Você Me Tem

4 Capítulo 3: Sentindo o gosto da popularidade.


POV Katniss

Mal consegui dormir. Cheguei morta de cansaço depois de minha pequena ‘noitada’ com amigos de verdade, entretanto se dormi quatro horas foram muito! Acordei mais cedo do que de costume para ir à escola, estranhamente eu estava ansiosa pelas aulas de hoje. Talvez seja – tenho absoluta certeza – pelo grande desejo de reencontrar Finnick e sua namorada-minha-mais-nova- amiga-Annie. Suspirei, era tão idiota! Ok, eu desde pequena sempre fui muito tagarela e agitada! Isso mudou com a ida de Peeta... Eu meio que me fechei. E depois quando Finnick se foi... Perdi o chão. Comecei a ser invisível na escola. Não falava com mais ninguém. Deixei de ser a Katniss feliz da vida, amiga de todos, passando a ser Katniss normal e chata de hoje.

Não culpo a todos os alunos da maldita Sequim High School por não serem meus amigos e não falarem comigo, até porque a culpada – e ignorante – da história sou eu. Às vezes fico imaginando em como minha vida poderia ser diferente se Peeta e Finnick tivessem ficado.

Clove foi a única que me socorreu que me deu abrigo com sua amizade. Ela não é nadinha parecida comigo. Mas me entendia, e ambas se completam. Bem... A morena tentou concertar-me a força, várias vezes chegou perto de conseguir aquele resultado que ela queria de “Katniss popular e linda”, mas no final eu desistia, falava que aquilo não era minha cara e tudo flopava. A danada ainda tem esperanças de ver esse “sonho” – como a mesma diz – realizado, só espera que eu tenha algum incentivo.

Tomei um banho bem quente e relaxante, lavando meus cabelos.

Apesar de o dia estar frio e chuvoso, como sempre. Faz tempo que eu não acordava tão de bom humor! Coloquei minha skinni preferida, um moletom azul turquesa bem quente e deixei meu cabelo solto para secar ao natural.

Ao contrario de ontem, não tive a mínima vontade de acordar Peeta para a escola. Passei reto pelo corredor e desci as escadas. Preparei um simples sanduíche natural para comer, e sai com minha picape, rumo à escola.

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POV Peeta.

Dormi extremamente mal esta noite. Não sei bem o por quê. Para completar estava atrasado para a escola. Quando desci Katniss já havia saído com sua caminhonete velha. Minha vontade era de voltar para a cama na mesma hora, mas se meus pais descobrissem que eu tinha matado aula já no segundo dia, provavelmente ficaria sem mesada pelo resto da minha vida.

Peguei minha mochila preguiçosamente e sem pentear os cabelos fui para a escola em meu Audi. Chegando lá pude ver a picape velha de Katniss estacionada ao lado de... puta que pariu, uma BMW conversível! Será que em Sequim existem mesmo pessoas tão descoladas para pilotar um carro desde porte?

Estacionei o meu carro na primeira vaga que encontrei e sai vagamente para a escola. Olhares cobiçosos, de garotas piranhas, estavam a minha volta. Suspirei e passei as mãos em meus cabelos quase levando elas a loucura.

Segundo dia de aula... Estou indo para ai.

O sinal ainda não havia batido então o refeitório estava absolutamente lotado. Meus olhos foram atraídos rapidamente para uma mesa no final do refeitório, no qual estava Katniss. Eu a encarei. Parecia diferente. Parecia... Feliz. Ela estava rindo alto conversando com uma garotinha de cabelos escuros, que eu não me recordava de tê-la visto ontem, uma líder de torcida e um garoto.

Não sei quanto tempo fiquei parado os observando até que Katniss percebe meu olhar de intruso. Na hora em que me encara sua postura ficou ereta na cadeira e ela parou de rir no mesmo instante. Isso vez com que os outros sentados na mesa me olhassem. Hesitei por um momento. Então o homem que estava ali se levantou e veio andando em minha direção.

No começo não entendi direito o que o cara queria. Até reconhecê-lo...

– Peeta, irmão! – ele levantou a mão direita e eu retribui o gesto, depois nos abraçamos com dois tapas nas costas.

– Caraca Finnick! – não acreditei que era ele. Maldita Katniss. Ela não havia mencionado que Finnick estava em Sequim. – Pensei que estava na Califórnia!

– E estava – respondeu. – Cheguei antes de ontem na cidade com minha namorada e o irmão dela. Meus pais ainda estão lá.

– Que sorte! – falei. – Sabia que voltei ontem de Londres?

– Aramis me mencionou. – ri do apelido de Katniss, no qual ele a chamava quando era criança.

– Aramis? – perguntei.

Finnick riu.

– Katniss é claro! Para mim, ela sempre será minha pequena Aramis. Não, Athos?

Fiquei surpreso pelo modo no qual Finnick se referiu a Katniss. Tão carinhoso.

– Ela também me disse que você está hospedado na casa dela. – Finnick sorriu maliciosamente, me fazendo revirar os olhos. Uma vez Finnick, sempre Finnick. As pessoas nunca mudam.

– Estou vendo que a conversa que você estava tendo ali na mesa rendeu! – respondi rindo.

– Oh não, isso ela me contou ontem quando nos vimos.

Ontem como assim? Katniss o viu ontem e não me contou? Por quê?

– Vocês se encontraram ontem? – indaguei.

– Por acaso. Ela e minha namorada se conheceram na fila de um Fast Food ontem à noite.

– Ah sim. – isso explicava a... Leveza de Katniss ontem quando chegou em casa.

– Então... Venha conhecer minha namorada!

Finnick foi andando de volta a mesa e eu o segui. Reparei que a metade do refeitório nos observava. E os que estavam na mesa também.

Katniss olhava para as mãos quando eu me aproximei a líder de torcida que se eu não me engano se chamava Clove, a olhava de esguelha e a garota de cabelos negros, que suponho ser a namorada de Finnick, sorria para mim. Sua face parecia de um anjo. Ela parecia ser bem nova, eu lhe daria catorze anos.

– Peeta... Esta é Annie. Minha namorada. – Finnick nos apresentou. Notei que seu tom de voz mudou quando ele disse “minha namorada”. Era como se ele tivesse prazer de pronunciar isso para qualquer um que quisesse ouvir. Eu o olhei. Finnick parecia um bobo apaixonado. Ele lhe sorria como se ela fosse seu paraíso. Nunca vi tanta besteira em minha vida.

Annie se levantou do banco que estava sentada. Ela era bem baixa.

– É um prazer em conhecê-la Annie. – tentei soar o mais sincero possível.

Annie segurou em meus ombros e elevou seus pés para chegar as minhas bochechas, depositando ali um beijo.

– Finnick e Kat me falaram de você! – ela continuou sorrindo.

Olhei para Katniss e vi sua face corada. De raiva. Eu ainda conseguia distinguir ou melhor lembrar, dos momentos que ela corava: quando está envergonhada, quando está com raiva, quando está com frio, quando está nervosa e quando está rindo. Balancei a cabeça devagar para afastar a lembrança, nem sei o porquê de pensar nisto agora e voltei minha atenção a Annie.

– Bom escutar isso. – respondi. Então o sinal tocou para a aula.

Katniss se levantou com a amiga.

– Qual é sua primeira aula Aramis? – perguntou Finnick.

– Tenho Trigonometria agora. – ela responde e lhe sorri. – A sua?

– How! A minha é História Americana.

– A minha também. – digo. – É melhor irmos.

– Kat a minha é junto com você. – Annie diz. – Posso me sentar junto contigo? – Katniss ri.

– Bem... Minha carteira é junto com Clove. Mas o professor não liga se você se juntar a nós.

– Perfeito! – Annie respondeu. – Amor, até mais. – disse para Finnick. Ele se encurvou um pouco e lhe deu um breve beijo nos lábios.

– Vamos Peeta? – ele perguntou.

– Claro.

A aula foi longa... E chata. Estudávamos a Batalha de Waterloo. Tentei prestar atenção ao que o professor falava, mas era impossível. Não via a hora de acabar este inferno. Estava com saudades de Finnick. Fazia tempos que não nos víamos. Uma noite só para homens aí de acontecer.

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POV. Katniss

A aula foi legal. Sempre gostei de matemática, contas, números... E qualquer coisa relacionada. Minha atenção estava presa à professora na minha frente até eu escutar o nome de Peeta, e depois risinhos de meninas vindo do meu lado. Minha respiração ficou irregular.

Sempre imaginei a volta dePeeta...

Eu meio que tinha uma fantasia, como uma historinha encantada com ele. Até cheguei a sonhar com isto. Ele voltava, se dava conta de que sempre me amou e que mesmo estando longe todos os dias pensava em mim. Lembrava-se de mim em cada momento de sua vida. Meus olhos se encheriam de água, e eu diria que isso era o que eu esperava ouvir durante minha vida toda. Diria que o amava e que ele era minha vida. Então finalmente, Peeta pegaria delicadamente meu rosto e chegaria mais perto de mim. Depositaria um beijo em minha testa, significando proteção, e depois desceria chegando aos meus lábios.

Sim, era totalmente surreal e impossível de acontecer. Me amaldiçoo por pensar nisso.

Passei tantas noites insones, pensando nele. No que estava fazendo naquele exato momento, se estava com alguém... E de vez em quando uma lágrima solitária rolava pelo meu rosto. Agora sei que não foi em vão. Ele estava mesmo, sempre com alguém quando eu pensava nisso. Sei que não posso e nem devo, ficar vivendo do passado, ficar pensando nestas coisas, mas me dói. Me dói muito. E não consigo tirar ele da cabeça, mesmo tentando. E muito. Mas todo esforço é em vão.

O que Peeta fez ou não é problema dele. Não sou sua dona. Ele tem o direito de sair, ficar, transar com quem ele bem entender. Peeta é solteiro, um cara extremamente bonito, com belos olhos azuis, um sorriso encantador, o qual eu sempre amei, e agora o vendo pessoalmente depois destes anos vejo que Peeta também tem um corpo perfeito de dar inveja a vários homens, para o delírio das mulheres.

Uma onda de tristeza me invadiu. Que chances tinha eu, Katniss?

Annie que estava ao meu lado me passou seu caderno. Eu o peguei pensando que seria alguma anotação, ou algo que não havia entendido. Mas era um recado.

“Você gosta dele.”

Dizia o recado. Respondi escrevendo que não sabia do que ela estava falando.

– Quer mesmo que eu responda? – cochichou em meu ouvido. – Pee...

– Shhhhh. – eu disse e ela sorriu. Olhei para o lado disfarçadamente, Clove ainda prestava atenção no professor.

“Está tão na cara?”

Escrevi no caderno. Annie assentiu.

“Ele sabe?”

Me apavorei.

“NÃO! E nem pode. Peeta não gosta de mim.”

E depois disso ela não perguntou mais nada.

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Eu estava na fila do refeitório. Peguei uma lata de coca e dois pedaços de pizza para comer e fui para a mesma mesa que eu estava sentada esta manhã. Não demorou muito para Peeta aparecer. Eu vi ele pegando seu lanche e se direcionando a mesa das lideres de torcida e do time de futebol americano da escola. E eu que pensava que ele se sentaria junto a mim. Finnick e Annie apareceram em seguida de mãos dadas e eles sim, foram a minha mesa.

– Curtindo a escola? – lhes perguntei.

– Não é tão ruim Aramis. – disse Finnick.



– Está só no começo... Fique durante uma semana inteira, aposto que você vai querer voltar à Califórnia correndo.

– Eu estou gostando. – falou Annie. – Só não me acostumei direito a este frio. Nasci na calorosa Califórnia, e cara isso aqui é o polo norte para mim.

Eu ri.

– Você se acostuma com o tempo. – assegurei e dei gole na minha coca.

– Kat... Clove tem namorado? — Annie perguntou.

– Não, não. – eu ri. – Ela é maluca por um cara do time de futebol da escola, mas nunca teve coragem de se declarar.

– Ah sim. – ela pensou por um momento. – Tipo, ele é alto? Como um armário? – me surpreendi com sua pergunta. Qual era a importância disso? Pra que queria saber?

– É sim. Talvez o mais forte da escola...

– Céus! – Annie levou a mão à boca. – E ele seria aquele de mãos dadas com ela? Aquele que está agora mesmo caminhando para a nossa mesa?

Olhei para onde ela apontou, e foi a minha vez de levar a mão à boca.

– Cacete! – exclamei. E não fui à única. O refeitório todo também disse. Em parte por Cato – o galinha, que nunca namora – estar com Clove. E em parte por que: uma líder de torcida, um jogador de futebol americano e os novatos bonitinhos da Califórnia, estavam na mesma mesa em que eu estava sentada.



– Os populares estão sentando na minha mesa? – perguntei confusa. Não conseguia raciocinar direito. Clove estava mesmo com Cato? Todos sabem como é Cato. Eu sei como é ele.

E ela também.

Agora eles estavam sentados. Na mesma mesa que eu. Todo o refeitório nos observava, até a área popular dali. Isso me deixava nervosa. Os cochichos eram como zumbidos de uma mosca em meu ouvido, eu queria afastar.

– Oi Katniss. – disse Cato.

– Ah, que bom. Pelo menos você sabe o meu nome. – respondi.

– Katniss! – Clove me repreendeu e eu dei de ombros. Continuei meu lanche em silencio e tentei não prestar atenção em mais nada.

– O que acha de sairmos hoje? – pergunta Finnick a mim. – Eu, você, Annie e Peeta. Poderíamos pegar um cineminha.

É incrível o resultado em meu corpo, só de escutar o nome dele. Eu queria aceitar. Eu devia aceitar. Mas me recusei.

– Não Finnick... Eu preciso resolver alguns assuntos em casa. Na verdade precisarei da ajuda de Annie e se Clove não estiver ocupada, dela também. – terminei a frase um pouco mais alto. Clove que estava no meio de um profundo contato visual com Cato desviou o olhar e me encarou.

– Eu ajudo no que for. – prometeu Annie.

– Minha ajuda você também vai ter bobinha. – falou Clove. – Mas no que exatamente?

Eu me aproximei da mesa e elas também, como se fosse um segredo a contar, algo particular e ninguém podia ouvir.

– Fala! – apressou Annie.

– Minha picape está bem velhinha sabe... Eu a tenho faz tempo. No entanto, ela começou a me dar alguns probleminhas agora. – suspirei.

– Oh, não! – Clove disse. – É isso mesmo que eu estou pensando? Finalmente!

– É. Eu preciso trocá-la. Preciso da ajuda de vocês. Tenho que comprar um carro novo.

As duas começaram a guinchar em suas cadeiras de empolgação.

– Você não sabe o quanto eu esperei para escutar isso. Vai ser um prazer! Quando vamos?

– Amanhã? Nós podíamos sair da aula mais cedo... – sugeriu Annie.

– Não, calma ai... Matar aula? – perguntei.

– Ah, vai gata! Vamos. – disse Clove.

Assenti de olhos fechados. Pela primeira vez em minha vida eu estaria fazendo uma coisa errada. Quebraria as regras. A única coisa que faltava era falar com meus pais. Isso eu faria hoje mesmo a noite.

Afastamo-nos da mesa e Cato e Finnick nos encaravam.

– Não vou perguntar nada. Sei que não iriam responder. – disse Finnick.

– Exatamente. – minha voz e das meninas saíram em uníssono, em seguida trocamos olhares com nossa piadinha particular nada engraçada.

Notas finais
Vou adiantando que muitos irão ficar com ódio mortal de Peeta. Beijos amores.