Voltando a Vida

5 Capítulo 5 - Passado, Presente e Futuro se Enfrentam


O reencontro de Alibaba com Morgiana estava longe de ter saído como planejado. Aparentemente a personalidade de Morgiana havia se tornado instável pela sofrimento causado pela perda daquele a quem um dia ela havia amado. Infelizmente ela só havia reconhecido o que eram aqueles acontecimentos após sua morte. Sua mente foi aos poucos sendo consumida pela tristeza e pelo arrependimento de não ter revelado seus sentimentos. Nesse tempo em que Alibaba não estava mais presente ela se culpava por não tê-lo impedido de lutar com Hakuryuu. Com o tempo isso a levou a acreditar que precisava obter mais poder a qualquer custo e a partir em busca de uma jornada para se tornar mais forte e nunca mais perder alguém novamente. A jornada lhe trouxe resultados, seu potencial como fanalis veio a tona e atualmente ela deveria ser tão forte, ou talvez até mais que Masrur, um dos sete generais de Sindria.

Durante uma de suas viagens de treinamento ela acabou se deparando com um grupo de bandidos que traficava escravos e vendia mulheres como escravas sexuais. Mas dessa vez o destino estava contra eles, Morgiana aniquilou a todos sem piedade. INfelizmente o restante de sua sanidade se foi junto com as vidas daqueles que tentaram capturá-la. Muitas das prisioneiras que libertou haviam sido cruelmente torturadas até o dia de sua chegada. As que eram obedientes e se entregavam ao destino de escravidão sem resistência perdiam sua dignidade, mas ao menos eram tratadas um pouco melhor.

A partir daquele dia, ela as organizou e transformou em guerreiras forjadas pela dor e ressentimento. Porém suas mentes danificadas pelos abusos e maus tratos não permitia mais que vivessem em sociedade. Morgiana então se uniu a elas e com mão de ferro deu a todos os que tentaram machucá-las o pior destino que ela conhecia: a escravidão. Mas essa justiça era falha. Várias vezes pessoas comuns eram confundidas com inimigos, capturadas e vendidas como escravos. Mesmo que alegassem inocência, a paranóia de Morgiana e suas seguidoras não permitia que acreditassem. O que a jovem fanalis havia visto nunca mais seria esquecido.

Os antigos mercadores de escravos que antes negociavam com os bandidos agora reconheciam a força de Morgiana e sabiam que não deviam mexer com ela. Mesmo porque era preferível lucrar menos do que perder o negócio.

Hakuryuu sabia que Morgiana não estava bem e tento ajudá-la, mas acabou caindo na mesma armadilha que Alibaba e foi capturado também. Como punição pelo que ele havia feito com Alibaba, Morgiana o prendeu e manteve como escravo sexual coletivo de suas aliadas. Elas o forçavam a rotinas de sexo constante quase sem descanso algum e se ele reclamasse era deixado sem comer e até mesmo submetido a privação do sono e outras torturas. As vezes a própria Morgiana abusava sexualmente dele. Não havia mais motivos para ela se guardar para seu amado. E além disso era uma vingança e tanto já que forçá-lo a trair Judal era um bom castigo, pensava a fanalis. Depois de certo tempo Morgiana se tornou cada vez mais violenta e ocasionalmente agredia Hakuryuu, mas nunca o feria gravemente, o objetivo era mantê-lo vivo apenas como um brinquedo.

Tudo corria como planejado até que Alibaba surgiu do nada depois de ser capturado. Agora ela não sabia como reagir. Deveria confessar seus sentimentos? Ele a perdoaria por tudo que ela fez durante esses anos de sua ausência? A resposta era incerta. E o aparecimento de Kougyoku era ainda mais estranho. Dificilmente ela viria salvar Hakuryuu, a única alternativa é que ela tivesse vindo salvar Alibaba. Mas como ela saberia que ele havia revivido? Todas essas dúvidas se agitavam na mente de Morgiana que agora estava ainda mais perturbada.

— Alibaba, pode me explicar o que essa mulher faz com aqui? Eu sei que você veio me procurar. Mas e ela? Me explique isso. — Perguntou Morgiana desconfiada.

— A verdade é que nós viemos juntos. Eu me encontrei com ela em Partevia e ela resolveu me acompanhar até aqui. — Alibab nunca arriscaria contar tudo em uma situação daquelas. Estava claro para ele que Morgiana havia se tornado perigosa e provavelmente insana.

— Se isso é verdade, porque vocês não foram capturados juntos? Por qual motivo ela ficou para trás e só apareceu agora? E além de tudo, essa princesinha matou duas das minhas companheiras.

— Ela não estava se sentindo bem por isso ficou na vila aqui perto. Eu disse a ela que não viesse já que estava se sentindo mal. — Alibaba tentava prevenir que Morgiana descobrisse tudo e fizesse algo com Kougyoku.

Hakuryuu mantinha-se em silêncio porque já imaginava que Kougyoku e Alibaba estivessem envolvidos e poderia ocorrer um massacre se sua captora descobrisse tudo.

— Muito bem, eu entendo. Libertem o prisioneiro.

As guardas removeram as algemas de Alibaba conforme as ordens de sua chefe.

— Agora que esclarecemos tudo, deixe-me explicá-lo como funcionam as coisas por aqui: eu libertei minhas amigas aqui presentes das mãos dos bandidos que antes comandavam essa vila improvisada. Aqui aparentemente era um ponto de venda de escravos e mercadorias roubadas. Eu aniquilei todos aqueles nojentos e assumi o controle daqui junto com elas. Qualquer um que venha atrás de nós é considerado inimigo já que ninguém se atreveria a aparecer por aqui sem motivo. Os únicos idiotas que geralmente tentam são caçadores de recompensas ou outras pessoas mal intencionadas que invadem nosso território. Eu dou a eles uma boa lição e em seguida os vendo para os traficantes de escravos que antes negociavam com os bandidos. É um bom negócio já que trocamos o dinheiro por coisas que não podemos obter por meio da agricultura, por exemplo: remédios. Tenho uma ou duas agentes que vão sempre as vilas e cidades próximas daqui cuidar disso. A questão é: você aceita o que eu venho fazendo? Você compreende? — A fanalis o colocou contra a parede.

— Eu compreendo porque vocês agem assim, mas acho que deviam sair daqui e procurar um lugar melhor onde não tenham de fazer isso tudo.

— Isso seria ótimo, mas nenhuma delas consegue mais fizer com as pessoas comuns depois de tudo que passaram. Eu não posso abandoná-las. É por isso que eu quero te pedir para se unir a mim. Seja meu marido, cumpra aquela promessa que fizemos. Fique aqui e me ajude a proteger todas elas. Eu fui muito burra e só percebia que te amava quando era tarde demais.

— Você diz que elas tem problemas, mas e os seus problemas? Pela forma como você vem agindo eu consigo notar que você não é a mesma. Vendendo pessoas para a escravidão, abusando psicologicamente e fisicamente de outras pessoas. Ficar aqui e fingir ter toda essa convicção e força para fazer essas coisas está te destruindo. Você devia pedir ajuda a Sinbad. Ele te ajudaria com todos esses problemas não precisa se sacrificar assim.

— Então você nem sequer vai considerar minha proposta. Vai me tratar como louca. Exatamente o mesmo que esse idiota que está aqui conosco fez.—Era visível o ódio de Morgiana em relação a Hakuryuu. — Eu não posso contar com Sinbad, ele deixou que você agisse de forma descuidada e lutasse com esse traste. Por isso você morreu! Se mesmo depois de voltar a vida e passar por tudo isso você nem sequer imagina a possibilidade de ficar comigo eu não posso fazer nada a não ser dar um sumiço em vocês três. Já me cansei de brincar com Hakuryuu e essa sonsa que veio com você não me serve pra nada. Mas antes de tudo tem algo que eu preciso fazer.

Morgiana agarrou Alibaba e o beijou a força.

— Sabe, nesse tempo todo eu sempre imaginei como seria ser sua mulher. Eu queria entregar meu corpo para você. Mas como você estava morto eu acabei me divertindo um pouco com outros homens, até experimentei um pouco com Hakuryuu, mas ele não parecia apreciar muito. No final sempre ficava choramingando que Judal havia morrido com você e que ela já tinha recebido isso como punição. Mas hoje eu vou ser sua última mulher Alibaba. É uma pena, se você tivesse concordado talvez eu até deixasse você ter essa princesinha como concubina.

— Tire as mãos dele vagabunda, você se deitou com esse monte de homens porque quis. E nunca vai dar a ele um filho como eu. Isso mesmo, eu sou a mulher dele agora. A primeira e última. Você sempre foi uma mulher ignorante e violenta. Nunca soube apreciar o que tinha. E agora que perdeu quer tomar de volta. Mas a realidade é que mesmo que force, Alibaba nunca seria seu. Nem Hakuryuu que era apaixonado por você há pouco tempo suportou ver esse monstro que você virou. — Naquele momento Kougyoku havia se deixado levar pela raiva e acabou falando demais. Morgiana estava a um passo de matar a todos sem nenhum remorso.

— Calada! Isso não é verdade! Não é verdade! Eu vou te matar com certeza. Morgiana se aproximou de Kougyoku e lhe deu um soco. Mas Hakuryuu se jogou na frente. O golpe o acertou um pouco acima da testa abrindo um corte que sangrava sem parar.

— Já chega! Eu fiquei quito esse tempo todo enquanto você me maltratava porque me julgava culpado por sua loucura e pelo que fiz a Alibaba e a minha prima. Mas mesmo que você me mate eu vou pedir que pare com isso. — Hakuryuu estava decido a se redimir defendendo seus amigos, mesmo que custasse sua vida.

— Já que gosta tanto deles eu vou matar essa desgraçada e você junto, quem sabe se o seu recipiente de metal estivesse com você houvesse alguma esperança. Mas aquela aliança inútil ficou com todos. Depois de te matar eu vou prender Alibaba. Ele vai me aceitar por bem ou por mal! Não, tive uma idéia melhor que matar Kougyoku. Vou vender essa piranha. Vai virar puta em alguma favela. Não me interessa se ela perder o filho ou não durante tudo isso. Ha ha ha ha! — Morgiana explodiu em uma gargalhada insana. Ela estava pronta a matar Hakuryuu.

Nesse momento o teto explodiu e entre a poeira estava alguém envolto em rukh negro, possuía longos cabelos negros , seu corpo flutuava no ar e em uma das mãos possuía um cajado.

— Parece que cheguei atrasado para festa. Se divertiu muito com essas vadias enquanto eu estava fora Hakuryuu? Agora que voltei vamos lidar com essa gorila e dar o fora daqui.

Judal havia chegado para realizar um resgate no último minuto.