Você atingiu minha alma
18 Capítulo Dezoito
Um tempo depois, Vasco chega em casa e entra de maneira intempestiva, subindo as escadas saltando os degraus. Entra no quarto e encontra Henry sentado na cama, esfregando as mãos uma contra a outra, com o desespero estampado no rosto.
– Onde ela está?
– No banheiro, chorando. Eu não a magoei, juro!
– Por que ela se trancou no banheiro?
– Começou a chorar e não quis mais conversar comigo! Não fui rude, apenas não consegui exteriorizar minha reação com a notícia e ela imaginou que eu havia rejeitado o bebê!
Vasco deixa a cabeça pender junto ao peito e sorri aliviado. Levanta o queixo e respira profundamente, tranquilizando sua alma. Caminha até a porta do banheiro e dá algumas batidas de leve. Ouve os soluços de Regina.
– Meu amor, poderia abrir a porta? Eu gostaria de conversar com você! Aliás, Henry e eu gostaríamos de falar sobre nossos sentimentos.
O som do choro aumenta e Vasco volta-se para o garoto, encontrando-o com o olhar apavorado. O homem afasta-se da porta e ajoelha diante do menino, apoiando suas mãos nas pernas dele.
– Henry, fique na paz. Sua mãe está passando por momentos delicados, está insegura em relação a tudo desde que nos conhecemos. Ela não está acostumada a ser amada, então não consegue ainda lidar com a situação. É difícil para uma rainha durona, sentir-se vulnerável diante da força do amor. Ela ainda sente que o amor é uma fraqueza e somente é permitida aos frágeis e românticos.
– Não rejeitei o bebê, Vasco! Apenas não consegui reagir!
– Quando ela sair do banheiro, vamos conversar os três. E nós dois, como os homens da família, teremos de saber lidar com a delicadeza na alma de sua mãe, neste momento.
Um longo tempo depois, Regina ainda fungava, sentada no colchão e apoiada na cabeceira da cama. Estava abraçando os joelhos, como se quisesse proteger-se de algum ataque. Ao seu lado, Henry acariciava seus cabelos, enquanto que Vasco incumbira-se de resgatar os lenços de papel que eram acumulados sobre o colchão.
– Como se sente agora, meu amor?
Na verdade, Regina sentia-se ridícula pelo choro sem motivo aparente. Lá dentro de sua alma, estava apreciando os cuidados dos homens de sua vida, seus dois amores e seus dois cavaleiros existentes. Olha-os com o mais absoluto amor e permite que seu peito infle com aquele sentimento. Eles aguardavam a resposta. Como ela se sentia?
– Eu me sinto horrorosa! Eu quero a minha mãe e quero Coca Cola! – recomeça a chorar.
Vasco fica em silêncio, apenas ouvindo Regina chorar mais e mais, enquanto que Henry sente o forte desejo de gargalhar. Mas se ele risse, seria esfolado vivo e se não risse, certamente seus ouvidos explodiriam.
Na semana que se segue, Henry decide organizar seus horários para conseguir visitar a mãe sempre aos finais da tarde e desejar-lhe toda a sorte do mundo, além de enchê-la com elogios. Vasco, por sua vez, continuava com seu comportamento protetor obsessivo e apaixonado. Nada poderia faltar para sua rainha e para seu bebê.
Regina havia retornado ao seu trabalho na prefeitura e mostrava-se cada dia mais encantada com a maternidade. Divertia-se com as novas sensações apenas conhecidas teoricamente e não conseguia evitar constantes olhares admirados no espelho. Estava bonita com o aumento de sua barriga redonda! Encantava-se com o cuidado com que Vasco hidratava sua barriga, quadris e seios, todas as noites após o banho. Ele conseguia transmitir pelo seu toque, um amor tão grande, incomum e quase irreal. Mas era o amor que ele tinha para oferecer e era o amor que ela queria em sua vida, enquanto fosse possível.
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