Notas iniciais
Espero que gostemPs: As palavras em itálicas é a narração do Jack.

Era como se todos os dias fosse inverno, a neve branca da cor de um puro amor, caia sobre minha janela e aos meados de segundos derretia com o sol que brilhava de fora da minha casa.

Aquele jovem brincava com aquele dom como se fosse uma benção ou algo do tipo.

Como ele o controlava tão bem sendo mais novo e inexperiente que eu?

Pergunta-lo sobre isso era algo que meu orgulho não permitia, eu tentava fazer o mesmo dele dentro de meu quarto, o final era sempre trágico.

Xx

Do quintal da minha casa eu fisgava meus olhos para a janela da enorme casa vizinha a minha, nela eu sempre via um vulto azul, eu podia enxergar os olhos dele, mas o que me transmitia era algo frio, mas frio que meu mais poderoso poder.

O que seria aquilo? Uma pessoa? E se fosse, por que ela me olharia tão friamente? E o principal, por que ela me olharia todos os dias, na mesma hora e da mesma forma?

Perguntar-me isso a mim mesmo era uma perda de tempo, porém minha curiosidade em conhecê-lo era mais forte. O que eu deveria fazer?

Xx

No dia seguinte levantei-me de minha cama e caminhei em direção a minha rotina de está na janela e observar aquele habilidoso jovem do qual eu tinha tanta inveja.

–Ué! Cadê ele?

Descer as escanda em ponto de desespero foi o que eu fiz sem pensar duas vezes, mas por que eu estava fazendo isso? Há quanto tempo eu não sinto isso dentro de mim?

–O que é isso?

Meu coração, eu podia ouvi-lo, ele batia fortemente dentro de mim, e em deslizada rápida cheguei ao portão da minha casa e o abri.

–Ah!

O Sol. Luz calorosa que iluminara meu rosto e meus vestes que acabaram por derreterem.

–Oh shit, o quão poderoso o sol é? Como aquele garotinho sobrevive a esse tão forte poder vindo de uma bola a mil léguas de distancia?

–Se-Senhor, você está...

–EU SEI QUE ESTOU SEM ROUP...

Auto me interrompi ao perceber quem era.

–Ah, é você?

–Eu?

Xx

Alí estava ele sem vestias alguma, seu olhar, eu o reconheci é o mesmo olhar daquele vulto daquela janela.

Mesmo me tratando com frieza, eu não parava de encara-lo.

–Você mesmo, você é o garoto que controla o gelo muito bem.

–Han? Tipo, eu faço o que posso, não, na verdade, eu apenas brinco.

–Brincar? Então para você essa maldição é uma brincadeira?

Logo vi estacas de gelo se formando ao redor dele, mas elas apontavam para mim, não senti medo, porém me aborreci com a falta de educação daquele que eu achei ser especial.

Xx

Pensei que ele teria medo, mas apenas ficou com uma expressão decepcionada, me senti mal e apenas vôlei para dentro de casa fechando o portão na cara dele.

–Afinal, o que foi tudo isso?

Xx

–Idiota! Mas por que estou mal com isso?

Fiz nevar apenas onde eu estava e em leves passos voltei para casa.

Xx

Depois daquilo, eu não quis mais ir para aquela janela, eu não quis mais vê-lo, não tive coragem, minhas lagrimas caiam sem eu saber o porquê, meu coração eu não o ouvia, e mesmo assim eu o sentia doer tanto.

–O que está acontecendo comigo?

Pequenas estrelas de gelo era o que eu fazia deitado em minha cama, eu não ouvia mais o gargalhar dele ao brincar com os filhotes de cachorrinhos.

E depois de duas semanas, ouvi baterem em minha porta, não me movi continuei deitado. E dois dias depois do chamar em minha porta, ouvi aquele doce som novamente, eu não pensei duas vezes, corri para a minha janela, lá estava ele brincando com os cachorrinhos que já estavam maiores, e pela primeira vez acabei sorrindo por algo tão bobo.

–Nem ao menos eu sei seu nome.

Xx

Eu não sabia seele estava me olhando, mas olhar para cima era algo que eu tinha medo de fazer.

Se ele estivesse alí, como será que seu olhar está a me ver?

–Eu não vou saber se eu não olhar.

Olhei, mas ele não estava lá.

–Ah, ele não está lá.

A mão apertando meu casaco no lado esquerdo do peito era pra amenizar a dor que senti ao não vê-lo naquela janela.

Xx

Resolvi tentar de novo, e fiquei surpreso ao abrir o meu portão, minhas roupas derreteram novamente, mas alí tinha um pacote e pus a abri-lo, nele tinha roupas.

Eu as vesti e segui para o quintal daquele jovem. Ele estava com o olhar tristonho, diferente do que vim em meu quarto.

–Ei garoto!

Ele me olhou surpreso.

–Essa roupa foi você que me deu?

Xx

Eu não acreditei no que eu estava vendo e ouvindo, ele vestiu as roupas feitas por mim, fiquei feliz.

–Ah, sim, foi eu.

–Obrigada, elas são perfeitas. Mas como você sabia do meu tamanho?

–Eu apenas fechava os olhos e imaginava a cena de você despido, não pense mal só foi para eu calcular as suas medidas com a minha memória fotográfica.

–Você é inteligente.

–Não sou, tudo que faço é por diversão.

–Entendo... então...Você quer brincar na neve? De alguma coisa que eu não sei? Faz tempo que eu não vejo mais ninguém até com os quadros nas paredes já falei...

–Você fala sério?

–Sim.

Ele ergueu sua mão para mim com um doce sorriso, me senti tão bem e aquela dor anterior já não era mais existente em meu peito.

Xx

Aquelas gargalhadas, elas estavam surgindo por minha causa, eu estava fazendo ele feliz, bonecos de neve, estrela e flocos de gelo, tudo era motivo para uma alegria sem motivos.

Então era aquilo, o segredo do alto-controle, era apenas brincar e se divertir.

–Espera! Como você se chama jovem? Jack Frost, e você?

–Elson.

Xx

Um sonho de inverno era o que eu estava vivendo, Elson era o seu nome, aquele olhar frio eu não via mais em seus olhos e meu coração ficava em paz perto dele.

Anoiteceu e eu nem percebi.

–Já é tarde, eu não queria que o dia hoje chegasse ao fim.

–Não se preocupe Jack, voltarei amanhã. Observá-lo pela janela não será mais necessário.

Ele segurou em minhas mãos e por algum motivo corei ao ver seu rosto se aproximar do meu.

–O que você está fazendo, Elson?

Não tenha medo, eu apenas quero ter a certeza se isso não é um simples sonho.

Xx

Eu o abracei como se fosse a ultima coisa que eu iria fazer na minha vida, e sentir os seus braços interlaçando em minha cintura fez-me sentir único, eu estava feliz por está fazendo ele feliz.

–Até amanhã, Jack.

Xx

“Até amanhã, Jack” uma simples despedida, tão simples como qualquer outra, o que a fez diferente foi o simples fato de ter sido ele. Eu não percebi, mas eu estava o amando. Meu coração gritava isso toda vez que eu o via, e eu tinha certeza que isso ia me fazer sofrer.

–Talvez eu seja apenas um grande primeiro amigo, apenas isso.

–Jack? Você está em casa?

Ele bateu em minha porta, foi a primeira vez que ele fez isso. Eu nem sabia o que era suar, minhas mãos nevavam e aquilo era estranho.

Com a minha demora ele acabou por abrir a porta que estava destrancada.

Escondi as minhas mãos rapidamente.

–Eh, Oi Elson. Aconteceu algo?

–Não, apenas senti sua falta.

–Mas você me ver todos os dias.

–Acho que todos os dias não são mais suficientes.

–Quê?

–Acho que, para eu me sentir preenchido teria que ser o tempo todo.

Xx

Eu não queria brincar com ele, o Jack não era um amigo, ao menos não era isso que eu queria que ele fosse.

Ter similar poder e um sorriso tão caloroso, o Jack me conquistou de forma estranha, eu não podia ver ele apenas um momento do dia.

–Elson, do que você está falando?

–Venha morar comigo, Jack.

–Mas por que isso agora?

Eu pensei que ele iria aceitar sem pensar duas vezes.

–Você não quer?

–Não é isso, eu apenas não sei o que te levou a me querer perto de sua pessoa. Eu não me sentiria bem morando em sua enorme casa.

–Eu a fiz, você também pode fazer uma grande casa. Mas não precisa, por favor, aceite o meu pedido.

–O que você sente por mim, Elson?

Xx

Ele vagarosamente veio até mim e levantou meu rosto cabisbaixo, seu olhar, ele estava tão feliz.

–Por que você está tão feliz Elson?

–Por que eu tenho você.

Ele rapidamente encostou seus lábios nos meus.

–O que foi isso.

–A prova dos meus sinceros sentimentos. Não hesite, você me libertou tenho que lhe agradecer com esse sentimento que você fez nascer dentro de mim. Livre estou, agora eu posso adorar a sua pessoa sem sentir inveja dela.

–Inveja?

–Você domina esse dom tão bem, você brinca no frio como se fosse tudo em sua vida, enquanto pra mim ele era motivo de raiva e desespero.

–Não entendo, eu sempre fui assim, ninguém me ensinou...

–Xiuu, o frio agora não vai mesmo me incomodar, graças a você que me fez aceita-lo como parte de mim.

Segurei em seu rosto e o beijei e ele me levantou deixando-me da sua altura e passamos a girar fazendo nevar dentro da minha casa.

Ao paramos ficamos um bom tempos nos encarando em silencio.

–Você quer brincar na neve?

–Mas é verão.

–Fazemos nevar, isso não o problemas.

–Sendo assim, você faz o boneco.

Xx

Feliz fiquei, feliz estou, livre estou...

–Jack! Espere.

–Sim?

–Eu te amo.

–Eu também te amo, Elson.

Fim

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