Você é o Próximo
4 Coloque A Culpa No Alcool
Notas iniciais
A campainha tocou. O toque da mesma fez Roderick descer as escadas da própria casa que acessavam o segundo andar. Pela pouca claridade lá fora, indicava que já era noite. Ele abriu a porta e viu Jane, Mason, Spencer e Madison do lado de fora.
— Entrem, fiquem a vontade. — Roderick disse, abrindo passagem para eles entrarem.
Após Shelby ter passado a lição, todos os integrantes decidiram reunir-se na casa de alguém para realizá-la. Roderick era o único, cujo os pais estavam viajando, e apesar de nunca ter recebido ninguém, dessa vez não se importou em compartilhar seu espaço.
O toque da campainha soou novamente, mas Roderick não estava mais ali. Spencer resolveu abrir a porta para não ficarem esperando. Unique e Ryder pareciam desconfortáveis e entraram apressados.
— Onde Kitty está? — Madison perguntou, notando a falta da parceira.
— Ela não quis vir. Acho que terá que ir até a casa dela — Ryder respondeu, dando de ombros.
Madison fechou a cara após ouvir Ryder.
“Logo com quem ela fez dupla”. Pensou. Ela pegou seu casaco, deu um beijo no rosto do irmão e encaminhou-se até a saída.
— Madison, espera! — Mason gritou, mas ela já havia batido a porta. — Droga, como vou para casa depois. — Ele disse para si, cabisbaixo.
— Eu posso te dar carona, se quiser, é claro. — Spencer disse.
— Bem, eu acho que vou aceitar. — Mason respondeu, ruborizado.
Spencer sorriu contente e o pegou pela mão, carregando-o até os fundos da casa. Mason foi surpreendido, mas gostou daquela sensação que o outro garoto o fazia sentir. Sempre ouviu falar sobre as tais borboletas no estômago que sentiria ao se apaixonar pela primeira vez. Será que eram borboletas?
— Para Onde está me levando? — Ele perguntou curioso.
— Os fundos, lá é mais tranquilo para conversar — Spencer respondeu.
Os dois chegaram em minutos e sentaram no piso gelado de uma pequena área. Os fundos não eram cobertos, havia uma extensão que servia de jardim. As estrelas iluminavam todo o lugar, era lindo. Spencer ainda não soltara a mão do garoto. Ambos olhavam para cima, admirando o céu brilhante.
— Está bonito, não é?— Mason disse, ainda olhando para cima. — Nunca o percebi tão vibrante como está agora, nem tão bonito.
— Neste momento, ele não é tão bonito quanto você. — Spencer respondeu, olhando diretamente para Mason.
As bochechas do garoto coraram e ele abaixou a cabeça, enquanto tentava disfarçar o sorriso.
— Todos esses elogios.. Achei que caras como eu não lhe agradavam. — Mason levantou a cabeça e disse sério. — Todo aquele discurso soou inteiramente preconceituoso. Na minha visão você não se aceitava e não aceitava todos ao seu redor.
Spencer arregalou os olhos, surpreso.
— Eu falo muitas coisas idiotas, eu sei, mas desde a primeira vez que lhe vi não consegui parar de pensar em você.
Mason sorriu contente. Ele gostava de Spencer, mas nunca tinha ficado com nenhum menino, muito menos meninas, mas desde criança ele sabia do que gostava. E nesse momento, era do loiro alto que segurava de forma suave suas mãos. No entanto, o sentimento de insegurança ainda dominava cada parte do seu corpo.
— Escute, eu nunca beijei ninguém — Ele disse, parecendo envergonhado.
Spencer sentiu que as mãos do garoto tremiam mais constantemente agora, ele resolveu apertá-las para fazê-lo sentir segurança.
— Você pode ficar calmo, eu não quero apressar nada entre nós. Vamos fazer tudo ao seu tempo.
— Por enquanto, eu estou amando segurar suas mãos. — Mason disse, expressando um semblante mais tranquilo.
— Eu também. — Spencer falou, lançando um olhar acolhedor para o garoto.
Os dois permaneceram concentrados no brilho das estrelas que os rodeavam, enquanto a música tocava lá dentro. Na cozinha, Unique enchia um copo com água da torneira, Ryder parou ao seu lado, enquanto bebia algum tipo de bebida alcoólica.
— Não vai beber? — Ele perguntou, enquanto olhava o copo nas mãos dela.
— Não, prefiro água. Pode anotar isso para a tarefa — Ela respondeu, ríspida.
— Qual é seu problema cara? — Ryder perguntou irritado com a resposta que ouviu.
Unique sentiu um calor repentino subir por todo o seu corpo. Ela largou seu copo com força antes que arremessasse na cara do garoto ao seu lado. Ela se virou para ele e o fez perceber que a havia irritado.
— Meu problema é você me tratar como um garoto. Me esconder e esconder o que tivemos, como se fosse algo vergonhoso ou pecaminoso. Tenho problemas com sua namorada me provocar a cada vez que passa por mim, e com você acreditar que mandar ela parar, resolve isto.
Ryder olhava para ela com semblante arrependido. Sabia toda a dor que havia causado nela por todo esse tempo e o sentimento que ele vem carregando apenas o sufocava. As lágrimas que ele segurava iam se dispersando por todo o rosto. Ele não podia mais suportar não tê-la.
— Eu não te trato como um garoto, nem te vejo como um. Você se identifica como uma garota e é linda, mas é difícil entender o que eu senti. — Ryder disse, limpando as lágrimas — Eu fiquei com Kitty para esquecer nosso relacionamento, mas a cada a vez que te vejo, é uma lembrança boa que retorna. Eu preciso de você.
Ryder segurou o rosto de Unique com todo o cuidado, como se fosse frágil a ponto de quebrá-lo com seu toque, aproximou seus lábios dos dela e a beijou. No início, Unique relutou, mas depois entregou-se ao próprio desejo.
Jane entrou apressada na cozinha e gritou ao vê-los envolvidos naquele beijo. O grito os fez se afastarem assustados. Ryder e Unique sentiam-se envergonhados, e ao mesmo tempo incomodados por terem sido interrompidos.
— Me desculpem, eu não fazia ideia! — Jane lamentou-se corada — Alguém viu Roderick? Eu não o encontro em nenhum lugar nenhum.
— Acho que ele está no quarto. — Ryder respondeu, de cabeça baixa.
— Ah sim, vou procurá-lo então.
Jane respondeu lançando um sorriso orgulhoso para a amiga e saiu. Unique ajeitou seu vestido e virou-se para o garoto que ainda encarava os próprios pés. Ela segurou suas mãos e teve atenção curiosa para si.
— Acho que merecemos uma chance, mas não podemos mais nos esconder.
Ryder concordou com a cabeça, se aproximou novamente dela e tornou a beijá-la. Dessa vez não houve interrupções.
♪
Blaine desceu do carro que acabara de estacionar no campus da faculdade. De lá se ouvia o ritmo acelerado da música que ficava cada vez mais alto a cada passo que ele dava. Suas pernas começaram a tremer, ele queria voltar para casa, ficar no conforto do seu sofá. Estaria lá, quando Kurt chegasse, os dois conversariam e acertariam as coisas, como sempre fizeram.
Não, ele não era tão patético. Talvez sim, ele voltaria mais cedo e iniciaria aquela conversa, mas antes, faria questão de se divertir um pouco. Diversão era algo que ele desconhecia há muito tempo.
Ele passou pelo gramado repleto de estudantes que dançavam esquisitos. Até riu de alguns enquanto passava, mas sem que os mesmos percebessem. Procurou em todo canto Karofsky, mas sem sucesso, foi então seguindo em frente pegar alguma bebida.
Havia uma mesa repleta de bebida, ao lado havia uma igual só para comidas. Blaine encheu um copo com vodka e prometeu a si mesmo que seria o único que beberia.
Dois garotos vinham se aproximando. Os dois pareciam entusiasmados até demais. Eles tinham mechas coloridas por todo o cabelo negro. Um deles abraçou Blaine, como se fosse íntimo, com isso, ele quase derrubou o copo de bebida no chão, mas foi salvo pelo outro garoto que o segurou rapidamente. No entanto, esse garoto retirou um vidro pequeno com uma substância e jogou a mesma dentro do copo, sem que Blaine pudesse perceber.
Irritado, Blaine tratou de soltar-se dos braços daquele menino esquisito e pegou seu copo de volta. Os dois olharam para ele satisfeitos e recuaram quando viram Karofsky se aproximar.
— O que eles estavam fazendo? — Karofsky perguntou, suspeitando das duas criaturas.
— Acho que estavam chapados, sei lá. — Blaine respondeu, dando de ombros e tomando goles da bebida.
Blaine tocou a testa e franziu o cenho.
— Essa música está me deixando com dor de cabeça.
— Vamos para o meu dormitório, lá está calmo. — Karofsky ofereceu e Blaine aceitou.
Durante todo o trajeto ele foi bebendo a vodka e sentindo-se estranho. As pessoas pareciam se mexer em câmera lenta, depois não sentia mais a grama e começou a achar que flutuava. Algumas vezes seus joelhos cediam e quase caía. Quando chegaram na porta do dormitório, ele caiu inconsciente. Karofsky o levantou e o pôs na cama. Assustado, ele supôs que os garotos drogaram Blaine e pretendiam fazer alguma maldade.
O celular do amigo vibrou e instintivamente Karofsky pegou e leu a mensagem que acabara de chegar. Era de Kurt avisando que chegaria mais tarde que o esperado. O homem sentiu raiva repentina e olhou pesaroso para Blaine desmaiado. Desde o inicio do semestre, ele tem sido confidente de Blaine. Soube das brigas e até dos pensamentos de divórcio que foram compartilhados. Ao mesmo tempo, viu seus sentimentos crescerem e enxergava uma oportunidade de finalmente separá-los.
Sem pensar muito, Karofsky retirou a camiseta que Blaine usava, abriu o zíper da calça dele e abaixou na altura dos joelhos. Pegou o celular e tirou uma foto, enviando, após, com uma resposta:
“O sexo foi tão exaustivo que o pobrezinho caiu no sono. Fique o tempo que precisar, ele não se importa mais”
♪
O celular de Kurt vibrou. Ele organizava alguns papéis importantes para Sebastian. Os dois constantemente trocavam olhares e isso o deixava nervoso. Sentia necessidade de beijá-lo, mas não faria nada. Pelo menos por enquanto.
Ele pegou o celular e abriu a mensagem. O número era de Blaine. Seus olhos marejaram em lágrimas no mesmo instante, Sebastian logo percebeu e levantou preocupado.
— O aconteceu Kurt?
O jovem de olhos azuis não respondeu. Ele jogou o celular com força na escrivaninha ao seu lado e correu para o banheiro. Sebastian visualizou a foto e ficou enojado pela falta de respeito. Ele correu atrás dele para consolá-lo, segurou seu braço e o puxou para abraçá-lo. Kurt soluçava em seu peito, enquanto recebia carinhos pelo cabelo macio.
— E-e-u quero me vingar. Odeio aquele idiota. — Kurt disse, em meio aos soluços — Me beija Sebastian! — Ele impulsionou seus lábios contra os de Sebastian, mas foi afastado rapidamente.
— Não, isso vai fazer você se sentir pior depois. Por favor, se acalme. Se quiser, pode dormir na minha casa.
Kurt limpou as lágrimas e acenou negativamente com a cabeça.
— Não, eu quero conversar com ele. Se eu não tivesse adiado isso, não estaria assim. — Kurt disse, tentando se recompor — Obrigado por me impedir de fazer besteira. — Ele lançou um sorriso agradecido e o abraçou.
— Se alguém descobrir que eu me neguei a te beijar, eu certamente negarei.
Kurt riu e soltou Sebastian. Os dois voltaram para a sala, pegaram suas coisas e foram em direção ao elevador.
Jane bateu duas vezes na porta e adentrou o quarto de Roderick. Ele estava deitado, lendo um dos livros de Harry Potter. Ela acendeu as luzes e o recinto parecia mais uma espécie de santuário. Haviam pôsteres, artigos para colecionadores, entre outras coisas.
— Roderick, eu estava te procurando e você ficou aí lendo? — Jane repreendeu o garoto, irritada.
— Eu já estava descendo. — Ele respondeu, dando de ombros.
— Agora está tarde. Meu pai disse que está vindo me buscar. Eu te mando por e-mail e você também, ok? — Ela sugeriu
— Ok. — Ele respondeu, indiferente. — Agora vamos, não quero ninguém no meu quarto.
Roderick pressionou e ela saiu de lá. No corredor, a menina sentiu um cheiro forte que vinha do quarto ao lado. O cheiro lembrava muito a carne podre. Ela andou até lá, curiosa para saber o que era, mas foi impedida pelos berros suplicantes de Roderick.
— O que tem aqui? — Ela questionou ele, curiosa.
— O antigo banheiro da casa. Está com problemas no encanamento. — Ele respondeu, desviando o olhar, aflito. — Vamos, seu pai já deve ter chegado.
Jane andou em frente relutante e tornou a olhar para a porta fechada duas vezes. Mesmo com as explicações, ela não acreditou. Ela viu todos indo embora, e Roderick não mediu esforços para se despedir. Ele fechou a porta com força, deixando todos lá fora.
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