Você nunca estará sozinha.

3 Um misto de felicidade e tristeza.


Notas iniciais
Oi meus amores, fico super feliz por alguns de vocês estarem acompanhando a fic. Espero que ela cresça cada vez mais. Beijo!

Pov Sky

Qual aula eu tenho agora mesmo? Deixa eu olhar na grade das aulas... Teatro? Oxe, e desde quando aqui tem teatro?

—Bom dia classe!

—Bom dia senhora Martinez...

Ah, lembro bem dessa professora, ela não é grande coisa, mas é gente boa.

—Turma, esse ano teremos muitos projetos na escola. Teremos um grande espetáculo que será visto por uma comunidade no final do ano! Darei um tema a vocês depois ok? Agora peguem seus cadernos e vamos anotar.

—Anotar o que minha filha? a história do teatro? — Pergunta um aluno

—Não sei, acho que quando pegar o seu caderno e eu anotar o assunto no quadro vai saber realmente do que se trata.

—Uhhh... — Murmuram alguns alunos e ele fica quieto.

Dou um sorriso. Hum, acho que esse ano teremos muitas surpresas, não é mesmo?

(...)

Sempre gostei das ruas de Nova Orleans... É um misto sabe? Às vezes é tudo tão calmo, a chuva caindo, as folhas caindo das árvores dão um ar tão pacífico, meio melancólico. Mas também consegue deixar tudo com um ar alegre e festivo com as festas que acontecem aqui. Enchem nossos olhos de alegria ver todos aqueles antiquários e as bandas tocando ao vivo em cada barzinho da esquina e as pessoas juntas conversando. Posso dizer que dá até um pouco de esperança.

Sinto algo vibrando no bolso e lembro do meu telefone. Mamãe?

—Alô?

—Oi, minha filha! onde você está? já está tarde...

—Oi, mãe! Estou indo para casa, não se preocupe. Ainda são 18:00!

—Não é isso, é porque eu vi no jornal que um homem tinha conseguido escapar da cadeia.

—Não se preocupe meu anjo, estou bem. Como estão as coisas aí? já tomaram café?

Silêncio.

—Mãe? A senhora está aí? me responde!

—A Maddie tomou café sim...

—Não perguntei só da Maddie. Mãe, a senhora está sem comer de novo?

—Sky, eu tenho que alimentar vocês e pagar a sua escola. Eu consigo ficar um dia sem comer.

Solto um suspiro e chuto a pedra com força a minha frente.

—Se continuar fazendo isso vai ficar fraca!

—Me desculpa filha, mas é para o bem de vocês.

—Tudo bem mãe, daqui a uns 40 minutos chego em casa. Tenho que fazer umas coisas...

—Sky, o que vai...

desligo o telefone.

Sento na grande calçada em frente ao Oscar's, um grande restaurante daquela região. Será que...

—Ei, dá pra sair da minha frente? não damos esmolas aqui!

—Ah não, eu não quero esmolas... na verdade eu quero um emprego aqui. Tem alguma vaga?

—Quantos anos você tem?

—16!

—Sinto muito...

—Não por favor, eu preciso de um emprego para minha família. Eu faço o que der na telha, por favor!

Ele me encara e eu fico desesperada.

(...)

— Muito boa noite família! — Grito chegando em casa

—Imprestável... — murmura meu pai

—Boa noite para você também. — Retruco

Vou até a cozinha devagar e pego minha mãe sentada a mesa com algumas contas na mão esquerda enquanto a direita puxava alguns cabelos da cabeça.

—Mãe? tá tudo bem?

—Oi minha filha. — fala fungando e se assustando.- Não vi que tinha chegado.

—Tudo bem? parece que estava chorando...

—Não, é só uma gripe. Nada que um xarope abrilar não resolva.

—Cade a Maddie? tenho algo para vocês...

— Sky, Sky!

E então sai um pequeno ser de 3 anos. A Maddie parece um pouco comigo. Tirando o fato de que meus cabelos são pretos e compridos, e o dela são loiros e da altura do queixo por ainda ser pequena. Mas os olhos cor de mel dela são muito parecidos com os meus.

—Oi minha princesa, tudo bem? Está com fome?

—Estou sim, o que foi? vai fazer panquecas?

—Maddie, deixa a sua irmã respirar um pouco. Venha cá!

A Maddie não aprendeu a falar tudo ainda, mas o pouco que fala nós conseguimos entender.

—Não, melhor que isso! Eu trouxe carne assada, macarronada com molho branco, salada, feijão, arroz e um refrigerante de dois litros!

— O que?! — Pergunta minha mãe com um sorriso.

Então eu pego a minha mochila e tiro de lá uma sacola média com algumas marmitas.

—Eu consegui com um amigo mãe. Senta, vamos comer!

—Deus, o senhor ouviu minhas orações!!

Limpamos a cozinha, a mesa e colocamos tudo em nossos pratos. O que ficou nas marmitas eu levei para o meu pai. Mesmo não gostando do jeito que ele se comporta não posso ser uma má pessoa e nem deixar que meu coração possua mágoas...

—Antes de comermos meninas, vamos orar?

Fechamos os nossos olhos e faço minha oração.

'' Deus, muito obrigada pelo emprego que me concedeu nesta noite. Agradeço de coração também pelo nosso jantar, e que o senhor continue nos guiando todos os dias pelo seu caminho de paz, amor e justiça. Amém.''

—Amém? — pergunta

—Amém! — Respondemos

Então pegamos nossos garfos e facas e começamos a comer.

No meio do jantar recebo uma mensagem:

'' Esteja lá amanhã às 05:50 ''

Respondo apenas um '' Certo, estarei lá'' e volto a comer.

Depois do jantar, arrumo a mesa e lavo os pratos. Minha mãe resolveu tomar um banho e eu fui na sala. O cheiro de tabaco e bebidas é insuportável...

—Pai? porque não vai se deitar?

—E desde quando você manda em alguma coisa aqui?

—Não, eu só...

Então ele me acerta com um cinzeiro no rosto e eu caio no chão.

—Sangue... porque isso não me surpreende?

—O que está resmungando? Venha aqui!

—Não, eu vou ajudar minha mãe, ela está me chamando! Já vou mamãe!

Subo as escadas correndo e vou direto ao banheiro do meu quarto.

—Legal, o ano mal começou e eu já quero que termine.

Lavo o local com um sabonete e coloco uma pomada para cicatrizar.

Faço minhas atividades da escola, falo com alguns colegas que fiz hoje e arrumo minhas coisas.

—Hoje até foi um dia produtivo, de certa parte. Digamos que foi um misto de felicidade e tristeza. Mas eu não vou reclamar, o que eu queria eu consegui que foi um emprego, e isso ajuda muito! Obrigada mais uma vez, Deus!

Dou um sorriso olhando para a grande estrela do lado de fora da janela e vou me deitar.

Não demoro muito para pegar no sono e pela primeira vez em anos, consigo dormir em paz.