Você é a Minha Família
55 Capítulo 55
Notas iniciais
Elizabeth
– Kol... – Saiu como um sussurro da minha boca. Meus olhos estavam arregalados enquanto eu o olhava embasbacada de seu colo. Aqueles olhos castanhos que eram quase indescritíveis que me olhavam brilhantes. – Kol...
Não esperei ele dizer nada e, mesmo com o corpo dolorido, eu o abracei o mais rápido que podia mesmo que não fosse muito. Ele me abraçou forte de volta e antes que eu pudesse perceber eu já soluçava em seu ombro. Eu tinha morrido. Eu tinha morrido e ele me trouxe de volta a vida, eu quase abandonei tudo e todos. Eu não conseguia deixar de chorar como nunca fiz antes por quase ter deixado meu filho para trás, por quase ter deixado Kol pra trás e isso doía em meu peito.
– Esta tudo bem, darling... – Ele sussurrou de volta como se soubesse exatamente o que eu pensava.
Nunca fui de chorar e me lamentar, mas pela primeira vez eu me permitia fazer isso. Chorar em seu ombro como uma criança que nunca fui. Normalmente eu recolheria todos os sentimentos e os esconderia no interior de minha mente perturbada, mas por alguma razão eu não conseguia mais fazer isso. Não conseguia guardar mais nada ou explodiria. Quando eu estava no altar e no segundo seguinte meu pai tentava matar Kol eu entrei em desespero e logo em seguida estávamos no dentro da cabeça nojenta do desgraçado do Finn e quando talvez as coisas fossem dar pelo menos um pouquinho mais certo meu pai volta com as tentativas constantes de homicídio e dessa vez só uma porta me impedia de pular na frente de Kol e tomar a morte em seu lugar. E nem se eu realmente fosse morrer por isso ele iria deixar, já que na mesma velocidade que eu pulei em sua frente em rolou para levar a estaca em meu lugar.
Eu não me importava mais com o que os outros iriam pensar. Quando eu era mais nova eu tentava limitar o meu contato com Kol na frente de outros, mas agora nada mais importava eu simplesmente poderia abraça-lo e chorar em seu ombro como não fazia a talvez um século e ele poderia me confortar de volta. Eu não olhava para os outros e nem sequer sabia se eles continuavam no mesmo cômodo que nós. Levantei os olhos do ombro de Kol e pude ver ele. Meu pai. Com a face que era uma mistura confusa de tristeza e surpresa, com talvez um pouco do habitual ódio, quando ele percebeu que eu o olhava ele desapareceu da minha vista antes mesmo que eu pudesse falar algo.
Kol se levantou me carregando e eu olhei novamente para o seu rosto que tinha um sorriso triste que me fez repetir o gesto. Sempre foi assim, suas ações, reações e emoções sempre refletiam nas minhas e as minhas nas dele. Era o doce preço da ligação que tínhamos, o doce preço do segredo que carregávamos com prazer. Ele me olhava com uma espécie, que se não fosse pelos acontecimentos seria cômica, de confusão aliviada que eu sempre gostei que ele tivesse. Porque que era esse rosto e esse tipo de expressão que nos fazia parecer mais humanos, mesmo que nunca fossemos ou iríamos ser.
– Você quer ficar, não é? – Ele me conhecia até o último fio de cabelo. Eu não respondi e senti minhas bochechas corarem. -... É nossa família.
– Apesar de tudo. – Eu o olhei dando um sorrisinho que nem eu sabia por que havia saído de meus lábios.
– Apesar de tudo. – Ele tornou a sorrir, pelo incrível que pareça ele era o otimista da relação. – Se quiser ir embora e não vou hesitar em te levar o mais longe possível agora mesmo. – Ele ficou serio. – Mas se quiser ficar eu fico com você sem hesitar.
– Mas... – Eu não acreditava em como ele conseguia ser tão compreensivo depois de todas as coisas que havíamos passado em um dia.
– Eu jurei te acompanhar a onde quer que fosse e nunca te deixar sozinha, lembra? – Ele mexeu o dedo da aliança que estava embaixo dos meus joelhos. – Eu sempre cumpro com a minha palavra.
– Eu sei. – Eu sorrio abraçando seu pescoço e dando um beijo em sua bochecha.
– Nunca vai estar sozinha de novo, Love. – Eu olhei pro seu lindo rosto e pros seus olhos enigmáticos.
– Nem você vai estar sozinho de novo. – Eu disse o que prometi e iria cumprir.
Dois segundos ou menos olhando um pro outro antes de finalmente tomarmos os lábios que nos pertenciam. Mesmo só tendo se passado um dia os meus lábios precisavam e clamavam pelos dele como um coração por pulsação. Meus lábios sentiam falta dos seus e depois do primeiro beijo eu parecia uma viciada em seus lábios agridoces e cada vez mais, a cada beijo e cada gesto, me fazia querer mais a sua boca e provar dos seus lábios tentadores e macios e dar uma mordida no fruto proibido e gostoso que era o seu amor.
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