Vollfeit - Interativa
10 Capítulo 9: advertências
Notas iniciais
– CAPÍTULO NOVE –
Advertências
– Então... É ela? – Joerelin olhou para Aris com animação.
– É sim – o garoto sorriu.
– Ela é linda! – disse enquanto via, ao longe, uma mulher de cabelos claros se deitar na grama do campo de treinamento. – Será que eu posso chamá-la agora?
– Claro – Aris respondeu gentilmente. – Estaremos aqui.
A garota morena assentiu com a cabeça para Aris e Neri antes de se retirar em direção à grande árvore que Liz utilizava como sombra.
Chegando na mesma, deparou-se com uma garota de feição forte e madura que parecia dormir. As madeixas, médias e castanhas, dançavam com o vento ao redor da pele clara. Joerelin, tímida, chamou-a em tom baixo.
– Olá... Você deve ser a Liz.
A irmã de Aris abriu os olhos, revelando o mesmo tom impressionante de azul do espião, e encarou a guarda.
– E você seria? – perguntou sugestivamente.
– Joerelin. Sou nova aqui e fui instruída a desafiar meus companheiros – sorriu com vergonha.
– E por que me escolheria? – voltou a fechar os olhos, parecendo estar desinteressada na conversa.
– Disseram-me que você é a melhor entre os espiões – sorriu, embora sua ouvinte não a enxergasse.
Liz soltou uma risada breve e irônica.
– Por que a melhor aceitaria lutar contra uma novata que nem é de sua divisão?
– Bem... Talvez por novatos serem capazes de dar trabalho – o volume de sua voz diminuiu, mas não deixou de insinuar um aviso.
A espiã esticou os membros e, após instantes, levantou-se.
– Se você quer ir contra um espião, que o faça como um derradeiro – puxou uma adaga da faixa que prendia sua perna e jogou para Joerelin. – Você tem até amanhã para treinar.
Liz, sem dizer mais nada, caminhou de volta para o castelo. Segurando a adaga ganha, a guarda retornou aos amigos espiões.
– Ela me deu isso e disse que tenho um dia para treinar... – contou com hesitação.
– Ela quer um duelo de espiões – Aris, com os olhos desatentos, começou a explicar. – Nós somos considerados assassinos das sombras. O que você precisará fazer é agir como um.
– Vocês não são assassinos... – Joerelin rebateu enquanto balançava negativamente a cabeça. – Sei que não são.
Aris apresentou um sorriso doce.
– Você precisará agir com cautela, silêncio e agilidade – retomou. – Ela escolherá um lugar para a disputa, que só terminará quando uma de vocês golpear e impossibilitar a outra primeiro.
– Você diz... Eu feri-la? – perguntou com espanto.
– É de sua decisão.
Joerelin concordou fracamente com a cabeça.
– E quem irá desafiar hoje? – o espião tentou distraí-la.
– Ah, é mesmo! – a guarda levou uma de suas mãos à testa. – Bem, eu não sei! – disse ansiosa. Após um tempo, continuou sugestivamente. – Aris...?
O garoto a fitou, vendo os olhos femininos brilharem de diversão enquanto seus dentes brancos apareciam entre um sorriso. Entendendo o que a guarda cogitava, olhou para Neri.
– Acho que alguém está sendo desafiado – riu.
Aris se deixou rir com a companheira. Tirou a capa preta de cima de seus ombros e a depositou no chão. Sem mais empecilhos, encarou Joerelin, incitando-a a começar a batalha.
– Corpo a corpo? – os olhos da garota se arregalaram enquanto suas mãos se levantavam, em surpresa, até seu peito como se protegesse a si mesma de uma flecha invisível.
– Alguma queixa? – sorriu, achando graça na reação alheia.
– Ah, nenhuma! – apresentou-se ligeiramente ressentida. – Estou pronta!
Movimentando as mãos como forma de aquecimento, encarou as íris coloridas de seu oponente, que continuava com ar de diversão. Disposta a não perder mais tempo, avançou pesadamente para o garoto. Com o punho para baixo, já que era mais alta que Aris, nada acertou em uma tentativa de golpear o ombro masculino, que empurrou seu braço para cima enquanto o outro era agarrado. Para resistir, elevou sua perna até as proximidades da cintura do espião, que retribuiu soltando um de seus pulsos enquanto desviava para o lado. Agora parcialmente livre, atacava outra vez tentando se separar por completo.
Enquanto batalhava com muita concentração, não pôde sentir Battle se aproximar e questionar Neri, que recolhera a manta do companheiro e o assistia atentamente.
– Considera isso um treino ou uma forma de rir? – disse, vendo seu agente desviar sem esforços de todos os ataques.
– Qualquer coisa pode ser aproveitada como treino – respondeu, mas o brilho em seus olhos deixou, em aberto, uma chance de concordar também com uma recreação.
Battle suspirou e gesticulou com a cabeça para que se afastassem dali.
– E Liz? – continuou enquanto marchavam para fora do campo.
– Desafiou-a em nossas regras – contou. – Na noite de amanhã.
O homem arqueou as sobrancelhas em ato irônico, mas seu semblante não demonstrava surpresa.
– E por que escolhê-la para essa garota? Ela acabou de entrar na guarda real.
– Foi a decisão de Aris, e eu o apoiei – respondeu calmamente.
– Não deveria ficar ao lado dessa família, Neri. Já a avisei – advertiu-a. – Sabemos o que realmente houve com eles.
– Nada de ruim acontecerá com ela, senhor – a espiã o fitou, mudando rapidamente de assunto.
– Afinal, ela não irá realmente lutar contra a melhor – retrucou com olhar aborrecido. Suspirou e continuou. – Não sei o que vocês estão tramando, mas confio em você. E apenas em você, Neri – levantou a sobrancelha novamente, agora como um recado. Antes de se retirar, disse: — E fique de olho em Joerelin. Ela tem potencial.
A espiã assentiu amigavelmente e, de longe, voltou a assistir o desafio da corajosa guarda. Lembrando-se das últimas palavras de seu chefe, deixou um sorriso irônico transparecer em sua face por ligeiros segundos.
(...)
Kodir encarava a face irritada de Joseff por horas, já que no homem via o único jeito, até agora, de descobrir a verdade. Dentro da sela solitária e úmida do criminoso, estava sentado em um banco baixo de madeira posto à frente das correntes que prendiam o líder do Corpus.
– Sabe que a pena para essa situação é a de morte – Kodir, já esgotado, contou. – Vocês não têm muito tempo até prepararem os venenos.
– Certamente justo. Deixe-nos morrer por não terem capacidade para contornar o feitiço daqueles homens – respondeu rispidamente. – Vocês não fazem ideia do que realmente é, não?
O chefe da guarda real suspirou e se levantou, carregando e depositando o pequeno banco próximo à porta do calabouço.
– É melhor que um de vocês mude de ideia – disse entediado enquanto atravessava a entrada.
No corredor iluminado por várias tochas, devolveu a chave da prisão anterior para um idoso sentado entre os primeiros cárceres. Nestes, a filha de Joseff e um de seus companheiros, Will, eram questionados por outros empregados de Diellor. O que ouvia por fora daquelas portas grossas de madeira eram murmúrios baixos enquanto passava pelas mesmas antes de abandonar o local.
– Conseguiu algo? – um homem com barba comprida o abordou assim que saiu em direção à escada.
Kodir movimentou a cabeça negativamente.
– Ou ele é um bom ator, ou o famoso Corpus realmente não quis participar daquilo – respondeu com seriedade enquanto subia velozmente os degraus.
– Eles são assassinos, Kodir – disse em tom de reprovação. – Não se esqueça de que são perigosos.
O guarda assentiu. Tocou rapidamente o ombro do espião do Sol como despedida e, chegando ao fim da escada, contornou o palácio até alcançar o salão de sua majestade. Dentro, encontrou o rei.
– Kodir, esteja a postos para hoje à noite – Anorus o convocou assim que entrou no cômodo.
Mesmo recebendo uma ordem inesperada, concordou rapidamente. Começou a imaginar o que acontecera no reino enquanto estivera nos calabouços do castelo. Independentemente do evento sabia, através da expressão fechada do rei, que o ocorrido não era bom.
– Senhor, não conseguimos retirar nada dos integrantes do Corpus – relatou após sair do modo reflexivo em que sua mente havia entrado.
– Não se esperaria nada menos desses homens, não é? – acenou com a cabeça. – Se tudo ocorrer como planejado hoje, não precisaremos manter a fé nesses criminosos.
– Senhor...? – perguntou persuasivamente para que seu rei sanasse as dúvidas que aumentavam a cada palavra.
– O homem de Neri está aqui, Kodir... Ele se atreveu a entrar novamente nestas terras – com olhar determinado, contou. – E, desta vez, sozinho.
Fale com o autor