Você Lembra?

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Aquele agradecimento especial a Marcela pela betagem e pela linda capa.

Você lembra?

Quando nos vimos pela primeira vez?

Ou apenas eu que o vi?

Lembra quando trocamos mensagens?

Quando queríamos?

Ou seria apenas eu que realmente quis?

Lembra quando você me chamou de bonita?

Mesmo sem me conhecer.

Eu não era e nem sou.

Lembra que tentei te alertar disso?

Mas você contrapôs e eu não questionei.

Lembra quando sorrimos a toa?

Ou eu estava rindo sozinha todo esse tempo?

Lembra das noites em claro que passamos conversando?

Mesmo cansada eu estava ali, pois queria muito a sua companhia.

Mas você queria a minha?

Ou seria apenas a sua insônia que não o deixava dormir e eu era apenas um passatempo?

Lembra da minha animação e insegurança ao falar com você?

Estava tão acanhada e fora de órbita que fiquei cega.

Você me tranquilizou. Lembra?

Me fez abrir as portas.

Me entregar por inteiro.

Mas e as suas portas? Eu não tinha percebido ou você as escondeu tão bem de mim?

Sempre fechadas.

Lembra das promessas e certezas?

Todas vazias, frutos de uma irrealidade.

Lembra quando nossos lábios se tocaram?

Sempre imaginei esse momento. E você?

Queria poder dizer que foi mágico.

Que borboletas saltaram no meu estômago da forma correta.

Elas saltaram, porém arranhavam.

Querendo vomitar aquele gosto de indiferença.

Aquele gosto de pena e obrigação.

Tão amargo e vergonhoso.

E ao acabar elas se embolaram sem saber por onde sair.

A constatação da realidade veio como um todo.

As borboletas finalmente saíram.

Ganharam forma de lágrimas.

Bem sutis e indefesas.

Mas você não lembra, não é mesmo?

Não percebeu o que acontecia.

Na verdade não teve importância, afinal era apenas eu que estava vivendo o momento.

Dançando a canção da ilusão e aprendendo sozinha.

Da forma mais agridoce que alguém poderia experimentar.

Você não lembra.

Você nem vai saber.

O quanto me quebrou.

O quanto me diminuiu e “coisificou”.

E você continua ali, um belo e imponente desastre.

Nada consegue destruir a beleza ao seu redor.

Mas não o culpo por isso.

Você não compreende a dimensão disso.

Não, você não lembra.

Não queria.

Não abriu as portas.

Não imaginou.

Não soube.

Você não compreende.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!