Andrew

As coisas continuavam estranhas. Eu sabia que Effy e Kol tinham algum tipo de passado, mas não sabia que eram tão chegados. Ficamos horas na estrada, assim como eu e ela ficamos, mas eu podia sentir que a presença do original mudava as coisas. Comigo ela ficava sempre em silencio e chorado baixinho depois do que, pelo menos eu soube, Stefan disse a ela, mas com ele era totalmente o reverso. Kol a fazia rir a cada 5 minutos e quando sua face se abatia ele voltava a dizer algo ridículo ou de mau gosto que ela achava engraçado.

– Tock Tock. – Ela disse e a olhamos. – Tock Tock. — Ela diz com um sorrisinho que voltando ao normal aos poucos. – Quem é? O prefeito. O prefeito quem? – Ela faz uma cara como engraçada nos instigando a responder.

– Quem é? – Kol obviamente odiava esse tipo de piada.

– Ninguém! – Nem eu ou Kol entendemos a “piada”. – Essa é a piada! Ninguém esta lá porque tecnicamente eu matei o prefeito. – Ela começou a rir sozinha e eu não fui o único que achou isso estranho. – Tem razão! Tinha que ter visto a cara da Bennet.

– Effy... – Eu falei com cuidado.

– Não sweetheart eu não fiquei louca. – Ela falou como se tivesse lido a minha mente. – Sim eu li, ou melhor, eu ouvi.

– Desde quando? – Eu pergunto intrigado.

– Ah não, não eu sempre consegui ler mentes, mas nunca era tão forte e eu conseguia controlar, mas agora pareço uma parabólica. – Ela rola os olhos e suspira. – Eu sei.

– Sabe o que? – Kol ergue uma sobrancelha.

– Me desculpe estava respondendo ao... – Ela infla o peito como se a ficha tivesse caído. – É verdade você não podem ver através do vel.

– Vel?! – Eu ergo as sobrancelhas.

– O vel sobrenatural que separa bruxas, vampiros, lobos e um monte de outras coisas sobrenaturais que estão mortos dos vivos. – Ela responde. – Em resumo Silas esta sentado do seu lado. – Ela rola os olhos. Eu olho pro lado e não tinha nada, mas levando em conta que o pai dela é o deus do mundo inferior e o avo dela é o “ceifador” grego. Resolvi não discutir. – Tive uma idéia!

– Já estava demorando darling! – Kol parou o carro. – Então, diga!

– Vamos acordar Elijah. – Eu olhei pedindo mais explicações. – Bom desde Mystic Fall os meus poderes pacíficos ampliaram em uns 300%.

– Poderes pacíficos?! – Eu realmente tinha perdido alguma coisa.

– Ler mentes, hipnotizar, essas coisas. – Ela da os ombros. – Mas o ponto é que agora estão muitos mais fortes porque o Silas esta me canalizando. – Ela fingiu não ter visto Kol bufar. – Eu consegui influenciar toda Mystic Falls de uma vez só, então eu acho que posso fazer o mesmo com Elijah.

– Você já conseguia fazer isso antes. – Ele faz uma cara esquisita.

– Eu sei, mas eu posso o fazer esquecer a adaga e de que ele ficou tanto tempo desligado. – Eu começava a entender ela. – Vou dar um jeito de fazer ele pensar que só ficou algumas horas desligado e esquecer que estou com a adaga.

– Pra mim esta ótimo! – Kol bate palma e desce do carro.

Ele abriu o porta malas e tirou a adaga, a entregando para Elizabeth que logo a guardou.

– Isso pode demorar um pouco. – Kol disse olhando para o relógio de pulso.

E demorou pelo menos umas meia hora de pôquer. A pele dele tinha voltado ao normal e ele arfava por ar. Nem deu tempo dele assimilar algo, pois Effy o segurava pelos ombros e olhava em seus olhos.

– Você ficou desacordado por algumas horas. – Ele estava parado atento. – Kol quebrou o seu pescoço, porque você estava perigoso, mas você acordou bem e esta feliz por não ter machucado a sua família.

– Hey tive uma idéia! – Kol exclama e fala algo no ouvido dela.

– Ok. – Ela ri e fala algo baixinho para Elijah.

Vejo que Kol tinha arranjado uma câmera e quando eu olho de novo Elijah rodava feito bailarina enquanto fazia biquinho batendo a mão direita na cabeça e girava a esquerda no abdômen fazendo olhos vesgos. Não tinha como não rir dessa cena, era simplesmente hilária. Effy ria e mandou ela começar a fazer coreografias da Beyoncé.

– Esses com certeza vão pros vídeos de natal. – Kol e Elizabeth praticamente choravam de tanto rir.

– Ok já chega. – Ela disse e eu subitamente me calei e Elijah ficou parado. Ela se aproximou do tio e botou uma mão sobre sua bochecha. — O fiz ter uma visão distorcida do tempo em que esteve apagado. Agora vamos falta pouco para chegarmos.

Deixamos Elijah dirigir e Kol foi comigo no banco de trás, ele e Effy pegaram no sono enquanto Elijah e eu ficávamos em silencio. Eu não pude evitar pensar em Hayley, seria ótimo rever ela. Nos últimos meses Hayley tem sido como uma mãe pra mim, provavelmente ela se sente culpada no lugar de Oliver, mas ela não me trata como um fardo e sim como um irmão mais novo. É claro que eu já tive irmãs mais velhas, mas as filhas do deus da guerra não são do tipo carinhosas e atenciosas como ela.

Afastei esse pensamento e fiquei observando Effy e Elijah e percebi o quanto eles são parecidos. Não só no jeito de negociar, falar e agir, mas também fisicamente. Ambos eram altos, com cabelos pretos e a pele pálida. Era uma semelhança incrível, só a cor dos olhos que mudavam. Não de comparar Elizabeth com Klaus, mas fisicamente à única coisa em comum era o sorriso irônico, fora isso toda a personalidade de Elizabeth era uma fragmentação dos Mikaelson, onde Klaus e possivelmente Kol levavam a maior parte dela.

– Chegamos. – Elijah diz estacionado o carro. – Deixe. – Elijah diz quando eu ia acordar Effy.

Eu acordei com batendo em seu ombro enquanto Elijah pegava a adormecida Elizabeth no colo. Ela tinha o sono pesado, quando sabia que estava segura, ela se agarra no pescoço do tio afunda o rosto em seu ombro. Era uma visão engraçada, ela parecia uma criança que se aninha no colo do pai. Acho que de certa forma Elijah era como uma espécie de segundo pai pra ela, sem duvida alguma Klaus era o seu pai, mas isso não significa que ela não veja Elijah da mesma forma.

Seguimos Elijah até um pequeno restaurante, era simples, meio rústico até. Nos sentamos em uma mesa e Elijah colocou o seu palito em cima de Elizabeth como uma espécie de cobertor. Não demorou muito até nos servirem algo pra comer. Eu nem consegui destingir o que era, já que eu morria de fome. Effy acordou um pouco depois e pelo visto sentia tanta fome quanto eu. Não demorou muito até eu sentir um cheiro familiar.

– Eles chegaram. – Eu disse.