Você poderia me desculpar?
1 Cap único.
Notas iniciais
— Eu já disse que não, Takao!
— Por que diabos você quer esconder tanto isso?!
Midorima e Takao estavam no teto escolar onde costumavam almoçar juntos, Shintarou gostava do lugar principalmente pelo fato de ser calmo e raramente ter alguém além deles dois. Tudo estava correndo bem até Takao fazer uma pergunta inusitada, bem, pelo menos para Shintarou.
— Eu não quero ter que ouvir as pessoas falando disso o tempo todo e muito menos encarando nós dois.
— E se usarmos apenas anéis? Assim ficaria mais discret...
— Você enlouqueceu?! Isso seria meloso demais, não é como se fossemos nos casar ou coisa do tipo.
Takao manteve o silêncio, porém o olhou com indiferença e desgosto antes de pegar o seu almoço e se retirar sem sequer olhar para trás. O esverdeado o perguntou para onde ele estava indo mas foi completamente ignorando.
— Não é possível que ele vá ficar com raiva disso. – Suspirou posteriormente, havia perdido a fome, não sabia o porquê, mas havia perdido.
(...)
Após o final das aulas Midorima seguiu até q quadra para a prática de basquete como de costume, esperando que Takao estivesse lá. Apesar de provavelmente estar enraivecido, não faltaria sequer um treino de basquete. Yuya se aproximou perguntando onde estava Takao pois imaginava que ele viria com Midorima como sempre.
— Ele não está aqui? – Indagou atônito, de imediato pegou o celular com um clássico chaveiro de sapo que Takao o havia lhe dado, então o enviou uma mensagem questionando onde estava. O menor não o respondeu, Shintarou decidiu que isso não iria o atrapalhar pois basquete sempre seria sua maior prioridade, mas não conseguia tirar o namorado da cabeça o que lhe fez errar algumas cestas mais que o normal. “Que raiva” pensou chutando a bola de basquete raivosamente e se sentando. O capitão se aproximou de Midorima o perguntando o porquê de estar agindo dessa maneira e que deveria descansar se fosse o caso. O esverdeado acabou aceitando, não queria errar mais cestas e se irritar. A bicicleta que costuma ficar perto da árvore não estava ali e nem o acastanhado que vivia sorrindo e reclamando do peso de Shintarou. Retirou novamente o celular do bolso com a expectativa de ter recebido uma resposta, porém nada na caixa de mensagens, olhou frustrado, talvez até angustiado e seguiu para sua casa.
(...)
Kazunari abraçava o travesseiro cansado, suspirando pela milésima vez. “Por que diabos o Shin-chan tem que ser assim?!” pensou irritado com tudo aquilo, será que não podia ser gentil com o próprio namoro uma única vez? Ouviu o bater da porta e permitiu que a tal pessoa entrasse, tendo em vista sua mãe que se sentou na borda de sua cama percebendo a inquietação e desânimo do filho.
— O que aconteceu?
Um silêncio tomou conta no lugar por alguns segundos antes de ser destruído por uma resposta abafada. “Shin-chan...” foram as únicas palavras que saíram de sua boca naquele momento.
— Se você está assim presumo que discutiram
— Sim! Mas é tudo culpa dele! Eu só queria que ele assumisse o nosso namoro, não precisa ser nada escandaloso, apenas, apenas...!
Quando menos percebeu seus lábios tremiam e sua face havia um aspecto molhado sem falar da sua visão embaçada, logo pôs os braços sobre os olhos repetindo diversas vezes que não estava chorando mesmo que fosse óbvio. Sua mãe o olhou com compaixão. “Eu o amo e isso é o que me dá mais raiva...” falou em meio a soluços e logo foi rodeado pelos braços de sua mãe em um abraço aconchegante.
— Eu sei que o ama e também sei que ele ama você. Midorima sempre foi alguém difícil de demonstrar sentimentos, justamente por isso ele não entraria em um relacionamento com alguém que não gosta. Tenho certeza de que se tiver uma conversa séria, se entenderão.
Então se afastou, enxugado as lágrimas do filho que por felicidade cessaram. Se afastou e parou na porta com um sorriso. “O jantar está quase pronto, então desça daqui a pouco” e saiu. Aqueles conselhos lhe ajudaram mas ainda tinha um alto receio de como Shintarou reagiria, é verdade que ambos se amam...mas e se não forem maduros o suficiente para um relacionamento? Apertou a região do peito como se quisesse cessar o peso que surgiu de repente.
(...)
— Está estudando maninho? – perguntou a garota de 12 anos cabelos longos esverdeados pela porta.
— Já falei para bater quando quiser entrar!
— Tá bom, tá bom.
Ignorou completamente o aviso do irmão e logo se aproximou de seu lado olhando o caderno que possuíam apenas 3 linhas escritas e não terminadas, estranhou pois Shintarou parecia estar estudando há um bom tempo e se conhece bem o irmão mais de duas folhas já estariam preenchida, ao olhar face do esverdeado notou que parecia angustiada, frustrada.]
— Hmmm, parece que aconteceu alguma coisa...me conte!
— Não.
— Eu sou sua irmã, me conte!
— Eu já disse que não.
— Eu posso te ajudar, eu não vou zuar nem nada...apenas confie na sua irmãzinha e me fale o que está acontecendo.
Ao ouvir o tom sério da sua irmã, ainda que relutante decidiu que se não falasse iria enlouquecer, então após um longo suspiro começou.
— É o Takao.
— Ah, seu namorado?
— Não precisa se referir sempre a ele assim! – disse corando levemente, desde que começou a namorar Takao sua irmã e até mesmo a sua mãe o chamavam de “seu namorado” o que era totalmente vergonhoso para ele.
— Tá, o que aconteceu?
— Eu acho que o irritei... – falou com uma expressão melancólica, mas não nítida, para as pessoas que não o conhecem seria apenas uma expressão impassível.
— O que você fez para irritá-lo?
— Nada! Nós estávamos normais como sempre, repentinamente ele me começou a discutir comigo porque queria “assumir” o nosso namoro. Eu falei para ele que me incomodaria com esse tipo de coisa, então ele sugeriu que poderíamos apenas usar anéis o que é ainda mais absurdo. Eu não entendo por que ele ficou tão fissurado nisso de repente.
— Irmão...você realmente não entende a importância de assumir um namoro?
— Se for ser rodeado de pessoas fazendo questões inusitadas ou olhando para você o tempo todo, não.
A garota suspirou antes de começar a lhe explicar, se perguntou mentalmente como seu irmão podia ser tão idiota mas ao mesmo tempo conseguia ver que estava se esforçando para entender.
— Bem, assumir o namoro é importante pois as pessoas terão a consciência que estão juntos, isso evita duas coisas super irritantes. Primeira, o receio de demonstrar muita intimidade perto das pessoas e segundo, pessoas dando em cima de você.
A expressão de Midorima se alterou, como se estivesse finalmente compreendendo. Mas ainda não por total e sua irmã havia notado isso.
— Deixe-me ver um exemplo. Ah, já sei! Você sai com Takao como de costume mas então diversas garotas começam a dar em cima dele e ele fica enrascado naquela situação, ele poderia acabar facilmente com tudo isso se dissesse que tinha um namorado e que estava com ele ali, mas ele não pode pois o namoradinho dele não quer assumir o compromisso. – deu uma ênfase irônica na palavra “namoradinho” justamente para fazer perceber o quão idiota o Midorima foi. – Agora me diga irmão, você gostaria de ver o seu namorado enrolado no meio de diversas garotas o tocando e o falando como ele é atraente?
— ...não – falou quase em um tom inaudível escondendo a face irritada devido o pensamento que teve com a descrição da irmã mas agora que entendia o que tinha feito, estava se achando um completo idiota.
— Bem, acho que finalmente entendeu.
— Sim, obrigada. Eu...vou me desculpar.
— Ótimo! – exclamou animada se retirando do quarto.
O esverdeado estava abalado, pensou como poderia se desculpar com Takao, não queria apenas pedir desculpas e também não queria falar para todo mundo que estavam namorando. Mas sabia agora que isso era necessário, teve a brilhante ideia ao lembrar de Kazunari citar os tais anéis, pegou seu celular e decidiu enviar uma mensagem. ”Me encontre depois das aulas no terraço, tenho algo importante para lhe dizer.” Seus dedos tremeram durante toda digitação, como era capaz que Kazunari Takao pudesse mexer tanto consigo mesmo? Quando parou para pensar na reação de Takao quando recebesse a surpresa, não pôde evitar sorrir, mesmo que fosse um sorriso curto era um sorriso verdadeiro e apaixonado.
Ouviu o celular vibrar, assim que o ligou viu a mensagem de seu namorado e sentiu o coração acelerar, relutou antes de responder, engolindo seco o respondeu com um simples “Ok”. Apertou o celular sentindo o peso no peito novamente.
(...)
As aulas finalmente haviam acabado, Takao corria como um louco desesperado subindo as escadas até o Terraço. “Por favor, não termine comigo” era só o que sua mente repetia, parou ao chegar na porta a abrindo e avistando a silhueta do seu então namorado, se aproximou acanhado.
— Bem, estou aqui. – Demonstrou um curto sorriso, o que não era de seu costume pois não emitia a alegria de antes.
— Ótimo.
Um silêncio se instalou no ambiente, o acastanhado então o olhou confuso arriscando perguntar.
— É...você não tinha uma coisa importante para me dizer?
Ao terminar a frase viu o rosto do esverdeado ruborizar por completo o que fez suas bochechas corarem levemente devido a maravilhosa vista.
— E-eu vou dizer...! Só me dê um segundo...
Falou com rosto virado para o lado enquanto escondia uma parte da face com braço direito. Assim que se recuperou olhou seriamente para Kazunari, engolindo nervoso antes de falar.
— Feche os olhos.
— Hã? Por quê?
— Apenas feche.
— Tá bom... – Fechou os olhos confusos e então sentiu sua mão direita ser pega pela de Shintarou.
— Ei, o qu-
— Não abra.
O esverdeado então pegou o anel e o deslizou pelo dedo médio do seu namorado que antes mesmo do anel deslizar por completo abriu os olhos atônitos e brilhantes.
— Eu disse para você não abrir! – Shintarou repreendeu corando fortemente devido a ação repentina.
O acastanhado não lhe deu ouvidos apenas olhou para o anel em sua mão como uma criança vendo a mãe pela primeira vez.
— Você disse que poderíamos usar anéis, não foi...? – ainda ruborizado mostrou a mão esquerda que estava com um anel em seu dedo médio também, evitou olhar para Takao devido a vergonha mas não conseguiu manter isso por muito tempo pelo silêncio estranho, quando voltou sua atenção viu os olhos marejados e aos poucos as lágrimas caírem, logo se aproximou preocupado colocando ambas as mãos sobre o rosto de Takao que ainda chorava fortemente.
— P-por que está chorando? Eu pensei que fosse gostar!
— Eu gostei...! Eu gostei muito!
— Então por quê...?!
— Porque eu estou feliz demais, seu idiota. – riu alegremente em meio aos risos mas ainda conseguiu ver o forte suspiro aliviado de Midorima.
— Não deveria ficar tão feliz por algo tão besta.
— Mas eu estou, e a culpa é sua. – Brincou fungando levemente com as lágrimas já cessadas.
— É? – Um sorriso de canto surgiu no rosto de Shintarou, não era tão expressivo quanto seu namorado, entretanto também estava imensamente feliz pelo que acabara de ocorrer.
— Sim. – Uma curta resposta que foi procedida por um beijo calmo, lento e afeiçoado. O acastanhado pôs a mão direita sobre a mão esquerda do esverdeado que ainda estava em seu rosto, criando um encostamento entre os anéis que produziam um forte brilho e contraste. Mesmo que fosse um beijo lento, o tempo parecia ter parado e o que menos queriam no momento era sair dali...se Midorima soubesse que expressar seus sentimentos poderiam ter consequências tão agradáveis, teria feito isto muito antes.
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