Você me esperaria?
21 Capítulo 21 - Brigas e Férias
*Ana
Kate me olhava com aflição do mesmo modo que eu olhava para ela. Os dois estavam em uma briga interna. Sabia que a qualquer momento eles poderiam se atacar e pronto. Eu e Kate não poderíamos contê-los. Entendendo minha situação, Kate se pronunciou.
– Ethan, já que conheceu Christian, que tal irmos preparar algo para comer na cozinha. Uma salada... — ela agarrou no braço dele. Praticamente agarrando-o em direção a cozinha.
Christian me olhou de solaio, serrando os olhos para mim. Me sentei no sofá a sua frente. Roí a unha do indicador. Ele estava me olhando do jeito: "Nada do que você disser nesse momento vai mudar o meu ciúme, mas eu quero explicações."
– Lembra que eu te falei que minha mãe trabalhou na casa do Kavarnagh, bom... De qualquer maneira eu e eles viramos amigos e nada mais. Não precisa ficar com raiva de mim, okay? Só amigos.
Ele olhou para mim com aquela maneira misteriosa. Ele se aproximou e segurou meu rosto.
– Ana, sinceramente, estou ficando muito cansado. Será que não nota? — Sussurra contra meus lábios.
– Noto o que? — Murmuro meio desconexa.
– Eu estou ficando cansado de ter que segurar o meu ciúme. Não nota quantos homens se jogam em cima de você? Será que não vê que ele se sentem seduzidos por você? Você é linda demais para o seu próprio bem, baby... Tenho que aturar cada olhar desavergonhado que você recebe na rua.
Franzo o cenho.
– Christian, como assim? Que olhar?
Ele deu-me um beijo doce. Segurando fortemente meu maxilar, me forçou de encontro, comendo, devorando minha boca de maneira selvagem. Eu já estava começando a ficar com falta de ar quando ele nos separou. Eu arfava audivelmente. Ele parecia meio perdido.
– Quer ver o filme agora?
Sorri. Sinceramente, havia esquecido o filme. Acho que novamente Christian Grey me faz esquecer de compromissos. Não me culpem, com um homem desses quem não se esqueceria, não é?
– Alguma preferência? — pergunto, puxando-o em direção ao corredor.
A primeira porta a direita era meu quarto. Uma TV, uma estante, um armário e uma cama. Era basicamente isso, mas de qualquer maneira aconchegante. Kate havia arrumado minha cama do jeito que eu gosto. Era uma cama de solteiro simples.
– Só espero que não tenha nada muito meloso em mente como Querido John ou A Culpa É Das Estrelas. — disse simplesmente enquanto se deitava na minha cama de maneira desplicente.
Olhei para ele abismada. O que posso fazer? Sou uma romântica incurável, não há como não ficar abalada com sua fala. Olho-o seria.
– Vou ignorar... Eu não ouvi você isso.
Peguei O Doador de Memórias, o mesmo filme que estava vendo na Clayton's quando ele apareceu. Simplesmente adoro o filme pelo fato do Protagonista ter algo especial, destinado a fazer, mas não coisas idiotas, coisas que podem mudar tudo que ele acredita. Coloco no aparelho e volto e me deito ao lado de Christian.
Ele havia tirado os sapatos e se enfiado debaixo das cobertas. Repeti todos os seus gestos e me deitei em seu peito. Durante todo o filme seus carinhos e cafunes não cessaram. Ainda no meio do filme trocamos de posições. Ele entre as minhas pernas deitado, enquanto eu escovava se cabelo com meus dedos.
– Acho que é a primeira vez que estou assim... — ele fala para ninguém exatamente.
– Como assim? — Pergunto, acariciando suas bochechas.
– Acho que é a primeira vez que estou na cama com uma mulher sem ter a mínima vontade de fazer sexo. Sabe, estou adorando curtir esse momento só nós dois sem tensão, nem tesão. É relaxante e despreocupante.
Sorri. Christian está aprendendo a namorar. Aprendendo a dar uns amassos em uma garota. Sinto que ele não está preocupado realmente. Ele aprendeu a relaxar. Isso é divino.
No final do filme, quando as memórias voltam a tona, eu choro igual uma idiota, como sempre, e Christian em vez de me consolar a minha dor, não! Ele ri. Mas eu rio junto com ele. As vezes, realmente, sou melosa demais.
Acabando de assistir o filme fomos para a cozinha. Por sorte não encontramos Ethan ou Kate. Graças a Deus! Penso comigo mesma. Fiz sanduíches. Comemos rindo e brincando.
– Obrigado por me permitir ter esse momento com você, Ana. — acaricia meu rosto.
– Ora, Christian, eu...
Ethan entra na cozinha. E está sem camisa. Claramente tentando chamar minha atenção e irritar Christian. Agora o perigo de uma briga se aproxima.
Ethan se senta ao meu lado na bancada.
– Já acabou a faculdade, não é?
Balanço a cabeça. Me sinto uma bolinha de ping pong, não sei mais a quem recorrer.
Christian rosna baixinho. Estremeço visivelmente.
– Se ele te chateia, larga ele baby...
Esse comentário abalou tudo. Acho que tudo que se passou a seguir passou pela minha cabeça em câmera lenta. Christian se atirou em Ethan, que também não deixou barato revidando cada soco recebido.
– Nunca mais chame a minha mulher de baby, ouviu?! — ele estava furioso.
– Eu a chamo do jeito que quero!
Entre socos e chutes os dois se reviravam enlouquecidamente no chão. Chamei Taylor as pressas. Ele trouxe mais dois seguranças. Um puxou Ethan e Taylor e mais outro, Christian.
Parei na sua frente.
– Se acalme, okay? Respire. — ele mantinha seu olhar no chão. Toquei seu rosto levemente, tentando de alguma maneira acalmá-lo.
Eu podia ouvir os grunidos de Ethan. Tanto ele, quanto Christian tinham se machucado durante a briga. O super cílio de Ethan tinha um arranhão e seu nariz sangrava um pouco, além de um olho roxo. Já Christian tinha o lábio cortado, sangrando e uma bochecha roxa e inchada.
Kate apareceu, saído do corredor com cara de sono. Quando se deparou com a cena correu em direção a Ethan. Indignada, obviamente, mas de qualquer maneira preocupada.
– O que houve, Ethan? Por Deus, seu rosto... Venha para o quarto. — o puxou novamente para o corredor.
Olhei para Christian.
– Não me olhe dessa maneira. — disse, enquanto peguei uma bolsa de gelo no freezer e a maleta de primeiros socorros embaixo do armário. — Ele mereceu.
– Acho que foi desnecessário, Christian. — declaro, pegando um pedaço de algodão e molhando na água oxigenada.
Sua expressão mudou drasticamente.
– Como desnecessário? Ele deu uma opinião a você, Ana! Uma opinião para você me deixar! Au! Eu, isso doí! — Gritou quando apliquei o algodão no local machucado.
– Não notou que ele só estava te atiçando, baby? — coloco a bolsa de gelo em sua face. — Agora não poderei mais beijar você!
Ele sorriu de canto. Ele havia se sentado em um dos bancos da bancada. Me sentei no seu colo, enlaçando seu pescoço. Ele sorriu e enlaçou minha cintura.
– Já pensou em tirar férias, baby? -indagou.
– Não — respondi. — Eu nunca... Meu Deus! — Lembrei-me naquele momento que havia faltado dois dias de trabalho na Clayton's. — Eu trabalho, mas com certeza agora não tenho mais emprego. Faltei dois dias! Dois! — coloco a mão na testa.
– Ei, baby, não fique assim você é inteligente e esperta. Vai conseguir um outro emprego rapidamente, mas voltando ao assunto... Que tal tirarmos feria de verão, Ana. Julho já está chegando.
Ri.
– Hum. Não sei. — brinquei. — Aonde quer me levar então, Sr. Grey?
– Que tal Havaí ou a Flórida, baby, mas meu palpite e que você aceite o caribe.
Rio. Simplesmente amo o Caribe. O sol gostoso de lá é uma delícia pelo que dizem. As águas cristalinas e o céu azul são uma combinação belíssima.
– Está brincando, não é?
Ele franziu as sobrancelhas em descrença.
– Por que não?
– Isso é sério, Christian? — indago, assustada. — Só pode estar brincando. Não posso deixar que você arque com essa despesas para mim, baby. Sério, mesmo.
Ele me olha estranho.
– Por que não? — pergunta novamente. — Tenho dinheiro, Ana. Tenho direito de gastá-lo com o que e quem eu quiser. Queri ter um momento de paz no Caribe com você... Vamos aceite.
Estou dividida, não quero seu dinheiro sendo gasto assim comigo.
– Eu não sei... — ele me surpreende com um beijo. Seu poder de persuasão é enorme. — Está bem, baby, está bem.
O sorriso que ele abriu a seguir foi contagiante. Sorri junto com ele. Quem sabe umas férias não seriam boas mesmo?
– Caribe, aí vamos nós!
Gostaram? Caribe, baby. Haha. Bom... Vamos lá..
Próximo capítulo: Caribe, baby.
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