Você atingiu minha alma
7 Capítulo Sete
– O que ele respondeu?
Regina bebe mais um gole do café e depois tenta sorri.
– Ele chorou silencioso. A visão daqueles olhos molhados conseguiu esmigalhar e esfarelar o que havia restado do meu coração. Senti a dor que surge quando alguém arranca o coração do nosso peito e o espreme entre os dedos.
Mary faz uma careta. Reconhecia bem a dor descrita.
– Eu me senti tão miserável!
– Mas ele aceitou a proposta?
– Disse que não poderia porque tinha medo da minha covardia. “Sou covarde diante de sua covardia”, ele me disse. Pensa que não o assumirei para o mundo e então se recusou a casar-se comigo. – Regina abaixa os olhos. – O desgraçado veio avassalador e tocou a minha alma, Mary. O que farei?
– Você deve lutar para convencê-lo de que está errado. Você é uma pessoa incrível! É arrogante, altiva, mas é genuína! Tudo em você é intenso e deve mostrar isso a ele.
Regina nega com a cabeça.
– A menos que você ame mais a solidão e o sofrimento.
– Claro que não! – a prefeita mostra-se indignada. – Eu quero amar outra vez! Quero tentar ter o meu final feliz e escrito por mim!
Mary abra os braços e encolhe os ombros.
– O que está esperando? Seja piegas, brega, cafona ou seja lá o que for! Vá atrás do homem que você deseja! Mesmo que ele fuja, você tem meios para encontrá-lo! Agora é a sua vez de ser feliz e com um destino que você mesma traçar!
– Você faria isso se esta situação fosse entre você e David?
Mary gargalha. Era a pergunta mais absurda para ser feita.
– É óbvio que sim! Eu seria ridícula, tola, chorona, lutadora, persistente! Iria até o fim do mundo e dos tempos para provar o meu amor! Desistiria somente depois de ter usado todas as minhas armas. – Mary se inclina para perto da madrasta. – E todas as mulheres possuem armas poderosas e sabem como usá-las sem precisar de força.
As duas riem.
Era cedo daquele dia, quando o carro de Regina é estacionado nas proximidades do prédio onde ficava o escritório de Vasco. Ele havia alugado um dos andares para instalar toda a documentação de sua empresa e para receber seus contratantes. Sem hesitar, Regina vai até o determinado andar.
– Bom dia, amor!
Ele a encara e a expressão que surge em seu rosto é a máscara inexpressiva esculpida na face da estátua de Davi.
– Preciso falar com você. Peço que me escute.
Suavizando ainda mais seus traços bonitos, o homem ajeita os óculos e apoia as mãos sobre a papelada que estava sobre a mesa.
– Eu reconheço que errei quando falei todas aquelas palavras, naquela maldita noite, mas estou aqui para implorar o seu perdão. – ela sorri e senta-se diante dele e consegue ter a sensibilidade de perceber como sua presença o afetava. – Fui cruel, porém todo erro merece perdão! Tudo o que peço é que pense com carinho sobre a possibilidade de uma história nossa!
Vasco ainda mantém o controle, mas deixa escapar um suspiro.
– Caso eu pudesse apagar de sua vida aquela noite negra, daria a minha vida para que isso acontecesse, Vasco. – a voz de Regina embarga-se. – Estou expondo meus sentimentos como nunca fiz em minha vida.
– Regina, meu amor, ainda sinto a dor da humilhação e a força com que aquelas palavras invadiram furiosamente o meu coração. Ser considerado um “nada” na vida de alguém, depois de ter entregado suas emoções, exposto seu corpo e suas reações, faz com que a dor que sinto seja literalmente física e sem exageros.
– Eu imaginei que tudo não passasse de uma brincadeira de amantes, mas jamais tive a intenção de ferir você, Vasco. – Regina levanta-se, aproxima-se e segura o rosto bonito do rapaz entre suas mãos. Sente o aquecimento da pele provocada pela luta das emoções. – Quando eu o pedi em casamento não foi para humilhá-lo ou para jogar com seus sentimentos, que são reais e puros, um presente lindo que a vida está dando para mim.
– Regina...
– Acredite em mim! Não sou uma mulher que implora atenção ou o amor de um alguém, porém, hoje estou aqui para provar o quanto estou arrependida e o quanto eu o desejo em minha vida!
Vasco afasta-se da mulher e buscando seu conhecido controle, consegue mostrar um sorriso.
– Não posso, Regina. – ele pressiona o peito com a mão espalmada. – Entenda que eu não posso. Fique longe de mim, por favor!
Regina permite que ele se afaste e consegue até sentir o cheiro da aflição que dominava a alma do rapaz. Ela sorri quando se encontra sozinha.
– Vasco zero...Regina um!
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