Notas iniciais
Espero que gostem>.

_Alguém – pelo menos uma vez na vida – se perguntou “e se eu pudesse voltar no tempo?”. E se viagens no tempo não fosse uma realidade apenas dos filmes de ficção cientifica? Você estaria disposto a voltar ao seu passado?

“Acredito que essa temática seja uma boa forma de se conhecer o que está por trás das teorias de relatividade de Einstein e talvez, mostrar que isso poderá ser possível no mundo real. Claro que devo apontar que o que pensamos é que apenas as viagens ao futuro foram bem sucedidas – uma vez que ninguém sabe o que irá acontecer daqui há alguns anos. A viagem ao passado seria algo extremamente difícil, provavelmente impossível. Mas ainda assim é fascinante e ela não pode ser descartada.”

“Como eu já havia dito, a viagem ao passado é muito mais difícil. Para muitas pessoas, pode parecer surpreendente que viajar para frente seja muito mais fácil do que viajar para trás. Você pode pensar que a noção de viajar ao futuro é mais ridícula. O passado pode ser inacessível, mas, pelo menos, está lá de alguma forma: aconteceu.”

“O futuro, por outro lado, ainda tem que acontecer. Como podemos visitar um tempo que ainda não aconteceu? Contudo, a viagem ao futuro por movimentos de alta velocidade não requer que o futuro já esteja dado, esperando por nós. O que ela significa é que nós saímos da concepção de tempo do resto do mundo em direção a uma em que o tempo passa mais devagar.”

“Por outro lado, há muitos exemplos das quão ridículas seriam as coisas se a viagem ao passado fosse possível. Por exemplo, e se você voltasse no tempo, para o ano passado, e matasse a sua versão mais jovem? O que aconteceria? Você simplesmente deixaria de existir assim que sua versão mais jovem caísse no chão? E se você tivesse morrido no ano passado, quem teria matado você? Sei que parece um pouco mórbido, mas é um paradoxo bem conhecido. Pense nisso. Parece que você não pode matar sua versão mais jovem porque precisa sobreviver ao assassinato para tornar-se o assassino.”

(...)

“Uma coisa para se lembrar em relação à viagem ao passado é que você tem a possibilidade de alterar a história contanto que as coisas continuem acabando da mesma forma.”

“Você não pode mudar o passado.”

***

_Ótima, como sempre! – o corpo esguio, assim como as orbes verdes, fez a jovem reconhecer a pessoa imediatamente. Elle Petrova não era uma pessoa de se esquecer tão facilmente. Principalmente se você tem que encontrá-la todos os dias nos corredores da universidade, enquanto procura uma lanchonete decente para tomar o café da manhã. E também, Petrova foi uma das três professoras que Rosalyn queria esquecer.

_Obrigada. – Rosalyn agradeceu, meneando a cabeça levemente. Sentia-se desconfortável toda vez que tinha que falar em público. Mas era o seu trabalho agora e ela jamais se perdoaria se algo desse errado.

Ela passou os dedos pelos fios castanhos, tentando conter o nervosismo e a timidez. Sabia que tinha feito um bom trabalho, mas seria pedir demais para ir embora para sua casa, tomar um banho quente e terminar de ler seu livro “O Conde de Monte Cristo” com uma caneca de chocolate quente?

É... Talvez fosse pedir demais.

Os alunos iam se dispersando pouco a pouco, sempre indo cumprimentá-la e fazendo perguntas das quais Rosalyn se animava em poder responder. Eram universitários, mas se comportavam como colegiais quando o assunto era física e química. Ela se perguntava diariamente como aqueles garotos poderiam estar cursando astrofísica sem ter o mínimo conhecimento das leis de Newton, ou como Einstein foi de suma importância para o avanço da ciência, já que ele era um físico mais revolucionário, descartando a ideia de que o tempo era algo imutável.

Rosalyn se despediu dos professores que ainda restavam no local e seguiu até o estacionamento da universidade, abrindo sua bolsa pelo caminho em busca de seu celular. Desligou o alarme de seu Audi ao mesmo tempo em que ligava a tela do smartphone, buscando alguma mensagem ou ligação perdida. Mas não havia nada ali.

_Estou ficando paranoica, deve ser isso. – murmurou a jovem, sentindo seus pelos da nuca se arrepiarem. Parecia que havia mais alguém ali além dela.

Virou a cabeça para trás com tanta rapidez que sentiu os músculos de seu pescoço reclamarem pelo movimento brusco. Tudo o que encontrou foram carros parados e um grupo de alunos bebendo ao longe.

Os seus batimentos cardíacos se aceleraram e ela entrou no carro com pressa, olhando ao redor pela ultima vez. Mesmo que aparentemente não houvesse ninguém por perto, ela ainda estava se sentindo incomodada, como se estivessem vigiando-a.

_Paranoica! – ela pensou assim que deu a partida no carro. Em poucos minutos estava estacionando em frente do prédio antigo em que morava. Desceu do carro com os sapatos na mão, a mochila pendurada no ombro direito e o casaco amarrado na cintura. Os olhos já estavam pesados de sono e cansaço.

Cumprimentou o porteiro, que assistia a algum filme desconhecido para Rosalyn, e subiu as escadas – sempre praguejando mentalmente o síndico que ainda tinha consertado o elevador. Ela só se consolava com o fato de que seu jantar estava pronto e tinha uma garrafa de cerveja intacta na geladeira e, sua cama ainda devia estar desarrumada, mas ela não iria ligar para isso. Não quando estava sentindo o sono tomar conta de seu corpo.

Acendeu as luzes do apartamento deixando a mostra o sofá marrom, a pequena mesa de centro que havia ganho de sua mãe e as duas estantes repletas de livros de física e outros tantos romances, ficções e livros que qualquer jovem da sua idade lia. Deixou sua mochila ao lado da porta e jogou de qualquer jeito seu casaco e seus sapatos pela sala. Estava esgotada demais para se preocupar com organização.

Tirou sua camiseta preta — jogando-a em cima do criado mudo, derrubando alguns objetos que estavam em cima — e livrou-se da calça jeans logo em seguida, ficando apenas de lingerie. Vestiu sua camisola e se enfiou debaixo dos lençóis, nem lembrando que seu jantar já estava pronto na geladeira, esperando apenas para ser colocado no microondas.

Sentiu seus olhos se fecharem, desfocando tudo ao seu redor. Logo sua respiração estava mais fraca, indicando que estava entrando em umas das fases do sono.

Era o que Rosalyn pensava.

Ao invés de ter sonhos, ela começou a ter algo parecido com uma visão enquanto ressonava.

Tudo o que ela via pela frente eram pilhas e mais pilhas de livros. Livros de grossas lombadas e alguns com pouquíssimas folhas que Rosalyn até diria que aquilo era apenas uma apostila, ao invés de um livro.

Andou pelo estranho lugar com lentidão, sempre passando os dedos pelas capas sentindo as diversas texturas de papel e lendo os mais variados títulos.

Até que um livro em particular chamou a sua atenção: era o seu exemplar de "O Universo Numa Casca de Noz" de Stephen Hawking, o seu ídolo. Sabia que era o seu exemplar porque no dia em que o recebeu de Alex, uma antiga amiga da faculdade, James, um garoto com o qual Alex sempre estava junta, riscou o nome de Rosalyn na capa achando que aquilo que estava escrevendo era uma lapiseira, e na verdade, era uma caneta preta.

Ela sorriu com a lembrança e folheou o livro rapidamente, vendo que havia algo mais ali. Um papel dobrado ao meio, logo depois da capa.

Rosalyn retirou o pedaço de papel e rodou ele em sua mão, estranhando que houvesse algo ali que ela não tinha conhecimento. Sua curiosidade fez abrir o papel e ler o que estava escrito:

Corte uma cabeça e duas nascerão no lugar.

Eles nunca se foram.

E estão vindo.

Rosalyn acordou com a testa molhada de suor e a respiração ofegante. Ficou alguns segundos sentada na cama, tentando entender o que tinha acontecido e assim que entendeu, correu até o armário e, de lá, tirou um aparelho celular similar ao seu.

_Mayer? — a voz do outro lado da linha parecia tão surpresa quanto ela. A jovem conteve a emoção ao reconhece-la. — O que aconteceu? — as lágrimas brotaram em seus olhos, sem que Rosalyn pudesse controlá-las.

_Eles estão vindo atrás de mim.

Notas finais
Reviews... xD