mãe ‘tá chamando pro almoço.

— Já vou. É... Tchau, Astória.

— Tchau.

Apertamos as mãos, não foi suficiente. Não queria ter que me despedir assim, ela pensou a mesma coisa. Nos abraçamos com força.

— Você é incrível! – Falamos juntas e rimos

Nos separamos, cada um foi com seu namorado. Sinto saudades dela, de vez em quando. Só que nos tornamos outras pessoas, com outros propósitos. Adorei que ela veio aqui na festa, gostei mesmo. Diferente da nossa, espero que nossos filhos tenham uma amizade duradora. Isso inclui sua filha também, shippo muito ela com Morgano.

— Astória, sua louca! — Parsy me abraço, vindo com as meninas

— Não acredito que fez aquilo!

— Sem nos chamar!

— Desculpem, meninas. Sabem que amo todas vocês!

Nos abraçamos e tiramos uma grande quantidade de fotos. Draco me levou para ponte, onde pudéssemos ficar a sós.

— Ai, pitelzinho! Estou tão animada que sinto que posso fazer qualquer coisa!

— Está animada, é?

— Muito! Posso... Voar ou... Dá cambalhota, ou... Brincar com um tigre.

— Um tigre? Você ‘tá louquinha mesmo.

— Estou, estou louquinha por você. – Encostei minha testa na dele – Acho... Que quero ficar com você pelo resto da minha vida.

— Eu também, Ast. Amo seu cabelo, sua voz, sua inteligência, seu sorriso. Nossa, como amo seu sorriso. É algo puro como o de criança e contagiante como... Catapora. – Rimos – Como sempre me surpreende e... Astória, eu te amo. Amo tanto que faria loucuras por você. Me jogaria de uma ponte e comeria feijãozinho de cocô.

— Eca, Draco!

— Meu amor por você é maior que tudo! Quando estou com você, me torno alguém melhor. Quero ficar com você, te ver todos os dias que acordar. Sonhar com você. Viver com você. Astória Greengrass – se agachou – quer morar comigo?

Achou que ia me pedir em casamento? Achou errado! Isso vai acontecer daqui uns dois anos, de um jeito que nunca imaginou.

— Só se Daphne quiser ir.

Obvio que aquela preguiçosa aceitou. Imagine, morar numa mansão daquelas onde fazem tudo para você.

— A GENTE VAI MORAR NAQUELA MANSÃO DO CACETE?! – Gritou no Três vassouras

— Eu disse que era uma possibilidade. – Repeti

— Que gritaria é essa? – Reclamou madame Rosmeta

— FODA-SE! EU VOU MORAR NUMA MANSÃO DA PORRA!

Saí dali de tanta vergonha, Draco me esperava do outro lado.

— O que ela disse?

— Não queria não, mas como era o jeito, ela acabou cedendo. Não acho que ela vá querer ficar por muito tempo.

A demente bateu no vidro para que olhássemos e fez um coração para Draco, antes de levar um tranca da madame Rosmeta.

— É, ela deve achar uma tortura.

— Não sabe o quanto.

Não é que eu não quisesse morar com ele, claro que queria. Só que os pais deles eram muito sinistros, me olhavam como se eu fosse mais uma e que iria embora logo. Nada que sogros normais fazem. Ah é, a sua gosta de você, ninguém liga mesmo.

— Por que vamos pra casa dos horrores mesmo? – Perguntou Daphne

— Nos despedir, Daph.

— Nos despedir? Astória, o que temos lá? Só se for Maurice, não tenho menor vontade de olhar na cara daquelas pessoas.

— Nem eu, mas só vai ser essa noite, ok? Te prometo.

— Está bem.

Nos despedimos dos nossos amigos e fomos embora. Chegamos lá e Daphne se atirou no sofá, me sentei ao lado dela. O sino tocou e entramos na sala de jantar, o almoço estava posto e nossos pais sentavam nela. Nos juntamos a eles, caladas.

— Como foi a formatura, Astória? – Perguntou papai

— Maravilhosa.

— Entendo. Veja que não é mais uma menina, é uma mulher. E está na hora de arcar com as consequências da vida.

— Não se preocupe, vou trabalhar bastante no meu emprego para não usufruir do seu dinheiro.

— Uma mulher trabalhando? – Questionou mamãe – De quê? Limpadora de penico? Nada disso, eu e seu pai conversamos e... Fale você, Albert.

— Acreditamos que faça carreira no nosso ramo.

— Enterrar inocentes?

— O que podemos fazer se a morte os chamou mais cedo? – Indagou mamãe

— Quer dizer, obrigou.

— Está muito atrevida, menina. Eu-

— Poupe suas palavras, mamãe! Sabe que nunca vou ser a filha que merece porque não vou me rebaixar a tal nível.

— Sua-

— Constance – Papai engrossou a voz – esqueça ela, Astória. Voltando ao assunto, percebi que há uma agressividade dentro de você que precisa ser extraída. E como os negócios não andam muito bem.

— Acreditamos que vá ajudar a sua família, como sempre devia ter feito.

O incrível plano dos meus pais para mim é que: como era uma retardada mental, devia matar pessoas, culpar alguém e receber dinheiro delas para enterrar os corpos. E só pra deixar claro que meus pais recebem dinheiro mensal dos corpos, ou seja, muita grana sem fazer nada.

— Isso é mentira, né? – Quis saber Daphne

— Cale-se, sapatão! – Mandou mamãe

— Não fale com minha irmã assim! – Briguei

— Veja, Albert. É a solução dos nossos problemas! Querida, se você aceitar nossa proposta-

— Aceitar sua proposta? Matar pessoas e ganhar dinheiro com isso? Essa é a solução?

— Não há outro meio. – Avisou papai

— Trabalho, já ouviram falar? Pelo visto, não! E outros tipos de negócios? Já se interessaram?

— Outros tipos de negócios? Astória, você é uma Greengrass, fruto da rainha Clarissa. Como pode querer desonrar nossa família assim?

— Tenha dó, papai! O senhor acha mesmo que isso é certo? E nem precisamos tanto assim disso, podemos muito bem passar o resto da vida só tomando uma, deitados no sofá.

— Olha como fala com a gente, menina! – Bronqueou mamãe – Sou sua mãe! Não pense que sou-

— Uma vadia? Uma baranga? Escolhe, a senhora é tudo mesmo!

Tentou me bater, mas segurei sua mão.

— Me largue!

— A senhora nunca mais vai me tocar, ouviu bem? Nunca mais! Nem eu e nem minha irmã! Não suporto essa inhaca de lixo da sua boca!

Os deixei ali e entrei no meu quarto. Sentei de frente a penteadeira e respirei fundo.

— Como pode ter feito isso com sua própria mãe? — Interrogou meu reflexo – Logo ela, que deu tudo por você! Se não te ama, é porque você não é capaz!

— Você não existe! Não passa de uma versão ruim de mim. Olha só, eu sou maravilhosa, meu bem! Linda, gostosa. E você, não passa de uma recalcada.

Meu reflexo quebrou em milhões de pedacinho e se destruiu, estava totalmente restaurada. Finalmente, podia ser quem eu era de verdade, a barreira havia se quebrado. De noite, senti alguém me observando.

— Mamãe?

Ela vestia uma camisola e carregava em seus olhos verdes uma enorme e vaga tristeza.

— Eu sei que deu a ele. Cuide da sua irmã.

— O quê?

— Eu sei que ama mais o seu namorado. Mas um dia, você vai entender.

Deu um pequeno sorriso e caiu uma lágrima de seu olho. Saiu do meu quarto em completo silêncio.

— Mamãe!

Saí da cama e a segui pelo corredor.

— Mamãe!

Ela tocava tudo com seus leves dedos, como se quisesse sentir a última vez. Saímos da mansão e a olhei andar.

— Mamãe! Mamãe!

Ouvi algo se quebrar, em algum comado. Ela prosseguiu a andar, descalça e sem preocupação com o que ocorria ao seu redor. Vi que seu destino era um pequeno lago.

— Mamãe!

Ela entrou no lago, corri imediatamente. Seu corpo estava quase coberto pela fria água.

— Mamãe! Por favor! Mamãe!

Entrei no lago e nadei apressada para alcança-la. A fria água tentava me impedir de socorre-la.

— Mamãe! Mamãe! – Toquei nela e então percebeu a loucura que cometia – Hora de voltar pra mansão.

Ela assentiu e ficou chorando.

— M-Me d-descul-culpa... Ai, meu Deus. – Ela me abraçou e fiquei sem reação – F-Fuja... F-Fuja daqui... Não volte... Nunca mais... Fuja!

Não sei se mamãe nasceu má, foi criada ou foi forçada a isso. Apenas sei que aquele foi o único momento em que ela demonstrou um certo tipo de amor. Ficar na mansão resultaria em desgraça eterna e pediu para que não ficasse assim.

De manhãzinha, nossas malas estavam quase prontas.

— Para onde vai? – Indagou papai, na porta do meu quarto

— Embora.

— Embora? – Ele riu – Aonde pensa que vai? Não tem nada. Constance!

— O quê? – Perguntou mamãe, entrando no quarto

— Ela disse que vai embora.

— Para onde? Nem a rua dos trouxas vai querer ela!

— Ast, a gente vai de que horas? – Indagou Daphne, no corredor

— Daqui meia hora. Draco vem nos buscar.

— O Malfoy? – Perguntou papai – Não acha que ele te pediu em casamento, acha? O rapaz pode conseguir coisa muito melhor. Por que está tão quieta?

— Porque não falo com lixo.

Saí do quarto e fui para meu antigo lugar favorito, o balanço. O corpo ainda estava lá. Segurei a corda do balanço por alguns minutos lembrando de alguns momentos felizes que tive. Caminhei pelo salão de dança, onde o piano – já concertado – se encontrava, pela escada, fui até na sala de assistir.

— Ast, ele chegou! — Avisou minha irmã

— Já vou!

Desci a escada pelo corrimão, olhando para cada cantinho. Nossos pais não fizeram muita questão de uma despedida decente. Papai fumava seu cachimbo, olhando para a janela. Mamãe lia O Pasquim. Daphne me esperava, com todas as malas.

— Bem, é isso – Disse – Maurice?

— Madame?

Me agachei a sua altura.

— É o melhor elfo-doméstico do mundo.

— Obrigada, madame.

Beijei a cabeça dele e Daph fez o mesmo.

— Astória. – Chamou mamãe

— Sim?

— No momento em que sair por essa porta, não pertence mais a esta família.

— Acho que nunca pertenci, não é mesmo?

Levitei nossas malas e saímos da mansão, Draco nos esperava do lado de fora. Abracei ele e então aparatamos. Um certo medo tomou conta de mim. Já havia ido. Só que íamos para morar lá, ou seja, conviver com aquelas pessoas todos os dias. Conviver com minha nova família.

Notas finais
Aviso: Esse foi o último capítulo que editei, MAS a história já está completa, só preciso terminar de editar no word. E como estou no Ensino médio, pode demorar um pouquinho. Enquanto isso, você podem ler a primeira fic desse universo "Hogwarts: uma hora história" e parar para refletir quem é Astória Malfoy.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.