Você me esperaria?
24 Capítulo 24 - Sempre tem uma cobra no jardim do Edén
* Ana
Meus lábios estavam crispados de raiva, mas eu tentava não tentava transpassar, mas era obvio que ele estava notando. Um tanto encabulado, eu diria, ele pediu um prato que eu nunca havia visto.
Desde que sentamos eu estava somente olhando para baixo. Eu estava com medo de Elena ser mais uma Leila na vida de Christian, mesmo ela sendo casada com Lincoln. Ela é uma mulher bonita, não posso negar, assim como não posso negar que Leila também é. O que me atormenta é.... Quantas? Quantas seriam as mulheres que foram para a cama de Christian? Seriam muitas? Eu já sabia que Leila havia sido uma dessas, mas ela não era a única.
Ela colocou sua mão sobre a minha na mesa. Levantei meu solhos para olhá-lo. Estava tão bonito. A camisa branca e fresca balançava junto com o vento da praia. Seus olhos estavam ternos e até mesmo temerosos, isso era um claro sinal de nervosismo. Tirei minha mão da sua, deixando meu rosto sem expressão. Suas sobrancelhas se juntaram em claro sinal de confusão.
– Foi a uns anos atrás. Ella era amiga da minha mãe e eu era um adolescente incontrolável.
Arquei as sobrancelhas.
– Ela se aproximou, me mostrou e ofereceu.
Franzi as sobrancelhas.
– O que ela te ofereceu?
Ele suspirou e olhou para baixo colocando os cotovelos apoiados em cima da mesa. Ele entrelaçou os dedos formando o topo de uma tenda indígena. Novamente olhou para meus olhos tentando encontrar alguma emoção neles.
– A relação de Dominadora e Submisso.
Nesse momento eu parei de respirar. Meu coração parou rapidamente por um momento. Como ele pode? Como pode oferecer a mim, o que aquela mulher havia oferecido a ele? Eu fui capaz de entender que ele queria algo diferente, mas uma coisa incentivada por ela? Uma molestadora de crianças? Isso era realmente apavorante. Olhei para ele, que agora parecia muito assustado com minha reação.
– Continue. — pedi, num tão baixo.
– Eu tinha quinze anos na época e aceitei. Ficamos assim até meus vinte e um anos. E foi ai que eu comecei a ter as minhas próprias submissas. Depois de alguns meses ela encontrou Lincoln e se casou. Conhece Lincoln quando ele quis fazer um convenio com minha empresa. Ele é uma boa pessoa... Eu e Elena não nos falamos faz muito tempo, mas viramos amigos depois de tudo.
Arregalei os olhos, olhando para mesa.
– Amigos? — gruni. — Amigo de uma pedófila, Christian! — exclamei baixo para que os outros não ouvissem.
– Ana, não veja por esse lado! Ela realmente me mostrou coisas improprias, mas eu não era mais uma criança e...
– E o quê? -praticamente explodi ã frente dele. — Você aceitou e pronto Christian. Não me dê desculpas esfarrapadas! O que me doí e saber que houveram várias antes de mim e que você não me fala sobre isso! É preciso elas entrarem na nossa vida para você me dizer! Foi assim com Leila e está sendo assim com a Mrs. Robinson! — gritei.
O garçom chegou e olhou para mim com um olhar interrogativo. Esqueci que que ele não falavam inglês. Ele deixou a comida em cima da mesa.
– Não estou com fome.
Me levantei sobre seu olhar ávido e sai correndo. em disparada em direção a areia. Passei por casais se beijando e por crianças brincando na água. Eu não estava chorando, eu estava com raiva. Encostei me em um coqueiro e coloquei as mãos sobre o rosto. Estava cansada, mal saí de meu baque com Leila, já tenho uma Mrs. Robinson inserida na minha vida.
Senti seus passos atrás de mim. Senti que ele não se aproximou de supetão. Acho que ele estava me dando um tempo para assimilar tudo aquilo. Ele ficou na minha frente, me observando. Se aproximou e me abraçou, esfregando carinhosamente seu nariz do meu. Deu um selinho em mim e disse entre meus lábios.
– Quero falar sobre minha vida até agora. Quero esclarecer minha vida para você.
Coloquei minhas mãos em seus ombros para vê-lo melhor.
– Está falando sério?
Ele afirmou.
– Venha.
*
Sentamos na areia que se localizava entre algumas rochas. Estávamos sozinhos. Eu estava feliz por Christian finalmente falar a respeito da vida dele comigo. Acho que seria a primeira vez que conversaríamos sobre isso. Sentei entre suas pernas e deitei a cabeça em seu peito.
– Quando seguei a Seattle, depois daquele dia fatídico, eu... — fez uma pausa cheia de significados. — Comecei a ter crises.
– Crises? — perguntei sussurrando sentando de frente para ele.
– Comecei a desenvolver uma febre emocional depois que você se foi. Com dez anos, minha mãe me colocou em uma escola porque até então, eu só havia tido aulas em casa. Com treze anos passei a frequentar um psicólogo. Ele disse que eu havia desenvolvido bipolaridade e um depressão aguda. Meus dias se mergulharam em um desespero monótono sem fim e eu me vi perdido. Perdido sem você. — Olhou para mim como se olhasse para um bote salva-vidas em meio ao mar. — Com quinze anos, eu possuía a adolescência mais conturbada que uma pessoa poderia ter. Bom, pelo menos a depressão havia melhorado, pois eu comecei a ter alguns amigos que me tiraram do sufoco. Encontrei Elena em um jantar da minha mãe em casa. — engoli em seco ao ouvir o som do nome daquela mulher. — Ela me ofereceu e mostrou a respeito da relação de Dom e Sub. A partir do momento que descobrir quão prazeroso o sexo podia ser, eu esperava você para fazê-lo. Milhares de vezes eu imaginava você no lugar de Elena.
Após ouvir sua declaração meu ego se inflou de maneira rápida. Dei um beijo em sua boca.
– Depois com vinte e um, paramos com aquilo que tínhamos. E tudo melhorou. Minha mãe recebeu uma ala pediátrica somente dela. Eu, Elliot e meu pai começamos a empresa, que rapidamente cresceu e foi ai que eu encontrei você. A minha menina dos olhos azuis.
Cai por cima dele na areia. Eu amava aquele homem com todas as minhas forças. O menino pelo qual me apaixonei em Port Land e de encontrei em Seattle, a cidade que tanto amaudiçoei por Chris ir para lá. É agora eu sabia que ele havia sofrido tanto ou mais que eu.
Me sentei na sua frente. Puxei-o pela nuca para ficar colado comigo. Eu riu da minha atitude e me puxou pela cintura.
– Eu te amo. — eu disse. — Você sofreu... Me perdoe, mas você já melhorou não é? — Olhei-o diretamente por debaixo dos cílios.
– Só sou um pouco bipolar agora. — acariciou meu rosto. — Minha mãe gosta muito de você. Eu notei que ela viu você como uma salvação para fazer eu voltar a ser o mesmo Christian de antes. Eu vi os olhos dela brilharem e eu notei que eu tinha machucado-os severamente. Machucado minha família e todos que me cercavam e eu notei que você é a minha salvação. Obrigado, Ana.
Algumas lágrimas ameaçaram cair naquele momento. O puxei para mim, beijando avidamente com todo o meu amor. Em um movimento rápido ele me pegou no colo colocando uma das mãos em minhas costas e a outra, na dobra de meus joelhos e continuou me beijando. Eu sabia o caminho que ele estava tomando. Ele estava tomando o caminho da felicidade.
*
Sua cabeça descansava no vale dos meu seios. Sua respiração era lenta, ele ainda dormia enquando eu fazia carinhos em seus cabelos cor cobre. Seus pernas estavam enrolada nas minhas e seus braços abraçavam minha cintura de maneira possessiva.
– Ana...
Seu sussurro baixo me fez sorrir. Ele estava sonhando comigo. Ele nunca havia feito isso, pelo menos não perto de mim. Acariciei sua nuca, puxando os cabelinhos que havia alí. De repente a respiração de Christian mudou e eu pude notar que ele havia acordado.
Ele olhou para meu rosto. Seus olhos meio lagrimejosos eram fofos, davam a ele um sinal de inocência. Os cílios eram longos e finos acima de seus olhos penetrantes e diferentes. A barba rala e o maxilar quadrado eram um deleite e os cabelos eram lindos.
Notando meu olhar de pura adoração, ele se pois sobre mim.
– Eu jamais vou me cansar do seu rosto pela manhã. Tão linda. — e beijou-me sendo o homem mais fofo do mundo. — Amo você.
– Eu também, baby. — eu disse.
– O que quer fazer hoje?
– Que tal aproveitarmos a piscina? Pegamos um sol e nos divertimos. — falei.
– Parece ser uma boa ideia. — falou, concordando.
– Vamos! — levantei com empolgação.
Eu estava nua, eu sabia, mas eu tinha me acostumado a andar assim na frente de Christian. Com ele não havia problema, mas não pude deixar de corar quando ele olhou minha bunda quando me levantei da cama. Olhei para ele com um olhar repreensor e ele jogou a cabeça no travesseiro, rindo. Filho da mãe!
*
Eu e Christian já tínhamos chegado na piscina que estava um pouco cheia pois já era um pouco tarde. Sentei em uma espriguiçadeira e tirei o meu vestido, fincando com o biquíni somente. Ele era bonitinho, colorido e com laços nas laterais.
Christian sentado em outra espriguiçadeira, abaixou os óculos para olhar em minha direção com um olhar interrogativo e um tanto raivoso. Ele estava gostoso isso eu não podia negar de maneira alguma. Ele facilmente poderia ser modelo. Ele havia colocado uma sunga preta como a maioria dos homens daqui. A bermuda ele havia colocando em cima do braços da espriguiçadeira.
Ri e chamei-o para a piscina. Ele aceitou e veio em minha direção.
– Acho que não vou poder deixá-las sozinha, baby. Você está bonita demais para sua própria segurança. — disse enquando me enlaçava em um abraço.
– Está imaginando coisas, Chris. — sussurei.
Deu-me um beijo. Que logo foi interrompido.
– Christian? Ana? Queridos!
Era ela. Elena Lincoln com biquíni minúsculo e branco andou em nossa direção como se andasse sobre uma passarela. De saltos e com óculos escuros de aproximou e nos cumprimentou.
Eu já estava cansada dessa mulher. Eu não iria me abater e nem me abalar com a presença dessa mulher. De uma vez por todas Elena Lincoln saberia quem era Anastasia Steele.
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