Voltando para o Começo

9 Capítulo 9: Nas minhas lágrimas afogo-me


Notas iniciais
Atrasada novamente, eu sei, e não pensem que é porque eu quero, é que aconteceu novamente vááááárias coisas, passei a semana estudando para uma prova final de curso de inglês e descobri qual era o meu problema de saúde – e era menos pior do que eu pensava, apesar de ser algo contínuo na minha vida --, então tive que mudar vários de meus hábitos por causa dele. :S Bem, o que vale é que eu não desisti dessa história. Música: One Day - Matisyahu Se preparem pra muita tensão. BOA LEITURA

(...)

Pedro e Karina chegaram feito uma avalanche em casa naquele dia, seus beijos animados os empurrando agressivamente em direção ao quarto. Haviam bebido um pouco na festa de aniversário de Nat e isso havia feito Karina se tornar a faminta por sexo que a bebida causava.

A jovem arranca os saltos de seus pés e puxa a camisa de Pedro com tanta força que nem precisa desabotoá-la, voltando a beijá-lo com êxtase. Ele beija o seu pescoço, realmente animado; depois que o sexo entre eles tomou o motivo de gravidez era verdade que as coisas se tornaram mais mornas, mas depois que os dois fizeram as pazes na frente do restaurante, a pouco menos de dois meses atrás, ambos se esforçaram para que isso não ocorresse mais.

Naquela noite, em especial, vontade não lhes faltava.

–- Você é muito linda... – sussurra Pedro, rouco, contra a pele da amada, sorvendo seu cheiro tentador. Desce suas mãos até a barra da calça marsala e tenta descê-la á todo custo.

Ela ri e o ajuda.

–- Você quer me deixar maluco. – sussurra ele, quando a calça já está no chão junto com seus sapatos.

Ela ri novamente.

–- Você já é maluco. – afirma, risonha, colocando seus dois braços por detrás de sua nuca.

–- Mas fico ainda mais quando te vejo vestida assim... – completa ele, olhando para sua barriga chapada sob aquele top azul florido curto e então para seus cabelos volumosos sob a testa, os brincos parecidos com leque e a boca borrada de batom vermelho. Ela estava mais formal naquele dia, até mesmo sedutora com aquele seu batom vermelho, mas esquentadinha como era, continuava usando calça.

Ela sorri diante do elogio e o beija novamente, empurrando seu corpo contra a cama e apoiando seus joelhos entre suas pernas enquanto puxa a camisa dele para fora de seus braços e beija seu peitoral. Ele ofega e então sobe suas mãos pela pele dela e as guia até debaixo de seu top, arrepiando-a.

–- Hmm... – murmura ela, sentindo sua pele esquentar sob o toque dele, que logo toma os seus lábios para si.

Ela os morde com vontade e então empurra seu corpo ainda mais para trás, deitando-o sobre a cama, com ela por cima e descendo vagarosamente suas mãos por seu tronco nu ao mesmo tempo em que seus dentes fazem cócegas pelo pescoço dele, peitoral, e logo sua barriga, parando por ali, para que sua atenção fosse direcionada às calças dele, que foram arrancadas com pressa de seu corpo junto de sua peça íntima.

–- Wooh... – geme ele, com as sobrancelhas erguidas de surpresa pelo gesto da esposa que se encontrava quase inteiramente vestida em cima dele.

Ela ri, sapeca, e desce seus lábios mais abaixo, até seu membro ereto que ela envolve sem vergonha alguma, fazendo-o quase pular de surpresa e rir enquanto apreciava o prazer que aquilo lhe proporcionava.

Ele estranha o fato dela ficar ali o tempo todo, até ele ejacular, mas não fala nada, bêbado como estava – ele era o tipo de bêbado que ria sem motivo e ficava mais lerdo que o normal – e então só a vê se sentar ainda de calcinha sobre sua ereção – rebolando, é claro, para que o provocasse ainda mais --, subisse suas mãos calmamente até as orelhas e tirasse seus brincos e então as descesse até seu próprio tronco, na base do top que logo é erguido para fora de seu corpo de uma forma sexy demais para que ele raciocinasse e ele fica ali, deitado bobamente contra a cama, apenas a encarar seus seios agora desnudos com a boca aberta.

Ela morde o lábio e se curva levemente sobre ele, fazendo-o arregalar os olhos ao ver seus seios se aproximarem e então, leva suas mãos até sua bunda e puxa sua própria calcinha para fora do corpo, não tardando a descer seu corpo rapidamente contra ele e sentindo-o preenchê-la com força.

Os dois gemem alto demais com o contato e ele finalmente ergue levemente seu tronco da cama, segurando a cintura dela e puxando-a para mais perto, sem perceber suas lágrimas nos olhos.

Ela engole o choro, mas a falta de seus movimentos o faz empurrá-la contra a cama e trocar suas posições, investindo forte contra ela e fazendo-a não se segurar.

–- Ah... – ele a encara, familiarizado que aquele seu som não fora de prazer e então a vê morder com força os lábios enquanto seu rosto se cobre de lágrimas.

–- Karina, ta tudo bem? Você ta chorando? – pergunta ele, preocupado, interrompendo os movimentos. Ela geme de dor novamente e ele acaba por desconectar seus corpos, virando-se preocupado para ela, que seca seus olhos molhados.

–- Eu te machuquei? – pergunta o rapaz.

Ela suspira.

–- Eu não sei o que houve... – ela se apoia em seus ombros, ainda a gemer de dor. – mas me deu uma dor bem abaixo do ventre.

Ele arregala os olhos.

–- De novo? Não era por isso que você vinha faltando os treinos ultimamente? – pergunta, sério.

Ela engole em seco e acaba por assentir.

–- Achei que fosse a fadiga, mas... ta ficando mais forte. – admite, temerosa.

Ele se senta ao seu lado e pega sua mão.

–- Você tem que ver isso, Karina, não pode ficar com tantas dores assim.

Ela suspira, não queria preocupar nem a ele, nem a si mesma.

–- Talvez seja efeito colateral do remédio pra me ajudar a engravidar...

–- Talvez. Mas você tem que ver. – murmura ele, se levantando da cama e indo atrás de sua cueca.

Ela franze a testa, encarando-o chateada.

–- Desculpa por acabar com o clima. – murmura, chorosa – mais um efeito da bebida.

–- Karina, não é como se você tivesse culpa, tem alguma coisa errada e você...

Ela revira os olhos, bufa, e se atira contra os travesseiros, não escutando mais nada do que ele dissera.

(...)

Na manhã seguinte, Karina acordou com uma forte dor de cabeça devido à bebida, não se lembrava de mais nada depois do pequeno sermão que Pedro começou a lhe passar sobre sua saúde, devia ter adormecido e ele a vestido, pois acordou com sua camiseta e um espaço vazio na cama. Suspira e então corre para o chuveiro.

Nunca mais ia beber na vida. – pensava ela, mas sabia que estava blefando.

Liga a torneira, e deixa a água morna deslizar sobre o seu corpo por longos minutos. Passa o sabonete sobre uma esponja e logo começa a ensaboar sua pele com preguiça. Passa a esponja por seus braços, pescoço e axilas, até que ela chega em seus seios que ela encara seriamente. Pareciam maiores e com certeza andavam mais sensíveis. Sorri. Será que finalmente ela estava grávida? Balança a cabeça. Já havia sido enganada outras vezes por seu corpo, não podia ficar animada assim tão cedo.

Mesmo assim, mesmo com esses pensamentos, ensaboa seus seios com um sorriso no rosto e logo começa a cantarolar uma música qualquer – Quase Sem Querer, a música dela e de Pedro.

Lava os cabelos, as orelhas, o pescoço e quando suas mãos e seus olhos descem para lavar sua intimidade ela sente uma fisgada no ventre e vê: o chão vermelho de sangue e água, que escorriam por suas pernas nuas e inundavam sob seus pés. Parecia um mar sangrento e vinha de dentro dela. Sente a dor forte novamente em seu ventre e se curva contra a parede enquanto desliga o chuveiro.

Encosta sua testa contra sua mão enquanto engole o choro e puxa rapidamente a toalha que pendurava do box. Arrasta-se até o espelho e depois de passar a mão para o desembaçar, vê o reflexo de seus olhos inchados e vermelhos, aquele olhar triste.

Senta-se sobre o vaso. Sentia como se tivesse passado um dia de treino pesado na academia. Devia ser a bebida, ela bebera demais noite passada e ainda por cima sua menstruação havia voltado e desta vez, exageradamente.

Suspira e então se levanta novamente, mas sente o banheiro rodar e volta a se sentar. Definitivamente ela nunca mais ia beber, teria que passar o dia inteiro de cama por causa de seu estado.

(...)

Um dia se passou, e parecia que a ressaca de Karina estava longe de terminar. Ela ainda se sentia enormemente cansada e enjoada.

Mesmo assim foi treinar, seu treinador, Rodrigo, já estava no máximo de sua paciência depois de seus atrasos contínuos ou então faltas nos últimos dias e ela não queria lhe deixar ainda mais irritado.

Mas o que ela não esperava era a dor intensa em seus músculos e, principalmente, em seus ombros e abdômen. Devia ser por causa dos dois dias sem treino e também pelo excesso de álcool. É, só podia ser por isso.

Ela continua treinando. Levanta, agacha, levanta, agacha, e então, tontura. Graças a Deus Rodrigo correu até ela a tempo e ela se agarrou em seu tronco enquanto voltava a enxergar normalmente.

–- Ta tudo bem, Ka?

Ela assente, com um sorriso falso no rosto.

–- Tudo certo.

Ele não acredita muito no que ela diz e a encara, sério.

–- É sério, Ro, ta tudo bem. – ela sorri agora com mais sinceridade. – Pode ser que agora eu tenha conseguido... posso estar grávida.

O homem ergue as sobrancelhas, ainda sério, mas logo sorri.

–- Torço por isso, minha amiga.

Ela só tem tempo de assentir e então sua visão é preenchida por vários pontos negros, que logo tomam conta de seus olhos enquanto seu corpo tomba diretamente para cima do dele e sua consciência consegue ouvir apenas o seu nome ao longe, como um eco da meia noite.

(...)

A próxima vez que Karina acorda, está ainda mais tonta e com tanta fadiga que ela jamais poderia contar. Ela abre os olhos vagarosamente e consegue enxergar primeiramente o brilho de uma lâmpada, e então o rosto de Pedro a lhe encarar preocupado.

–- Ka. – diz ele, baixinho, mas sua palavra soa alta nos ouvidos dela.

–- Onde é que eu to? – pergunta a garota, confusa.

–- Na academia. Você não queria acordar e o Rodrigo me ligou, desesperado.

Ela assente levemente.

–- O que ta acontecendo, Pê? Será que eu to grávida? – pergunta ela, preocupada.

Ele pega sua mão.

–- Não sei, mas já marquei uma consulta pra você amanhã no ginecologista.

Ela assente, sentindo um friozinho na barriga. Queria muito aquilo, queria muito estar grávida, mas de certa forma aquilo a estava assustando. Tinha alguma coisa errada ali, ela sentia isso. Arregala os olhos subitamente. No dia anterior, ela sangrara sobre o chão do banheiro. Estava menstruada, achava, por mais que o sangue já tivesse ido embora – estava acostumada com seu período desregulado quando não tomava anticoncepcional --, mas o fato de estar menstruada removia as possibilidades de estar grávida ou então... não. Aquilo não podia ser um aborto.

Mas logo ela sente seu rosto ser tomado por lágrimas que escorreram de seus olhos, tamanho era o seu desespero.

–- Shh... calma. Vai dar tudo certo. – sussurra Pedro, beijando sua testa.

Ela fecha os olhos e tenta acreditar nele.

(...)

No dia seguinte, Karina acordou nervosa. Acordou não seria bem a palavra certa, pois ela mal dormira noite passada, passara horas e horas remoendo seus sintomas.

Ela e Pedro cancelaram todos os seus afazeres para irem ao médico juntos e depois de uma rápida análise do que ela dissera, o doutor os mandou para uma outra sala, onde ela se despiu e vestiu uma pequena camisola verde, antes de se deitar sobre uma cama e segurar a mão de seu marido enquanto o doutor passava um gel branco sobre um aparelho e então, sobre seu abdômen magro.

Pareceu demorar horas para o médico avaliar as imagens do monitor, os minutos mais torturantes da vida de Karina. Ela já havia feito um exame de gravidez antes, alguns anos atrás e também se sentira tensa, mas agora a tensão era diferente. Não era o medo de carregar um ser novo nos braços, era o medo de não carregá-lo.

–- Como eu pensava... – murmura o doutor, com sua pose séria.

Karina encara Pedro, em um sinal de preocupação, se apoia sobre os cotovelos para enxergar melhor o médico, segurando ainda mais firmemente a mão de Pedro enquanto o encarava.

–- Como?

O doutor se vira para ela e parece amaldiçoar alguém em seus pensamentos quando lhes dá a notícia.

–- A senhorita está grávida – Karina engole em seco, sentindo seu corpo inteiro se desmanchar feito gelatina, seus olhos arregalados esperando o final da frase dele. --, mas infelizmente sua gravidez acontece de ser uma gravidez ectópica.

Ela aperta a mão de Pedro com mais força, já sentindo seus olhos lacrimejarem. O tom de voz do doutor, seu olhar de pena... Aquilo não parecia ser boa coisa.

O doutor desvia os olhos dos dela e os direciona para Pedro, tentando se concentrar para que pudesse prosseguir. A pior coisa da carreira de um médico, dar uma notícia ruim.

–- Isso significa que o ovo fertilizado se encontra fora do útero e isso é extremamente prejudicial para você -- ele engole em seco enquanto se vira de volta para a moça --, Karina.

A loira encara firmemente seus olhos, milhões de pensamentos e ideias em sua mente. Aquilo estava mesmo acontecendo? Sentia-se tonta, tamanha era sua decepção consigo mesma.

–- Ta, mas e o meu bebê? – pergunta ela, com a voz embargada pelo choro e desespero que já não só faziam parte dela, como a estavam tomando por completo. Chorara tanto nas últimas horas, dias e meses que havia se tornado rotina.

O médico parece pensar meticulosamente antes de dizer, suspirante:

–- O feto não tem condições de crescer fora do útero, ele apenas destruiria suas estruturas maternas e poderia levá-la a morte, por isso a senhorita deve ser levada imediatamente para a sala de cirurgia, antes que os danos sejam maiores.

Pedro sente a pressão contra sua mão afrouxar e então olha para Karina com água nos olhos.

Ela negava com a cabeça.

–- Se eu fizer a cirurgia, vou poder ter filhos depois? – pergunta, preocupada, a voz ainda embargada pelo choro que ela tentava engolir a todo custo.

O médico parece se incomodar com sua pergunta, mas mesmo assim a responde:

–- Eu sinto muito, mas suas chances cairiam muito. Pelo que eu pude ver, suas trompas estão muito afetadas então...

–- Eu vou poder ou não?! – pergunta ela novamente, sentindo suas paredes caírem e logo o chão os imitar.

O homem respira fundo.

–- Haveria trinta por cento de chance de a senhorita engravidar.

Ela aperta os olhos com força, queria não ver mais o mundo, suas dúvidas, medos, agora estavam ainda mais perto de acontecer. Ela tinha ainda mais chance de não realizar o seu sonho e ainda por cima perderia um bebê, seu filho não poderia viver.

–- Não. Não... NÃO! – e então ela aperta tão forte na mão de Pedro que ele considera a possibilidade de seus dedos quebrarem, mas não se importa, ele mesmo estava abalado demais para que reclamasse. Ele não aguentaria ver sua esposa ainda mais chateada consigo mesma, mas, quando ela abre os olhos novamente, a dor é bem maior do que ele poderia imaginar, não eram seus lindos olhos azuis ali, e sim dois olhos vazios, rachados, destruídos.

Notas finais
Capítulo mais trágico que eu já escrevi, foi muito tenso de escrever, mas espero que tenha valido a pena. Relaxem, tudo isso é para o encaminhamento da fic de acordo com a sinopse... VAI DAR TUDO CERTO no final. Se vcs quiserem saber mais sobre essa gravidez, aqui tem um link explicando: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/gravidez-ectopica Eu vi na novela Sete Vidas e essa doença foi basicamente o que faltava pra mim ligar a minha ideia – que vcs verão mais pra frente – com Perina e essa fic fazer algum sentido... Não prometo postar em dia algum, mas vou tentar fazê-lo em uma semana – reviews me ajudam. Comentem ai as suas expectativas e especulações pra essa história, to mega curiosa pra saber no que esse capítulo influenciou vcs – espero que os tenha surpreendido!!!! Beijão e até mais!