Você Me Ensinou a Amar
33 Fireproof...!
Notas iniciais
–Eu tenho um filho.
–Como é que é? –Perguntei pasma.
–Eu tenho um filho Violetta, em Madrid.
–Você só pode estar brincando comigo.
–Eu não to... Olha eu posso explicar tudo...
–É o mínimo que você pode fazer. –Falei me sentando do lado dele na cama.
–Bem, isso foi á dois anos atrás. Eu morava em Madrid, fiquei lá por três meses e entre esses meses eu conheci a Lara, sei lá ficamos juntos por menos de um mês, nós acabamos fazendo, você sabe, ‘aquilo’. Mas acabou sendo na hora era e no momento errado e deu no que deu. Nove meses depois descobri que ela estava quase ganhando o Noah, nesse tempo eu já estava morando aqui. Não tivemos nada depois disso, eu fui lá ver Noah e depois voltei. Ela mora lá com ele e eu aqui, eu dou dinheiro á ela para á ajudar a cuidar dele.
–León eu... Por que você teve que ir para Madrid do nada? –Perguntei num fio de voz, e vi León ficar com os olhos cheios d´água.
–Noah... Ele estava muito doente. –Ele falou fungando.
–O-o que ele tem? –Perguntei entendendo seu sofrimento.
–E-ele e-esta com leucemia.
Nessa hora León desabou em lágrimas, eu não sabia o que fazer exatamente. Nunca havia passado por isso, e acho que muitas pessoas não passam por isso todos os dias né?! O que eu poderia fazer ou até mesmo falar?
León estava quase tendo um treco na minha frente, eu não pensei duas vezes e o puxei para um abraço. Ele colocou sua cabeça em meu pescoço e ali ficou chorando por pelo menos meia hora, enquanto eu tentava o acalmar.
Acho que era muita informação para minha cabeça em menos de uma hora. León, Madrid, Lara, filho, doente, leucemia...
–León?... –O chamei assim que vi que ele havia parado de chorar.
–Que?
–O que você vai fazer agora? –Perguntei me ajeitando na cama fazendo ele se deitar na mesma e eu ficar sentada ao lado dele mexendo em seu cabelo.
–Eu não faço a mínima ideia. –ele respondeu dando um suspiro frustrado.
–Sabe eu gostaria muito de conhecer o Noah... –falei meio que deixando a frase no ar.
–o que você quer dizer com isso? –Ele perguntou levantando a cabeça para me olhar.
–Não se faça de tonto León. Estou falando de irmos para Madrid. Esse é um momento que você tem que estar com seu filho. O que Lara falou sobre isso? –Perguntei em quanto acariciava seu rosto.
–Bem ela... Ela esta arrasada, anda se culpando, dizendo que devia ter prestado mais atenção nele e tal. Vilu você tem certeza que quer ir para lá? –ele perguntou meio receoso.
–Ele precisa de você, e eu não quero deixar você nesse momento sozinho. Por que não irmos? –Falei um pouco animada para ver se conseguia amenizar a situação.
–Eu adoraria. –ele disse e novamente as teimosas lágrimas voltaram.
–Amanhã iremos para Madrid... –Falei dando pulinhos na cama, fazendo León quase cair dela.
–Cuidado sua doida. –ele falou entre risos.
–Adoro te ver assim animado, feliz, alegre, com esse sorriso no rosto. Não se preocupa meu anjo, vamos passar por isso junto. Lembra-se: desde os sonhos mais loucos até os mais simples?
–Claro que lembro. –falou ele abrindo um sorriso largo.
–Ótimo! Então quero ver você com esse lindo sorriso que amanha vamos ir para Madrid juntos. –Falei juntando nossas mãos.
–Você quem manda.
(...)
A noite havia passado lentamente, León demorou muito para conseguir dormir, ficava se virando de um lado para o outro sem parar, sem contar nas vezes que o peguei chorando. Irei confessar que era estranho ver León assim tão frágil, parecia que iria se quebrar a qualquer momento. Isso geralmente acontecia comigo sei lá, claro que León não ficava assim toda hora, e era exatamente por isso que era estranho o ver assim, pois eu não sabia como agir, e ainda mais nessa situação totalmente delicada e complicada.
Confesso que estou meio chateada e talvez com um pouco de medo pelo fato de León ter um filho, ele tem um fruto de um amor ou talvez de uma noite. Não deveria estar com medo, pois como León mesmo disse ele nunca mais se comunicou com Lara, então não devo ficar possessiva. Apenas irei me concentrar no fato de que León precisa de mim assim como Noah precisa dele.
Estou louca para conhecer esse pequeno garotinho de um ano e meio. Imagina, ele ainda não pode viver nada da vida e já esta passando por isso. Deve ser difícil, uma criança o que mais quer é brincar e não fazer visitas constantes em um hospital. Mas algo me diz e eu sinto que ele ira passar por isso, e apenas será um capitulo de sua vida para ser lembrada e contada para todos.
León está criando um pequeno valente campeão...
–Acorda! Amor, vamos você não querer perder o voo, vai? –falei balançando o León numa tentativa de acordá-lo.
–Mais cinco minutinhos... –falou o mesmo sonolento jogando a cara no travesseiro.
–Você me pediu a mesma coisa a trinta minutos atrás. Agora chega mocinho, levanta. –o empurrei tão forte que o mesmo caiu da cama.
–Satisfeita? –falou ele ficando de pé me encarando brabo.
–Muito! Agora vai se arrumar, você tem exatamente quinze minutos, nem mais nem menos. Corre gatão. –falei o puxando até o banheiro.
(...)
–Tudo pronto, agora só falta chamar nosso voo. –disse León se sentando ao meu lado.
–Ótimo. Ainda faltam vinte minutos. –falei deitando minha cabeça em seu ombro.
–Que bom... Estou morrendo de sono, não dormi nada essa noite. –disse ele esticando suas pernas e passando os braços ao meu redor.
–Eu percebi. Esta melhor?
–Estou. Tirei um peso de minhas costas depois que te contei tudo. Só acho que... estive aqui ainda ontem. –falou ele olhando em volta fazendo graça.
–Para! –falei batendo em seu ombro. –Mas fico melhor em saber que esta bem.
–É... Vou ter que encarar isso de cabeça erguida, dar força para o meu pequeno. –falou ele olhando em um ponto fixo no além.
–Como ele esta reagindo diante isso?
–Ele ta confuso. Ninguém ainda havia mencionado a palavra morte perto dele, mesmo que o ele não entende-se. –ele fungou.
–León eu estou te dando a maior força possível, mas tenho que te falar que estou muita confusa, esperava tudo de você menos que tivesse um filho. –falei segurando sua mão.
–Pois é, eu sei. –ele disse me olhando.
–Foi fruto de um amor? –perguntei meio receosa.
–Não! Não precisa se preocupar com isso, não irei mudar de pensamento, ainda quero me casar com você, Noah está sendo apenas um desses desafios que sabíamos que iríamos passar.
–Eu sei. Eu te amo!! –Falei segurando o rosto dele com as minhas mãos.
–Eu te amo! –ele me deu um beijo.
Sentia saudade dos lábios deles nos meus do jeito que ele havia acabado de me beijar. É como se por um segundo tivéssemos nos esquecido de tudo. Estava tão bom que nem sei por quanto tempo ficamos ali nos beijamos, só nos demos conta que já havia passado um bom tempo quando escutamos aquela voz chata chamando nosso voo.
–Ultima chamada para o voo 248, com destino a Madrid.
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