Vocare
7 CAPITULO 6 – Escuridão Visível
A blusa de Molly já estava no chão antes que Sherlock batesse a porta do quarto. Uma mão enorme cheia de dedos longos a puxou para ele, para em seguida enchê-la com um dos seios de Molly.
– Você fez de propósito. Para me enlouquecer.
Molly gemeu confusa. A outra mão dele estava em suas costas a segurando, e balançou a cabeça tentando entender o que ela teria feito para irritá-lo. Ela sentiu a respiração de Sherlock em um dos seus mamilos, e então fechou os olhos, pouco se importando com o que fez ou não.
– Sem sutiã. Lá na sala. – ele pausou na experiência que fazia naquele momento. Ele queria saber se o sabor e a textura dos seios de Molly eram as mesmas da noite anterior.
Ele voltou seus lábios e sua língua para os seios dela, e Molly sorriu vitoriosa ao finalmente entender do que ele estava falando.
– Completamente. De. Propósito. – ela pausou as palavras.
– Minha vontade era expulsar Mycroft, e arrancar suas roupas ali mesmo. — ele voltou a cabeça diante da dela e a beijou com angustia. A língua dele era quente, insistente e habilidosa. Molly não conseguia deixar de pensar que era a mulher mais sortuda desse planeta.
A mulher nos braços de Sherlock Holmes.
Sherlock a apertava entre seus braços, e Molly podia sentir seus músculos pela camisa, e sua ereção em sua calça bem cortada. Ela sorriu entre os lábios dele, o fazendo parar.
– Você quer me matar... – ele murmurou, e começou a trilhar o pescoço dela. – Me diz o que você quer. O que quer que eu faça. Ontem a noite pareceu tudo tão rápido. Me diz o que você gosta. Se eu fizer algo que você...
Ela segurou a cabeça dele com as duas mãos, e o fez olhar para ela.
– Alguém já te disse que você fala demais?
– Com frequência. – ele respondeu. Ele baixou a cabeça pegando a boca dela com a sua. A língua dele gentilmente varreu a parte de dentro do seu lábio superior. – Mycroft diz que quando eu era criança eu raramente... – e ele beijou sua boca novamente. -... Calava a boca.
Molly aproveitou para tirar a camisa dele de dentro de sua calça, e então colocou as duas mãos por baixo da camisa, contra a pele quente de suas costas, passando as unhas levemente.
– Ah! Sempre querendo saber como, por que... – ele continuou, dando leves beijinhos ao redor dos seus mamilos entre as palavras. – Eu queria saber...
Ele parou quando as mãos de Molly alcançaram sua ereção por cima da calça.
– Você queria saber...
– ... Tudo! Eu queria saber tudo. Agora eu preciso de dados. Por exemplo ... – e Sherlock abriu o ziper da calça dela, e levou os dedos da mão direita para dentro da calcinha. — Se eu não falar, não posso perguntar se você gosta disto... não é?
– Depois de ontem, você sabe que sim.
– E se eu usar a minha lingua aqui... – ele murmurou entre os lábios dela.
Molly respirou fundo, e gemeu quando ele acariciou seu clitóris. Sua imaginação voou, e tudo seu corpo tremeu com o pensamento de ter Sherlock com os lábios entre suas pernas.
– Você iria gostar disso? – ele perguntou.
– Muito. – ela respondeu, e o beijou com desespero. As mãos dele estavam a deixando zonza, e ela achou que não conseguiria ficar de pé por muito tempo.
– Você vai me dizer o que... – quando se afastou da boca dela.
– Sim, Sherlock! Pelo amor de Deus! – ela gritou, o fazendo rir. — Mas há outras maneiras de...
– Entendo o você quer dizer. Há muitas maneiras de obter os dados.
Sherlock a empurrou para cama, e, para a tristeza de Molly, retirou a mão que lhe tocava. Em uma velocidade impressionante tirou suas roupas, e Molly o viu novamente do jeito que ela jamais achou que veria: lindo, nú e excitado.
Ele se ajoelhou aos pés dela, e tirou o jeans que ela vestia, com os olhos fixos nos dela. Ele se abaixou e ela fechou os olhos ao sentir aqueles labios quentes na pele da sua barriga, ao mesmo tempo que sentia sua calcinha escorrer por suas pernas.
Agora ela estava completamente nua novamente na frente dele. Ela abriu os olhos, e o viu a admirando novamente. Os dedos deles de novo subiram aos seios dela, e foram descendo.
– Observação e dedução. – disse ele, passeando com os dedos pelo seu umbigo.
– Muito... – as mãos deles dele desceram mais, voltando a toca-la do jeito que estava antes. -... Útil! Oh!
– Absolutamente.
– Cale a boca, Sherlock!
– Sim, Dra. Hooper. – e Sherlock trocou as mãos pelos seus lábios.
**vocare**
Quando Sherlock acordou estava escuro no quarto. Quanto tempo eles haviam dormido? Molly estava enrolada ao seu lado, com uma mão no peito dele, e sua cabeça próxima ao seu braço esquerdo. Sua outra mão subiu para acariciar suas costas. Ela suspirou, mas não se mexeu. Mais uma vez, ele sentiu aquela sensação de calma profunda, ainda mais profunda desta vez. Ele esteve dentro dela três vezes, seus dedos, seus lábios, sua lingua desencavou cada segredo da sua feminilidade, cada centímetro de sua pele, o que ela devolveu na mesma paixão. Sem se sentir sobrecarregado de culpa e sem uma necessidade desesperada desta vez, ele foi capaz de aproveitar o tempo para vê-la, senti-la, sentir-se nela, para conhecê-la. Para conhecer e ser conhecido.
O que ele agora sabia de Molly, e ela de si mesmo, tirou seu fôlego. Ele percebeu que de alguma maneira ainda queria John, e ele já não se sentia culpado por isso. Isso tinha sido uma constante em sua vida por anos. Mas ele ainda se sentia confuso com tudo isso. Era uma incógnita que ele não consegueria desvendar mesmo que pudesse. John estava apaixonado por outra pessoa. Agora ele estava casado e logo iria ser pai.
Sem o frenezi da paixão e do orgasmo, ele pode refletir melhor quanto ao papel de Molly em sua vida. Na noite anterior, ele havia percebido que podia morrer por ela, mas a questão a ser discutida, era mais prática que subjetiva. Ao ter relações sexuais com Molly, ele teve que admitir para si mesmo que ele queria, precisava, na veradade, de alguém para se conectar. Não apenas com a mente e o coração, mas com o corpo.
Ele sabia do risco. Ele não era nada do que um desgraçado, como John dizia. Ele não queria amá-la. Ele não queria que ela o amasse. Mas ele a queria. Ele não seria como ela queria que ele fosse. Molly queria romance e amor. Um marido com um bom emprego para lhe dar filhos numa casa de cerca branca. Molly faria sexo com ele no escuro, estritamente na posição papai-mamãe. Ela se convenceria que era terrivelmente romantico enquanto seria apenas chato e nenhum pouco prazeroso. Molly era uma mulher linda e decente, e merecia toda a tradição e amor que ela desesperadamente parecia querer.
Ela merecia algo melhor que ele.
Só a ideia de um homem recebendo os carinhos e sorrisos dela fazia seu sangue ferver. E sentia uma profunda angustia por ser tão egoista por quere-la, por tê-la, e não lhe dar a chance de ter algo melhor que ele. Mas tinha que admitir que depois de ontem e hoje, ele estava aberto a possibilidades. Aberto a possibilidade de amá-la. E naquele segundo, a calma e ternura que sentia o deixava com vontade de lhe dar tudo o que ela queria.
E a primeira coisa que faria seria um café da manhã. Não, espere. Era noite.
Por que ele estava acordado mesmo? Então ele se lembrou. Ele tinha ouvido alguma coisa nas fronteiras de sua consciência, ou pensou ter ouvido. Ele tinha ouvido um estalo no piso. Caramba, se Mycroft estava de volta, ele iria estrangulá-lo. Ele tentou se mover sem acordar Molly.
Subitamente a porta do quarto se abriu, e a luz, de repente acesa no outro cômodo, o cegou por um momento. Ele saiu da cama, com o coração acelerado.
– Safadinho. — disse uma voz familiar. Sherlock sentiu os cabelos do seu pescoço se arrepiarem. Ele ficou ao lado da cama, nu. Sem nenhuma arma, pensou. John tinha levado sua arma. As espadas estavam na sala.
– Molly. — disse Sherlock, erguendo a voz. – Acorde.
Ele ouviu-a se agitar atrás dele, em seguida, ouviu seu suspiro. Ele não se virou para olhar para ela. Ao invés, ele olhou para James Moriarty, de pé há um metro de distância, impecavelmente vestido, e ladeado por dois homens enormes segurando Uzis.
– Estou decepcionado. — Moriarty cuspiu a última palavra. — Molly, querida, eu te avisei, mas você me ouviu?
– O que você quer? — Sherlock assobiou, cada palavra distinta, com os punhos cerrados.
– O que eu quero? — Moriarty riu suavemente. Os olhos castanhos mirou Sherlock pela primeira vez. — Eu pensei que tivesse sido bem óbvio o tempo todo, meu caro, mas você ainda não entendeu muito bem, não é?
Os olhos de Moriarty correram lentamente pelo comprimento do corpo de Sherlock de baixo para cima. E então ele sorriu.
– Vamos acabar com isso? Explicações são tão chatas. – e então antes de dar um passo para trás, ele soltou. – Levem-na.
Os dois homens se moveram na direção da cama, e Sherlock atirou-se na direção Moriarty, disposto a derrubá-lo mesmo de mãos vazias. Moriarty apenas levantou uma mão, e a colocou sobre o peito nu de Sherlock, e tudo o que Sherlock viu, foi a escuridão.
TO BE CONTINUED...
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