Você não precisa de chance nenhuma
3 A personalidade falando. De novo.
– Precisamos conversar.
– Bom dia, para você também. – Beckett responde sem tirar os olhos da tela do computador.
– Bom dia. – Pausa – Precisamos conversar. Sobre ontem. Sobre o que aquilo significou.
– Não foi nada. Só estava te ajudando a se livrar de uma admiradora nada secreta e com um perfil totalmente encaixável na categoria de psicopata.
– Obrigada por isso. Mas nós dois sabemos que não se trata só disso. Não foi um beijo de “estou te fazendo um favor” apenas. Não foi para mim e eu sei que não foi para você, Beckett.
– Não vou falar sobre isso aqui e muito menos agora. Não sei nem se quero tocar nesse assunto em algum outro momento, Castle. Aliás, eu preciso trabalhar e não temos nenhum caso hoje, então não há motivos para você estar aqui.
– Há sim um motivo para eu estar aqui. E o mesmo motivo dos últimos três anos e meio.
– Vá para casa, Castle.
Beckett termina o seu relatório e passa o resto da tarde conversando com os rapazes e com o capitão. Inevitavelmente o assunto viria à discussão, apesar de nenhum deles gostar muito de se meter na vida dela.
– Kate. – Roy começa – Onde está o Castle?
– Esteve aqui mais cedo. Mandei-o para casa, já que não temos nenhum caso novo hoje. – Ela se faz de desentendida.
– Vocês conversaram? – Ryan pergunta.
– Vocês dois estavam nos ouvindo em alto e bom som para saber a resposta a essa pergunta. Não. Não conversamos. Não há o que conversar.
– Kate, você sabe que ele só está aqui porque te faz bem, não é?! Ele já tem material suficiente para uns 10 livros, por que acha que ele continuaria te seguindo se não houvesse um outro motivo?
– Onde vocês três pretendem chegar com isso?
– Onde está a sua arma? – Esposito pergunta.
– Não gosto quando me fazem essa pergunta. Sempre significa que vou ter um motivo para querer usá-la. Está na gaveta, por quê?
Castle sai do elevador e vai em direção ao grupo. Beckett vira de costas para tentar entender o olhar de todos na direção da entrada e entende o porque do “Onde está a sua arma?”.
– Espo, onde está a arma dela?
– Na gaveta. Já demos conta disso, bro. – Beckett quer rir, mas sabe que não deve. Seus dedos tremem por um pouco de nervoso.
– Quem chamou ele aqui? – Os três se olham e ficam calados. Solidariedade masculina.
– Eu falei a vocês que ela não vai me ouvir tão cedo.
– Ela é uma mulher de personalidade como eu te disse, Castle. Ela trabalha no meio de homens o tempo inteiro. É por isso que ela não vai te dizer se realmente quiser conversar com você. – Roy olha bem nos olhos da detetive – Mas já está mais do que na hora de colocar um ponto final nessa coisa de “te sigo a três anos, quero ficar com você” e “sei disso e finjo que é mentira”.
– Não é nada disso.
– Ah. E eu não conheço a detetive que eu mesmo treinei e por quem sou responsável nos últimos anos? Nunca te vi assim, Beckett.
– Você está vermelha. – Castle comenta. Ela dá um sorriso disfarçado.
– Boa sorte, Castle.
Roy dá alguns tapas nas costas dele e vai em direção a sua sala. Ryan e Esposito ameaçam sair, mas Beckett os impede.
– Nem mais um passo. Podem ficar onde estão.
– Mas Beckett...
– Podem ficar. Se ela prefere que vocês ouçam o que tenho para falar com ela, vocês podem ficar.
– Acho que é só a personalidade falando, de novo. – Esposito ironiza.
– É. Vamos. – Os dois se retiram sem que Beckett dê mais uma palavra.
Beckett pretendia sentar em sua mesa, mas Castle (sentado na mesa do Ryan) a segura pelo braço.
– Não. Eu quero conversar com você assim. Perto de mim. – Olhos nos olhos.
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