Você é minha droga
40 Estamos te esperando
Notas iniciais
Pov Clary:
Parei a Cuevitto na frente de casa. O bairro estava tranquilo, nem pensei em ir contar tudo a Anne. Se não ela ficaria muito animada com a ideia de ter uma amiga gângster. Ri de meus próprios pensamentos, e de pensar que a algumas semanas atrás eu achava as Gangues apenas uma piada. Agora eu fazia parte de duas, meio toura meio romena. E daí?
Entrei em casa e liguei a luz pelo interruptor dando de cara com Yara, sentada no sofá da sala com aquela sua roupa de vadia. Ela parecia estar me aguardando.
–Oi. — disse sorrindo. — Clarice...
–O que faz aqui? — eu não podia estar sozinha com ela, como entrou? Eu ia morrer com certeza.
–Bem, resolvi que temos assuntos pendentes. — ela cruzou as pernas. Maldita biscate. — Vamos resolve-los?
–Com prazer. — tinha que aparentar ser forte e sem medo algum. Uma vadia insensível.
–Sabe quando Joe descobriu que você era filha de Owen, admirei-me com o fato dele me procurar. Transamos é claro. — eu não acreditava em uma palavra que saia da sua boca. — Só estou te contando porque achei que deveria saber.
–Claro. Você é uma vadia, eu estou repetindo-lhe o que já sabe. — respondi sarcástica. Ela deu de ombros.
–Acha mesmo que ele te ama?
–Ama. E já deixou claro isso. — falei. Coloquei as mãos na cintura e senti o revólver, se ela tentasse algo não sairia viva dessa e eu seria presa. Péssima ideia.
–Então não entendo porque ele foi atrás de mim.
–É o que os homens fazem... — respondi ainda sorrindo. — Procuram as putas para se divertir e nunca mais as querem de novo. É um ciclo. Aliás você já conheceu a mãe dele?
–Não. — ela se levantou e puxei o revólver apontando para seus seios siliconados. — Uou... Eu vim em paz.
–Sei que não. — falei. — Pega essa sua bunda de piranha e sai da minha casa.
–Com todo o prazer. — ela passou por mim rebolando. Minha vontade era atirar nela. — Outra coisa, não se iluda. Joe adora falar coisas bonitas.
–Sai. — gritei. Ela abriu a porta e a bateu quando deixou-me. Desgraçada, como Joe podia me trair com ela? Depois de tudo o que tivemos. Meu celular vibrou em meu bolso. Era uma mensagem de minha mãe: Está tudo bem?
Respondi em seguida tentando sorrir ou ficar feliz com a situação em que estava. "Estou mãe, fique tranquila. Você e Owen não podem aparecer por aqui tão cedo, eu vou acalmar as coisas". Ela não me respondeu, havia visto era o que importava.
A campainha tocou, droga eu já mandei aquela vadia ir embora.
–Oi. — disse Kevin balançando uma mochila. — Trouxe a cabeça.
–Credo. — falei empurrando-o. — Não precisa, os Touros concordaram.
–Está sozinha? — perguntou ele olhando-me.
–Estou. Por favor, eu quero dormir. — resmunguei. — Foi muita emoção para um dia.
–E eu?
Tive que rir.
–Você manda na gangue agora. Vá cuidar dela. — falei antes de fechar a porta.
–Clary por favor.
–Não. — gritei ainda fitando a madeira. — Se você entrar aqui, sabemos que coisa boa não vai acontecer.
–Eu te ajudei.
–Você ia deixar Joe ser morto. — cuspi a verdade. Ele podia estar do outro lado, mas com certeza ouviu muito bem.
–Abra a porta e eu conto tudo ok? — implorou. Fiz o que Kevin pediu, sem deixar de olhar com desconfiança para ele. — Eu contei tudo para Owen.
–Tudo o quê?
–Os planos de Joe, e quem ele era. Owen decidiu preparar a armadilha, sabia que Joe não ia pensar duas vezes antes de entrar naquele lugar e matá-lo independente de sua mãe estar lá ou não. — seus olhos negros fitaram os meus. — Um dos dois ia morrer.
–Se eu não estivesse sido mais inteligente? — perguntei o óbvio. — É bom mesmo que Owen, esteja bem longe, e que ele e Joe se perdoem.
–Você não entende. — ele estava se aproximando de mais, e tive que dar um passo para trás. — Homens e seus ideais. Owen matou a única coisa que ele tinha... Uma família. E agora eu não sei se você devia confiar nele, pode querer ferir-te na intenção de atingir Owen.
–Joe me ama. Não sei se você percebeu, estamos juntos independente de qualquer briga ou vingança. — declarei ficando na ponta dos pés para encará-lo com fúria. — Agora sai da minha casa. Conseguiu o que queria, tomar o lugar de seu pai.
–Clary.
–Vai Kevin. — empurrei-o. E claro que não tenho forças o suficiente para arrasta-lo para fora, o corpo dele nem se moveu. — Por favor.
–Você que manda. Não diga que não avisei. — ele saiu e bati a porta com força. Desgraçado.
Na manhã seguinte, acordei cedo novamente. Comi alguma coisa na cozinha e depois de um longo banho, sai na moto em direção ao colégio. Quando a parei, todos os olhares do estacionamento foram para mim, pois é as notícias se espalharam. Eu vestia uma camisa branca e calças pretas. Nos braços, duas bandanas amarradas ( uma vermelha e uma azul). A última semana de aulas aguardava muitas surpresas.
Mal passei pelos corredores e todos os alunos se afastavam para me dar passagem. O que estava havendo? Segurando fortemente minha mochila passei por eles e Henrique me esperava numa porta perto dos banheiros atrás dele alguns Romenos.
–Que foi? — perguntei parando a sua frente.
–Nada.
–Por que diabos estão todos me olhando? Pareço o poderoso chefão pra vocês? — perguntei o óbvio. — Eu disse que só queria você, não eles.
Ele engoliu em seco. Revirei os olhos.
–É para estarem me esperando na saída. — falei antes de me afastar. — Se não estiverem lá, vão sofrer algumas consequências.
–Clary. — senti uma mão agarrar meu pulso. Quando percebi era Black. — Eu sei não grite.
–A Wanessa vai nos ver. — falei puxando meu braço de volta. Os Romenos cruzaram os braços e ficaram observando a cena com os olhos bem estreitos. — O que quer?
–Te alertar. — disse quase sussurrando. — Não se envolva com essas gangues.
–Como que...
–Eu sei de algumas coisas, só posso te dizer se prometer segredo.
–Você ta muito estranho. — franzi a testa. — Ta eu prometo segredo.
–Você precisa me encontrar na festa dos veteranos. Essa que vai acontecer sexta. Ok?
–Porque...
–Não questione. Por favor, eu te conto tudo o que sei, só se você for e não dizer nada a ninguém. Promete?
Como nos velhos tempos em que éramos grandes amigos concordei. Black sempre se preocupou comigo, e se ele sabia de algo e queria me dizer, devia ser muito importante e secreto para me pedir segredo. Ele me abraçou e depois se afastou. Caminhei para minha sala um pouco confusa com tudo o que estava havendo. Meu celular vibrou com mais uma mensagem de minha mãe: Estamos na mansão, te esperando.
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