Vossa majestade
10 Gritos
— Uma festa? – Perguntei – Para juntar aliados da Ordem da Fênix?
— Não é uma boa ideia? – Questionou Hagrid – Será bom para a nossa imagem.
— Sem querer ofender, Hagrid, mas precisamos de força e poder. Não de boa imagem. O Lorde das trevas tem uma péssima imagem e ninguém enfrenta ele.
— Ainda! Vai ver só, Harry vai nos salvar!
— Por que ele? Quero dizer, só é um garoto.
— Bom... É a profecia. Não acredita?
— Não é que eu não acredite, só não acho justo. Perdeu os pais, o padrinho e agora é obrigado a salvar todos que o menosprezaram?
— Não lute por quem te menosprezou, e sim, pelos o que te apoiaram. Harry luta para não perder aqueles que ama.
Sábias palavras, disse nosso amigo. Faço as dele às minhas, lutava por Daphne. Indo às masmorras, não pude deixar de temer aos gritos agonizantes, os gritos que me dão pesadelos até hoje. A sala de tortura.
Olhando pelo vidro da porta, estava os alunos sendo torturados. Um garoto com braços e pernas presas às cordas, um com a cabeça na água salgada e outro pisando em vidro. Alguns alunos imbecis entravam lá para fazer pouco. Tomava quatro goles sempre que passava naquele corredor. Era de noite, não havia ninguém. Abri a porta cautelosamente.
— Por favor, não! – Suplicou uma garotinha com vários dentes quebrados e boca a cheia de sangue
— Calma, calma – Fui correndo socorre-la – Está tudo bem, eu vou ajudar vocês.
— Ela precisa disso – Draco mostrou uma poção – Vai fazer a dor passar.
Não respondi, não tinha tempo. Antes que os comensais e outros malfeitores viessem, fizemos o máximo para cuidamos dos torturados, a maioria eram crianças de onze a treze anos. Era difícil dormir sem ouvir os gritos, a poção fazia questão que eu sonhasse com eles.
— Você vai ser pega. – Cantou meu reflexo do espelho do quarto
— Estou ajudando eles.
— Pra quê? Pra te esquecerem?
— E-Eu não sou importante. S-Se eu trazer paz a uma vida-
— Trazer paz? Com isso, vou embora. Tchau, imbecil.
Tomei três goles e voltei a estudar. Os gritos dos torturados vinham a minha mente. Fechei os olhos e minha mente. Apertei meu rabo de cavalo, mordi o lábio. Gotas de sangue saíram da minha boca, arregalei os olhos, minha pele ficou mais pálida. Então vomitei todo sangue e... Tirei minha cabeça da pia.
Me apoiava no balcão para não cair, minhas pernas tremiam. Viu? Estava louca. No espelho tinha escrito Traidora esquisita com sangue. Me virei para trás e vi um corpo, o sangue devia ser dele.
— Finningan?
Ao me aproximar do corpo, tropecei e caí em cima dele. Senti seus braços se enrolando meu corpo. O empurrei, não deu certo. O espaço do caixão era pequeno demais, o esqueleto estava em cima de mim. Gritei e não saiu nenhum som. Fiquei batendo no caixão, ele se quebrou um pouco e caiu muita terra em mim.
Como um zumbi, saí de lá. A mansão tinha muita gente, gente alegre. Gente alegre comemorando minha morte. Pessoas que amo se divertiam na festa: Daphne, Susan, Francis
— Draco?
Como um fantasma invisível, ele passou através de mim. Todo mundo dançava e cantava. Vi até mamãe e papai rindo como bons amigos. Fiquei de joelhos no chão, chorando. Então veio ela, rainha Clarisse. Tão desprezível e esnobe. Segurou meu queixo para que eu a encarasse.
— Traidora!
Cuspiu em mim e todos se juntaram ela. Perceberam minha presença e riram. Daphne jogou um tomate e outros fizeram o mesmo. Abracei minhas pernas e gritei muito alto e fino. Os ouvidos estouraram e saiu muito sangue. Os vidros quebraram e o lindo lustre de diamante se soltou prestes a cair sobre mim.
Acordei num susto. Era aula de poções e poucos prestavam atenção. O sinal tocou e saí de lá o mais rápido que pude. Fui correndo para o primeiro lugar que mostrasse meu reflexo, a estante de prêmios dos alunos importantes. Não tinha nada, só um reflexo normal.
— Astória, você não vem pra aula? – Questionou Francis
Assenti. Tentei falar com meu reflexo outras vezes, ela não aparecia mais.
— Oi, Astória – Colin tirou uma foto minha – Como vai? Ainda estou trabalhando no anuário de Hogwarts. O que acha de trabalhar comigo?
— Sinto muito, Colin. Tenho muito o que fazer.
— Tipo o quê?
Tipo, tocar na banda marcial de Hogwarts.
— Estudar.
— Entendo. Pode ao menos ser a primeira entrevistada?
— Claro.
Amarrava meu sapato, nas arquibancadas, e ele tirou outra foto minha.
— Precisa tirar tanta foto?
— Incomoda?
Me sinto um pouco bem por passar os últimos meses de vida com ele, sempre foi um amigo muito agradável.
— Claro que não. – Tirou outra – Então, o que você quer saber?
— Pronto! – Dênis segurava plaquinhas com perguntas – Pode começar.
Usando uma câmera trouxa, fui gravada por ele. Dênis segurava as placas com perguntas e Colin gravava.
— Posso ir? ‘tá. Então eu vou. Ah... Oi! Meu nome, né? ‘tá. Meu nome é Astória Greengrass. Estou no sexto ano da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Como é vida de uma aluna em 1996? A vida é dura. Com um pouco de sorte, você sobe na vida. Infelizmente, eu nunca tive muita sorte. Nem mesmo um pouquinho. Desde o quarto ano do colégio.
“Eu venho de uma cidade bem distante, se chama Lugar nenhum porque não mora quase ninguém lá. Vivo. E num colégio pequeno como o nosso, tem sempre uma pessoa que... É tão famosa que se destaca. Na minha turma, essa pessoa era eu. Eu li em algum lugar que quem você é na escola, determina quem será pelo resto da sua vida. Eu só espero que isso não seja verdade”.
E mais uma vez, as circunstâncias não me favoreceram. Abriram uma vaga para artilheira e Daphne estava doida para entrar. Susan a fez tomar um café da manhã reforçado e Nott não concordava muito – mesmo assim, a apoiou.
O dia dos testes caiu no mesmo dia do treino da banda, ou seja, não podia ficar na torcida. Como de costume, fui beber meus goles – para esquecer a vergonha de tocar tumba. Só o time e os candidatos devem ter combinado de ter acordado cedo e eu não achei um bom momento para ficar só, os treinos são de manhãzinha.
Sem ninguém ver, coloquei a poção no meu suco e bebi.
— Nervosa, Daph? – Perguntei
— Um pouco.
— Você vai conseguir! – Afirmou Susan, segurando sua mão – Tenho fé!
— É, você é a melhor, ‘mô.
Nott beijou Daphne e Susan pediu para se retirar.
— Eu consigo!
Ela pegou o suco e bebeu tudo de uma vez. Saiu animada para o campo. Sorri orgulhosa e...
— Caralho.
Daphne tinha tomado meu suco. Meu suco com a poção da perfeição. E do jeito que me comportei, na primeira vez, ela poderia fazer também ou até pior. Logo no dia da merda do teste.
— Daphne! Daphne!
Ficava difícil falar com ela com tanta gente perto dela e com o líder da banda marcial tentando me colocar ali.
— Você não entende! Minha irmã tomou uma poção e vai fazer o teste daqui a pouco!
— Depois você fala com ela, está bem? Não esqueça do trato.
Continuava ali por causa daquela música do ano retrassado? Não, só ganhava pontos extras e me forçava a falar com alguém para não enlouquecer mais ainda.
— Por favor! É a minha irmã!
— E eu sou seu líder!
— Foda-se!
Pisei no pé dele e subi na bicicleta que Colin me ensonou a andar e me emprestou. Na metade do caminho, minha visão foi roubada por Draco sem camisa. Resultado: a bicicleta bateu em uma pedra, o veículo virou de cabeça para baixo e caiu em cima de mim. A dor não foi nem um pouco leve. Sem contar que houve altas risadas.
— Quer uma ajuda? — Ofereceu um aluno, segurando a risada
— Eu estou bem — Fiquei em pé e a tontura veio — Estou muito bem. Eu quero, eu posso, eu consigo.
Ainda correndo o risco de, sei lá, desmaiar, corri atrás da minha irmã.
— Daph – Respirei – Você... Você... Suco... Não...
— Quê?
— Não... Não...
— Greengrass! – Chamou o capitão
— Vai ver, Ast: sua irmãzinha será a próxima artilheira!
— Não...
Já era, nem para impedir minha irmã, eu fui capaz. Não vou enrolar muito, não durou três minutos e vomitou a poção. Até tentei falar com o capitão.
— Não pode tentar outro dia? – Perguntei – Olha, ela não é assim, ok? É que ela acabou tomando uma poção que não devia por minha causa.
— Já foi decidido.
— Por sua causa?
Me virei e olhei Daphne, a chateação nos seus olhos me partiu em pedacinhos. Foi embora com Nott, se segurando para não chorar na minha frente.
— É, parabéns, estragou tudo. — Reclamou meu reflexo, do vidro do vazio salão comunal
— E-Eu n-não q-queria!
— Viu? Tem tanta inveja da sua irmã que não deixa ela ser feliz. Por que odeia ela, Astória? Por que é mais bonita que você? Por que tem amigos leais e um namorado bacana? Ou por que sua mãe a ama e não você?
— E-Eu não tenho inveja, ok? Não tenho! Não tenho! NÃO TENHO!
— Com quem está falando? – Interrgou Daphne, descendo a escada
— N-Ninguém.
— Viu? Por isso que se afastam de você, Astória. Não deixa ninguém te ajuda, nem mesmo a mim!
— Daph, eu...
— Boa noite.
Passou uma semana e ela ainda me ignorava. Sabia de seu estado por causa do namorado dela. Aquela situação piorava cada vez mais, ouvia mamãe me xingando quase todo tempo. Não podia perder ela. Não podia.
A encontrei estudando no salão comunal. Ela me olhou e voltou ao seu livro.
— Vai continuar sem falar comigo? – Indaguei
— Eu não ‘tô a fim agora, Astória.
— Eu só queria que soubesse que eu sinto muito e que... As meninas tinham razão mesmo. Sou uma fracassada. Sabe?
— Oh, que meninas?
— O quê? Não, não.
— Quem foi? Quem te chamou de fracassada, Astória? Que eu vou falar com ela agora. Quem te chamou de fracassada?
— Não interessa, Ast. Você não pode me proteger pra sempre. É a verdade.
— Eu queria que visse o quanto é incrível, Ast. Só precisa acreditar em si mesma, porque quando acreditar, vai poder fazer tudo o que quiser.
E claro que Daphne tinha razão, olha quem me tornei. Minha irmã me ensinou que precisava desabafar um pouco e tudo ficaria bem. Não contei sobre a poção porque sei que daria a louca e iria brigar com mamãe, resultando num desastre.
Pedi desculpas ao líder da banda e fiquei ajudando Colin com o futuro anuário. Coisas assim me faziam bem. Certa noite, já era tarde, preparei dois chocolates quentes e entrei em um quarto masculino.
Draco lia um livro de poções de cura, na cama, usando apenas uma camisa e uma cueca boxe. Seus olhos estavam pesados, lutando para se manterem abertos.
— Cansado? – Ele olhou para mim com uma certa curiosidade e um pequeno sorriso – Estava sem sono, então... Quer?
Eu não queria é ter que ter outros pesadelos me transportando para lugares que nem sabia como havia chegado.
— Sim, por favor – Me sentei e entreguei sua xícara – O que te fez perder o sono? Meu lindo corpinho sexy?
— Ha-ha. – Tomei um gole – Claro que penso em você, todas as noites.
— Tenho certeza que sim. – Tomou um gole – Muito bom.
— Obrigada. Me saio melhor como cozinheira do que curandeira.
— Aposto que ficaria uma gracinha de curandeira.
— Parece que é você quem pensa em mim, todas as noites.
— Oh, não. Ela desvendou meu maior segredo.
— Que bate uma pensando em mim?
— Eu não bato pensando em você.
— Sério? Então porque tem uma foto minha no seu criado mudo?
— Não tem uma foto sua – ele reparou que tinha uma foto minha, quando eu devia ter uns catorze anos – Ok, tem uma foto sua. Mas não é o que você está pensando.
— E o que eu estou pensando?
— Você...
Ficou tão fofo envergonhado, não resisti rir. Ele fechou as cortinas da cama e silenciou para que pudéssemos ficar mais a vontade, acendi minha varinha, jogamos conversa fora. Adorava e adoro ficar com Draco, um momento tão gostoso.
— Me diga todos os seus maiores desejos. – Pediu, enquanto brincávamos de guerra de polegar
— Me conte um segredo.
— Não é a mesma coisa?
— Quase. Qualquer um pode ver seus desejos, mas ninguém vê dentro do seu coração.
— Me conta alguma coisa.
— Ouço músicas trouxas dos anos 60 e 70, e gosto dos meus sonhos quando são preto-e-branco e um pouco de musical.
— Eu costumava fingir que estava doente quando tinha prova.
— Todo mundo faz isso.
— Certo. Às vezes coloco achocolatado no meu cereal.
— Morro de medo de andar descalça.
— Tenho pavor de hipogrifos.
Rimos.
— Nunca fui beijada.
— Isso não é verdade, eu te beijei no seu aniversário.
— Não considero um beijo, foi só um encostamento de lábios.
— Acho que não sabe a definição de beijar.
— Um beijo tem amor e paixão, onde esquece de tudo e todos. Quando só há duas pessoas no mundo. E minha perna não levantou, o que quer dizer que algo estava errado.
— Sua perna tinha que levantar?
— Claro. Nos livros antigos, quando as garotas eram beijadas romanticamente, uma de suas pernas levantavam. A minha não subiu, algo estava errado entre nós.
— Não vejo nada de errado entre nós.
— Se ficarmos juntos, tem que ser pra valer, sem termos medo do que aconteça amanhã. Tem que ser uma relação sem medo ou raiva, que só tenha-
— Amor?
— Sim, amor. Aquilo foi uma despedida, um aperto de mão daria no mesmo.
— Seu romance está estragando nossa relação – Rimos de novo – Nunca se apaixonou?
— Você já? – Negou com a cabeça – O beijo é um ritual de amor, os lábios só devem se encostar se tiver total certeza de que é pessoa certa com quem viver o resto da sua vida. É algo pessoal demais para dar esse gostinho a qualquer pessoa.
— Como você é romântica.
— Outro fato interessante meu, odeio romances.
— Quê?! Como assim?!
— Não na teórica. Digo, é divertido pensar sobre isso e ler sobre isso. Mas na pratica...
— Tem medo?
— Quanto mais gente entra na sua vida, mais têm chances delas saírem.
— Por isso que se afastou das suas amigas?
— Não posso fazer elas correrem esse risco. E ter amigos demais é estranho, não saberia como lidar.
— Também não.
— Ter amigos demais?
— Ter amigos.
— Ganhei! – Esmagava o polegar dele – Chupa essa!
— Ah, foi porque deixei. – Se deitou na cama – Não é tão forte.
— Sou sim – Me joguei em cima dele, me apoiando pelos cotovelos – Sou muito, muito forte.
— É, você é – Alisou meus cachos naturais – Rainha dos cachos ondulados, é assim que devia se chamar.
— E você devia se chamar de rei do cabelo platinado.
Rimos.
— Não, você não precisa de um rei, não precisa de ninguém. Só com esse cabelo maravilhoso, esse sorriso encantador e essa voz de anjo, faz todos caírem aos seus pés.
— Faço, é?
— Sem dúvidas. – Me deixou por baixo e aproximou seu rosto – Você é garota mais linda e inteligente que já vi na minha vida. E vou te proteger de tudo, Ast. Nem que seja a última coisa que eu faça.
Segurei seu rosto com carinho.
— Draco, existe algum jeito de me beijar sem que seja na minha boca?
Sorriu maroto e atacou meu pescoço. Suas mãos percorrendo meu corpo, me arrepiando. Cada cantinho meu sendo descoberto, mordendo meu pescoço, me apertando abaixo do seio, na coxa. Foi descendo, descendo, beijava minha barriga, mexia no meu cabelo.
— Draco.
— Oi, querida?
— Posso fazer isso em você também?
Sorriu de novo e se jogou no outro lado da cama, me puxando pela cintura. Estava um pouco nervosa, suspirei.
— Não precisa-
— Cala boca, Draco.
Beijei o pescoço dele com um pouco de timidez, passei minha mão por debaixo da camisa dele e o alisei, ficando com os fios em pé. Tirou ela de vez e vi aquele lindo peitoral. Sorri para ele e continuei nos beijos e mordidas. Não passamos disso, mesmo assim, foi bom. Deitávamos na cama, olhando no olho do outro.
— Qual foi a coisa mais sinistra que já viu? – Perguntou
— Olho-Tonto sendo enterrado sorrindo. E você?
— Lorde das trevas dormindo.
— E ele dorme?!
— De olhos abertos.
— Credo!
— Uma vez, fui pegar uma coisa que tinha esquecido na sala, quando ele estava lá. Não soube na hora que ela estava dormindo. Sorte que minha mãe me tirou de lá, foi tão bizarro. Dá agonia só de lembrar.
Segurei na mão dele.
— Agora está seguro. Qual foi a pior coisa que aconteceu na sua vida?
— Virar comensal da morte.
— Não vale, você não teve escolha.
— Ok. Ser mimado e idiota, acreditando ser superior.
— E qual foi a melhor coisa?
— Ter você para me lembrar que não é verdade e que – olhou bem para mim – me mostra como é amor. Me fazer ficar nervoso quando chega perto, me fazer sorrir, me sentir feliz e – entrelaçou os dedos nos meus – não podemos ficar juntos?
Deitei minha cabeça em seu peito nu, brincando com seus dedos.
— Podemos, mas deixa isso acabar. Não posso me envolver com alguém assim, nesse tempo. Está tudo tão perigoso e sombrio. Pode esperar mais pouco? Draco? – Caiu no sono – Bobo, como posso não gostar de você?
Fui acordada pelo Sol, esfreguei meus olhos e me deparei com ele, meu amor. Toquei no rosto dele, seus olhos ainda estavam fechados, dormia como um anjinho. Tive vontade de beija-lo, talvez me arrependesse depois. E o que importava? Se os babacas não tivessem ali.
— Essa vai pro quadro! – Avisou Goyle, com uma câmera na mão
Fiquei tão irritada, tão irritada. Coloquei minhas sandálias e parti, com Goyle, Grebbe e Zabine rindo de mim. Nott ficou calado porque queria ter uma amizade comigo.
— Ast? – Chamou Draco, despertando
Não fiquei, só queria ir embora dali. Ignorei Draco, não que eu fizesse esforço para isso, ele mesmo já se isolava. Toda hora que eu via algum sonserino, sempre batia palmas para mim.
— O que você fez, Ast? – Quis saber Daphne, na mesa
— Sei lá, não fiz nada.
Com o passar dos dias, os alunos das outras casas começaram a fugir de mim, os professores passaram a lembrar da minha existência. E eu não sabia de nada.
— Desculpe – Pedi ao me esbarrar com alguém
— Por favor, não me mate – Implorou o garoto de joelhos – Prometo não fazer nada, por favor!
— Eu...
A multidão de gente me deixou tão nervosa que saí correndo. Não gostava de ser o centro das atenções. Detestava, na verdade. Sempre murmurando sobre mim e fugindo. Estudava no salão comunal.
— Oi, Francis – Ele me ignorou – Porra, o que foi que eu fiz? Por que todo mundo fala e foge de mim? Eu fiz alguma coisa? Falei alguma coisa? É o quê? Minha existência?
— Você... Não sabe?
Meu sangue fervia, minha mão se mantinha fechada, a vontade de soca-lo era abundante.
— Filho da puta!
Draco estudava normalmente na biblioteca quando joguei um livro nele. Violenta? Jamais. Se pôs de pé, com uma cara desentendida.
— Como. É. Que. Você. Pode. Ter. Mentido? – A cada fim de frase, era um livro sendo jogado – Seu imbecil!
— Do que é que você está falando?
— Não seja cínico! Você disse pra todo mundo que a gente transou naquela noite!
— Para de ser besta, eu não disse nada!
— E nem desmentiu!
Segunda vez que Draco me deixou com medo. Acho que é a segunda, vai contando aí.
— E você acha que alguém iria se importar? – Segurou meus punhos para que não o acertasse – Ninguém liga pra isso, Astória! Acorda, estamos em Guerra! Quem ia se importar com uma besteira dessas? Parece que só você, que gosta de chamar atenção!
Ele me pediu mil desculpas, alguns anos depois, mas ainda me entristece. Me soltei dele, andei calmamente para meu quarto e chorei na cama por dez minutos. Por um lado, foi bom ter ouvido aquilo, me fez despertar para realidade, de que eu não podia descansar e precisava ser forte.
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