Você balançou meu mundo
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Era sábado de manhã, uma semana havia se passado desde que Nyota havia se instalado no campus da federação e ela já estava muito atarefada com todas as atividades do início das aulas. Enquanto organizava os afazeres seu padd apita com uma mensagem de emergência do setor de saúde da universidade.
“Caros alunos,
Nesta madrugada interceptamos um pequeno fragmento de um pedido de socorro de duas naves próximas ao cinturão de asteroides, elas se chocaram devido ao mau funcionamento de uma delas e muitos tripulantes estão feridos.
Por favor, estamos recrutando todos que possam ajudar com cuidados básicos de emergência. Compareçam à ala de atendimento emergencial, vocês serão congratulados.
Att, tenente Pontier.”
Nyota chamou por Gaila que estava arrumando seu cabelo no banheiro. A amiga estava preparando para sair quando Nyota mostra a mensagem para ela.
“Claro que vamos! Você já está pronta?”
Nyota apenas pega seu casaco e as duas saem de seu alojamento.
Não era pouca coisa quando alguém diz que estuda na academia da frota estelar. Muito provavelmente essa pessoa passou por muitas coisas para estar lá. O processo de seleção possuía diversas fases: prova teórica de conhecimentos gerais, prova teórica de conhecimentos específicos, prova prática que incluía breves noções de navegação espacial, primeiros socorros, combate, armamento, além do conteúdo escolhido pelo concorrente, exames físicos e psicológicos e por fim a entrevista com os candidatos. Além de uma seleção muito rigorosa, uma vez lá dentro os alunos também tinham que continuar se esforçando para conseguir pontuação suficiente para ao final do curso conseguirem ir para suas determinadas escolhas. Então qualquer participação em atividades extracurriculares acarretariam pontos para os participantes, como seria o caso de hoje.
A enfermaria de emergência estava um caos, tanto pacientes quanto doutores e voluntários estavam aglomerados no saguão de entrada, muitos recebiam atendimento ali mesmo, outros esperavam atendimento, alguns com ferimentos aparentemente graves, deitados em macas improvisadas. Nyota observou que grande parte eram alienígenas.
Nyota encontrou McCoy cuidando de um bajoriano que estava com uma fratura exposta.
“Bones, viemos assim que recebemos a notificação. O que podemos fazer?”
“Estou precisando de uma ajuda aqui se não se importa.”
“Eu não fui treinada para tratar de raças não humanas.”
“Não se preocupe, pode deixar que eu ajudo aqui, eu tenho um mínimo de conhecimento.” Gaila falava indo em direção ao paciente para contê-lo de se movimentar.”
“Ótimo! Uhura, há uma mãe humana com um bebê ao lado da sala de ultrassonografia que precisam de atendimento, nada grave, sozinha você dá conta.”
“Ok!” Nyota apressadamente vai até o local e os encontra.
“Olá! Venha comigo, eu poderei atendê-la.” Nyota toca me seu ombro e a guia para um lugar que pelo menos houvesse um cadeira para a pobre moça se sentar com eu bebê, mas não encontrou. Em um canto ao final do corredor encontrou algumas caixas de papelão onde provavelmente estavam armazenados medicamentos. Ela as abriu e forrou um pequeno espaço ali mesmo e ajudou a moça com seu bebê a se sentar.
“Que bom que você veio, meu bebê tem um corte no supercílio, por favor, ajude.”
Depois de analisar o ferimento Nyota tentou tranquilizar seu coração de mãe. “Tenha calma, tenho certeza de que ele ficará bem. Você também possui um ferimento, deixe-me ver.”
De fato não era nada tão grave, mas estava começando a inflamar, então pediu licença para buscar os utensílios necessários. Quando retornou ao saguão de entrada teve a impressão que estava ainda mais cheio, os pacientes não paravam de chegar. Foi ao balcão de atendimento e viu várias caixas umas com utensílios para curativo, outas com roupas, cobertores, água e comida. Pegou tudo que achava necessário. Colocou dentro de uma caixa vazia e retornou.
“Olha, tenho um cobertor para seu bebê, água roupas e comida para você.” Nyota pegou se bebê no colo para cuidar de seu ferimento enquanto a pobre moça pudesse comer algo.
“Muito obrigada pela gentileza.” A jovem mãe tinha um ar de tristeza.
Nyota olhou para seu rosto e lhe deu um sorriso de compaixão.
“Você por acaso não viu um homem alto de cabelos e olhos claros?” A moça estava com os olhos marejados.
“Infelizmente não, mas eu abei de chegar, a primeira paciente que cuido é você”
“Sim, é meu marido, ele era co-piloto da nave em que estávamos. Na confusão acabamos nos perdendo, estou aqui muitas horas e não o vi, tenho medo do que pode ter acontecido a ele.”
“Eu sinto muito. Me passe seus dados que saindo daqui eu vou tentar localizá-lo.”
“Você é muito gentil... Sabe, nós estávamos indo encontrar os pais dele, eles não conhecem o Ethan, é o primeiro neto deles. Mas de repente sentimos que batemos em alguma coisa, depois vimos que era uma nave que estava vindo na direção contrária totalmente desgovernada, ouvi dizer que alguns morreram... Oh! Meu deus.” Lágrimas escorriam de seu rosto. “O nome dele é Richard Mortaig.”
Quando terminou o curativo nela, Nyota ia fazer de tudo para encontrar seu marido.
Estava dando as últimas informações para que a moça e seu bebê encontrassem um abrigo temporário quando vê Spock dobrando o corredor no qual ela estava. Quando a vê ele se dirige a ela.
“Cadete, você está ocupada?”
“No momento não, comandante.”
“Preciso de auxilio com um dos pacientes.”
“Claro, senhor.” Antes de ir, Nyota se vira para a moça e segurando sua mão, diz: “Se eu souber notícias dele, eu a notificarei. Tudo vai dar certo, Nicole. Adeus, pequeno Ethan.”
“Adeus, Nyota. Muito obrigada, você foi muito gentil conosco.”
”Pronto, podemos ir, senhor”
Estavam caminhando quando Spock fala.
“Cadete, percebi que a paciente a chamou pelo primeiro nome, sugiro que não deva manter esse nível de intimidade com os auxiliados.”
“Eu apenas estava tentando fazê-la se sentir mais confortável, comandante. Ela está passando por um momento difícil.”
“Entendo suas intenções, mas fazê-la se sentir mais confortável foge de sua alçada.”
Nyota ficou sem resposta, não entendia como ele não sentia compaixão por aqueles pessoas, mas claro, ele era vulcano.
Após andarem por alguns minutos, Spock para em frente a uma sala, quando abre a porte Nyota vê um homem deitado em uma maca, ainda acordado e bastante sonolento. Ele tinha vários pequenos ferimentos e hematomas pelo corpo, mas o que mais chamara sua atenção era sua perna esquerda muito ensanguentada devido a um corte profundo.
Quando viu a movimentação na sala o homem acordou e muito fraco perguntou “Onde estou?”
“Você está na base da academia da Frota Estelar, na Terra. Sua tripulação sofreu um acidente devido a uma batida com outra nave cargueira, nossas naves foram ao resgate.”
“Nicole!” O homem diz, sobressaltado, tentando se levantar da maca. Nyota o contém.
“Você é Richard Mortaig? Calma, não se preocupe, ela e o pequeno Ethan estão bem, acabei de falar com eles. Assim que dermos uma olhada em seu ferimento irei chama-los.”
“Precisamos conter a perda de sangue imediatamente. A senhorita é familiarizada com utensílios cirúrgicos?” Depois de ter assistido a cena analiticamente enquanto preparava o que precisaria. Spock se faz presente.
“Sim, senhor.”
“Enquanto eu estanco o sangramento, organize os utensílios, por favor.”
“Há dois aparelhos para colagem do corte, o de número um e dois. Creio que o de número dois seria o mais adequado?”
“Qual a intensidade?”
“1.200k.”
“Correto, separe esse, por favor.”
Eles anestesiaram o paciente e enquanto Spock limpava seus ferimentos e fechava, Nyota lhe dava toso os utensílios necessários. Não pôde deixar de notar que seu professor executava a tarefa com destreza para alguém que não era da área médica.
Após Spock terminar de restaurar o ferimento, Nyota o enfaixa.
“Como eles estão, Nicole e Ethan?”
“Ethan está bem, Nicole está apenas com um ferimento leve no supercílio, ela me contou o que aconteceu e está muito preocupada com você, mas saindo daqui já os avisarei.”
“Graças a Deus estão bem! Não iria me perdoar se algo tivesse acontecido a eles. Foi tudo minha culpa.”
“Não se sinta assim, Nicole fez isso por amor a você.”
“Eu deveria ter sido mais cuidadoso, se soubesse que poderia ver alguma irregularidade ela não teria ido comigo.”
“Tenho certeza, mas não adianta ficar se culpando por algo que já aconteceu.”
“Você não entende, eles poderiam ter morrido.”
“Mas não morreram. Estão muito bem lá fora esperando notícias suas. No lugar dela, você iria deixar de estar com ela se soubesse que há uma chance mínima de irregularidade? Aposto que até as naves da frota viajam com essa incerteza. Nicole não iria te abandonar tão fácil, acredito que ela até iria em segredo caso a proibisse. E outra, não é função do co-piloto verificar defeitos de engenharia.”
“Sim, talvez tenha razão.” Diz pensativo. “Nicole consegue ser tão teimosa as vezes.”
“Sim, ela me pareceu indomável.” Dá um sorriso. “Vai ficar tudo bem, Richard.” Diz segurando sua mão.
“Muito obrigado!”
Assim que terminam a conversa, Spock que estava sentado preenchendo alguns papéis se manifesta.
“Senhorita Uhura, já termnei de preencher os papéis da liberação do senhor Mortaig. Poderia assim como minha assistente e levar a ficha até a recepção, por favor?”
Nyota solta a mão de Richard e adquire a postura de uma oficial.
“Claro, senhor.”
“Irei atender mais alguns pacientes, assim que terminar gostaria de seu auxílio novamente.”
“Sim, senhor.”
Tão logo Spock sai da sala.
“Quem é?”
“Comandante da Frota.”
“Nunca vi ninguém prestando tanta atenção.”
“No papéis?”
“Não, em nossa conversa. Você não percebeu? Ele não parava de olhar. Parecia estar nos analisando.”
“Ele é vulcano. É da natureza dele.” Nyota deu de ombros. “Bom, agora irei lá. Até daqui a pouco.”
Enquanto se encaminhava para a enfermaria Spock pensava no quanto a cadete Uhura tinha algo muito semelhante a sua mãe, Amanda, Spock não deixou de notar, se preocupava com o bem estar do próximo, mostrava disposição para executar deveres não obrigatórios e fora de sua área de especialização, era gentil e tinha um belo soriso.
Encontrou um paciente esperando atendimento, ele tinha os braços e joelhos feridos levemente. Quando Nyota o encontrou ele já estava finalizando o curativo.
“O senhor precisa de auxílio?”
“Os oficiais e estudantes de medicina estão livres para cuidar dos pacientes com ferimentos leves, então fomos remanejados para preparar os quartos para receber os pacientes que precisam de internação. A senhorita pode se ocupar com outras coisas se desejar, já que não iremos atender os feridos”
“Não tem problema, eu o ajudo.”
Os dois iam em direção à ala de internação, passaram numa sala que continham tudo que era necessário para arrumar os leitos. Spock pegou uma pequena pilha de jogos de cama e entregou para Nyota e pegou outra pilha de cobertores para si. Foram para os quartos.
Na internação comum cada quarto possuia três camas e nos de internamento intensivo apenas uma.
Quanto Nyota terminava de colocar fronha em um dos travesseiros, Spock quebra o silêncio.
"A senhorita conseguiu finalizar a ficha do Sr. Mortaig?"
"Sim, senhor." Deu uma pausa e em seguida continuou a falar num tom de deboche. "Não vejo porque não conseguiria terminar uma tarefa simples."
"Eu não quis dizer que a senhorita não tem a capacidade. Apenas perguntei para saber se ocorreu tudo bem e se a senhorita conseguiu fazer com que ele reencontrasse a esposa." Spock falou calmamente.
"Sim, ocorreu tudo bem. Apesar que fazê-los se sentirem confortáveis não estava em minha alçada, eu consegui proporcionar um momento feliz."
Spock olha para Nyota e ergue uma sombrancelha. Enquanto ela continua a arrumar as coisas.
"A senhorita está se referindo ao que eu disse hoje quando nos encontramos?"
"Desculpe, senhor. Eu falei demais." Nyota se sente desconfortável com o que disse, porque ela estava cobrando sensibilidade de um vulcano? Ele deveria estar achando ela muito emocional agora.
"O que quis dizer é que infelizmente nós não podíamos fazer muita coisa para deixá-los confortáveis naquele momento já que as circunstâncias não se mostravam favoráveis e principalmente porque fomos designados a prestar atendimento de emergência. Uma outra equipe estava sendo organizada para alojar os pacientes em quartos confortáveis até que estivessem bem para serem levados ao seu destino original. Peço desculpas se a ofendi, não era minha intenção."
Nyota estava bastante desconfortável com a situação
Novamente o silêncio tomou conta, para Nyota o ambiente estava pesado, sentiu que faltou com respeito com um superior. Apesar disso, Spock não parecia estar desconfortável.
“Eu que peço desculpas, achei que o tratamento informal com os pacientes atrapalharia nos afazeres, mas me equivoquei. A senhorita agiu muito bem, aliviando o trabalho da equipe responsável que já estava ocupada e principalmente proporcionando tranquilidade as vítimas. Se não fosse seu diálogo com a sra Mortaig o reencontro seria adiado. Certamente irei registrar no relatório sua eficiência.”
“Obrigada, senhor.” Nyota respondeu de cabeça baixa.
Assim que terminaram, voltaram para a emergência e cuidaram dos últimos pacientes com ferimentos leves. Quando acabou Spock preencheu as últimas fichas e passou o padd a Nyota para que assinasse como sua assistente, quando McCoy passou pelo corredor.
“Ei, já está de saída.”
“Oi! Talvez.”
“Quando terminar gostaria de tomar um café”
“Ahn.. Claro!”
“Ok, só irei guardar umas coisas e já estarei livre.”
“Certo.” Nyota voltou para terminar de guardar alguns utensílios.
“Acredito que a senhorita já possa ir. Já terminamos tudo.” Spock havia ouvido a conversa.
“Ahn, eu posso ajuda-lo a guardar o que falta.”
“Não se preocupe, falta pouco.”
“Então tá. Bom, nos vemos nas aulas então.”
“Certamente.”
Spock segue com o olhar Nyota indo até a porta, na pequena recepção da emergência que leva para fora e em seguida um cadete magro e um pouco maior que Nyota chegando. O cadete abre a porta num ato cavalheiresco para que ela saísse. Sorrindo um para o outro, os dois seguem juntos a mesma direção.
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