Você é a Minha Família
12 Capítulo 12
Elizabeth
Eu nunca tive um irmão antes.
Eu passei cerca de um mês com Nico, treinando e treinando. Nunca estive tão cansada, eu não dormia, de dia tinha treinos normais de semideus e a noite trinos com os mortos. De acordo com Nico eu já controlava os mortos com perfeição, e o fato de ser uma bruxa canalizada devia ajudar a ter mais energia que o normal. Ele também ficou impressionado quando eu disse que podia fazer as pessoas terem ilusões achando que vivem seus piores pesadelos.
– Precisamos de folga. – Eu disse pra ele em italiano na mesa de Hades na hora do almoço.
Na frente de outros semideuses nós só conversamos em italiano ou latim, pra eles não entenderam mesmo, fora que era mais fácil falarmos na nossa língua original. Eles nos olhavam estranho, talvez por eu e Nico nos darmos bem ou por estarmos falando em outra língua.
– O que? – Ele volta os seus olhos pra mim. Ele estava encarando o casal percabeth.
– Precisamos de folga. Eu e você estamos exaustos. – Eu tinha sede de poder, mas magia em excesso pode matar uma bruxa.
– Se você quiser podemos tirar uma semana de folga. – Ele volta a encarar Percy. Nos dias que eu estive aqui eu pude perceber algumas coisas sobre Nico e Percy. Eu encaro os dois por um momento.
– Nico. – Eu digo enchendo a minha boca de sorvete de flocos. – Você é gay.
– O- Oque?! – Ele gagueja tão vermelho quanto um tomate. – É claro que não.
– Não foi uma pergunta. – Eu adoro sorvete de flocos. – Foi uma afirmação. Eu vi o jeito que você olha pro Percy, não me parece ódio.
– Não seja louca, é só... impressão sua. – Ele encara os próprios pés.
– Eu venho de 1800, isso parece tão estranho e errado pra mim quanto pra você. – Eu digo rindo. – Mas depois de um tempo você se acostuma com isso.
– Isso... é loucura. Você é louca. – Ele diz ainda vermelho.
– Prefiro espontânea, mas eu tenho a solução pra você. – Ele me encara no mesmo segundo.
– Jura?! – Eu sabia que estava certa!
– Sim... – Eu encho mais a minha boca de sorvete. – Nas próximas férias eu vou te levar pra Los Angeles. Lá tem tantos caras gays gatos, que você vai esquecer o Percy rapidinho. – Eu pisco pra ele colocando outra colherada na boca e me levanto levando o sorvete comigo.
Eu tinha treino de rastreamento agora. Os 15 alunos desse horário já estavam lá eu fico entre Matt e Andy.
– Por que eu estou fazendo essa aula mesmo? – Eu pergunto pro instrutor.
– Para aprender a como localizar outros semideuses. – Ele diz.
– Mas eu já tenho um método pra isso. – Eu respondo.
– Mas eu não creio que seja tão eficaz quanto o nosso. – Acho que ele era do chalé de Hermes.
– Eu garanto que sim. – Eu repondo. – Só me de um mapa, um nome e uma faca.
– Essa eu quero ver. – Ele diz desafiador. – Candice Shae, minha mãe.
Ele me entrega um mapa dos Estados Unidos, eu furo o meu dedo com a faca e deixo meu sangue pingar bem no início do país.
– Phesmatos Tribum, Nas Ex Viras, — O sangue começa a se mexer no mapa. — Sequitas Saguine, Ementas Asten Mihan Ega Petous! – Eu abro os meus olhos e vejo aonde o rastro de sangue tinha parado. – A senhora Shae está no Green Lake Park, em Seattle.
– Acertou. – Ele rola os olhos. – Mas vamos continuar a aula para aqueles que não querem furar os dedos.
Eu continuei a assistir à aula, ela não de todo inútil, e seria bom poder evitar a magia às vezes.
– Hey Lyzie, você quer nadar com a gente? – Matt me pergunta com Andrew ao seu lado, eles tinham se tornado amigos aparentemente.
– Só se me conseguirem mais sorvete. – Eu rio.
– Podemos pegar mais na cozinha. – Diz Andy.
– Legal vocês pegam o sorvete e eu a cerveja. – Diz Matt, então é ele que ajuda os filhos de Hermes com o contrabando de bebida.
Eu e Andy andamos em direção a cozinha, falamos sobre coisas aleatórias. Todos pesam que somos um casal depois daquele dia, mas éramos só amigos, então agíamos do mesmo jeito que agíamos em Dallas já que lá todos também pensavam a mesma coisa. Nós sempre andávamos juntos ignorando as pessoas e a vontade irrefreável de se pegar.
– Annndyyyy. – Eu digo manhosa pegando em seu braço.
– O que você quer nanica? – Ele ri da minha cara pidona.
– Me carrega, eu to cansada. – Eu cutuco a sua bochecha.
– Tá legal. – Ele rola os olhos, mas rindo.
Eu pelo em suas costas e ele segura as minhas coxas e anda em direção a cozinha. Ficamos uns 5 minutos procurando a droga do sorvete, aposto que Quíron os escondeu.
– Eu não os achei e você? – Pergunta Andrew se virando pra mim.
Ok essa vez a culpa foi minha, mas que mandou ele ser tão, tão Andrew. Eu pulei em seu colo e o beijei, eu segurou as minhas pernas e retribuiu o beijo. Ficamos nessa por uns 3 minutos até escutar o barulho de algo quebrar depois que ele me nos armários.
– Foi mal. Me desculpe. – Eu digo um pouco sem jeito.
– Não se desculpe. – Ele sorri e beija a minha bochecha por um tempo. – Olha é a geladeira. – Ele aponta pra uma geladeira sem me soltar.
Ela era azul em estilo vintage, e tinha um cadeado na porta.
– Ah que legal em, trancando o sorvete, bem espertos. – Eu digo descendo dos seus braços sem se afastar muito.
– Tive uma idéia. – Disse ele com um brilho maníaco nos olhos. – Melhor se afastar.
Ele pega o extintor de incêndio e simplesmente bate com ele contra o cadeado até abrir.
– Simples, mas eficaz. – Eu digo erguendo as sobrancelhas.
– Simples é bom às vezes. – Ele diz me puxando pela cintura pra chegar até a geladeira. – Vamos logo. Você ainda tem que mudar a roupa e eu não queremos que nos peguem roubando o sorvete. – Ele me puxa pela mão depois de ter colocado cerca de 10 potes de sorvetes e picolés dentro do cooler.
Ele me acompanha até o chalé 13 e se senta na porta. Eu ponho o biquíni que Barry me deu e topo com Nico depois que saio do banheiro.
– Estamos indo nadar e você vem conosco. – Eu digo a ele.
– Eu não quero obrigado pelo convite. – Ele diz olhando pro outro lado.
– Não foi um convite, foi uma ordem. Todo o acampamento vai estar lá e você também. Vai se trocar. – Eu disse empurrado ele pro banheiro e jogando um calção preto pra ele.
Ele saiu de lá vestindo o calção e uma regata cinza.
– É a nossa semana de folga Nico. – Eu digo tirando a regata dele, ele não fazia mal pra um garoto de 14 anos dos anos 30. – Vamos logo. – Disse jogando uns óculos escuros pra ele e o puxando pela mão.
– Você demorou hein. – Disse Andy na porta. – Oi Nico.
– Oi Andrew. – Ele responde inquieto.
– Porque você não se trocou? – Eu pergunto pro Andy.
– É só eu tirar a camisa. – Ele disse. – Vamos logo. – Eu faço um biquinho, ele ri e se agacha.
Eu sento em seu pescoço ele segura meu joelho com uma mão e o cooler com a outra. As pessoas olham pra nossa cara de novo apostando se estávamos juntos ou não. Nico nos olha com a testa franzida, parecendo pensar em algo, mas não diz nada e anda mais a frente. Eu me curvo um pouco pra pegar um picolé dentro do cooler. Eu tento pegar um, mas eu nunca consigo pegar o de uva.
– Não que eu não goste. – Ouvi Andy dizer. – Mas você pode tirar os seus peitos da minha cara?
– Consegui. – Eu disse ignorando ele e pegando um de coco. Quando estou voltando ao normal e sinto-o me dando um selinho rápido.
Eu abro o picolé e o coloco na boca. Era uma delicia e o dia estava realmente quente. Todos iam à praia hoje e depois teria torneio de vôlei entre os chalés de Atena e Afrodite.
– Me dá um pouco. – Eu ponho o picolé na sua boca e ele dá uma mordida.
– Até que enfim vocês chegaram! – Disse Mick nos olhando feio.
– Antes tarde do que nunca, Mick. – Eu disse descendo do pescoço de Drew e me sentando na areia.
– Paciência é uma virtude Mickey. – Diz Andrew zombeiro.
– Vamos nadar. – Disse Matt se aproximando e me dando uma garrafa de cerveja barata.
– Não eu vou ficar aqui e rezar pro pai de vocês mude a minha pele pálida. – Eu respondo tomando um gole vendo Nico se sentar ao meu lado.
– Ahh, não vai mesmo. – Andrew me puxou pelos braços e me segurou pela cintura entrando com tudo na água. (Andreth). Era bom ter o meu amigo de volta.
– Isso não vai ficar assim Sullivan. – E assim que ele emerge da água eu o afundo. Brincamos de jogar água um no outro e depois forçamos Nico a entrar na água.
Nico era legal, mas ele realmente precisava interagir com algo vivo. Era legal ter um irmão casula, eu fui criada como filha única pelos Mikaelson, que não eram um exemplo de amor fraternal.
Todos os semideuses estavam aqui. Agora a praia estava lotada, tinha música, churrasco, pizza e algumas cervejas clandestinas. Foi super legal quando uma das filhas de Démeter criou uma árvore com uma corda pra nos jogarmos dentro da água. Nico não ficou muito tempo, mas agradeceu por eu ter o convidado, ele pareceu se divertir com a gente, apesar de não demonstrar.
Eu fiquei um bom tempo na festa que rolo até as harpias aparecerem. Eu Andrew, Barry, Mick e Matt corríamos em direção aos chalés para evitar sermos comidos, mas ainda riamos feito retardados, talvez pelo efeito do álcool. Eu estava usando a blusa do Andy, que mais parecia um vestido em mim.
– Boa noite rapazes. — Eu disse acenado feito doida da porta do Chalé 13.
– Boa noite Effy. – Eles responderam e voltaram a correr.
Eu entro no chalé e vejo que Nico não está lá, eu dou os ombros ele deve estar no banheiro. Eu pulo pro beliche de cima e entro num sono profundo.
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