Voe X Livre X Coração X Selvagem
11 Voe X Pelo X Deserto - Parte 05
Os Hunters Chezan e Angela limpam a área sem dificuldade, nocauteando os saqueadores que encontram sem muito esforço. Sequer precisam usar de suas habilidades com nen para enfrentar aquelas pessoas. Charles luta com um escudo em seu braço direito, que defende alguns tiros desferidos contra ele e Angela e também usando para bater contra os pobres coitados. Está preocupado com Gisele e Arthur e quer tentar terminar de lidar com isso o mais rápido possível.
Angela igualmente está com essa pressa para ver os outros jovens, preocupada com cada um deles. Toda vez que tenta avançar, de forma imprudente, Chezan precisa aparar diversos tiros com seu escudo.
— Foi mal — Angela rosna, frustrada consigo mesmo.
— Não tem porque pedir desculpa, minha amiga — ele diz, em resposta. A voz calma e amigável, como sempre. — Apenas precisamos nos focar no agora. Nero está indo na direção de nossos jovens alunos. Ele irá cuidar disso.
Angela bufa. Ele tem razão. Ela se volta para os saqueadores. Não demora muito para um deles receber um soco no meio do peito da Hunter. Já ficou irritada demais por Manny ter mentido que quebrou a perna. E agora isso? Esses saqueadores iriam pagar por isso.
Nero caminha calmamente pelo chão de terra dura, pedregoso. Muriel ergue o olhar, com um sorriso iluminando seu rosto, apesar da dor. Ela conseguiu.
— Olá, Muriel — Nero diz, calmamente. Seu olhar se enche de dor ao olhá-la de cima a baixo. Está ferida.
Tess está paralisado. A aura daquele sujeito é algo assustador. É forte demais. Poderosa demais. Não sabe se deve sequer tentar lutar contra ele. E se ele tentar fugir? Será que conseguiria? Não. Ele estaria a pé contra pessoas que provavelmente vieram até aqui com algum veículo. Seu plano foi por água abaixo! Tess não nota, mas está hiperventilando, ele emana insegurança e medo. E Nero percebe isso, dando um passo à frente.
— Escute… — o Hunter fala, em um tom calmo.
— Cala a boca! — Tess grita e pula até Muriel, a segurando pelo pescoço. Ele tira sua faca do cinto e coloca ela próxima da barriga da garota. — Se chegar perto a garota morre!
Nero ergue uma sobrancelha. Está usando o terno de sempre. Muriel não tem forças para lutar contra o mata-leão do saqueador, que a mantém de refém. E ela olha para Nero com medo. Medo de morrer. O Hunter reconhece aquele olhar e ele respira fundo, sua expressão calma e pacífica ficando séria e convicta.
Tess se lembra de piscar. De puxar o ar para dentro do corpo, nervoso, e quando sua consciência retoma, a lâmina da faca já estava estilhaçada. O braço que antes envolvia o pescoço de Muriel foi puxado para longe da garota, abrindo o braço do saqueador. As sobrancelhas de Tess ainda estavam no ato de se arquearam, devido ao susto, quando então ele percebe que o Hunter, Nero, está na sua frente. A mão dele se encontra com seu rosto antes de sua expressão de surpresa na face do saqueador chegar ao seu ápice.
Tess cai para trás, rolando todo torto. Nero segura Muriel, pegando-a no colo.
“Tão rápido” ela pensa, um tanto pasma, mas com uma sensação de alívio enorme aflorando em seu peito.
— Mestre Nero — ela murmura.
— Shh… — ele diz, com a expressão de calma em seu rosto. — Descanse. Você fez um bom trabalho.
— Fiz? — ela pergunta, com os olhos se enchendo com lágrimas que Muriel sequer entende porque estão surgindo.
Nero faz que sim. Ele caminha até a grade da jaula onde estão os outros alunos. Marta e Johnny estão boquiabertos, nenhum dos jovens consegue expressar verbalmente o que sentem. Ele coloca Muriel encostada ao lado da grade e olha para as crianças ali, sorrindo.
— Já vou tirar vocês daí — ele diz.
Ele caminha até o saqueador, ainda caído no chão. Tess sente seu rosto todo formigar de dor ele ergue o olhar e vê aquele Hunter, andando calmamente na direção dele. A silhueta do homem tapou a luz do sol, que agora o adorna quase como um santo que desceu a terra, deixando aquela silhueta ainda mais poderosa, já não bastasse aquela aura assustadoramente grandiosa.
— Por favor, entregue a chave — o Hunter pede.
Tess gagueja, sem conseguir responder. Sem conseguir reagir. O Hunter se abaixa, ficando de cócoras e com o olhar na altura dos olhos de Tess.
— Por favor, eu não quero que haja mais conflito aqui. Me entregue a chave, sim?
As mãos do saqueador, trêmulas, pegam a chave dentro dos bolsos da calça e entregam para o Hunter, que sorri.
— Obrigado — ele diz e se levanta.
Nero chega na cela onde estão os pupilos dele e de seus dois colegas Hunters e calmamente abre a jaula.
— Pronto. Estão a salvos agora — ele fala, aliviado. — Precisam de ajuda?
Nero começa a ajudar as crianças, uma a uma, a sair dali. Até mesmo o pai da família que Marta e os demais quiseram ajudar recebe o mesmo nível de atenção e cuidado. Nero analisa os machucados de cada um e pede para que eles esperem sentados, visto que Chezan e Angela já devem estar chegando.
Muriel observa aquilo em silêncio, se sente esgotada. Cansada. Seu corpo todo dói e grita fadiga. Sente que foi ao seu limite mas que também fez um bom trabalho. Ela conseguiu ser vitoriosa onde nenhum dos outros — Marta, Johnny e afins — conseguiram. Foi esperta, teve um plano e conseguiu controlar sua força. Não matou ninguém.
“Eu já matei alguém” ecoa na mente da garota.
Ela baixa o olhar, se sentindo mal por quem ela é. Se ela tivesse sido mais forte, treinado mais, talvez não estivesse tão destruída agora. Talvez tenha que voltar junto com Manny. Vai perder o treino.
— Droga — murmura Muriel, baixando a cabeça. Sua visão se tornando turva. Sente sua consciência escapando.
— Muriel!
Ela ergue o rosto, se esforçando para se manter consciente, e vê Marta e Johnny, ambos preocupados, diante dela. Muriel sorri. Johnny tem lágrimas nos olhos.
— Eae — ela resmunga, sorrindo.
— Você tá bem? — Johnny pergunta, não conseguindo conter a preocupação.
— Não grita — Muriel pede, fechando os olhos por causa do volume da voz dele.
Marta ri, enquanto Johnny se encolhe, envergonhado, pedindo desculpas.
— Onde dói? — Marta pergunta. — Você apanhou… Bastante.
— Sim. — Muriel sorri, mais serena.
— Sim? Onde dói? — Marta repete a pergunta, confusa.
— Sim, tudo dói.
Marta revira os olhos.
— Fico feliz que teve um plano que deu certo, na verdade — Marta diz, passando a mão pelo rosto, tirando o cabelo da frente do olho. — Achei que só ia ser pega, no fim das contas.
Muriel dá um risinho.
— Você lutou bem, Muriel. Parabéns. — Marta se levanta. — Você evoluiu bastante.
Johnny sorri, enquanto faz carinho nos cabelos de Muriel. Ela realmente cresceu bastante desde que chegou.
— Vou te descer a porrada, jogadora de futebol do caramba. Desce aqui. Vou morder sua orelha. Te sentar a porrada, espera só. Agora sou mais forte que você — Muriel diz.
Marta respira fundo.
— Eu não disse que você é mais forte que eu.
— Você foi presa, eu não — Muriel retruca.
Marta abre a boca, pronta para retrucar, mas não o faz. Apenas solta um riso misturado com uma bufada de ar.
— Você não muda — a garota diz.
— É meu charme — Muriel responde.
Chezan e Angela finalmente chegam, e os olhos dos ambos se enchem de emoções ao ver seus alunos ali. Angela corre até Agni, que está com machucados leves. Gisele e Arthur, que estão bastante machucados, erguem o olhar assim que uma sombra surge diante deles: Chezan, que está segurando o choro.
— Vocês estão bem? — o Hunter choraminga.
Gisele sorri pelo jeito de seu professor.
— Apesar dos machucados? Sim, estamos — ela responde. — Obrigado por vir, Mestre Chezan.
Arthur apenas assente com a cabeça positivamente, desviando o olhar.
— Vocês não precisam agradecer! — grita Chezan.
— Professor, não grite — Arthur pede, fazendo uma careta pela voz alta.
Nero, ao fundo, solta um pequeno riso. Ele guarda seu celular no bolso, após terminar de avisar a polícia sobre a captura dos saqueadores da estrada. Se volta para os jovens e seus colegas Hunters.
— Angela, poderia tratar deles? Estão feridos — ele pede.
Angela assente com a cabeça. Alguns poderia fazer mais do que os outros. Seu hatsu, sua técnica com base em nen, é cheia de condições para funcionar. Sabe que não pode fazer muito pelo pai da família que estava com Manny. Por sorte, parece estar só com machucados superficiais e a fome e desidratação. Isso pode solucionar no caminhão, onde estão Manny, a família e Derren.
Agora com os demais jovens é complicado. Ela aproveita que já está próxima de Agni e deixa seu nen fluir para fora de seu corpo e tomar a forma de sua técnica, um anjo humanoide, com um par de asas brancas. Possui alguns panos cobrindo sua cintura e que circunda seu torso. Ao fim, ele tapa o rosto do anjo. O anjo se aproxima de Agni, que já conhece a habilidade de sua professora, e toca o lado esquerdo do peito do rapaz. Aura preenche o corpo do rapaz, curando-o.
O anjo então se aproxima de Gisele e Arthur, repetindo o mesmo processo neles. Os dois se espantam um pouco ao ver a técnica de Angela diante deles e Arthur fica teorizando sobre o que exatamente seria. Gisele não recebe uma cura completa e ainda sente dores fortes no corpo, mas consegue sentir um grande alívio espalhar-se por ela. Em Arthur, essa cura é ainda menor. Ele cumpre ainda menos das condições para a técnica de Angela ser efetiva.
Chezan morde o lábio, conhecendo qual é a habilidade de nen de sua colega: Toque de Anjo. Angela pode enviar esse anjo para curar uma pessoa com base em uma porcentagem de quantas condições ela cumpre, que giram ao redor de conhecer e conviver com Angela. Agni, por exemplo, foi curado em sessenta por cento, enquanto Gisele em quarenta e Arthur em trinta.
Ela se vira para os alunos de Nero. Johnny e Marta teriam uma cura melhor. Agora Muriel, pode fazer muito porco por ela. Talvez com sorte, curar trinta por cento dos machucados da garota, que parece bastante machucada.
"Provável que ela vai ter que voltar conosco” Angela presume, conforme cura aqueles jovens.
Muriel, de fato, não recebe uma cura tão grande. A garota fica surpresa com aquilo, de todo modo, ficando espantada com a melhora que sente. Após curar todos que podia, o anjo de Angela se desfaz em um brilho, que retorna para a Hunter.
— Tente não se mexer muito, Muriel — Angela aconselha.
— Mas eu me sinto tão bem! — ela exclama.
Nero solta um riso, tapando a boca com sua mão.
— Você ainda está ferida, minha querida. Se mover demais pode talvez agravar sua situação, entende?
A garota bufa mas que faz sim, cruzando os braços.
— O caminhão está lá em cima, vamos até ele, sim? — Nero sugere, começando a ir na direção das escadas que levariam para cima.
— Deixaram o caminhão com minha família sozinho? — o pai pergunta assustado.
— Não se preocupe, deixei sua esposa armada — explica Angela.
— Como estão Derren e o Manny? — Agni pergunta, preocupado com seus dois colegas.
— Manny está perfeitamente bem, Derren sofreu alguns pequenos machucados mas Angela já cuidou dele — Chezan explica.
Agni suspira aliviado.
— Aliás, de quem foi o plano? — Angela pergunta.
— De ser presos? Inicialmente do Arthur, por ser teimoso e querer andar sem fazer pausas — Gisele responde, olhando para Arthur irritada.
— Perdão — ele pede, envergonhado.
— Estou falando de nos chamar. E fazer Manny mentir que quebrou a perna — Angela explica.
— Ah, isso foi ideia do Derren — Muriel responde, casualmente.
Marta olha para a colega com intuito de dedurar ela, mas após tudo que Muriel fez para resgatá-los, teme soar ingrata. No fim tudo acabou bem, afinal. Muriel os salvou, não tem porque entregá-la.
— Mesmo? — Angela pergunta, desconfiada.
— Foi a Muriel — Marta fala de prontidão.
— Ei, “qualé”! — Muriel se volta para Marta, se sentindo traída.
Nero solta um pequeno riso.
— Parabéns pelo plano de resgate, Muriel. Apesar de ter sido demasiadamente arriscado — ele fala.
Eles chegam no caminhão, com Manny acenando. Derren também está ali. Não se machucou tanto e Angela a curou, de todo modo.
— Fizeram um bom trabalho ajudando essa família e lidando esses saqueadores — Nero diz, ao chegar no caminhão, se virando para os jovens. — Vamos levar a família e Manny para York Shin.
Agni arregala os olhos.
— Você vai desistir, Manny? — exclama Agni.
O garoto, no caminhão, ri envergonhado.
— Acho que é o melhor a se fazer — Manny responde, tímido.
— Eu também vou. — Derren ergue a mão.
— Até tu? — Agni exclama de volta. — Vou ser o único aluno de Angela nessa corrida? Ó, que destino cruel.
Derren ri e Gisele também caminha, mancando, até o caminhão. Seu tornozelo direito ainda dói bastante, além de todo o restante de seu corpo.
— Por mim deu também — ela fala. — Culpem o Arthur.
Arthur baixa a cabeça, envergonhado por tudo que acabou causando por causa de sua teimosia. Chezan dá um tapinha nas costas do aluno.
— Não se desmotive, Arthur! — o Hunter fala. — Continue e vença. Aprenda com seus erros, isso é um treino, afinal.
Arthur assente com a cabeça. Ainda possui machucados e dores pelo corpo mas as palavras de seu mentor o dão uma certa carga de motivação. Chezan sorri, vendo essa fagulha de determinação nos olhos de seu aluno, e caminha na direção da porta do motorista do veículo.
— Ninguém mais quer entrar? — Nero pergunta, juntando as mãos. — Johnny, Marta, Muriel?
Os três negam com a cabeça. Nero sorri.
— Não acha melhor voltar, Muriel? — Chezan pergunta preocupado. — Você está bastante machucada.
Muriel ri, se espreguiçando. E dando um pequeno gritinho de dor. E então retornando a rir.
— Nem! Só preciso de um pouquinho de cereal, uma comidinha, e tô de volta a ativa — ela fala.
Muriel começa a tirar um pacote de cereal amassado e um chocolate de dentro de sua roupa. O chocolate de Johnny.
— Alguém teria uma caixa de leite? — Muriel se volta para os demais.
— Tem dentro do caminhão — Nero responde, calmamente.
Muriel vai alegremente, saltitando, até o caminhão. Ela retorna com o pacote de cereal aberto e cheio de leite.
— Divide? — Agni pergunta.
— Arranja o teu — ela responde, abraçando o pacote, protegendo-o.
— Ah, poxa. — Ele baixa o olhar.
Muriel faz carinho nos cabelos dele.
— Ei, não fica triste não. Sei que tu consegue descolar seu próprio cereal — ela diz. — Você é meu tigrão.
— Ele é? — Johnny pergunta, erguendo a sobrancelha.
Muriel se vira para o colega, discutindo com ele. Agni solta um risinho e se volta para Arthur.
— Só eu como aluno da Angela e só você como aluno do Chezan, hein? — Agni fala, colocando as mãos na própria cintura.
— Sim — Arthur responde, secamente.
— Estou ansioso por quem vai ganhar entre nós dois. De todo, somos nós dois contra três alunos do senhor Nero.
Arthur volta o olhar para os três alunos de Nero. Eles têm um potencial gigante. Enquanto Johnny e Muriel conversam sobre garotos, Marta se aproxima de Angela e Nero.
— Como estão as coisas em York Shin? — ela indaga.
Angela, de braços cruzados, ergue a sobrancelha.
— Bem... — Ela faz uma pausa, organizando os pensamentos. — Os Igualitários estão dando problemas aqui e ali. Fazendo manifestações cada vez mais agressivas. Tentado atingir diretamente algumas pessoas.
Angela olha para Nero, pensando se deve dizer dos rumores de que alguns executivos aqui e ali foram encontrados mortos, com os Igualitários como suspeitos. Nero sutilmente nega com a cabeça. Não é bom contar isso para eles. Não agora.
— Estamos tendo que trabalhar quase dobrado para conseguir cumprir nossos deveres protegendo o Tiradentes — Angela comenta, revirando os olhos.
— Entendo — Marta resmunga, coçando a nuca.
— Mas vai dar tudo certo, não se preocupem — Angela fala, colocando a mão no ombro de Marta. — Vamos dar conta disso.
O rosto de Angela se ilumina.
— Aliás! Suas malas, que vocês deixaram na caverna com Manny, estão conosco. Venham pegá-las. — Ela caminha até a caçamba do caminhão. — Manny, alcance-as para mim, sim?
Nero se espreguiça, caminhando para dentro do caminhão, se preparando para partir. Os jovens pegam suas mochilas e se preparam para continuar o treino.
— Vocês já avançaram bastante. Não desistam. Sei que todos vocês são capazes, mas saibam que o importante é dar o seu melhor. Não é sobre vencer, e sim, sobre crescer.
Todos os jovens restantes assentem com a cabeça, e vem o caminhão partir, com Manny, Derren e Gisele acenando para eles. Muriel gargalha.
— Qual a graça? — Johnny indaga.
— Agora tenho certeza que não vou chegar em último e precisar fazer treinos extras — ela responde.
Agni ergue uma sobrancelha.
— Porque não foi junto direto então? — ele pergunta.
— Vai que essa leva toda de desistentes conta como apenas um. — Muriel se vira para Agni. — Não queria me arriscar.
Agora vendo as costas de Muriel, Johnny nota o quanto está cheia. Mais do que estava quando o treino começou. Sua expressão se fecha, pensativo.
— Muriel, como sua mochila ficou tão cheia? — ele pergunta.
Ela olha para ele sobre o ombro, com um sorriso travesso. Seus olhos riem para ele, quase como uma espiral caótica.
— Por que será? — Ela cantarola. — Por que será?
Mal sabe Johnny, que ela aproveitou que seu plano contava com Manny e Derren acabando desistindo e retornando para casa. E por isso, enquanto Manny não olhava, ela pegou a comida e água da mala dele. E enquanto Derren não olhava, ela pegou a comida da mala dele. Agora ela sabe que está bem abastecida. Pode ir com calma, tem segurança de tudo que irá ocorrer bem.
— De todo modo, não vou correr nem nada. Corram vocês. Eu já tô de boa — ela diz, colocando as mãos no bolso, relaxando os ombros.
— Tolice, Muriel — Marta bufa. — Precisamos ganhar.
— Por quê? — ela exclama em resposta.
Marta bufa, levantando a mão até o nariz, massageando ele. Agni ri.
— Talvez seja determinação que lhes falte — Arthur diz, olhando para o horizonte, na direção de York Shin.
Agni olha para ele e revira os olhos, rindo.
— Pare de drama. Isso é um treino — ele diz.
— E como você deveria ter aprendido — Marta fala antes que Agni conclua seu ponto, dando um passo a frente. — Determinação aplicada de modo burro e teimoso apenas causa problemas. Você deveria ter analisado consequências.
Arthur bufa, desviando o olhar e cruzando os braços. Ela tem razão. Agni coloca uma mão no ombro de Arthur.
— É por causa disso que se chama “treino”, Arthur — ele diz, não em um tom de zombaria, mas com sinceridade.
O garoto acena positivamente com a cabeça. Johnny tenta falar algo, com vergonha de interromper a conversa.
— Desculpa se fui rude — Marta diz.
— Eu também fui — Arthur responde, abanando a mão na direção dela.
— Que fofo, uma reconciliação — Agni ri. — Muito bem, agora se abracem.
— Vai se ferrar, Agni — os dois respondem em uníssono.
Agni ri, erguendo as mãos. Johnny a boca, mas antes que pudesse falar, Agni diz por cima:
— Opa, calma lá. Parece que os ânimos ficaram meio quentes, ahn? — Ele desvia o olhar. — Parece que uma jogadora de futebol e um espadachim metidos a Hunters ficaram bravinhos comigo, hein?
Marta e Arthur ameaçam ir para cima de Agni, que tira um isqueiro do bolso de sua camisa. Johnny dá um passo à frente, tímido.
— Posso interromper só um pouco?
Os três olham para Johnny Glusive falando juntos um alto “o que foi”. O rapaz solta um risinho tímido, apontando para a estrada. Muriel está já bem longe deles. Correndo com tudo. Eles morderam a isca dela de ficar discutindo. Os queixos dos três cai.
— Aquela… — O punho de Marta se fecha, com ela irritadíssima.
Agni sai correndo, com Marta e Arthur em seguida. Johnny gargalha, estando sem muita pressa de sair correndo. Ainda está mexido com tudo que aconteceu, um pouco cansado. E aliviado que tudo acabou bem. Ele fecha os olhos e por um momento, pensa ter sentido, além da aura de Marta, Agni e Arthur, uma quarta aura. A de Muriel.
Johnny arregala os olhos, se concentrando nisso agora. Não sente nen nela. Ao menos ele acha. Ela foi, de fato, atingida pelos golpes de Tess, imbuídos com nen.
— Só o tempo pode dizer se senti ou não — ele resmunga para si mesmo.
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